Home QuadrinhosMinissérie Crítica | Batman – O Cavaleiro das Trevas 3 #3 / Dark Knight III: The Master Race #3

Crítica | Batman – O Cavaleiro das Trevas 3 #3 / Dark Knight III: The Master Race #3

por Ritter Fan
131 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Obs: Pode conter spoilers dos números anteriores, cujas críticas podem ser lidas, aqui

batman_o_cavaleiro_das_trevas_3_3_capa_plano_criticoFrank Miller e Brian Azzarello sem dúvida estão funcionando como a dupla de roteiristas de O Cavaleiro das Trevas 3. A narrativa vem funcionando bem, com os dois números anteriores servindo de apresentação do novo status quo, que bebe muito da injustamente odiada O Cavaleiro das Trevas 2.

No terceiro número, os dois pisam no acelerador, depois que a cidade miniaturizada de Kandor teve seus habitantes convertidos para o tamanho normal por Eléktron, a partir de pedido de Lara, filha de Superman com a Mulher-Maravilha apresentada na minissérie anterior. No lugar de pacíficos kriptonianos, o que vemos, porém, é o surgimento de uma seita religiosa fanática e extremamente violenta que rapidamente subjuga a Terra, exigindo a adoração dos humanos como se eles fossem deuses. A raça suprema ou dominante do título finalmente aparece.

Se lutar contra um kriptoniano já foi muito complicado, o que Batman poderia fazer diante de tamanha ameaça? O lado humano e intimista que vimos na obra seminal de Miller, O Cavaleiro das Trevas, e que também está presente no primeiro número de O Cavaleiro das Trevas 3, dá lugar a uma estrutura de gigantesca escala que periga transformar o Batman em um idoso inútil que não tem muito mais o que fazer que não seja soltar frases de efeito aqui e ali. Claro que Miller, sendo Miller, acabará encontrando uma forma de escrever Batman e também a Robin Carrie Kelley de maneira relevante, ainda que potencialmente pouco crível, com boas doses de kriptonita para ajudá-los na empreitada. No momento, porém, Batman nada mais é do que alguém que precisa acordar o sumido Superman e fazê-lo enfrentar seus pares, algo mais do que óbvio. A Mulher-Maravilha, que ganhara destaque antes, não dá as caras no terceiro número.

Por incrível que pareça, a magnitude da história mascara sua mais absoluta simplicidade. Trata-se de uma narrativa linear, bastante clichê (ainda que obviamente muito violenta) e previsível até certo ponto. Não é um defeito grave única e exclusivamente porque a história ainda está no começo, com as peças ainda encontrando seus respectivos espaços no tabuleiro. Assim, é perfeitamente possível relevar boa parte dos problemas com diálogos de efeito e a presença firme de um combalido Bruce Wayne e, em momento seguinte, de um furioso Superman.

Sem dúvida alguma, porém, os subtextos políticos e a sátira de O Cavaleiro das Trevas original desapareceram por completo, algo que ainda estava presente na continuação. Aqui, Miller e Azzarello escrevem uma aventura padrão, sem ainda grandes arroubos criativos. Se o leitor souber segurar sua ansiedade e seu hype pela história e esquecer um pouco da primeira obra, O Cavaleiro das Trevas 3 será diversão garantida. Caso contrário, a história até aqui poderá ser um desapontamento.

Mas, como disse, ainda é o começo. O vilão kriptoniano, Quar, caracterizado como não muito mais do que um terrorista religioso em seu Jihad, pode ser desenvolvido a contento, ganhando mais camadas do que o que foi apresentado até agora. Lara pode ganhar mais relevo e substância do que a garotinha mimada que está demonstrando ser. A Mulher-Maravilha. Bem… A Mulher-Maravilha pode pelo menos aparecer para ajudar, não é? E o Superman precisa deixar de ser só um mané para aceitar sua função no mundo ao lado – sim, ao lado e não contra – de Batman, o único sujeito que, no millerverso, parece ter a cabeça no lugar. Se Miller e Azzarello trabalharem esses pontos com afinco nos próximos números, a aventura padrão poderá tornar-se uma aventura memorável, ainda que longe da relevância da original.

A arte de Andy Kubert, com finalização de Klaus Janson continua certeira e deslumbrante, emulando a obra original no trabalho com os quadros e com as sequências grandiosas. Wayne continua caracterizado como um gigante – só que agora muito frágil – e Kelley continua diminuta – mas poderosa – criando um contraste muito interessante e que é deslumbrante nas páginas da publicação. Neste quesito, não há realmente o que reclamar e, se Miller e Azzarello se contentarem com a aventura padrão, então ao menos teremos uma aventura padrão com arte de cair o queixo.

Na história secundária, o foco é em Hal Jordan, o Lanterna Verde. Descobrindo o que está acontecendo com a Terra, ele volta à sua forma original e, em poucas páginas, precisa lidar com o que parece ser as esposas de Quar indagando sobre a condição humana em frente à esfinge no Egito. Essa história sim mostra todo o potencial da parceria entre Miller e Azzarello. Apesar de breve, as questões levantadas – quem é deus, qual é o papel da humanidade no mundo – e não respondidas são instigantes, assim como o anticlimático embate entre o herói e as kryptonianas. É torcer para que os autores enxertem a narrativa de Jordan no arco maior.

A arte, ao encargo de John Romita Jr., com arte final de Frank Miller é o que se poderia esperar desta combinação: estranha. Romitinha já desenhou muito bem e, quando quer, ainda produz artes fantásticas, como seu trabalho em Perdido na Dimensão Z, do Capitão América. Aqui, ele é apenas burocrático, deixando seus traços inacabados para uma arte-final de um Miller em final de carreira artística. No entanto, como a história em si carrega um ar de estranheza – o enigma da esfinge!- a estranheza na arte não incomoda e até de certa forma combina com o desenrolar da história.

O terceiro número de O Cavaleiro das Trevas 3 é um ponto de virada. Deixa entrever uma sensacional história que precisa ainda desabrochar de verdade. É torcer para que os próximos números sejam memoráveis.

DK III: The Master Race #3 (EUA, 2016)
Roteiro: Frank Miller, Brian Azzarello (ambas as histórias)
Arte: Andy Kubert (história principal), John Romita Jr. (história secundária)
Arte-final: Klaus Janson (história principal), Frank Miller (história secundária)
Cores: Brad Anderson (história principal), Alex Sinclair (história secundária)
Letras: Clem Robins (ambas as histórias)
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 24 de fevereiro de 2015
Páginas: 53 (as duas histórias mais páginas extras com capas variantes)

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16 comentários

Victor Hugo Moraes 11 de julho de 2016 - 10:51

Eu li ontem a edição em ptbr, gostei da crítica. Também enxergo a história como uma introdução para algo maior, contudo discordo do você diz que o subtexto político e as sátiras desapareceram por completo.
Os quadros com políticos e personalidades falando acompanhados de “tweets” dos civis, uma nova roupagem dos debates na TV que vimos no primeiro Cavaleiro das Trevas. Além disso, os kriptonianos estão aqui para questionar a superficialidade do que adoramos, com referências diretas a cultura do consumo e das celebridades.
Estou gostando do que estou lendo, até o momento. Acho injusto comparar com o primeiro CdT por conta do formato bem diferenciado, aqui é uma única história fragmentada em oito edições. Em 1986, foram quatro arcos bem fechadinhos que, juntos, compõem uma história grandiosa.

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Victor Hugo Moraes 11 de julho de 2016 - 10:51

Eu li ontem a edição em ptbr, gostei da crítica. Também enxergo a história como uma introdução para algo maior, contudo discordo do você diz que o subtexto político e as sátiras desapareceram por completo.
Os quadros com políticos e personalidades falando acompanhados de “tweets” dos civis, uma nova roupagem dos debates na TV que vimos no primeiro Cavaleiro das Trevas. Além disso, os kriptonianos estão aqui para questionar a superficialidade do que adoramos, com referências diretas a cultura do consumo e das celebridades.
Estou gostando do que estou lendo, até o momento. Acho injusto comparar com o primeiro CdT por conta do formato bem diferenciado, aqui é uma única história fragmentada em oito edições. Em 1986, foram quatro arcos bem fechadinhos que, juntos, compõem uma história grandiosa.

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planocritico 11 de julho de 2016 - 12:57

Obrigado, @vicmoraes:disqus . Note que eu disse que o subtexto político que vimos nos volumes anteriores não estão presentes aqui, não que ele não exista. O que os roteiristas escreveram, no entanto, foi algo bem rasteiro, simplista e bobo, bem padrão de publicações atuais e não de algo especial como deveria ser DKIII. E pior: continue lendo que mesmo essa besteira desaparecerá mesmo por completo mais adiante…

Sobre comparar com a obra original, pode até ser injusto, mas é inevitável. Trata-se de uma continuação que até mesmo faz referências expressas aos volumes anteriores. Impossível não comparar. Além disso, não acho que os formatos de publicações sejam tão diferentes assim.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 11 de julho de 2016 - 12:57

Obrigado, @vicmoraes:disqus . Note que eu disse que o subtexto político que vimos nos volumes anteriores não estão presentes aqui, não que ele não exista. O que os roteiristas escreveram, no entanto, foi algo bem rasteiro, simplista e bobo, bem padrão de publicações atuais e não de algo especial como deveria ser DKIII. E pior: continue lendo que mesmo essa besteira desaparecerá mesmo por completo mais adiante…

Sobre comparar com a obra original, pode até ser injusto, mas é inevitável. Trata-se de uma continuação que até mesmo faz referências expressas aos volumes anteriores. Impossível não comparar. Além disso, não acho que os formatos de publicações sejam tão diferentes assim.

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 29 de março de 2016 - 00:57

Oi, gostaria de perguntar…. qual a periodicidade do DKIII nos EUA….. e se vai finalizar nesse ano. Ótima critica! Abraços

Responder
Gabriel 29 de março de 2016 - 00:57

Oi, gostaria de perguntar…. qual a periodicidade do DKIII nos EUA….. e se vai finalizar nesse ano. Ótima critica! Abraços

Responder
planocritico 29 de março de 2016 - 16:03

@disqus_YqBmD1jIzW:disqus, era para ser mensal, mas está oscilante. O próximo número deve sair dia 13 de abril.

E obrigado pelo elogio!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 29 de março de 2016 - 16:03

@disqus_YqBmD1jIzW:disqus, era para ser mensal, mas está oscilante. O próximo número deve sair dia 13 de abril.

E obrigado pelo elogio!

Abs,
Ritter.

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Anônimo 28 de fevereiro de 2016 - 21:13
Responder
planocritico 29 de fevereiro de 2016 - 18:54

Obrigado, @disqus_ZMtFC1obwd:disqus. Vamos ver como é que o Super-Batman vai espancar os kriptonianos agora… He, he, he…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 29 de fevereiro de 2016 - 18:54

Obrigado, @disqus_ZMtFC1obwd:disqus. Vamos ver como é que o Super-Batman vai espancar os kriptonianos agora… He, he, he…

Abs,
Ritter.

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Lucas Casagrande 28 de fevereiro de 2016 - 21:13

To acompanhando a série e ta muito boa mesmo, parabens pela critica

Responder
Alison Cordeiro 25 de fevereiro de 2016 - 14:39

A crítica é ótima, Ritter, e até desperta a curiosidade pela história. Minha dúvida é se a narrativa é linear, permitindo ao leitor compreender a sua essência sem precisar reler o DK2 (argh!, desculpa aí) ou se esta releitura é essencial. A arte sendo bacana também dá um estímulo, embora, a bem da verdade, DK devesse ter ficado só na obra original. Abçs!

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Alison Cordeiro 25 de fevereiro de 2016 - 14:39

A crítica é ótima, Ritter, e até desperta a curiosidade pela história. Minha dúvida é se a narrativa é linear, permitindo ao leitor compreender a sua essência sem precisar reler o DK2 (argh!, desculpa aí) ou se esta releitura é essencial. A arte sendo bacana também dá um estímulo, embora, a bem da verdade, DK devesse ter ficado só na obra original. Abçs!

Responder
planocritico 25 de fevereiro de 2016 - 16:15

@alisoncordeiro:disqus, obrigado. Olha, pode ler sem medo. Não precisa reler DK2 não. Basta lembrar que o Superman e a Mulher-Maravilha tiveram uma filha e que a Mulher-Maravilha estava grávida novamente ao final. DK3 é bem fácil de entender e é auto-contida.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 25 de fevereiro de 2016 - 16:15

@alisoncordeiro:disqus, obrigado. Olha, pode ler sem medo. Não precisa reler DK2 não. Basta lembrar que o Superman e a Mulher-Maravilha tiveram uma filha e que a Mulher-Maravilha estava grávida novamente ao final. DK3 é bem fácil de entender e é auto-contida.

Abs,
Ritter.

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