Home TVEpisódio Crítica | Bates Motel – 5X02: The Convergence of the Twain

Crítica | Bates Motel – 5X02: The Convergence of the Twain

por Luiz Santiago
119 views (a partir de agosto de 2020)

The Convergence of the Twain-plano-critico-doctor-who

estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

O bloco dramático paralelo que ganhou destaque no episódio anterior foi o de Dylan e Emma, tendo Caleb em cena para tornar essa fase do casal mais complexa e moralmente mais incômoda, ou incerta. Com a saída dele deste cenário, o roteiro o segue e dá destaque à sua nova parada, o Bates Motel. Aqui, Chick Hogan (Ryan Hurst foi ficando cada vez mais interessante com esse personagem!) também aparece, assim como Romero, que recebe uma visita provocativa de Norman — e começa a preparar sua vingança — e o casal Madeleine e Sam “David Davidson” Loomis, que dão a Norman motivações bem diferentes.

Vera Farmiga interpreta a morta mais falsa-francesa que você respeita, e essa fase da “Mãe” tem sido a mais criativa e bem humorada da série até o momento, tendo inclusive a melhor fase da fotografia do episódio e uma perfeita escolha de figurinos. A complexa relação de Norman com ela começou a ser erguida em Dark Paradise e a consciência da mãe de que está morta, somada à dualidade mental do filho entre o seu mundo colorido e bem iluminado versus o mundo escuro e decrépito que corresponde à realidade não cansam de nos impressionar.

A conexão entre essas variantes (imaginação + realidade + características de personagens se mesclando) já foi vista na TV em montagem e concepção igualmente excelentes em Sense8, por exemplo, mas aqui em Bates Motel a ideia cresce e se torna ainda mais profunda, pois se trata de uma complicada variação mental. Nesse aspecto, temos semelhanças bem fortes com as ideias mais legais das irmãs Wachowski, ou seja, as muitas faces da conexão entre pessoas e realidades, e Legion, que também explora na TV essas variantes mentais de forma aplaudível. Novamente, Bates Motel faz com que conexão e realidades mentais ganhem um significado mais denso no texto e nas ações da dupla envolvida.

Em dado momento de The Convergence of the Twain, o espectador “se perde” ao perceber que o texto mostra, sem explicações ou didatismo (mais um ponto positivo!) diferentes maneiras de manifestações da Mãe, ao lado de diferentes maneiras de Norman reagir a isso. Ao fim do capítulo, o travestismo coroa toda a situação, trazendo algo que já havia acontecido na série, a Mãe tomando controle de Norman, mas não com esse impulso. E o mais legal desse lado da trama é que os crimes da Mãe são muito mais violentos e recebem um cuidado todo especial por parte da direção.

Freddie Highmore mostra mais uma vez um grande domínio do personagem, primeiro em uma interpretação contida, frente a Romero; depois em distintas reação frente à Mãe (destaque para a versão passivo-agressiva) e por fim, assumindo a personalidade dela e colocando mais uma calculada força na fala, tanto na cena do bar quando no ataque a Caleb e a revelação para Chick que a Mãe está viva.

Já é possível perceber dois caminhos para o futuro se erguendo aqui. Sam Loomis certamente será uma pedra no sapato de Norman ao longo da temporada e Romero sabe muito bem o que quer. Deverá acontecer um lapso de tempo nos próximos capítulos, a fim de nos levar até o final com o protagonista muito bem estabelecido nessa dualidade entre a Mãe e sua persona frágil, que só de quando em quando consegue manter o total controle do que faz. A transformação final de Norman vem juntamente com as coisas que o condenarão.

Bates Motel (EUA, 27 de fevereiro de 2017)
Direção: Sarah Boyd
Roteiro: Alyson Evans, Steve Kornacki
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Andrea Brooks, Ryan Hurst, Kenny Johnson, Isabelle McNally, Austin Nichols, Daniel Boileau, Antonio Cayonne, Cameron Dent, Lee Shan Gibson, Ash Lee, Shane Munson
Duração: 42 min.

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20 comentários

Rafael Lima 5 de março de 2017 - 17:22

Mais um ótimo episódio. O engraçado, é que em alguns momentos, tanto Norman quanto “A Mãe” parecem de saco cheio da prisão que impuseram um ao outro (modo de falar, claro, já que a mãe não existe).

De fato @luizsantiago:disqus, Highmore merece ser lembrado nas premiações desse ano. Além das facetas que você citou, acrescento ainda a timidez quase adolescente que ele demonstra ao encontrar a Madeleine na cafeteria, praticamente enfiando a cara dentro do jornal. Hehehe

Mas Farminga não fica atrás. Ri muito da maioria das cenas dela, como ela fumando, aprendendo francês, e depois enchendo o saco do Norman no banco de trás do carro.

Marion Crane pode não ter chegado, mas já sentimos a presença dela na série, não? Afinal, me parece claro que é ela a amante (ou uma das amantes) do Sam.

E cara, realmente senti pena do Caleb. Acho ele um dos personagens mais contraditórios (no bom sentido) da série. Ele foi apresentado lá no começo da série como um demônio do passado, afinal, cometeu o mais imperdoável dos crimes. Mas ao longo da série, vimos ele realmente tentando se redimir e buscar o perdão da irmã e do filho/sobrinho.

O sofrimento dele com a morte da Norma realmente me emocionou. Palmas pro Kenny Johnson aqui. Ah, e muito bem dirigida a cena final dele invadindo o Casarão dos Bates, pra ser derrubado pela “Mãe” no ultimo momento.

Me pergunto agora qual vai ser o papel do Chicks nisso tudo, agora que sabe o segredo do Bates Motel.

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Rafael Lima 5 de março de 2017 - 17:22

Mais um ótimo episódio. O engraçado, é que em alguns momentos, tanto Norman quanto “A Mãe” parecem de saco cheio da prisão que impuseram um ao outro (modo de falar, claro, já que a mãe não existe).

De fato @luizsantiago:disqus, Highmore merece ser lembrado nas premiações desse ano. Além das facetas que você citou, acrescento ainda a timidez quase adolescente que ele demonstra ao encontrar a Madeleine na cafeteria, praticamente enfiando a cara dentro do jornal. Hehehe

Mas Farminga não fica atrás. Ri muito da maioria das cenas dela, como ela fumando, aprendendo francês, e depois enchendo o saco do Norman no banco de trás do carro.

Marion Crane pode não ter chegado, mas já sentimos a presença dela na série, não? Afinal, me parece claro que é ela a amante (ou uma das amantes) do Sam.

E cara, realmente senti pena do Caleb. Acho ele um dos personagens mais contraditórios (no bom sentido) da série. Ele foi apresentado lá no começo da série como um demônio do passado, afinal, cometeu o mais imperdoável dos crimes. Mas ao longo da série, vimos ele realmente tentando se redimir e buscar o perdão da irmã e do filho/sobrinho.

O sofrimento dele com a morte da Norma realmente me emocionou. Palmas pro Kenny Johnson aqui. Ah, e muito bem dirigida a cena final dele invadindo o Casarão dos Bates, pra ser derrubado pela “Mãe” no ultimo momento.

Me pergunto agora qual vai ser o papel do Chicks nisso tudo, agora que sabe o segredo do Bates Motel.

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Luiz Santiago 6 de março de 2017 - 00:41

Os momentos da verdade estão chegando. A trama vai crescendo, alguns papeis (como o de Chick) ficam em suspenso e a gente prende o fôlego, porque sabe para onde isso vai evoluir. E penso exatamente como você, acho que Marion “já está aqui”, pois tudo está se ajustando para ela. É uma sensação estranha e ao mesmo tempo muito interessante!

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Luiz Santiago 6 de março de 2017 - 00:41

Os momentos da verdade estão chegando. A trama vai crescendo, alguns papeis (como o de Chick) ficam em suspenso e a gente prende o fôlego, porque sabe para onde isso vai evoluir. E penso exatamente como você, acho que Marion “já está aqui”, pois tudo está se ajustando para ela. É uma sensação estranha e ao mesmo tempo muito interessante!

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Marta Souza 4 de março de 2017 - 01:08

Comecei a quinta agora e não consigo me segurar de tanta saudade. Maravilhosa interpretação do episódio vc fez aqui. É vamos esperar a chegada de Marion!

Responder
Marta Souza 4 de março de 2017 - 01:08

Comecei a quinta agora e não consigo me segurar de tanta saudade. Maravilhosa interpretação do episódio vc fez aqui. É vamos esperar a chegada de Marion!

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Luiz Santiago 4 de março de 2017 - 01:39

Marion virá com tudo, com a deus Rihanna!!! Mal posso esperar! uhuuuuuuuuuuuuu

Responder
Alysson 2 de março de 2017 - 21:36

Cara, parabéns! O episódio foi excelente e sua crítica elevou ele a outro nível. Já no aguardo das próximas reviews.

Responder
Luiz Santiago 3 de março de 2017 - 09:45

Muito obrigado, @alyssonbarroso:disqus!
E já está convidado a acompanhar as críticas para o restante da temporada!
abraço!

Responder
Luiz Santiago 3 de março de 2017 - 09:45

Muito obrigado, @alyssonbarroso:disqus!
E já está convidado a acompanhar as críticas para o restante da temporada!
abraço!

Responder
Alysson 2 de março de 2017 - 21:36

Cara, parabéns! O episódio foi excelente e sua crítica elevou ele a outro nível. Já no aguardo das próximas reviews.

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Lucas Wilker 1 de março de 2017 - 23:03

Perguntinha: agora a Vera Farmiga pode ser indicada a melhor atriz coadjuvante no emmy?
Acredito que nessa categoria ela tenha mais chances, pq mesmo com menos tempo de tela ela tá sensacional.
By the way, ótima crítica.

Responder
Luiz Santiago 2 de março de 2017 - 00:36

@disqus_GW9dmXrpqa:disqus, pode sim. Se já forçaram um monte de personagens, ela com certeza pode ser colocada nesse papel porque tem menos tempo em tela aqui e claro, sua personagem está morta. E TOMARA que ela seja indicada, viu!
Valeu, man! Seja sempre bem vindo!

Responder
Luiz Santiago 2 de março de 2017 - 00:36

@disqus_GW9dmXrpqa:disqus, pode sim. Se já forçaram um monte de personagens, ela com certeza pode ser colocada nesse papel porque tem menos tempo em tela aqui e claro, sua personagem está morta. E TOMARA que ela seja indicada, viu!
Valeu, man! Seja sempre bem vindo!

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Huckleberry Hound 1 de março de 2017 - 21:38

Rapaz…se Freddie Highmore não ganhar pelo menos um Emmy após o fim dessa série…

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 21:56

a mão de xingar a academia chega a tremer. hahahahhaah
Já fiquei puto na temporada passada. TOMARA que eles reconheçam a série nesse final…

Responder
Gustavo Rodrigues 1 de março de 2017 - 21:12

episodio sensacional

Responder
Gustavo Rodrigues 1 de março de 2017 - 21:12

episodio sensacional

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 22:02

Demais! Continuando nesse nível, vai dar uma saudade do canhão quando acabar!

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 22:02

Demais! Continuando nesse nível, vai dar uma saudade do canhão quando acabar!

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