Crítica | Batwoman – 1X01: Pilot

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  • Há SPOILERS!

Quando apareceu pela primeira vez no Universo dos heróis da CW, em Elseworlds, Parte 2, a intrigante Batwoman já estava estabelecida como vigilante de Gotham, assumindo o manto após o desaparecimento (por três anos) do Cavaleiro das Trevas. Já nesse primeiro contato do público com a personagem, interpretada por Ruby Rose, estava muito claro uma dependência que incomodava muito e que, infelizmente, é mostrada de maneira ainda mais questionável nesta estreia de sua série solo, que tem roteiro da própria criadora do showCaroline Dries (conhecida pela produção e por roteiros em Melrose Place e principalmente em The Vampire Diaries).

Pilot é um episódio fraco em diversos sentidos. Sua premissa não afasta de todo o espectador — porque estamos falando de uma das personagens mais misteriosas e intensas da Batfamília, com três origens, abordagens e contextos distintos, a saber, Kathy Kane (Detective Comics #233, em julho de 1956), Kathy Kane da Terra-2 (Brave and the Bold #182, em janeiro de 1982) e Kate Kane (52 #7, em agosto de 2006) –, mas também não há muito mais que ajude o público a gostar do que está vendo. Baseada na última versão criada da personagem, a série acaba por colocá-la em um cenário teoricamente independente do Batman, mas em praticamente tudo faz reverência e referências ao Morcego, começando a jornada de maneira conceitualmente incoerente. Mesmo que outros aspectos da personagem sejam bem trabalhados e estejam em par com o que temos dela nos quadrinhos (o fato de ser lésbica, de ter problemas de relacionamento com o pai, de enfrentar homofobia e machismo, etc.), o roteiro aqui simplesmente não convence.

Há uma grande bagunça em termos de encadeamento dos fatos desde o início, com parte de um treinamento que está jogado na trama + flashbacks mal feitos (ao menos no escopo técnico, as cenas do presente têm boa fotografia. Já as do passado… não) + falta de foco na apresentação da protagonista e dos principais coadjuvantes. A ânsia de querer colocar “todo mundo” já no primeiro episódio fez com que uma porção de cenas fossem muito corridas, que o espectador não tivesse a oportunidade de criar empatia para com os personagens e, acima de tudo, que as fracas atuações aparecessem de forma ainda mais intensa.

Em séries com atores e atrizes canastrões, uma das coisas que acabam salvando o show ou os episódios é a habilidade da direção em saber como colocar esses personagens na tela e também do roteiro em não exigir frases de efeito a todo o tempo. Ou seja, bons roteiros e boa direção conseguem encobrir e até tornar bem charmosa a presença de um elenco mediano ou mesmo ruim em uma produção. Mas quando a parte técnica não consegue lidar com esse lado, a coisa é ainda pior. Eu não acho Ruby Rose absolutamente ruim, mas ela também não é boa em termos dramatúrgicos. Eu adoro a atitude que ela trouxe para a personagem (condizente com as HQs) e uma coisa ou outra de seu trabalho no episódio, mas no todo, as expressões, os atos e as linhas afetadas que ela recebeu para trabalhar não ajudaram em nada o seu estabelecimento como uma heroína que o público quer desesperadamente acompanhar. E considerando que ela é a estrela do show, é fácil perceber o gigante problema em mãos.

A intriga apresentada e a pequena exposição do mundo do crime em Gotham não são de todo ruins, assim como o encadeamento da tragédia familiar dos Kane com a vilã Alice (Elizabeth Kane), irmã da Batwoman. Foi legal ver desde já esse tipo de conflito em cena, mas se o roteiro não consegue construir um bom trampolim para esse tipo de relação mais específica, de nada adianta um “bomba dramática” logo no começo. Talvez se tivesse jogado de forma mais simples e tivesse se preocupado mais em apresentar Kate e seu Universo para depois trazer os peixes grandes, o episódio teria conseguido um resultado muito maior. O que temos, porém, é um início com o pé esquerdo e que agora exige imensamente do programa uma melhoria de qualidade para que parte do público pense em dar uma nova chance. Todavia, em se tratando de CW, não é lá muito indicado esperar por isso não…

Batwoman – 1X01: Pilot (EUA, 06 de outubro de 2019)
Showrunner: Caroline Dries
Direção: Marcos Siega
Roteiro: Caroline Dries
Elenco: Ruby Rose, Rachel Skarsten, Meagan Tandy, Nicole Kang, Camrus Johnson, Elizabeth Anweis, Dougray Scott, Greyston Holt, Brendon Zub, Gray Horse Rider, Rachel Maddow, Chris Shields, Sandy Robson, Gracyn Shinyei, Ava Sleeth
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.