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Crítica | Bates Motel – 5X06: Marion

por Luiz Santiago
194 views (a partir de agosto de 2020)

rihanna-bates-motel-rain-plano critico marion crane

estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

Imagine dois produtores de TV que resolvem adaptar um dos filmes mais icônicos da história cinema. Já aí, uma responsabilidade imensa cai sobre o ombro da dupla e, no caso de Bates Motel, eles realmente tiveram que suportar uma enxurrada de críticas em relação às mudanças e adequações feitas para o nosso tempo ao longo da 1ª Temporada da série. Durante todo o tempo, os espectadores esperavam chegar ao clímax do show, que deveria ser o assassinato de Marion Crane, como visto em Psicose. Tudo convergia para este grande evento. Mesmo com os showrunners dizendo em entrevistas na Comic-Con de 2016 que iriam “explodir as nossas expectativas“, nós nunca esperávamos que essa “explosão” viesse com o plot twist absurdamente corajoso que temos em Marion.

Em termos de drama e acontecimentos na série, o que ocorre aqui é perfeitamente aceitável e foi muito bem estabelecido, bem dirigido e, ao contrário do que muita gente raivosa anda dizendo por aí, NÃO TIROU A ESSÊNCIA DO ORIGINAL. O assassinato de Marion é o resultado de um distúrbio mental do protagonista (a não ser que o espectador não tenha entendido que Psicose é sobre Norman) que na série vem sido trabalhado com requinte de detalhes desde a 4ª Temporada.

Um assassinato acontece aqui, nos mesmos moldes do filme inclusive, mas não é Marion que morre. Ao contrário, ela é ajudada por Norman e acaba conseguindo fugir da Mãe, talvez para sempre. Em seu lugar, Sam Loomis é o premiado com a belíssima cena do esfaqueamento no chuveiro, com o mesmo padrão de planos (direção, fotografia e montagem aqui também são impecáveis) e finalização coerente em relação à série, mantendo a atmosfera do filme. A trilha sonora é outra, mas vejam, não estamos falando de uma cópia ou transliteração visual de Psicose, certo? É uma adaptação, e como tal, as escolhas foram bem vindas, pois que adequadas à essa nova realidade.

A coragem da produção em fazer esse tipo de coisa abre caminho para dois sentimentos. O dominante, mesmo para quem aceitou e gostou da mudança, é de decepção, pois a expectativa estava voltada para Marion e a maioria dos espectadores da série têm grande apego em relação a Psicose. Mas se toda decepção em séries de TV tivesse o sentido que teve a deste episódio e fosse igualmente bem produzida, a rigor, não haveria decepção alguma. Novamente, a base do filme está presente. Aqui, porém, os pontos que ativaram o clímax — ou um dos, porque ainda faltam 4 episódios para o fim da série — foram outros. Quase um What If… se pensarmos bem.

Eu havia elogiado a presença de Rihanna em Dreams Die First, e volto a ter a mesma boa impressão de sua Marion neste capítulo. Isso não tem exatamente a ver com a capacidade dramatúrgica da cantora, que é paupérrima, convenhamos. Mas a despeito disso, a Marion de Bates Motel precisava trazer uma persona mais solta, menos rigorosa, mais desleixada em termos de postura e Rihanna representa isso muito bem. Ela traz um novo valor para a personagem, uma delicadeza sexy e ao mesmo tempo desesperada, que se repete aqui e ajuda a criar a separação de caminhos em relação a Norman.

A volta da Mãe, após a escapada no episódio passado; a luta mental de Norman e o “acordo” feito com esta imagem mental que ele criou da genitora é plenamente revelada e se torna incentivadora de suas ações, com outro tipo de consciência (“Mãe, o que EU fiz?“), mudança que pode dar um tom completamente diferente — e igualmente polêmico — à reta final do show. Diante da surpresa aqui revelada, fica um pouco difícil prever o que os episódios finais de Bates Motel nos trará. Uma coisa é certa: a responsabilidade dos produtores agora é ainda maior, uma vez que estão pisando em território novo, mantendo uma base conhecida. É mais difícil adaptar coisas assim, muito mais do que com maiores similaridades em relação ao original. Quem diria que o término da série nos faria roer as unhas mais por um motivo metalinguístico do que dramático, não é mesmo?

Bates Motel (EUA, 27 de março de 2017)
Direção: Phil Abraham
Roteiro: Carlton Cuse, Kerry Ehrin
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Rihanna, Isabelle McNally, Austin Nichols
Duração: 46 min.

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40 comentários

Yuri Lucas 26 de julho de 2019 - 12:12

é Luiz, estou aqui, a mais de 2 anos da estreia da série (perdi a data, e gerei em mim uma raiva orgulhosa que não me permitiu assistir até esse ano, kk). Não sei se vai lembrar de mim que comentava todos os episódios do Bates e Flash, mas voltei pois os sentimentos que essa série deixa são marcantes. Por acompanhar o site para ter referências de filmes e séries, pois para mim é o melhor de crítica, não conseguiria deixar de vir aqui comentar sobre a série e em específico esse episódio.

Ele me deixou bem marcado pois os diretores conseguiram recriar o ápice do filme de uma forma diferente, que ao invés de criar um afastamento dos fãs de Psicose, gerou um sentimento novo, de uma “Arte” que foi inspirada em outra.

O incrível disso é que conseguir recriar esse sentimento de satisfação e misturar com nostalgia e aquela pitada do “Clássico” que todos usam como comparação do que é bom ou não (como Poderoso Chefão, Rocky, etc), fazendo essa receita que comemos devagar para aproveitar o momento esplêndido que estamos vivendo.

Gostei muito da série e em especial esse episódio. Peço perdão pelo comentário muito tardio haha, mas não podia deixar de passar aqui mais uma vez, para relembrar como era compartilhar sentimentos e opiniões, e ao mesmo tempo ser ouvido.

Abraços..

Ps: Antes meu Nick tinha uma foto haha.

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Acepipe Santi🐂GADO, O PARCIAL 26 de julho de 2019 - 15:40

Séries assim tão intensas podem gerar sentimentos bem curiosos na gente, seja de aproximação, seja de afastamento. Mas é muito bom ver que você voltou e pode comentar tranquilamente, mesmo nos textos antigos, que eu vejo todos os comentários. Pelo visto você já terminou a série, certo? Qual episódio que mais gostou, @disqus_Yh3smIhrN7:disqus?

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Gabriel 22 de junho de 2017 - 15:55

UM FINAL ICONICO!

Não quero terminar a série… Me apeguei! OMG

Abs

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Luiz Santiago 23 de junho de 2017 - 03:23

O sentimento de todos nós. 😀

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Al_gostino 8 de maio de 2017 - 12:43

Seria em plausível mesmo que não fosse a Marion a ser a “escolhida” para ser morta pois como se trata de uma série e de alguma forma precisamos nos simpatizar pelo protagonista, reparem que praticamente todas as pessoas que ele matou tinham alguma falha/defeito grave….mesmo a Marion não sendo a santinha, o Loomis era muito mais adequado e com o perfil certo para ser assassinado….a atuação da Rihanna surpreendeu positivamente….aliás, não tem um A pra falar mal dessa série, que se mostra impecável…parabéns pela crítica…abs

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Luiz Santiago 8 de maio de 2017 - 14:28

Valeu, @disqus_RYJJohc0X7:disqus!
Pois é, acho que esse negócio da empatia realmente tem um elemento importante aqui. Mas penso que a coisa é ainda mais intensa. Acho que faz parte de uma recriação de personagens mesmo, especialmente das mulheres, na série. Vide a própria Mãe.

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Tiago Lima 15 de abril de 2017 - 02:33

Finalmente, voltei! Ou você achou, @luizsantiago:disqus , que eu passaria esta temporada inteira sem comentar sobre esta série maravilhosa, heim?

E que episódio! Ah, que maravilha de adaptação. Confesso que em um primeiro momento eu fiquei surpreso por não terem matado a Marion Crane, mas fiquei extremamente satisfeito que foi Sam Loomis que tenha morrido em seu lugar.

E aqui vão algumas observações minhas: Psicose é um clássico, isso é fato. Mas é fato também que, como qualquer obra, ela é um reflexo do seu tempo. Assim também é Bates Motel.

Precisamos é admirar a coragem dos produtores de manterem, como você mesmo expõe, a essência da obra original intacta, mas alteram o discurso metalinguístico.

E em tempos em que as lutas sociais estão em alta, foi mais que acertado a posição de não tornar a mulher ( e negra!) uma vítima. E em seu lugar quem é exterminado é o homem, cisgênero, branco, cafajeste. O que faz sentido dentro da série, se lembrarmos que a primeira vitima de Norman foi seu próprio pai: Um homem branco, cisgênero e violento.

Outra posição da série que me chamou a atenção é não usarem mais a figura feminina da “A Mãe” como a culpada pelos crimes, como você mesmo aponta.

No mais, agora na reta final a possibilidade para um grande desfecho e amarrar as pontas soltas, como Dylan e Emma, Romero, e a mãe da Emma. É hora de correr para colocar os episódios em dia.

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Luiz Santiago 17 de abril de 2017 - 12:47

Essa troca de visões é uma das coisas que mais tem me impressionado aqui. Essa retirada da mulher como culpada, vítima, demonizada absoluta para alguém que tem tanto culpa quanto homens… é uma visão muito corajosa, especialmente porque trabalha com um clássico gigantesco como esse, né.

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leodeletras 14 de abril de 2017 - 15:09

Cara, ao assistir a cena e receber de cara a reversão eu fiquei mais apaixonado por Bates Motel. Série FDP de digna. Eu simplesmente amei. Mas ainda estou processando a Rihanna no personagem, se bem que diferente do que imaginei, não me irritou como eu esperava.

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Luiz Santiago 14 de abril de 2017 - 20:24

Sim! Ela é uma atriz ruim, mas entrega o que essa Marion deveria ser nesse Universo. Por isso não me incomodei com ela. Mas super entendo seu pé atrás.

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Rafael Lima 3 de abril de 2017 - 11:25

O melhor foi a cena da Marion saindo do chuveiro dizendo “Dane-se essa merda”, como se dissesse, “Comigo não, violão”. Hehehehe.

Achei a reviravolta bem corajosa mesmo, e acho que funcionou. O interessante agora vai ser ver essa nova dinâmica de Norman com “A Mãe”, ainda mais agora que ele mesmo cometeu um assassinato, e não sua outra personalidade, algo que nunca havia acontecido nem na série e nem nos filmes.

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Luiz Santiago 3 de abril de 2017 - 12:37

Exato! Tendo feito essa troca ou sei lá… um “acordo” entre ele e a Mãe, fica difícil pensar em como será a relação dos dois daqui para frente.

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Felipe Logan Ferreira 1 de abril de 2017 - 20:39

Mas, vcs não acham que a Marion ainda possa ser morta? Eu tô evitando de ler spoilers e coisas assim…Eu acharia foda, se no último episódio, encerrasse com a morte dela com a música tema do filme Psicose!!

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Luiz Santiago 2 de abril de 2017 - 05:37

Ah sim, ainda tem essa possibilidade! Também estou evitando spoilers ao máximo!

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Rafael Lima 3 de abril de 2017 - 11:26

Acho que ainda temos que ouvir a musica tema de “Psicose” em algum tempo, mas se eu tivesse que apostar, diria que não veremos mais a Marion não.

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Huckleberry Hound 31 de março de 2017 - 16:27

Que coisa mais inesperada hehehe!

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Vinicius Marques 30 de março de 2017 - 16:07

Queria saber qual foi a música da morte do Sam…

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Luiz Santiago 31 de março de 2017 - 01:34

A canção é um classicão americano de 1961, chamada Crying, de Roy Orbison.

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Vinicius Marques 30 de março de 2017 - 16:05

Sensacional. Que ousadia dos produtores. Não esperava que Marion de fato morresse e sim, por tudo que foi construído, Sam. Mas fazê lo no chuveiro foi genial…

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Luiz Santiago 31 de março de 2017 - 02:40

Aquilo foi sensacional mesmo! É aquela surpresa que deixa a gente com a cabeça girando!

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Oliveira 30 de março de 2017 - 10:11

Esse episódio foi o melhor até aqui, fico feliz que a série apesar de ser baseada no filme consiga manter seu próprio rumo, com todos os personagens tendo uma importância na história. Me parece que esse Norman mata por prazer, e depois desse episódio percebemos que ele não precisa estar na pele da Mãe para tomar essa coragem, ele tem consciência do porque estar fazendo isso, outro aspecto em que a série se difere do filme, achei genial.

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Luiz Santiago 31 de março de 2017 - 02:39

Eu acho que o lado do Norman como autor dos crimes está bem mais forte aqui, nas outras vezes, eu vi mais a força da mãe fazendo todo o processo.

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Batman 30 de março de 2017 - 02:21

Caramba, eu realmente não esperava por essa. Quem iria imaginar?

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Luiz Santiago 31 de março de 2017 - 01:28

Eles realmente souberam explodir nossas expectativas!

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Denilso 29 de março de 2017 - 22:49

Achei esse episódio sensacional.
Sabia que não matariam a Marion, não por ter pegado spoilers mas sim por achar que a morte dela nesse episódio aconteceria “rápida demais”.
Cena do Norman e de seu alter ego foi incrível. Vera e Fred são atores incríveis.
Achei o plot do Dylan descobrindo a morte da mãe fraco até aqui, espero que melhore.
Achei a troca da pessoa morta na cena icônica de Psicose uma ideia ousada mas excelente.

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Luiz Santiago 30 de março de 2017 - 00:42

Também gostei muito e acho que funcionou perfeitamente aqui. Uma troca que pela forma como foi feita e em todo o contexto, fez sentido.

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Lucas Quaresma 29 de março de 2017 - 19:53

Aliás acho as roupas dos personagens lindas. Seria meu sonho?

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Luiz Santiago 29 de março de 2017 - 21:24

Lindas, não é? Também to super nessa vibe.

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Lucas Quaresma 29 de março de 2017 - 19:52

Não vou mentir, achei perfeito esse episodio. Essa temporada está sensacional. Acho a Rihanna bacana como atriz, tudo a ver a escolha dela com essa ”Nova Marion”
(incrível essa) .
Bates Motel eu te venero.

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Luiz Santiago 29 de março de 2017 - 21:25

Pois é, também acho que ela tem tudo a ver com essa “nova Marion”. De fato, combina com o desespero sexy e despreocupado que ela e o roteiro nos passam. Gostei demais!

E uma puuuuuuuuuuuta coragem dos produtores em fazer o que fizeram aqui. Sensacional mesmo!

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Luis Lino 29 de março de 2017 - 19:45

Fiquei mais curioso pra saber se, na série, apareceriam o detetive Arbogast e a Lila Crane. Mas parece que não vai rolar, uma pena…

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Luiz Santiago 29 de março de 2017 - 21:23

Os detetives aqui são o Romero e a nova detetive que entrou no lugar dele, que eu esqueci o nome. Se for aparecer outro, será porque essa nova detetive morreu ou porque o Norman será investigado em outro Distrito. Dessas opções, só acho possível a primeira.

Lila não apareceu. Pelo menos até agora.

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Luis Lino 29 de março de 2017 - 21:49

Alguém tem que substituir o Arbogast, então. Naquela cena do assassinato na escada; do mesmo jeito que puseram o Sam no lugar da Marion.

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Luiz Santiago 30 de março de 2017 - 00:41

Ou vai ser a Xerife atual ou o Romero, na minha opinião.

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Huckleberry Hound 29 de março de 2017 - 18:38

Rihanna parece ser melhor como atriz que Lady Gaga!

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Luiz Santiago 29 de março de 2017 - 21:21

Em termos de qualidade de atuação, confesso que gostei mais da Lady Gaga em American Horror Story: Hotel do que da Rihanna aqui.

Responder
dave120 30 de março de 2017 - 00:46

parece não, está. A atuação dela aqui não entrega uma estrela musical, e sim o personagem o qual fora solicitado, diferente de lady gaga em hotel, onde a atuação foi um pouco mais dura. Embora Gaga tenha melhorado bastante em Roanoke, Rihanna deu um samba de atuação nesse episódio sendo beem mais suave em suas movimentações e mais natural em seu modo de falar.

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planocritico 29 de março de 2017 - 16:14

Adaptação boa mesmo de Psicose é a do Gus Van Sant!!!!!!!!!!!!

HAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH

– Ritter, o Psicótico.

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Luiz Santiago 29 de março de 2017 - 16:16

SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Responder
Vinicius Marques 30 de março de 2017 - 16:02

Hahaha…Marion nos livre dessa… Kkkk

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