Home TVEpisódio Crítica | Bates Motel – 5X01: Dark Paradise

Crítica | Bates Motel – 5X01: Dark Paradise

por Luiz Santiago
138 views (a partir de agosto de 2020)
BatesMotel_DarkParadise-plano-critico

estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

O triunfo da 4ª Temporada de Bates Motel se deu pela preparação cuidadosa no ramo da psicologia para os distúrbios de Norman, investigando suas causas, o que engatilha as decisões violentas do rapaz (embora já tivéssemos uma clara noção disso desde o final da 1ª Temporada) e as muitas possibilidades de manifestação de sua doença. Ao longo do penúltimo ano, não só as partes dramáticas se colocaram na “linha de tiro” para serem afastadas do centro, a fim de isolarem Norman e Norma; mas também o protagonista foi revirado pelos roteiros, mostrando ao público o que é possível esperar dele ou não. Tudo serviu para que no último ano, nada de didatismo ou “respostas a perguntas” fossem formuladas. Este Dark Paradise é uma prova disso.

Kerry Ehrin, que escreveu dois dos três melhores episódios da temporada passada (Forever e Norman), volta para dar início ao fim da série e o faz em alto estilo. Como é feitio da autora, a inteligência do espectador não é subestimada e o roteiro cumpre o que veio para entregar: o status dos principais personagens após o explosivo finale do ano anterior. Na primeira metade, a montagem parece um pouco truncada, gerando estranheza na passagem do bloco do Bates Motel para a vida de Dylan e Emma, por exemplo, que agora vivem em plena fofura com uma bebê na vida deles. Depois de passarmos pelas versões ‘bandidonas’ de Dylan e por toda a via crucis ao lado de Emma é uma realização vê-lo com um filha no colo. A imagem é bonita e tem peso dramático grande também, dado o histórico do personagem.

Já na metade final, a passagem entre os blocos se torna mais coerente e o espectador não tem muito problema de interrupções “atmosféricas” de uma narrativa para outra. Entre o paraíso escuro que é a nova vida de Norman e Norma e a vida fofa de ‘Dylemma’, temos Romero na prisão, a chegada moralmente inquietante de Caleb e a apresentação de Madeleine Loomis, que sabemos ter um papel importante na entrega de um personagem central de Psicose, seu esposo Sam Loomis, que deverá ganhar espaço nos capítulos seguintes.

A forte ironia do roteiro e frases que indicam duplo sentido como “i’m coming!“, usada por Norman para responder que ia jantar (uma frase dita no momento em que estava se masturbando ao espiar o casal no quarto ao lado), coroam o capítulo de abertura dessa 5ª Temporada. O ponto principal aqui é mostrar para o espectador como é a vida de Norman após a morte da mãe. Quais são os conflitos que ele enfrenta? Como as discussões com a genitora começaram e culimaram na animosidade que tão bem conhecemos do filme de 1960?

Nossa percepção é alterada aqui e vemos o mundo pelos olhos do personagem, ora diante da mãe em um mundo de fotografia de cores quentes e tons térreos, figurinos floridos e corte brusco entre os planos; ora sozinho, em um mundo cinza e azulado, sujo, desorganizado, com figurinos austeros e pesada trilha sonora. Mesmo diante dessa densidade do espaço e do som, não há mímicas do “homem mau” nem nada do tipo. A direção de arte e o restante da equipe técnica fazem um perfeito trabalho de pertencimento do personagem, de modo que não vemos nada forçado no “mundo real” do protagonista, que traz momentos dele perfeitamente consciente de que a mãe está morta e preocupado com os apagões ou com o que ele pode ter feito ali.

Vera Farmiga e Freddie Highmore gozam da excelente relação de cinco anos de trabalho juntos e a isso somam a grande qualidade que possuem como atores. O resultado é uma interpretação aplaudível das duas partes, que deve crescer e tornar-se cada vez mais insana, textualmente violenta e… castradora ao longo da temporada. A última fase de Bates Motel acabou de começar e, sabendo que seu desenvolvimento deverá manter o nível da grande estreia, já começamos a lamentar o seu fim.

Bates Motel (EUA, 20 de fevereiro de 2017)
Direção: Tucker Gates
Roteiro: Kerry Ehrin
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Kenny Johnson, Isabelle McNally, John Hainsworth, Vivian Lanko, Sam Vincent, Kyle Warren
Duração: 42 min.

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23 comentários

Daniel Barros 26 de outubro de 2017 - 13:17

(Confesso que gostava mais da versão Emma com tubo de oxigênio.)

Responder
Luiz Santiago 26 de outubro de 2017 - 13:55

Eu estranhei no começo, mas depois me acostumei com ela assim.

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Cleber Rosa 3 de março de 2017 - 11:11

Excelente critica…esse serie é maravilhosa e já estou começando a sentir saudades.

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Luiz Santiago 3 de março de 2017 - 15:22

Obrigado, @disqus_VWJ2P4vDtO:disqus! Também já estou com saudades! E quando você assistir ao segundo episódio, vai ver essa saudade crescer ainda mais! Está ótimo!

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Rafael Lima 23 de fevereiro de 2017 - 23:16

Em pensar que já se passaram cinco anos, e estamos chegando ao fim dessa ótima serie. Lembro que quando “Bates Motel” foi anunciada, eu tinha um pé atrás, pois sou um grande fã do mestre Hitchcock. Mas quando os primeiros vídeos foram revelados, tive um bom feeling, e felizmente não me enganei.

Esse episódio não chegou a ser bombástico como a da temporada passada, mas foi importante para mostrar a nova vida que os personagens estão vivendo após a temporada passada.

A dinâmica entre Norman e “A Mãe” é ótima. “A Mãe” é muito parecida com Norma, mas Farminga consegue transmitir as diferenças nos detalhes. “A Mãe” parece possuir todas as neuroses de Norma, mas sem a humanidade que a falecida matriarca da família Bates tinha. Palmas para Farminga por conseguir marcar as sutis diferenças entre essas duas personagens.

O Highmore entretanto não fica atrás, conseguindo transitar entre momentos engraçado, dignos de pena e assustadores com desenvoltura. O Norman desta temporada também parece mais maduro (superficialmente, é claro) e ao mesmo tempo que a atuação de Highmore paga tributo ao icônico trabalho de Anthony Perkins, é fiel ao protagonista que construiu nas quatro temporadas passadas.

Foi bom ver Dylan finalmente desfrutando de uma família saudável. Apesar de entender os motivos da Emma, não pude deixar de sentir um pouco de pena do Caleb, E acho que essa atitude da Emma ainda vai voltar para assombra-la, pois acho que ela mandou o Caleb direto pras garras da “Mãe”.

Responder
Rafael Lima 23 de fevereiro de 2017 - 23:16

Em pensar que já se passaram cinco anos, e estamos chegando ao fim dessa ótima serie. Lembro que quando “Bates Motel” foi anunciada, eu tinha um pé atrás, pois sou um grande fã do mestre Hitchcock. Mas quando os primeiros vídeos foram revelados, tive um bom feeling, e felizmente não me enganei.

Esse episódio não chegou a ser bombástico como a da temporada passada, mas foi importante para mostrar a nova vida que os personagens estão vivendo após a temporada passada.

A dinâmica entre Norman e “A Mãe” é ótima. “A Mãe” é muito parecida com Norma, mas Farminga consegue transmitir as diferenças nos detalhes. “A Mãe” parece possuir todas as neuroses de Norma, mas sem a humanidade que a falecida matriarca da família Bates tinha. Palmas para Farminga por conseguir marcar as sutis diferenças entre essas duas personagens.

O Highmore entretanto não fica atrás, conseguindo transitar entre momentos engraçado, dignos de pena e assustadores com desenvoltura. O Norman desta temporada também parece mais maduro (superficialmente, é claro) e ao mesmo tempo que a atuação de Highmore paga tributo ao icônico trabalho de Anthony Perkins, é fiel ao protagonista que construiu nas quatro temporadas passadas.

Foi bom ver Dylan finalmente desfrutando de uma família saudável. Apesar de entender os motivos da Emma, não pude deixar de sentir um pouco de pena do Caleb, E acho que essa atitude da Emma ainda vai voltar para assombra-la, pois acho que ela mandou o Caleb direto pras garras da “Mãe”.

Responder
Luiz Santiago 24 de fevereiro de 2017 - 11:55

Eu também acho que isso vai voltar para Emma em breve. E com certeza Dylan não vai reagir de forma… positiva… ao menos eu acho que não. Mas é uma questão tão complexa e acho que a série trabalhou tão bem que fico feliz que tenha voltado aqui.

As nuances são mesmo interessantes. Norman e A Mãe são figuras macabras e encantadoras. Esse preparo de temporada deixou claro. Vem muito mais sangue por aí… hahah

Responder
Luiz Santiago 24 de fevereiro de 2017 - 11:55

Eu também acho que isso vai voltar para Emma em breve. E com certeza Dylan não vai reagir de forma… positiva… ao menos eu acho que não. Mas é uma questão tão complexa e acho que a série trabalhou tão bem que fico feliz que tenha voltado aqui.

As nuances são mesmo interessantes. Norman e A Mãe são figuras macabras e encantadoras. Esse preparo de temporada deixou claro. Vem muito mais sangue por aí… hahah

Responder
Luis Lino 23 de fevereiro de 2017 - 16:39

Como foi que vocês viram o episódio? Torrent?

O “David Davidson”, na verdade, deve ser o Sam Loomis…

Responder
Luiz Santiago 23 de fevereiro de 2017 - 20:22

Eu vi pelo iTunes, @disqus_nKiva1g5Ar:disqus! 😀

Eu ri demais quando ele disse “David Davidson” ahaaahahahahhaa

Responder
Luis Lino 23 de fevereiro de 2017 - 22:04

E quem entrou com ele no quarto certamente não era a Madeleine…

Responder
Luiz Santiago 24 de fevereiro de 2017 - 11:36

Oh, definitivamente não… hehehhe

Responder
Luis Lino 23 de fevereiro de 2017 - 22:04

E quem entrou com ele no quarto certamente não era a Madeleine…

Responder
Luiz Santiago 23 de fevereiro de 2017 - 20:22

Eu vi pelo iTunes, @disqus_nKiva1g5Ar:disqus! 😀

Eu ri demais quando ele disse “David Davidson” ahaaahahahahhaa

Responder
Batman 22 de fevereiro de 2017 - 23:33

Episódio de estreia muito bom, mantendo como sempre a qualidade da série.

Responder
Batman 22 de fevereiro de 2017 - 23:33

Episódio de estreia muito bom, mantendo como sempre a qualidade da série.

Responder
Luiz Santiago 23 de fevereiro de 2017 - 00:25

De fato. Agora é esperar para ver como as coisas seguirão. Estou particularmente curioso pelo bloco de Romero e Caleb (+ Dylan e Emma)… E claro, pelo GRANDE EVENTO da temporada.

Responder
Batman 23 de fevereiro de 2017 - 01:18

SIM!

Responder
Batman 23 de fevereiro de 2017 - 01:18

SIM!

Responder
Handerson Ornelas. 22 de fevereiro de 2017 - 21:36

Cara, me deixa muito feliz ver o esmero e cuidado com o material original que a série possui. Esse episódio e seus comentários no penúltimo parágrafo mostram isso. Quem dera se todas as obras tivessem esse respeito com o material fonte, né?

Ótima crítica e já lamentando o fim da série.

Responder
Handerson Ornelas. 22 de fevereiro de 2017 - 21:36

Cara, me deixa muito feliz ver o esmero e cuidado com o material original que a série possui. Esse episódio e seus comentários no penúltimo parágrafo mostram isso. Quem dera se todas as obras tivessem esse respeito com o material fonte, né?

Ótima crítica e já lamentando o fim da série.

Responder
Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2017 - 22:51

Valeu, pagode!
Quando começou a série, eu e creio que todo mundo, fiquei na retranca com a localização da série nos “dias atuais” mas a sua cara “clássica”. Com o passar do tempo, a gente foi vendo que isso era uma coisa que seria bem trabalhada e olha onde chegamos. Realmente, o cuidado da produção é imenso e essa temporada já começa deixando saudades! hehehehe

Responder
Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2017 - 22:51

Valeu, pagode!
Quando começou a série, eu e creio que todo mundo, fiquei na retranca com a localização da série nos “dias atuais” mas a sua cara “clássica”. Com o passar do tempo, a gente foi vendo que isso era uma coisa que seria bem trabalhada e olha onde chegamos. Realmente, o cuidado da produção é imenso e essa temporada já começa deixando saudades! hehehehe

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