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Crítica | Batman: Arkham Knight

por Anthonio Delbon
257 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5,0

Notar a evolução da série Batman: Arkham é um prazer para qualquer fã de videogame e do morcego. Nesse quarto jogo – o terceiro da Rocksteady, que ficou de fora da produção de Arkham Origins – o padrão de qualidade já de alto nível estabelecido anteriormente é ainda mais elevado, e não poderia ser diferente: o batmóvel apareceu!

Mas vamos com calma, afinal, Arkham Knight combina inúmeros outros fatores que o fazem o melhor do jogo da franquia até aqui. A história tem início após os acontecimentos de Arkham City, já com uma cena marcante que coloca o jogador no clima do final do game antecessor. O plano, dessa vez, é comandado pelo Espantalho e por uma misteriosa figura chamada Cavaleiro de Arkham, bastante utilizada na divulgação do jogo por ter sido criado especificamente para essa obra.

Do começo ao fim o enredo entrega o prometido e é bem amarrado, evitando o erro cometido em Arkham City de enfiar todos os vilões possíveis em uma história confusa e atropelada. Em Knight, os vilões secundários aparecem apenas em missões paralelas e a narrativa trabalha bem os personagens selecionados para contar a história. O melhor ponto é a superação de alguns perigosos clichês que já cansaram qualquer fã do protetor de Gotham, graças à valorização de personagens secundários – Hera Venenosa e Oráculo, por exemplo – e o incrível cuidado em mostrar temas batidos como o medo e a razão pela qual o Espantalho quer, pela milésima vez, espalhar seu gás pela cidade.

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Mais uma noite de caos em Gotham City

Gotham, por sinal, está fantástica. Sempre chuvosa e cheia de neon, mistura o gótico típico das HQs com um clima noir, lembrando Blade Runner. A ambientação é excelente, principalmente pelos áudios dos guardas ao redor e sua alternância com uma trilha sonora tipicamente da trilogia de Christopher Nolan, combinando perfeitamente com a adrenalina do batmóvel e a chuva de Gotham. O design da cidade também favorece a movimentação do herói, seja ao planar, seja ao dirigir por ruas abertas e curvas bem delineadas. E aqui entramos no principal elemento do jogo que o faz ser único em comparação com seus antecessores: conduzir o batmóvel é incrível. A sensação que o jogo consegue passar é de que nada pode te parar. O carro flui pela cidade, é fácil de mover – dada a potência única do veículo mais badass das HQs – e é multifuncional, respeitando 100% os quadrinhos e os filmes do Batman, ajudando-o em situações impossíveis e proporcionando ótimos desafios nas perseguições e principalmente nos duelos contra os tanques inimigos. Tendo uma árvore própria de melhorias e podendo ser controlado remotamente, o batmóvel se torna um personagem próprio e proporciona os melhores momentos do game. Planar sobre a cidade ou dirigir no meio dela passa a ser uma das escolhas mais difíceis, dada a beleza visual e a facilidade nos botões.

Nesse caminho, a jogabilidade continua um exemplo para toda a indústria. O combate da série Arkham talvez já fosse o melhor dos games nesses últimos 10 anos, mas aqui fica ainda melhor, permitindo combos com os gadgets tradicionais de forma mais suave e também colocando inimigos com pequenas mas notáveis mudanças em relação aos outros jogos do morcego. Da mesma forma, o jogo equilibra bem momentos stealth e de investigação com as lutas, não deixando o jogador enjoado. Pelo contrário, os novos equipamentos valorizam os momentos C.S.I. do herói e também dão grande gama de variação para atacar na surdina inimigos armados.

Outra importante novidade é a possibilidade de troca de personagens nos duelos. Em determinados momentos Asa Noturna, Mulher-Gato e Robin dão as caras e com um simples toque é possível sair do controle do Batman e lutar com as habilidades desses heróis, combinando, inclusive, golpes duplos extremamente artísticos. Menus mais simples também colaboram para deixar as missões mais fáceis de serem visualizadas e indicar o caminho a ser escolhido pelo jogador.

scarecrow

Conseguiram deixar o Espantalho ainda mais feio

Se já não bastasse a história, que zerada chega a cerca de 40% do total do game, ainda há boas missões secundárias e dlcs de boa qualidade, assim como foi o da Arlequina em Arkham City. Aqui, a mulher do arquirrival do Cavaleiro das Trevas tem mais uma missão para ser baixada, assim como o Capuz Vermelho e o Espantalho, dando, junto com os clássicos challenges, as missões dos outros vilões e os desafios do Charada, incontáveis horas de diversão e imersão como nunca se viu antes.

Na versão brasileira, a dublagem conta com alguns problemas, novamente e infelizmente, como ainda é praxe nos games. Márcio Simões, como o Coringa, é sempre espetacular. Da mesma forma Robin e outros coadjuvantes não tiram o jogador daquele mundo, mas ao protagonista parece faltar um pouco mais de sombra, uma pitada maior de terror. De qualquer modo, nada substitui Mark Hamil e Kevin Conroy e pegar o jogo totalmente em português sem sequer poder trocar a língua é simplesmente uma pena.

Falando no Coringa…não vou entregar nada, mas a participação do palhaço do crime é, provavelmente, a melhor em jogos do Batman até aqui. Vou mais longe e coloco ela como uma das melhores em qualquer obra do protetor de Gotham – o que é extremamente difícil, visto o tanto que se falou do Coringa desde a retomada feita em Dark Knight. O roteiro é bem trabalhado e ainda melhor ressaltado graças à interação proporcionada pelos ângulos escolhidos – em primeira pessoa, por vezes – e pelas situações criadas. Tendo como principal tema o medo e a relação de Bruce com sua família, era impossível deixar seu arqui-inimigo de fora. Em Knight, mais do que em qualquer outro game da Rocksteady, a referência aos quadrinhos se faz presente. Morte em Família, A Piada Mortal e até a mais recente Morte da Família aparecem como um deleite para qualquer fã do Cavaleiro das Trevas.

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Relaxando em Chinatown

Se Arkham Asylum foi um marco na história dos jogos de super-heróis dando realidade ao universo do morcego com fidelidade, e se Arkham City expandiu as possibilidades e os desafios, Arkham Knight, se for, de fato, o último jogo dessa franquia como foi pintado antes do lançamento, fecha com chave de ouro a jornada de Bruce Wayne. Todavia, não é um jogo perfeito, já que acaba repetindo o ciclo de afazeres do Batman – por mais diversificados e divertidos, o jogador sente o que virá depois de cumprir um objetivo – e também decepciona na revelação da identidade do Cavaleiro de Arkham, principalmente para quem está familiarizado com uma história em especial do morcego. Também não consegue criar o clima de total imersão com tamanha maestria feita no primeiro jogo, mas é o game que mais se aproxima disso, sintetizando o tamanho de City com o marco histórico que foi Asylum.

Felizmente, sem dúvida alguma o esmero da Rocksteady continua. Arkham Knight não é só mais do mesmo. Nas partes que é, é convicto e agrada os fãs de jogos de ação. Na inovação, é preciso e cuidadoso. Jogaço do morcego que entra no rol das grandes obras do Batman, em qualquer mídia.

Batman: Arkham Knight
Desenvolvedor: Rocksteady Studios
Lançamento: 23 de junho de 2015
Gênero: Ação
Disponível para: Xbox One, PS4 e PC

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10 comentários

Sergio Cruz 5 de julho de 2015 - 14:46

Eu já discordo da utilização do Coringa. [SPOILERS] Aquele lance do sangue dele gerar mutações físicas (Cristina e Charisma) em diversos personagens é totalmente nonsense e tira um pouco a força do personagem. Levando a crer que a Loucura do mesmo seja uma doença de sangue e não uma condição mental. Se não fosse esse detalhe eu concordaria com a sua opinião. Além disso, a própria identidade do Arkham Knight já era suspeita antes do lançamento pra quem tem um pouco mais de conhecimento do universo dos quadrinhos. O jogo é bom… é sim… mas Asylum ainda é o mais bem amarrado.

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Anthonio Delbon 6 de julho de 2015 - 18:10

Ótimos pontos levantados! Eu evitei o máximo possível dos trailers pra ser surpreendido sobre o Arkham Knight…não fui, nem um pouco. Eles realmente entregam a identidade dele no meio do jogo, mas mesmo assim torci pra quebrarem minha expectativa. Acho esse o ponto mais baixo da história.

Sobre o Coringa, seguindo com seus SPOILERS, o lance das mutações físicas envolvendo os “prisioneiros” do Batman eu concordo ser um pouco bobo e, como é o Espantalho querer contaminar Gotham novamente. Mas confesso que encarei o jogo inteiro mais como uma condição mental, como você disse, do que uma doença de sangue, especificamente no caso do Batman. Principalmente pelo final, que parece escancarar, com a injeção da dose do Espantalho, que se tornar o Coringa seria o maior medo do morcego, junto com perder os membros da sua bat-família.

E também creio que o Asylum é o mais bem amarrado, mas as novidades no gameplay – combate e batmóvel, principalmente – fazem o Knight ser mais tentador em uma classificação dos melhores da série até agora.

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Sergio Cruz 5 de agosto de 2015 - 01:41

Cara, eu já discordo do jogo ser o melhor da série por mais alguns fatores que vou elencar abaixo (simplesmente tem muita coisa mau executada nesse game)

– Level design aonde é necessário stealth, por exemplo, resume-se a atacar um inimigo para encher a barra do Fearsome Takedown, juntar eles em um único lugar e acabar com cinco de uma vez. Você praticamente não precisa mais interagir com os diversos pontos do cenário, tornando as coisas fáceis e rápidas demais. O único coisa que você realmente tem que ficar esperto é de eliminar os Medics primeiros para evitar que os outros inimigos sejam reanimados.

– Batalhas com chefes: não existe UMA, mas UMA batalha memorável no game. Tudo se resume a cutscenes ou batalhas no batmóvel. Inclusive os poucos vilões que poderiam dar bons combates mano a mano com o Batman são derrotados com o BatMóvel. Nesse aspecto até Origins tem chefes mais elaborados (o próprio Firefly, Copperhead e Bane se destacam) e como não citar a batalha contra Freeze (no modo Hard é simplesmente a melhor da série) em City.

– A roda de equipamentos… ao invés de utilizar os direcionais como nos games anteriores aonde a escolha é feita em tempo real você é direcionado a um menu aonde faz a mudança. Isso tira o senso de urgência em situações de risco.

– Missões secundárias repetitivas: sério que tem que achar DEZESSETE bombeiros, dezenas de áreas de milícia (para a batalha com chefe mais ridícula desde The Eletrocutioner), inclusive algumas situações se repetem (embora com algumas diferenças) como destruir depósitos de armas do MESMO VILÃO do jogo anterior.

Foi o único da série que não tive vontade nem de terminar o New Game +.

Agora quanto a história [SPOILERS]

Nunca o Batman foi um cara tão odioso como em Arkham Knight. Egoísta, mesquinho e mandão. Sinceramente no final eu já tava torcendo é pro Scarecrow ou o Arkham Knight realmente matá-lo. Bruce Wayne utilizou todos os outros personagens como servos [desculpe Oracle, mas vc não trabalha com o Batman, mas PARA o Batman] ou simples ferramentas [cof… Poison Ivy… cof…].

Se eu fosse citar um dos únicos acertos que achei no jogo é a dublagem original que é maravilhosa. Apesar de ainda não ter gostado da troca de voz da Oracle (que já veio de Origins). Batman, Joker, Scarecrow (realmente aterrorizante) e Robin estão muito boas. Além de Poison Ivy (sexy com seu sotaque diferenciado meio inglês) e Penguin (Nolan North muito versátil).

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Anthonio Delbon 6 de agosto de 2015 - 00:36

Gostei bastante das questões que você levantou, por mais que discorde da maioria. Vamos lá, sem querer defender o game com unhas e dentes. Começando pela última:

Missões secundárias: algumas se repetem de jogos anteriores, mas a adição do Batmóvel em tantas outras, a investigação das vítimas melhor elaborada com a visão detetive, a busca pelo Man-Bat usando apenas a ecolocalização, além da interação com a Mulher Gato e outros personagens nas missões que você citou dão, na minha visão, um alto grau de novidade e diversão bem-vinda à série.

Sobre a roda de equipamentos, entendo que colocar o menu deixa a opção menos maleável, mas não vejo muita utilidade em deixar uma escolha mais simples quando muitos dos gadgets, como ocorre em Arkham City, serviriam para passar por partes enfadonhas do game (o museu do Pinguim é o exemplo mais prático que me vem agora, utilizando bombas de gelo para fazer plataformas e puxá-las). Além disso, na hora do combate os diversos usos dos gatilhos são suficientes para um combo utilizando todas as armas e esteticamente perfeito.

Já sobre os chefes, eu concordo 100%. Não há boss nesse game e essa foi uma das melhores partes de Asylum, tendo seu ápice em Origins. Como disse, o Arkham Knight foi uma real decepção. Por outro lado também vejo que não adianta encher o game de vilões e colocar uma boss battle para cada como foi em Arkham City (por mais que a luta contra Sr. Frio tenha sido a melhor). Vejo em Knight um maior foco em outros pontos de jogabilidade guiadas mais pela história “pés-no-chão” e focada no enredo. Até porque revisitar todos os vilões que já foram exauridos em City seria, na minha visão, mais do mesmo. Outro ponto é que por mais que a série tenha chefes marcantes, não a consigo ver como uma série lembrada por eles. Coloco-a mais como os dois primeiros filmes do Nolan, uma ida e vinda, uma constante visita aos vilões, mas sem batalhas finais que sejam especiais e marquem os filmes, o que vejo como suficiente.

Por fim, o Stealth. Eu vejo o fearsome takedown como uma adição, mais do que um empecilho. É possível eliminar mais fácil tais partes, realmente, mas a opção de utilizar outras manobras continua aberta, conforme o próprio gosto.

Não há como negar o Batman puramente estratégico e mandão de Knight, mas será que é uma caracterização tão diversa do personagem? As broncas em Robin e Asa Noturna, a utilização dos coadjuvantes como reais coadjuvantes na busca por uma justiça a todo custo…e as devidas consequencias de tais atos também…parece-me que tudo isso foi bem colocado no enredo. A urgência, pela história do sangue do Coringa – ou pela condição mental pós-City – também contribui para esses traços já tradicionais ficarem ainda mais aumentados.

Arkham Asylum é o jogo mais equilibrado e que deixa mais saudade da série (é também o único da série que fiz questão de platinar por ver tanto esmero e ter ficado tão imerso no manicômio) Só que em termos de replay, Knight, pela evidente autonomia maior dada pelo mundo aberto melhor elaborado que City, pela melhoria da jogabilidade no combate, por saber o que quer na história (assim como Asylum, nesse aspecto) e pelo batmóvel, acaba sendo a opção mais tentadora. Pode não se tornar o clássico que Asylum já é por diversos motivos, mas, em termos de jogabilidade, Knight expande e aprimora o que já era ótimo no primeiro game.

Cara, é sempre bom e divertido falar de tais aspectos e ouvir diferentes visões. Fique à vontade para comentar, é realmente um prazer.

Um abraço!

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Capitão Frio 28 de junho de 2015 - 14:46

Crítica espetacular! O melhor jogo sobre super-heróis já feito! Nada decepcionou (o que parece ser algo raro nessa geração). Quanto a revelação do AK, já era mesmo previsível, mas não acho que chegou a atrapalhar.

Por enquanto, nos indicados ao GOTY:

1* Batman: Arkham Knight
2* Bloodborne
3* The Witcher 3: Wild Hunt

E vem coisa boa (melhor?) por aí!

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Anthonio Delbon 29 de junho de 2015 - 00:35

De cabeça, Star Wars, Metal Gear e Mad Max prometem!

Arkham Knight não decepcionou mesmo e ainda surpreendeu com esse batmóvel e uma história bem amarrada.

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Capitão Frio 29 de junho de 2015 - 14:29

Exatamente esses três e acrescentando Just Cause 3, Hitman e Fallout 4. A história é excelente mesmo; a mais complexa, madura e envolvente das quatro.

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Anthonio Delbon 30 de junho de 2015 - 10:01

Bem lembrado, como esquecer de Fallout 4! E a história tem muito a agradecer por esse ter sido o primeiro jogo do Batman classificado pra maiores de 16.

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AzBats 28 de junho de 2015 - 13:29

Ótima resenha. Não joguei, acompanhei alguns vídeos de game play, mas concordo com a respeito da revelação da identidade do Cavaleiro do Arkham. Um bom dia para você.

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Anthonio Delbon 29 de junho de 2015 - 00:35

Valeu! Pelo que foi apresentado antes, a revelação do Cavaleiro acabou ficando na mesmice. Não atrapalha o grande jogo que é Arkham Knight, mas poderia elevar ainda mais a nota desse jogaço!

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