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Crítica | Batman: O Filho do Demônio

por Erik Blaz
487 views (a partir de agosto de 2020)

A terra grita como uma mulher próxima da hora do parto… E o velho recém-nascido se afasta com os ombros curvados… Como se buscasse refúgio da tempestade que se aproxima.

Sei que não vem ao caso, mas esta é umas daquelas histórias que, quando penso nela, lembro do meu pai me contando sobre ela. Foi assim que, muito antes de lê-la, soube resumidamente sobre o que se tratava.

Quando achei o encadernado (uma republicação de 2012, se não me engano) não pude deixar de comprá-lo e dar de presente ao mestre que me ensinou a arte de ler comics. Posteriormente, achei a Graphic Novel na época que foi publicada aqui e é óbvio que tive de ler novamente. Provavelmente, neste momento, o leitor deve imaginar o quanto gosto desta história. Antes de escrever esta crítica, coloquei a revista sobre minha mesa e a reli, que delicioso cheiro de velharia… Mas, vamos direto ao ponto, não?

Os eventos desta graphic ocorrem pouco antes de Batman adotar Jason Todd para torná-lo o segundo Robin. O conto começa mostrando uma equipe terrorista invadindo um armazém, em busca de um produto químico que seria usado para um experimento de pluvicultura. Logo mais, após Batman deter os terroristas, Tália Al Ghul reaparece e as investigações começam a recair sobre seu pai, inimigo e admirador do Batman, Ra’s al Ghul.

Não demora muito e vemos novamente o uso de fatos reais sendo empregados na história, tal como os conflitos entre Estados Unidos e URSS, e a construção de máquinas capazes de manipular o clima, lembrando em muito As dez noites da Besta e a A Morte de Robin. Porém, não é só isso que faz a graphic ser uma das melhores obras já feitas na história editorial do Morcegão. Quando o maior detetive de todos os tempos, junto com seu caso amoroso, chegam ao território de Ra’s al Ghul, eles descobrem que precisam se unir para confrontar um inimigo em comum e, quando me refiro “em comum”, é um inimigo que aparenta perigo a toda a humanidade e isso, de forma genial, sem a criação de um super-vilão com poderes, mas, sim, a criação de um grupo terrorista!

Mike W. Barr, o roteirista, consegue nos prender com uma história bem amarrada e um drama ainda maior que equilibra com o perigo mortal do vilão terrorista Qayim (homônimo bíblico para Caim). Wayne e Tália, que já se relacionaram antes (e até foram forçados a se casar em uma história anterior com Ra’s al Ghul), voltam a ficar juntos e Tália não tarda a revelar que esta grávida de um morceguinho (desculpem, não pude evitar).

Acredito que a maior jogada de Barr na história foi a percepção de Tália ao ver que Batman passaria mais perigo ao tentar proteger ela e a criança e que, no final, teria de pendurar o manto de morcego para sempre. Com isto, ela se vê forçada a enganar Wayne e dizer que a criançada foi abortada.

Essa, porém, não é só uma história bem dramática para o Homem-Morcego, como também para os demais personagens da trama, desde o vilão louco por vingança, até seu arqui-inimigo. Tudo bem construído para ligar as histórias. As personalidades de todos são bem expostas, tão bem quanto a arte de Jerry Bingham! Há um excelente detalhamento de cenário e na expressão dos personagens, sem contar com a construção dos quadros de maneira bem criativa sem se prender ao velho estilo de quadrinho por quadrinho. É quase que uma coisa só tudo, fluida, com evidente e equilibrada organização para não nos perdermos na história.

Outro grande ponto para esta obra é o próprio protagonista, bem mais incisivo e investigativo, além de ser mostrado um lado mais humano nele, características como o egoísmo ou a vontade de ter uma família fazendo-nos lembrar o quanto nosso herói é tão humano quanto nós.

Se você é fã de carteirinha do Homem-Morcego e ainda não leu uma página sequer desta graphic novel, sugiro que comece a investigar onde achá-la, pois sua leitura esta super atrasada!

Batman: O Filho do Demônio (Batman: Son of the Demon) – EUA, 1987
Roteiro: Mike W. Barr
Desenhos: Jerry Bingham
Editora: DC Comics
Editora no Brasil: Editora Abril
Páginas: 80

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