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Crítica | Batman: Ano Um (1987)

por Erik Blaz
512 views (a partir de agosto de 2020)

Senhoras e Senhores… Vocês comeram bem. Comeram a riqueza de Gotham… Comeram seu espírito! O Banquete acabou! De hoje em diante…
Nenhum de vocês estará a salvo!
– Batman

Cavaleiro das Trevas, o Cruzado Encapuzado ou simplesmente… O Maior Detetive do Mundo! Pois é… Batman fez sua fama desde a década de 30 (nossa, quanto tempo não?) nas mãos de Bob Kane e Bill Finger. Desde lá atrás, o personagem só evoluía e conquistava mais fãs ao redor do mundo. Porém, de vez em quando, a casa das ideias precisa dar um reboot em seu universo e nosso morcegão predileto não escapou de ter sua origem recontada, claro que, sem desmerecer toda a base e conceito passados por seus originais criadores.

É aí que entra a dupla que deixaria sua marca por gerações: Frank Miller e David Mazzucchelli!

Quem eu sou e como vim a ser

A trama não se prende tanto ao que ocorreu no passado de Bruce Wayne nem do que andou exatamente fazendo fora do ninho (ou caverna, se preferir). O começo deste épico conto já traz pontos fortes ao leitor que é conduzido por duas narrações: a do próprio Bruce Wayne e de James Gordon, o futuro e famoso comissário bigodudo de Gotham City.

Gordon, é um honesto policial que fora transferido junto com sua esposa gestante para uma Gotham cheia de corrupção ao mesmo tempo em que Bruce Wayne, retorna ao lar após anos de estudos e treinamentos mundo a fora. Notamos rapidamente que ambas são pessoas bem diferentes, marcadas pelo passado, mas seguindo uma linha ética praticamente inquebrável. Determinados a tornar a sombria cidade num lugar mais limpo, mesmo que no começo não saibam muito bem como.

O trabalho em ambos os personagens é perfeito. São acima de tudo homens normais, mas incorruptíveis. Miller não deixa de fora outros importantes personagens como Harvey Dent, Selina Kyle e até mesmo referências ao Super-Homem!

Como dito antes, Batman é um ser humano aparentemente comum, suscetível a falhas e em começo de carreira as vemos serem cometidas, uma a uma, cada qual deixando cicatrizes não só físicas, mas também psicológicas, moldando o príncipe de Gotham até perceber que é preciso fazer os vilões temerem ele. Como? Parece tão claro como na imagem abaixo.

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“Eu me tornarei um morcego.”

 Declaração de guerra… A aurora negra

Como o próprio título da mini-série diz, este é o primeiro ano de ações do Batman e é do segundo capítulo ao terceiro que o clímax dispara em alto nível. Políticos e mafiosos intimidados pelo misterioso vigilante colocam nas ruas seus melhores homens sob o comando de Gordon para caçar o morcego.

Por algumas vezes, Batman é acometido por falhas que como ele mesmo diz, só escapou por “Sorte. Sorte de principiante”.  E é aí que também surgem as indagações na mente do até então tenente Gordon se estaria realmente do lado certo.

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Muita tensão quando os “amiguinhos” do Morcegão vêm para lhe ajudar. No quadro a esquerda, Gordon reflexivo: “Ele é um criminoso, eu sou um policial. É tão simples. Mas… Mas eu estou numa cidade onde o prefeito e o comissário usam policiais como assassinos contratados. Batman salvou aquela velha. Até pagou o terno. A peça metálica em minha mão está mais pesada do que nunca.”

Interessante também é ver como as capas dos capítulos desenhadas por Mazzucchelli ornam perfeitamente com o que querem dizer. Aliás, todos os desenhos dele e seus quadros são excelentes, de maneira minimalista ao mesmo tempo em que é bem expressiva. Posso lhes dizer com toda certeza que do meio para o final da terceira parte é de arrepiar!

Amigo em apuros

O final deste arco fecha na parceria das duas personas chave da história. Pois se achou que era um conto só do homem morcego, enganou-se… Inocente leitor. Traições, chantagens, sequestro e união. De repente tudo chega numa harmonia e ver o desespero dos “vilões” em tentar destruir essa “dupla dinâmica” é de certa forma hilário. Nos faz parecer estar dentro do manto de orelhas pontudas ou atrás dos óculos de Gordon. Frank Miller e David Mazzucchelli mostram novamente que são eles a verdadeira dupla dinâmica que trouxe a nós, também, o espetacular arco A Queda de Murdock em 1986, que você pode ler aqui.

Mas não se engane. Miller não faz de Batman: Ano Um, um xerox do que foi a queda e ascensão do Demolidor na Marvel, todavia, traz como características dessa parceria de argumento e arte, uma abordagem sobre drogas, prostituição e o quanto o ser humano pode ser corruptível ou se seus objetivos podem ir além de qualquer valor oferecido para se corromper, temas delicados para a época, ainda mais sendo retratados em quadrinhos de super-heróis.

Acredito que o mais importante e que eleva o conto a ser mais pé no chão (fora os temas citados) é o fato de nossos heróis não terem de lidar com um super vilão, mas sim a sociedade má formada de Gotham City, tendo como desafio todos os políticos e policiais corruptos da cidade no objetivo de exterminar ou minimizar a corrupção que paira sobre ela. É simplesmente coesa e incrivelmente perfeita para deixar de ser vista por qualquer batfã!

Batman: Ano Um
Batman: Year One
Publicação original: Batman #404 – 407 (EUA, fev. – mai., 1987)
Publicação no Brasil: Abril Jovem (1987) – Panini Comics (2011 – encadernado)
Roteiro: Frank Miller
Arte: David Mazzucchelli
84 páginas

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17 comentários

Gabriel Leão 13 de janeiro de 2021 - 11:00

Obra perfeita para a origem do Batman e do futuro comissário Gordon. A arte tem o tom de história de detetive. Pena que é bem curtinha. Pra mim fica atrás de caveleiros das trevas e piada mortal, mas forma com estas a tríade clássica do morcegão.

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Beatriz Lynch 29 de outubro de 2020 - 13:01

Segunda melhor HQ do Batman, só “perde” pra Cavaleiro das Trevas, apesar de ser minha favorita dele.

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Luiz Santiago 29 de outubro de 2020 - 14:00

Em se tratando do Batman, tenho o mesmo pensamento.

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Eduardo Roque 2 de julho de 2018 - 10:48

Ñ tem nada a ver c/a crítica mas q riskinhos são akeles na roupa do Bat na imagem q ilustra a matéria? Novos 52?!

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Luiz Santiago 2 de julho de 2018 - 11:12

Não faço ideia.

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Gabriel 24 de janeiro de 2018 - 00:15

Saudades quando o Frank Miller era o Frank Miller. Na minha opinião ele não faz um trabalho de altíssimo nível desde 300.

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084.Batman Cronologia : Strange Apparition (1978) | Blog do Rogerinho 4 de março de 2017 - 10:53

[…] de maneira muito mais pesada nas mãos de Frank Miller, em O Cavaleiro das Trevas e, depois, em Ano Um, já gozava de uma reputação sombria. A percepção geral era que, antes de Miller, Batman era […]

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Ricardo Correa 31 de maio de 2014 - 17:29

Ninguém é maior do que o super ou herói aki! Só por isso é preciso dizer mais???

Responder
Erik Blaz Dos Santos 2 de junho de 2014 - 01:16

Desculpe @disqus_pyBgHRfmVN:disqus, você se refere ao Batman em questão?

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Rafael Gardiolo 29 de maio de 2014 - 03:38

Se não a obra definitiva sobre o homem-morcego (prefiro ela ao Dark Knight Returns) com toda certeza a melhor obra sobre o Jim Gordon. Releio religiosamente a cada seis meses.

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Erik Blaz Dos Santos 30 de maio de 2014 - 11:44

Concordo plenamente, @rafaelgardiolo:disqus!
Esta obra é tão bem desenvolvida que se cria a necessidade
de ser relida várias vezes! O trabalho de Miller em cima dos
personagens é perfeito, muito humano e isso, dá o contraste ao mundo heroico de Batman, criando uma leitura espetacular!

Espero que tenha gostado da crítica!

Responder
Rafael Gardiolo 23 de julho de 2014 - 01:58

A crítica faz justiça a obra. Excelente.

Responder
Erik Blaz Dos Santos 23 de julho de 2014 - 19:15

Muito obrigado @rafaelgardiolo:disqus!
Fico feliz que tenha gostado, espero que esteja acompanhando as demais críticas de nosso ESPECIAL BATMAN!

Responder
Magali Blaz 10 de maio de 2014 - 03:20

Adorei!!

Responder
Erik Blaz Dos Santos 11 de maio de 2014 - 19:32

Muito obrigado Magali!
Acompanhe nossas outras críticas também!

Responder
jcesarfe 8 de maio de 2014 - 12:38

Eu adorei essa saga, vale a pena conferir também a animação com o mesmo nome.

Responder
Erik Blaz Dos Santos 9 de maio de 2014 - 11:54

Sim, ela é ótima mesmo @jcesarfe:disqus!!
Na minha opinião, a animação é bem fiel…
Aguarde por novidades amigo leitor, quem sabe, logo não
sai uma crítica sobre ela… 😉

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