Crítica | Batman: Infeliz Aniversário, Coringa (Batman: Vol. 1 #321 – 1980)

É comum sabermos indicar muito facilmente diversos clássicos da Nona Arte, com explicações detalhadas sobre o porquê de a história ser tão importante ou memorável. No entanto, há algumas outras que ganham – imediata ou tardiamente – o status de clássico por razões difusas, incertas, que são difíceis de apontar o dedo e bradar um “a-ha, é por isso”. Esse me parece ser o caso de Infeliz Aniversário, Coringa (também publicado por aqui como Feliz Aniversário, Coringa), com roteiro de Len Wein e arte de Walt Simonson.

Não tenham dúvidas, porém. Esse one-shot é mesmo um clássico, uma daquelas histórias normalmente presentes na lista de melhores do Coringa de muita gente e com toda a razão. Não só temos nela o começo da que talvez seja a década mais importante do Homem-Morcego, com o fim de sua reformulação completa, iniciada por Denny O’Neil, por Frank Miller, como essa é uma daquelas histórias que mais brilhantemente caracterizam o Coringa mesmo que, narrativamente, ela siga uma fórmula padrão da época em que o vilão tem um plano louco que necessariamente envolve o Batman, o Morcegão frustra tudo e, então, a coisa acaba com aquela dúvida clássica sobre o fim do Coringa.

Só que tudo funciona muito bem e o Coringa extremamente narcisista é, claro, o destaque, com a festa de aniversário que ele prepara para ele mesmo ao sequestrar todos os seus inimigos – entre eles Robin, Alfred e Gordon – com centenas de convidados de Gotham que chegam em um estádio achando que ganharão comida grátis (sim, isso mesmo), tudo para atrair Batman para uma armadilha. É tudo extremamente exagerado, improvável e insano, mas de uma maneira coerente com o personagem e sem que ele perca seu lado sinistro e violento.

O melhor exemplo desse lado sombrio é mais um exemplo de como ele elimina um de seus capangas que não ri de uma piada infame dele. O clássico revólver com a bandeira escrita “Bangue, você está morto” é usado para o enorme susto do sujeito que, aliviado, diz que não é uma arma de verdade, somente para o Coringa mostrar que, no final das contas é sim, empalando o coitado com a haste da bandeira. É hilário e ao mesmo tempo cruel, ou seja, perfeitamente o que é o Coringa a partir dos anos 70.

Batman, por sua vez, está falastrão demais, o que retira um pouco de sua caracterização soturna, mesmo que a excelente arte de Simonson compense um pouco o problema com bonitos jogos de sombras para o personagem, como na cena em que ele está agachado diante de Selina ou quando surge no circo armado para o Coringa. Aliás, falando no Palhaço do Crime, o desenhista se esmera com ele ao usar tudo o que conhecemos de sua caracterização para criar uma versão que até pode dizer que é insana, mas que parece estar em perfeito controle de suas faculdades mentais.

Infeliz Aniversário, Coringa é o tipo de clássico que é possivelmente um clássico por ser uma daquelas leituras que, quando acaba, dá vontade de ler novamente. E de novo. E de novo. Não é perfeita, mas trabalha muito bem a vilania planejada, mas hiperbólica do Coringa em seu eterno jogo de dependência simbiótica com o Batman.

Batman: Infeliz Aniversário, Coringa (Batman: Dreadful Birthday, Dear Joker…, EUA – 1980)
Contida em: Batman #321
Roteiro: Len Wein
Arte: Walt Simonson
Arte-final: Dick Giordano
Cores: Glynis Wein
Letras: Ben Oda
Editoria: Paul Levitz
Editora original: DC Comics
Data original de publicação: março de 1980
Editoras no Brasil: Editora Ebal (Infeliz Aniversário, Coringa), Editora Opera Graphica (Feliz Aniversário, Coringa)
Datas de publicação no Brasil: outubro de 1983 (Ebal – Batman #70), março de 2003 e novembro de 2006 (Batman – Lendas do Cavaleiro das Trevas #13 e 4)
Páginas: 19

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.