Crítica | Batman vs. Tartarugas Ninja

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Sob direção de Jake Castorena (o mesmo de A Morte do Superman), Batman vs. Tartarugas Ninja nos traz o tipo de crossover que é extremamente divertido de se assistir, especialmente se o espectador está esperando uma boa dose de fanservice aliada a uma história que faz jus, ao menos parcialmente, aos dois Universos que se encontram na saga. É certo que o roteiro de Marly Halpern-Graser tem problemas — a maior parte deles do meio para o final do filme — mas a diversão e os conflitos presentes no Universo do Batman e no Universo das Tartarugas Ninja permanecem e são bem trabalhados aqui, inclusive o fator familiar, claramente uma das âncoras para ambos os cânones.

Parceria entre DC Entertainment, Nickelodeon e Warner, esta animação começa com uma rápida apresentação do cenário que colocará Morcego e Tartarugas frente a frente. Ninjas e o Pinguim estão envolvidos em uma sequência de roubos de tecnologia experimental em Gotham, colocando Batman em alerta e, por consequência, trazendo outros investigadores para a cena dos crimes. O texto não explora muito da motivação anterior à chegada de Leonardo (Eric Bauza), Rafael (Darren Criss), Michelangelo (Kyle Mooney) e Donatello (Baron Vaughn) à cidade, mas eles sozinhos fazem muito bem o show de apresentação, com bons diálogos, boas piadas e boa dublagem dos atores escalados. Dessa forma, o espectador é entretido e acaba aceitando sem muitas reservas essa presença incomum em Gotham, esperando, claro, o momento do grande enfrentamento.

A primeira metade do filme é destinada ao estabelecimento dos visitantes e aos primeiros encontros com o Batman. Todas as cenas nesse bloco são bem dirigidas e escritas. O roteiro não exagera nas piadas de Michelangelo e nem torna Leonardo insuportável, dando ordens para cima e baixo ou querendo controlar tudo, mesmo estando errado. Todas as personalidades aqui estão majoritariamente bem trabalhadas, tendo consideráveis desvios apenas na reta final do filme, onde o texto (não apenas nesse aspecto) encontra a sua progressiva queda. Antes disso, o espectador é brindado com um intenso drama de investigação, inclusive com a participação orgânica de Batgirl e Robin, algo que eu realmente não esperava que fosse funcionar, mas funcionou.

Os problemas começam a acontecer com a escolha do roteiro ao criar a famosa “distração desastrosa“, que virou arroz de festa em certas HQs ou animações do Cavaleiro das Trevas. Às vezes isso é utilizado de maneira instigante, mas na maior parte do tempo sai de controle. O motivo? Bem, digamos que o que era para ser apenas uma distração do plano de um vilão, acaba sendo uma distração do roteiro em relação à história central. Uma vez que os heróis precisam reunir forças para lutar contra os internos dispersos do Arkham, a direção e o roteiro tentam fazer disso a coisa mais importante da obra, mas não é e nem deveria ser! Sem uma montagem paralela bem feita ou um texto que trate isso de fato como uma coisa momentânea, o efeito final é justamente o que temos aqui: uma quebra narrativa que vem do nada, traz alguns dos piores diálogos do filme, se torna repetitivo no miolo e é finalizado de modo episódico, quase como se implorasse para ser cortado na versão final da obra. Mas quase nunca é. Uma pena.

Já na parte final, com a batalha na Ace Chemicals, a trama volta mais ou menos aos trilhos. Infelizmente nem todos os diálogos são bem retomados e aumentam o número de frases soltas, aparecem as piadas sem graça de Michelangelo e pequenas distrações que se fossem melhor ligadas ao grande problema da aventura teriam um resultado bem mais interessante. Em conclusão, a gente tem um bom efeito pós-batalha épica, com bom estilo de animação, efeitos dentro daquilo que a gente já conhece das animações da DC, um time de atores com ótimo trabalho de vozes para todos os personagens (não há ninguém off aqui, o que contribuiu para a gente gostar desses personagens em cena) e uma reunião familiar ou de time que sempre aquece o nosso coração. Não há problema de desenvolvimento que vença esse tipo de final, e isso definitivamente faz valer a sessão.

Batman vs. Tartarugas Ninja (Batman vs. Teenage Mutant Ninja Turtles) — EUA, 2019
Direção: Jake Castorena
Roteiro: Marly Halpern-Graser
Elenco: Troy Baker, Eric Bauza, Darren Criss, Kyle Mooney, Baron Vaughn, Carlos Alazraqui, Cas Anvar, Rachel Bloom, John DiMaggio, Keith Ferguson, Brian George, Ben Giroux, Tom Kenny, Andrew Kishino, Jim Meskimen, Tara Strong
Duração: 84 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.