Home TVEpisódio Crítica | Bates Motel – 5X05: Dreams Die First

Crítica | Bates Motel – 5X05: Dreams Die First

por Luiz Santiago
131 views (a partir de agosto de 2020)

Rihanna-Bates Motel Plano Critico Dreams Die First

estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

Nestor Carbonell dirige mais uma vez um episódio de Bates Motel, fazendo mais um grande trabalho e trazendo, no meio da temporada, a personagem de Marion Crane, muito bem interpretada por Rihanna.

De todos os pontos que olhamos, vemos o cerco se fechando em torno de Norman, agora temporariamente desligado das aparições da mãe e lapsos de consciência plena de sua realidade solitária. O roteiro desse episódio é particularmente sarcástico ao colocar uma briga entre o jovem Bates e Madeleine Loomis, praticamente repetindo as antigas contendas que víamos entre Norman e a mãe no carro até a temporada anterior. A semelhança entre Madeleine e Norma ressalta ainda mais esse aspecto, inclusive quando falamos de explosões emocionais.

Outra parte do sarcasmo dos autores está na ausência da Mãe, que só se manisfestou em off, num apagão que levou Norman a um bar gay, onde ele, travestido, teve algumas experiências que agora aparecem mais para assombrá-lo do que qualquer outra coisa. Alguns objetos encontrados na casa e a reação das pessoas no bar mostram que ele causou um verdadeiro impacto ali, e é bem provável que esse momento volte à tona no próximo episódio, talvez com algum corpo escondido em algum lugar.

A montagem ágil e a direção que vai brincando com os planos mais icônicos de Psicose, tendo grande ajuda da trilha sonora, nos dá a sensação de proximidade da tragédia e definitivamente ativa o suspense ao longo de todo o capítulo. Com mais cinco episódios até o fim da série e o fato de já termos Marion em cena, é evidente que as coisas serão aceleradas e tudo o que vem a seguir deve conter já algum tipo de fechamento dramático. Eu fiquei espantado que não houve nenhuma elipse de tempo para o envelhecimento de Norman e a chegada de Marion. Achei que isso aconteceria pela relação do jovem com A Mãe, mas considerando apenas este aspecto, é lícito dizer que a série nos deu até aqui todos os ingredientes possíveis para entendermos e aceitarmos o impasse que trará o assassinato de Marion.

Dylan e Emma voltam em um momento de crise no relacionamento, ligando-se novamente às ações de Norman. Ela descobre que a sogra está morta e essa revelação deve vir também para Dylan logo a seguir. No filme de 1960 não temos nenhuma indicação do irmão do jovem psicótico, então fica difícil estabelecer qual será o caminho tomado pela produção; se haverá um encontro — reescrevendo o cenário que vemos no clássico — ou se as coisas serão mantidas como conhecemos. Independente do que vier, a regra de adaptação se mantém: se fizer sentido dentro da história e se for bem explorado na tela, não há problema algum.

A marca do comportamento de Norman esta temporada é o desespero. Transitando entre diversos estágios de sua psicose, ora se tornando a mãe, ora vendo-a onde ela não está e ora tendo consciência do que ele e a mãe fizeram com algumas pessoas… o jovem chegou a um grande estágio de culpa e segue muito mais tempo assustado do que deveria. A relação dele com a xerife já indica desconfiança e é um outro ponto de suspense que se destaca no episódio. A partir daqui, este deverá ser o tom dos enredos até o finale, pois o cerco e os crimes de Norman devem aumentar ainda mais, assim como as pessoas desconfiadas ao redor dele.

Alex é citado, mas não aparece. Tenho dúvidas e algum receio de qual será o seu papel nessa reta final. Por enquanto, a temporada se mantém em altíssimo nível e gostaria que ela ficasse assim. Com a chegada de Marion e o fato de ela já rumar para o Bates Motel indica que O GRANDE EVENTO está prestes a acontecer. As cortinas novas Norman já comprou no episódio passado, então digamos que tudo está devidamente preparado. A estonteante Rihanna interpreta uma Marion sexy, desesperada e um pouco mais sacana do que a de Janet Leigh ou mesmo a de Anne Heche. Eu gostaria de ver mais dela em cena. Seu papel é grandioso e ela o encarou com bastante delicadeza e ações impulsivas muito bem medidas. Mal sabe que o seu fim está próximo… 

Bates Motel (EUA, 20 de março de 2017)
Direção: Nestor Carbonell
Roteiro: Erica Lipez, Kerry Ehrin
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Rihanna, Carlton Cuse, Damon Gupton, Isabelle McNally, Austin Nichols, Teryl Rothery, Al Sapienza, Raphael Sbarge, Micheal Doonan, Brooke Smith, Eddie Flake, Jenn Griffin, Brendan Taylor
Duração: 46 min.

Você Também pode curtir

26 comentários

Karam 26 de março de 2017 - 18:11

Me amarrei! Até então tava achando essa temporada muito no piloto automático. Mas esse episódio deu uma sacudida nas coisas. E já começou a nos preparar para O GRANDE MOMENTO. Ansiedade define.

Responder
Luiz Santiago 26 de março de 2017 - 20:01

Sério que você estava achando no piloto automático? Carambaaaa!!!
De qualquer forma Rihanna abala tudo! Essa é destruidora mesmo! haahahhahahaaha

Responder
Rafael Lima 25 de março de 2017 - 06:06

Ótimo episódio! Adorei a forma como “A Mãe” se fez extremamente presente neste episódio justamente pela sua ausência, assim como os paralelos que você apontou tão bem que estão sendo construídos entre Madeleine e a falecida Norma.

Highmore arrasou novamente. É quase como se nós conseguíssemos ver a luta na mente dele entre a parte de sua mente que quer ver a realidade e a parte que quer continuar mantendo a farsa da “Mãe”. O momento em que ele descobre o quão popular “Norma” era no bar gay foi de dar pena.

Gostei de termos o retorno do personagem do terapeuta em uma cena que homenageia diretamente o clássico. Acho que esse cara ainda vai ter um pape importante no desfecho.

Rihana segurou bem o icônico papel de Marion Crane, e gostei da forma como a personagem foi atualizada sem ser descaracterizada. Mas acho que ainda não vimos o “cerne” da personagem ainda, que no filme atinge o seu auge na brilhante cena do lanche com Norman no motel.

Entretanto, confesso que achei a personagem posta na trama de forma meio corrida aqui. A presença de Marion já era sentida desde o piloto, mas acho que teria sido melhor se ela tivesse sindo oficialmente apresentada no episódio passado.

Tá certo, entendo que enquanto “Psicose” era a história de Marion até que o coadjuvante Norman Bates lhe rouba o protagonismo em um verdadeiro latrocínio, “Bates Motel” é a história de Norman, e Marion é a coadjuvante. Mas acho que poderiam ter trabalhado as motivações do roubo de Marion de forma mais cadenciada.

Mas vamos esperar mais um pouco, pois estou achando que diferente do filme, o “Grande Evento” não vai acontecer logo na primeira noite da Senhorita Crane no Bates Motel como no filme, e que ela deve ganhar um desenvolvimento maior no próximo(s) episódio(S).

PS: Adorei a piada de Marion querendo ficar com a vaga de Janet. Hehehe

Responder
Luiz Santiago 25 de março de 2017 - 08:16

Eu acho que esse lado para a personagem será mesmo trabalhado no episódio seguinte, que deverá ser o episódio-chave para ela, penso eu. Eu entendo a sua percepção, mas acho que a intenção do roteiro foi retirar Marion o mais rápido possível de seu cenário cotidiano e levá-la para a estrada, para perto de Norman (ou Sam.. hehehe). Vamos ver como isso aparece a seguir.

E também acho que o psicólogo tem um papel importante até o final. Será uma bomba que deve explodir no colo de diferentes pessoas da cidade até o final. E eu já to me tremendo todo aqui hahahahah

Responder
Luis Lino 25 de março de 2017 - 00:13

“wow, like a feather”

Responder
Batman 24 de março de 2017 - 01:35

Que episódio!!

Ahhh Psicose está acontecendo!!!!!! Não dá pra se segurar!!

Responder
Luiz Santiago 24 de março de 2017 - 04:16

Dá aquela tremedeira básica! hahahahahhaaha

Responder
Vinicius Gandolfi 24 de março de 2017 - 00:53

Amei a cena em que o Norman se encontra com o Dr. Edwards. É uma referência a cena da Marion encontrando o chefe. Muito bem feito!

Responder
Luiz Santiago 24 de março de 2017 - 00:57

O episódio passado e este tem uma co-relações muito bacanas! Essa também foi uma das que me chamaram atenção! Curti demais também!

Responder
Luis Lino 23 de março de 2017 - 23:51

Por que será que esse episódio tem o nome do primeiro da série? “Dreams Die First” é a mesma coisa que “First You Dream Then You Die”.

Responder
Luiz Santiago 24 de março de 2017 - 00:28

A ideia executada, mas fracassada de Norman mudar-se para uma nova cidade e começar uma nova vida é a mesma ideia de Marion, quando rouba o dinheiro e quer se mudar para viver perto do seu amor. Ambas as mulheres possuem seus sonhos mortos antes delas mesmos serem mortas.

Responder
Oliveira 23 de março de 2017 - 11:18

Fala Luiz, certas coisas me intrigaram nesse episódio, se a Norman que vive na mente do Norma planejava forjar sua morte e viver escondida, o que raios ela faz no bar da cidade? Ainda mais se relacionando com as pessoas, isso perde um pouco da credibilidade, outra tecla que não canso de bater é o psicólogo, ele com todo seu profissionalismo com certeza desconfia que Norma matou sua mãe, afinal, o mesmo revelou para ele os assassinatos que cometeu!
Essa temporada vem me agradando, porém esperava mais, pode ser que minhas expectativas estavam altas, mas torço para que não caguem no desfecho.

Responder
Luiz Santiago 23 de março de 2017 - 19:08

Olá, @disqus_5cp0ZGT4bc:disqus!
Então, cara, pensa pelo seguinte prisma: a morte de Norma não foi planejada por ela. Lembra que foi uma tentativa de suicídio, mas só a mãe morreu. A relação entre eles a partir daquele momento ficou mais pautada por culpa. Lembra do encontro que a Madeleine marcou com o esposo, uma amiga e Norman? Lembra que A Mãe apareceu no restaurante? Ela já estava tentando sair a algum tempo. Essa forma mais… disfarçada de sair, foi a que a consciência do Norman permitiu que ela encontrasse. Não sei se me fiz entender.

O psicólogo: o Norman terminou a terapia ameaçando o psicólogo, lá na 4ª Temporada, lembra? Ele tem rabo preso com o Norman, ele não pode, para salvar a própria carreira, dar nenhum passo maior em relação ao jovem.

Espero que eles mantenham o nível até o final!

Responder
Lucas Quaresma 9 de abril de 2017 - 03:10

HAHA. Voltei aqui, agora sabemos o que rolou com o médico de Norman.

Responder
Luiz Santiago 9 de abril de 2017 - 10:21

Algum outro médico deve aparecer hahahahahaha

Responder
Oliveira 26 de abril de 2017 - 12:03

Finalmente! E foi tudo explicado de uma forma muito rápida e aceitável. Não tem a necessidade de existir uma cena mostrando o assassinato do psicólogo, depois de tanta alucinações da mente de Norman, fico até confuso com o que é real ou não srsrsrsr

Responder
Bruno 23 de março de 2017 - 09:15

Incrível esse episódio!! Norman em bar gay, gente! Travestido! Que audácia do roteiro! hahaha
E tá tudo tão bom, a reta final promete!!

Responder
Luiz Santiago 23 de março de 2017 - 19:09

Eu também fiquei chocadão! E ainda dando umas sarradas!!! hahahahaha nunca que eu imaginaria!

Responder
Bruno 25 de março de 2017 - 10:33

Tenho dúvidas se foi só sarrada mesmo ahahauahua

Responder
Luiz Santiago 25 de março de 2017 - 16:10

Uh, provavelmente não. ahhahahahahhahahah

Responder
Filipe Dias 22 de março de 2017 - 23:47

O que eu achei interessante é que o nome da empresa onde Marion trabalha é R.A Bloch

Uma referencia ao autor do livro Psicose Robert Albert Bloch.

Vou ver novamente para ver se acho mais detalhes

Responder
Luiz Santiago 23 de março de 2017 - 01:05

Exato! Aliás, essa temporada está cheia de boas referências à obra e aos filmes da “franquia” Psicose. Tá dando gosto de ver!

Responder
planocritico 22 de março de 2017 - 22:35

Marion Crane não guarda o dinheiro roubado em uma valise. Está tudo errado. Lixo de série. Lixo de crítica. Não sabe nada sobre o VERDADEIRO Psicose. A sujeita nem loira é! Essencial para a trama ela ser loira… E ainda por cima é colorido…

Patético…

– Ritter Bates

Responder
Filipe Dias 22 de março de 2017 - 23:46

Cara, não achei um problema esses detalhes

Responder
Luiz Santiago 23 de março de 2017 - 01:04

@filipe_dias:disqus, não leva a sério não é só o Ritter sendo Ritter! hahahhahahahahahhahahahahahaa

Responder
Luiz Santiago 22 de março de 2017 - 23:07

HAUHAUAHUAHUAHAUHAUAHAUAH bicho ridículo!!! Tinha que ser filho de Norman Bates mesmo! hhahhahahahahahaha

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais