Home QuadrinhosOne-Shot Crítica | Batman: Terra Um – Volume Três

Crítica | Batman: Terra Um – Volume Três

por Ritter Fan
1075 views (a partir de agosto de 2020)

Foram três anos entre o primeiro e segundo volumes de Batman: Terra Um e, agora, nada menos do que seis anos para chegarmos ao terceiro e, aparentemente, último volume da sensacional reimaginação da origem do Homem Morcego por Geoff Johns, com Gary Frank e Jon Sibal na arte. Se isso não é um atestado de que a DC Comics criminosamente relegou sua linha de graphic novels Terra Um ao quase completo ostracismo, não sei o que é. O que tinha todo o potencial para ser o equivalente ao universo Ultimate da Marvel, acabou infelizmente sendo uma reunião de interessantíssimas histórias que não parecem ter muito futuro.

Mas, no final do dia, pelo menos essas graphic novels existem e elas são, pelo menos no que se refere à Mulher-Maravilha, ao Lanterna Verde e ao Batman, realmente imperdíveis. No caso do Morcegão, a forma como Johns costura a identidade do personagem à Gotham City é um primor e, aqui, nesta terceira parte, o roteirista vai ainda mais a fundo nisso, remexendo profundamente no legado Arkham-Wayne de insanidade que ele começou em 2013, colocando o Batman em meio a uma trama que lida com o aparente retorno de Harvey Dent seis meses depois de sua morte no volume anterior e as dúvidas sobre Jessica Dent e o inacreditável reaparecimento de Adrian Arkham, avô de Bruce, 50 anos depois de ser dado como morto.

Além disso, vemos Batman dando os primeiros passos efetivos para deixar de ser o ermitão solitário que acha que é capaz de lidar com todos os males da cidade sozinho, para tornar-se algo mais, arregimentando a ajuda de outros “renegados” como Croc e a Mulher-Gato, além de construir a famosa bat-caverna, aqui ainda em uma versão rudimentar. Pode-se notar, portanto, que há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na história, especialmente considerando que Harvey Dent (ou alguém se passando por ele) está armando as gangues da cidade para criar o caos total em uma linha narrativa que lembra um pouco a clássica de Frank Miller em O Cavaleiro das Trevas. Mas Johns dá conta do recado, mantendo a cadência constante e usando toda a oportunidade possível para introduzir outros personagens da mitologia do Batman.

A arte de Gary Frank é, mais uma vez, muito eficiente. Batman continua com seu uniforme “simplificado”, por assim dizer, sem transformá-lo em uma armadura super-poderosa e mantendo as marcas de costura na máscara e outros lugares, o que empresta a necessária ideia de que essa é a versão ainda Ano Um (ou talvez Ano Dois) do herói, com muito espaço para melhorias. Da mesma maneira, o artista, com a excelente arte-finalização de Sibal, mantém sua personalidade ao lidar com os personagens icônicos do bat-universo, com especial destaque para Croc e para a Mulher-Gato e seu inusitado uniforme que bebe das mais diferentes fontes clássicas.

Há, por toda a história, até um comedimento por parte de Johns, que tenta manter o Batman um personagem razoavelmente pé no chão, com poucas sequências de ação grandiosas e exageradas. Não é realista, claro (afinal, trata-se de um bilionário que se veste de morcego, não é mesmo), mas ele e Frank cumprem a função de trazer para as páginas um Homem Morcego mais relacionável, algo que é amplificado pela abordagem eminentemente psicológica dada a Bruce Wayne, com sua trágica história familiar costurada com a história de Gotham City, sendo o ponto focal. Não adoro a resolução sobre o mistério ao redor de Adrian Arkham, mas ela funciona dentro da premissa se aceitarmos algumas conveniências aqui e ali.

O único real problema de ritmo do volume é em seu epílogo, algo que reputo ser resultado do que eu acredito ser o fim da linha editorial Terra Um (não há, no momento, sequer um anúncio que seja sobre um próximo volume). Em outras palavras, Johns usa as últimas páginas para terminar de introduzir a toque de caixa todos os mais importantes da mitologia de Batman que faltavam, o que obviamente fica deslocado e desperdiça muito potencial de construção.

Se o Volume Três de Batman: Terra Um marca mesmo o fim dessa ótima série Elseworlds eu não sei, mas, se for, é sem dúvida alguma um grande encerramento, com Geoff Johns fazendo jus ao Homem Morcego em mais uma indispensável história de origem do personagem. Fica a torcida, porém, para que a linha editorial seja expandida, nem que isso signifique esperar anos a fio por cada novo volume.

Batman: Terra Um – Volume Três (Batman: Earth One – Volume Three, EUA – 2021)
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank
Arte-final: Jonathan Sibal (Jon Sibal)
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Capa: Gary Frank, Brad Anderson
Editoria: Brian Cunningham, Amedeo Turturro
Editora original: DC Comics
Data original de publicação: 08 de junho de 2021
Editora no Brasil: não publicado no Brasil na data de lançamento da presente crítica
Páginas: 156

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais