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Crítica | Bates Motel – 5X08: The Body

por Luiz Santiago
104 views (a partir de agosto de 2020)

bates motel the body plano critico

estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

Bates Motel está chegando ao fim e isso é bastante desalentador. Depois de uma excelente 4ª Temporada e de uma corrente e excelente 5ª Temporada, a série tem se mostrado um mar de excelentes atuações, direção, fotografia, direção de arte e roteiros, muitas vezes tendo os membros da equipe em mais de uma área criativa, como ocorre aqui, com Freddie Highmore assumindo a direção do episódio, estreando, portanto, atrás das câmeras. Não é a primeira vez que o ator fica envolvido em outra área da série, basta lembrarmos que ele escreveu The Vault, na temporada passada e co-escreveu Inseparable, o episódio que deu origem aos eventos deste chocante The Body.

Desde muito cedo neste ano, vimos que o cerco se fecharia de maneira nada óbvia em torno de Norman, embora ainda não tivéssemos certeza qual o rumo os produtores dariam aos principais eventos da série, como o esperado assassinato de Marion no chuveiro, por exemplo. Depois do episódio com a recriação da famosa cena de Psicose e a revelação de Norman para a polícia, as expectativas de normalidade caíram por terra e passamos a andar em terreno desconhecido, com surpresas atrás de surpresas e com um destino inesperado para alguns personagens. No todo, o que a produção de Bates Motel está fazendo é tornar o conhecido drama algo a um só tempo mais próximo dos nossos dias e mais coerente e profundo em termos dramáticos.

Ao tratar o problema de Norman como um caso mais complexo, envolvendo polícia, depoimentos, possivelmente um julgamento, a série estabelece um parâmetro legal completo, não tratando tudo em elipse, mas nos dando informações e exemplos de como cada personagem agiria em situações de crise e revelações, sob acusação ou tentando defender alguém que ama. Neste ponto, surge a regra básica de construção passional de um roteiro, que é a criação da empatia pelo público,  fator que cobra bastante do roteirista, pois estamos falando de “momentos finais” de personagens após 5 anos de show.

Freddie Highmore encarnando a mudança de personalidade aqui foi um dos grandes presentes do episódio e um dos grandes momentos do ator na série. Essa troca tem um caráter especial neste momento do programa e a direção do próprio Highmore denota isso. Um dos bons exemplos é que junto à direção, a fotografia nos traz planos que sugerem a dualidade, mesmo quando não encarnada pelos atores, vide o reflexo da Mãe no espelho, enquanto víamos Norman presente no quadro, ou a inteligente troca de planos que a edição nos proporcionou, ora mostrando a Mãe, ora mostrando Norman em cena, em uma alteração orgânica, rápida e que não volta atrás no entendimento já construído pela série, ou seja, sem didatismo ou explicações desnecessárias.

Meu único lamento aqui é a forma inglória que Chick morreu. No âmbito textual, fica evidente a transformação de Romero em um justiceiro cego e sedento por vingança, e claro, esse lado está muito bem. Mas é impossível não lamentar que Chick, que cresceu nessa temporada agindo como a voz metalinguística da série, tenha chegado a este final no mausoléu de Norma, escrevendo sobre os distúrbios do jovem Bates no lugar que ele achava que lhe traria mais inspiração. A cena é esteticamente bela, com um ótimo trabalho da direção de arte e excelentes atuações. Percebam que Nestor Carbonell é apenas parcialmente iluminado, então ele parece ter uma face meio monstruosa, enquanto Chick ganha essa aura iluminada, quase um anjo louco escrevendo sobre alguém louco. Foi uma partida ingrata para o personagem, mas ele não foi maltratado pela série, digo, na forma como sua partida aconteceu. Não foi algo jogado. Ele teve uma bela sequência para mostrar seu lado meio insano, encontrando um outro louco.

Bates Motel agora parte para as cabeças e a série realmente ganha a sua “cara final”. Isso vai nos entristecendo pouco a pouco, mas ao mesmo tempo, nos enchendo de alegria pela qualidade com que essa finalização está sendo feita. Com Freddie Highmore brilhando na frente e atrás das câmeras, esse episódio move as últimas peças do jogo, que deve começar a ganhar as resoluções finais a partir do próximo episódio. O fim está próximo.

Bates Motel (EUA, 10 de abril de 2017)
Direção: Freddie Highmore
Roteiro: Erica Lipez
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Nestor Carbonell, Isabelle McNally, Brooke Smith, Natalia Cordova-Buckley, Jillian Fargey, Ryan Hurst, Zibby Allen, Nicholas Carella, Dominique Robinson
Duração: 46 min.

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38 comentários

Benito Di Paula 17 de outubro de 2018 - 21:13

Eu teria eliminado p Chick no primeiro ato…personagem chato da peste

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Luiz Santiago 17 de outubro de 2018 - 22:38

AHHAAHHAHHAHHAH tadinho do Chick!

p.s.: tadinho nada! 😀

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Batman 19 de abril de 2017 - 18:13

“O fim está próximo.”

Como dói ler isso..

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Rosana Mako 17 de abril de 2017 - 21:47

Eu já acho que Chick tinha que morrer mesmo, Romero não ta nem aí mesmo, dá porrada em todo mundo e eu no ligar dele faria a mesma coisa. A série está no fim,não teria mais motivo pra deixar ele vivo,já que ele poderia atrapalhar Romero ou outros personagens em algum momento, ele ajudou ainda com a morte de Kaleb,mereceu aquela bala na cabeça.

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Luiz Santiago 17 de abril de 2017 - 21:58

Ah, sim, por este ponto não há dúvidas. Mas não me referi ao aspecto ético ou moral da morte. Estava falando do sentido dramático mesmo, porque pessoalmente gosto do personagem. Mas foi uma partida que fez avançar a trama, então não estou exatamente contra, só lamentando ahahhahahahah

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Tiago Lima 15 de abril de 2017 - 21:50

Cara eu casava, muito de boa, com o Freddie Highmore. O cara é um talento. Atua, escreve, dirige, até canta. É muito talento!

E espero que o Romero morra no próximo episódio. Nunca gostei do personagem, E pelo amor de Deus, alguém tem que morrer empurrado escada abaixo.

E estava na mesma que os leitores aqui nos comentários, jurava que o nome do Chick ia ser Robert “alguma coisa”. Enfim. Só faltam dois episódios. Não estou preparado para fazer o meu check out

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Luiz Santiago 17 de abril de 2017 - 12:50

Eu também não estou @disqus_EYUuNRKx0g:disqus. Não sei o que vai ser depois que não tiver mais como entrar nesse hotel!!! SOCORRO!

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Rosana Mako 17 de abril de 2017 - 21:48

meu deus Romero é um dos melhores personagens, aff

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Tiago Lima 19 de abril de 2017 - 00:55

@rosana_mako:disqus até te entendo. Gosto do ator, mas não do personagem.

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Huckleberry Hound 13 de abril de 2017 - 18:18

No final das contas parece que Norman é prisioneiro de sua própria mente,gostaria muito de saber mais como essa entidade cresceu na mente dele e o final será um pouco mais feliz se ele ficar livre da “Mãe” e eu não quero que Romero mate Norman mas não consigo odiá-lo ás vezes até torço por ele pois pra ele Norman é um assassino matrícida que matou sua amada “esposa”!

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Luiz Santiago 13 de abril de 2017 - 19:51

A forma como os roteiros estão construídos nos coloca nesse miolo confuso de “tomar partido”, porque assim como você, eu também não consigo imaginar o Norman sendo morto, eu também torço às vezes por ele. É um negócio bem louco isso. Esse é um dos motivos de achar Bates Motel tão foda.

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Rafael Lima 13 de abril de 2017 - 15:48

Mais um grande episódio mesmo. Achei um pouquinho inferior aos anteriores, mas tendo em vista o altíssimo nível da temporada, significa que ainda foi um episódio excelente.

Achei muito interessante o fato da “Mãe” assumir completamente o controle, mostrando-se uma verdadeira entidade que não pretende desaparecer sem luta. Seu plano de incriminar Madeleine pelo assassinato de Sam foi bom pra mostrar o quão maquiavélica essa persona do Norman pode ser.

A morte do Chicks foi surpreendente mesmo. Embora entenda o seu sentimento, acho que o personagem já não tinha mais pra onde crescer mesmo. E sua morte foi interessante pra tornar mais explicito a natureza do Romero como o “adversário perfeito de Norman”. Toda aquela visita ao casarão traçou um paralelo bastante instigante entre Norman e Romero, afinal, o ex Xerife é quase tão guiado pelo “fantasma” da Norma quanto o próprio Norman.

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Luiz Santiago 13 de abril de 2017 - 18:13

Eles estão ligando as coisas aqui de uma maneira muito bacana. De fato, a morte do Chick teve essa função de crescimento do personagem de Romero na vilania e isso é sensacional. Mas confesso que gostaria que o Chick permanecesse como a voz metalinguística… não que eu tenha achado ruim a partida dele, mas eu gostava do personagem hehehe

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Yuri Alves 13 de abril de 2017 - 07:17

Quando perguntaram o nome do Chick, eu tava esperando que ele dissesse “Robert Bloch”. Hahahaha.

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Luiz Santiago 13 de abril de 2017 - 12:52

Deu essa sensação mesmo… hahahahhaha
Acho que a gente tá vidrado demais no Universo de Psicose!

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Denilso 12 de abril de 2017 - 19:42

Mais um excelente episódio de uma excelente série.
O que foi aquele olhar da Norma/Norman para a Madeleine.
Fiquei surpreso com a morte do Chick mas nem de longe liguei, não gostava dele.
Pensei que você ia brincar com o fato da atriz de AOS estar nesse episódio em relação aos poderes dela rsrs.
É uma pena estar chegando ao fim.

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Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 23:19

@disqus_k386Jywr4a:disqus eu deixei passar os poderes! Eu tava focado demais! hahahahaha
Caaaaaaaaaaaaaaara, o que foi aquele olhar? Deu medo de verdade. E o Highmore sabe fazer aquele olhar funcionar, hein!

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Opie 12 de abril de 2017 - 18:45

Olha mal tive tempo de absorver o final de Black Sails e já vou ficar de luto por Bates Motel também, e mais tarde ainda vai chegar ao final The Leftovers..

2017 não tá fácil viu

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Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 19:06

Haja orfandade de séries, PQP!!!

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Herbie: O Único 12 de abril de 2017 - 18:31

Já leu Psicose de Robert Blonch?

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Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 19:06

Não, não li o original. É bom? Melhor que o filme?

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Herbie: O Único 12 de abril de 2017 - 19:09

Então,eu também não li kkkkkkkkkkkk era só uma dúvida mesmo.
Pelo que eu sei que acontece no livro,a Marion morre sendo decapitada porém no filme fizeram a famosa cena do chuveiro.
Em seguida teve uma continuação do livro: Psicose 2.
Tem esse resumo do livro na Wikipedia(já verifiquei em outros sites e está certo,é que rola uma desconfiança com esse site kkk):
https://en.wikipedia.org/wiki/Psycho_II_(novel)

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Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 23:26

HAHAHAHh o autor não queria largar o osso mesmo, hein! Só ganhando dinheiro em cima de uma fórmula conhecida! Certo ele! hahahahahahha

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Herbie: O Único 13 de abril de 2017 - 10:23

kkkkk
Olha só,já temos uma nova trama para Bates Motel,já que nunca adaptaram esse segundo livro,podem fazer isso muito bem na série kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Luiz Santiago 13 de abril de 2017 - 12:51

Não me espanta nada fazerem pelo menos o filme!

Herbie: O Único 13 de abril de 2017 - 12:55

Eles bem que poderiam ter adaptado esse livro no filme Psicose 2,porém não fizeram isso porque o livro satiriza algumas vezes as produções de hollywood.
E outra que no final teríamos a revelação bombástica: Norman morreu e o seu psiquiatra está matando todo mundo.

Luiz Santiago 13 de abril de 2017 - 17:21

ISSO é que é transferência!!! AHAHHAHAHHAAHA
Melhor plot twist! Gosto assim! QUERO ESSA ADAPTAÇÃO NA MINHA MESA ATÉ O FIM DO DIA!!!

Herbie: O Único 13 de abril de 2017 - 17:24

TAMBÉM QUERO!!! ESTÁ ME OUVINDO,HIGHMORE?

Herbie: O Único 13 de abril de 2017 - 10:24

Façam uma sexta temporada adaptando esse livro kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Luiz Santiago 13 de abril de 2017 - 12:51

MISERICÓRDIA!!!!

Herbie: O Único 13 de abril de 2017 - 12:52

O ruim é que o Norman morre no segundo livro,então é melhor deixar a quinta temporada mesmo kkkkkkkkkk muitos não iram superar.

Herbie: O Único 12 de abril de 2017 - 19:09

Teve ainda um Psicose 3 em que o Bates Motel vira um Museu porém começa a rolar assassinatos lá.

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Homem-Pipa 13 de abril de 2017 - 01:04

Wat kkkkkkkk

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Herbie: O Único 13 de abril de 2017 - 10:25

É meio confuso kkkkkkkkkkkkk
Se não me engano nesse terceiro livro tem uma protagonista que começa a investigar esses assassinatos.

Rafael Lima 13 de abril de 2017 - 15:57

Eu li. É bem inferior ao filme (até onde se possa comparar, é claro). A história em si é basicamente a mesma, quase sem mudanças (só muda a cena do chuveiro, que é mais violenta no livro, com direito a decapitação, e o nome da Marion, que é Mary no livro).

A maior mudança que Hitchcock fez foi no próprio Norman. No livro, ele é um cara já perto dos cinquenta anos, gordo e começando a ficar careca. Hitchcock achou que um cara morando com a mãe (até onde o publico sabia) nessa idade causava uma estranheza maior do que um rapaz em seus vinte poucos anos, matando boa parte do suspense. Por isso, ele redesenhou Norman como a figura que foi imortalizada por Anthony Perkins, e que agora ganhou um sucessor digno na pele de Freddie Highmore.

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Herbie: O Único 13 de abril de 2017 - 17:27

Caramba,depois disso percebo que o livro deve ser bem inferior.
Não consigo imaginar um Norman gordo perto dos 50 anos kkkkkkkkk a imagem do Perkins ficou imortalizada.

Responder
Carlos Henrique 12 de abril de 2017 - 15:38

desde Braking Bad eu não via uma série se encaminhando para o seu desfecho e ao mesmo tempo elevando o nivel de cada episodio. Tenho certeza que Bates Motel terá um final glorioso.

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Luiz Santiago 12 de abril de 2017 - 16:07

Também tenho. A construção que eles estão fazendo, as mudanças, tudo está bom demais! Faltam só 2 episódios!

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