Crítica | Bates Motel – 5X08: The Body

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estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

Bates Motel está chegando ao fim e isso é bastante desalentador. Depois de uma excelente 4ª Temporada e de uma corrente e excelente 5ª Temporada, a série tem se mostrado um mar de excelentes atuações, direção, fotografia, direção de arte e roteiros, muitas vezes tendo os membros da equipe em mais de uma área criativa, como ocorre aqui, com Freddie Highmore assumindo a direção do episódio, estreando, portanto, atrás das câmeras. Não é a primeira vez que o ator fica envolvido em outra área da série, basta lembrarmos que ele escreveu The Vault, na temporada passada e co-escreveu Inseparable, o episódio que deu origem aos eventos deste chocante The Body.

Desde muito cedo neste ano, vimos que o cerco se fecharia de maneira nada óbvia em torno de Norman, embora ainda não tivéssemos certeza qual o rumo os produtores dariam aos principais eventos da série, como o esperado assassinato de Marion no chuveiro, por exemplo. Depois do episódio com a recriação da famosa cena de Psicose e a revelação de Norman para a polícia, as expectativas de normalidade caíram por terra e passamos a andar em terreno desconhecido, com surpresas atrás de surpresas e com um destino inesperado para alguns personagens. No todo, o que a produção de Bates Motel está fazendo é tornar o conhecido drama algo a um só tempo mais próximo dos nossos dias e mais coerente e profundo em termos dramáticos.

Ao tratar o problema de Norman como um caso mais complexo, envolvendo polícia, depoimentos, possivelmente um julgamento, a série estabelece um parâmetro legal completo, não tratando tudo em elipse, mas nos dando informações e exemplos de como cada personagem agiria em situações de crise e revelações, sob acusação ou tentando defender alguém que ama. Neste ponto, surge a regra básica de construção passional de um roteiro, que é a criação da empatia pelo público,  fator que cobra bastante do roteirista, pois estamos falando de “momentos finais” de personagens após 5 anos de show.

Freddie Highmore encarnando a mudança de personalidade aqui foi um dos grandes presentes do episódio e um dos grandes momentos do ator na série. Essa troca tem um caráter especial neste momento do programa e a direção do próprio Highmore denota isso. Um dos bons exemplos é que junto à direção, a fotografia nos traz planos que sugerem a dualidade, mesmo quando não encarnada pelos atores, vide o reflexo da Mãe no espelho, enquanto víamos Norman presente no quadro, ou a inteligente troca de planos que a edição nos proporcionou, ora mostrando a Mãe, ora mostrando Norman em cena, em uma alteração orgânica, rápida e que não volta atrás no entendimento já construído pela série, ou seja, sem didatismo ou explicações desnecessárias.

Meu único lamento aqui é a forma inglória que Chick morreu. No âmbito textual, fica evidente a transformação de Romero em um justiceiro cego e sedento por vingança, e claro, esse lado está muito bem. Mas é impossível não lamentar que Chick, que cresceu nessa temporada agindo como a voz metalinguística da série, tenha chegado a este final no mausoléu de Norma, escrevendo sobre os distúrbios do jovem Bates no lugar que ele achava que lhe traria mais inspiração. A cena é esteticamente bela, com um ótimo trabalho da direção de arte e excelentes atuações. Percebam que Nestor Carbonell é apenas parcialmente iluminado, então ele parece ter uma face meio monstruosa, enquanto Chick ganha essa aura iluminada, quase um anjo louco escrevendo sobre alguém louco. Foi uma partida ingrata para o personagem, mas ele não foi maltratado pela série, digo, na forma como sua partida aconteceu. Não foi algo jogado. Ele teve uma bela sequência para mostrar seu lado meio insano, encontrando um outro louco.

Bates Motel agora parte para as cabeças e a série realmente ganha a sua “cara final”. Isso vai nos entristecendo pouco a pouco, mas ao mesmo tempo, nos enchendo de alegria pela qualidade com que essa finalização está sendo feita. Com Freddie Highmore brilhando na frente e atrás das câmeras, esse episódio move as últimas peças do jogo, que deve começar a ganhar as resoluções finais a partir do próximo episódio. O fim está próximo.

Bates Motel (EUA, 10 de abril de 2017)
Direção: Freddie Highmore
Roteiro: Erica Lipez
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Nestor Carbonell, Isabelle McNally, Brooke Smith, Natalia Cordova-Buckley, Jillian Fargey, Ryan Hurst, Zibby Allen, Nicholas Carella, Dominique Robinson
Duração: 46 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.