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Crítica | Bela Vingança

por Ritter Fan
3833 views (a partir de agosto de 2020)

  • spoilers. Se você não viu o filme, faça um favor a você mesmo – especialmente se você for do sexo masculino – e veja antes de ler qualquer coisa.

Can you guess what every woman’s worst nightmare is?

Bela Vingança (era uma vez o sarcasmo do título original…) tem como objetivo maior escancarar um problema sério incomodando os causadores do problema – os homens -, e todos aqueles que, por ação ou omissão, tornam possível que ele ocorra de forma corriqueira, costurado profundamente no cotidiano da sociedade. Há, portanto, um componente claramente didático no longa de estreia na direção e roteiro da atriz Emerald Fennell (a Camilla Parker Bowles, de The Crown) que, porém, ela consegue lidar sem tornar sua obra enfadonha por um segundo sequer e até mesmo transformando o que seria mera exposição em elemento embebido na infraestrutura narrativa.

A cineasta estreante, para começo de conversa, tem a coragem de abordar o estupro (não vou ficar aqui usando eufemismos para agradar gente do meu sexo) com uma linguagem visual indireta, primeiro emulando slasher dos anos 80, depois comédia adolescente dos anos 90 e por todo tempo mantendo uma atmosfera de videoclipe e um apuro visual que cria um ar atemporal – ou multi-temporal – ao seu trabalho, como quando mantém o lar de sua protagonista ou, melhor dizendo, de seus pais, completamente no passado com uma fenomenalmente brega decoração kitsch ou quando lida com seus figurinos de forma a não entregar modas de épocas específicas. Há, em cada fotograma de Bela Vingança um evidente cuidado visual que parece funcionar como isca para fisgar desavisados que, quando perceberem, já estarão enredados pela trama e não mais quererão sair dela ou, bem ao contrário, desistirão do longa justamente por ele ser incômodo e desconcertante.

Carey Mulligan vive Cassandra “Cassie” Thomas, mulher que, em razão de trauma passado, largou a faculdade de medicina e começou a trabalhar em uma cafeteria, visitando bares e boates nos finais de semana fingindo-se bêbada para atrair homens que se aproveitam desse estado em mulheres para estuprá-las. Sua vingança, apesar do delicioso início que dá a entender que ela os mata ou mutila de alguma forma, é muito simples, não mais do que a revelação, momentos antes de o ato ser perpetrado, de que ela está bem sóbria na verdade, o que imediatamente afasta o homem, desnudando toda sua covardia, toda sua sordidez e funcionando como um verdadeiro espelho da alma.

Essa sua vida consideravelmente sem prazer pessoal é mudada quando ela, sem querer, se reconecta com Ryan Cooper, colega de faculdade vivido por Bo Burnham que, por seu turno, reacende seu desejo de vingança contra o maior responsável pelo estupro coletivo e posterior suicídio de sua melhor amiga Nina e todos aqueles diretamente ao redor. Com isso, ela parte para executar um elaborado plano – com direito a divisão em capítulos como em Kill Bill: Vol. 1 – que cria excelentes situações com cada um dos que ela considera culpados em sequências que, como disse, em princípio parecem escolher o caminho do didatismo, mas que estão tão bem inseridas na dinâmica do longa que tudo caminha de maneira muito fluida e até… agradável… se é que esse adjetivo pode ser utilizado aqui. Confesso que, quando a velocidade aumenta e as coisas passam a encaixar-se demasiadamente bem, o longa perde um pouco de seu ritmo, mas nunca sua relevância.

Mulligan foi a escalação perfeita para o papel, já que, para além dos visuais e do estilo quase pop de Fennell, é ela que carrega a obra nas costas, com uma atuação variada que nos convence primeiro de que ela está mesmo bêbada no início, depois como um anjo vingador, passando por uma mulher em tudo apaixonada por Cooper até que seu namorado é também revelado como partícipe do estupro da amiga, algo que propositalmente quer dizer que sim, todo homem é estuprador. Mas calma, calma, essa afirmação não deve ser interpretada como absoluta, mas sim, apenas, uma generalização necessária para sacudir o espectador, aquele que, como eu, assiste o filme no alto de seu pedestal dizendo o quanto é absurdo isso acontecer, mas sem realmente entender a magnitude da coisa.

Mas, retornando à Mulligan, além de sua atuação realmente impressionante, sua aparência de “mulher normal” – e, não se enganem, ela é linda, mas não é uma supermodelo, especialmente não da forma como ela é espertamente caracterizada no longa – ajuda muito na colocação de que esse tipo de situação não está restrita às mulheres que, dizem os homens, “convidam estupradores” (ah, como é terrível escrever isso mesmo que seja para dizer como é errado) pela forma como agem, como se vestem e assim por diante. Com isso, Fennell é muito feliz em pegar o que deveria ser uma exceção, daquelas realmente excepcionais, e normalizá-la, ou seja, em demonstrar – quase cientificamente – que essa é a vida das mulheres em geral, assediadas com assovios quando andam na rua e drogadas por malucos que querem sexo doentio.

E o final? A espetacular vitória de Cassie, finalmente vingando sua amiga da maneira mais apoteótica possível, parece, por alguns segundos, um encerramento feliz para o longa. Mas a que preço ele veio? Para conseguir chegar a esse ponto, Cassie teve que se sacrificar, teve que morrer sufocada em sua tentativa de marcar o nome da amiga no corpo de seu estuprador. E, pior, paremos um pouco para pensar sobre o ocorrido, lembrando da conversa com o advogado arrependido vivido muito bem por Alfred Molina em que ele diz que fez acordos da natureza com o que forçou Nina a aceitar como dezenas, senão centenas de outras mulheres. Será que o sacrifício de Cassie e a prisão do estuprador (e, na melhor das hipóteses, a desgraça dos demais envolvidos) mudou alguma coisa? Será que Fennell quis dizer que tudo seria resolvido assim tão facilmente? As perguntas são retóricas, claro, pois suas respostas, infelizmente, são evidentes e dolorosas.

Bela Vingança é um belo de um tapa na cara, uma violenta joelhada nos colhões, uma bela lição audiovisual sobre o terrível estado da sociedade machista em que vivemos. Emerald Fennell é uma incrível professora que leciona com um sorriso no rosto, com palavras muito bem colocadas e uma baita apresentação interativa por trás mesmo quando fala de coisas terríveis como o estupro. Resta saber se o esforço da cineasta fará pelo menos uma pessoa olhar para o próprio umbigo em processo de auto avaliação e avaliação de seus pares imediatamente ao redor ou se tudo terá sido em vão como a vitória de Pirro de Cassie.

Bela Vingança (Promising Young Woman – EUA/Reino Unido, 2020)
Direção: Emerald Fennell
Roteiro: Emerald Fennell
Elenco: Carey Mulligan, Bo Burnham, Alison Brie, Clancy Brown, Jennifer Coolidge, Laverne Cox, Chris Lowell, Connie Britton, Adam Brody, Max Greenfield, Christopher Mintz-Plasse, Sam Richardson, Alfred Molina, Molly Shannon, Steve Monroe, Angela Zhou, Francisca Estevez, Austin Talynn Carpenter, Emerald Fennell
Duração: 113 min.

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90 comentários

CaçadorUrbano 5 de maio de 2021 - 22:07

O filme é incrível e o Oscar foi merecido pra caralho. Quem tá criticando porque o filme não teve violência explícita com gore é porque não entendeu a proposta.

Responder
planocritico 5 de maio de 2021 - 23:56

Nunca vi ninguém criticar esse filme por causa disso, mas eu também não fico procurando saber, para dizer a verdade…

Abs,
Ritter.

Responder
paulo ricardo 26 de abril de 2021 - 22:54

Curti muito , e a trilha sonora é muito boa , o q é aquela versão de Toxic da Britney …

Responder
planocritico 27 de abril de 2021 - 17:24

Bem bacana mesmo!

Abs,
Ritter.

Responder
Edp 25 de abril de 2021 - 22:51

Esse foi o único filme do Oscar indicado a Melhor Filme que senti realmente vontade de ver achei ruim rs.

No começo, já tinha uns esquemas mirabolantes, qual a probabilidade de uma mulher fazer o que ela fez de se fingir de bêbada para “ensinar/conscientizar/reiterar que é crime” homens e estar viva depois de tantos casos (no caderninho tem vários traços). O plano com a filha da reitora tbm foi forçado, aliás a reitora não ter ido pra cima dela, não ter chamado a policia, ter ficado parado, já é outra coisa difícil de acreditar….

Aí chega no final, ela deixa uns 15 caras desacordados colocando sedativo na vodca, prende o Alexsander na cama com a algema super confiável, ouve dele que “ah, Nina, não lembro, opa, lembrei, mas fazer o que” e aí pensei que ela mataria ele ou usaria um sedativo e não, ela resolve subir em cima dele, usando a força dos 50 kg dela para fazer o serviço e ele começa a se debater e no fim mata ela.

Ela achou que ia escrever o nome da NIna enquanto ele aceitava de boas? Cadê os planos mirabolantes, tipo o que ela fez com a filha da reitora? A mulher que dava uma lição nos homens que queriam se aproveitar de uma mulher bêbada que lidava friamente com a situação ficou burra e resolveu subir em cima do cara?

E no fim, ele foi preso, logo no dia do casamento, que conveniente; também acho estranho que ela tenha de alguma forma o sistema a ajudaria, sendo que esse mesmo sistema pune e desacredita mulheres.

Responder
planocritico 25 de abril de 2021 - 22:57

O filme não é realista. Isso fica evidente pelo tom e pela fotografia usados. Temos que tentar entender a mensagem.

E o plano de Cassie não era marcar o cara somente. Era, no fundo, se matar para conseguir prender o cara por assassinato, não estupro. Há toda uma simbologia aí que não pode ser desconsiderada.

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel Filipe 24 de abril de 2021 - 11:57

Eu vi em um comentário abaixo dizendo “ah, se fosse algo como Tarantino, com ela matanfo a machaiada toda”. Pois bem, acho q o filme foi feito com uma de suas intesões causar essa sensação nos espectadores. Porque pense, td vez que um filme de vingança feminina é feito, muitas vezes por homens, se há uma falta da camadas quanto as personagens femininas, desumanizando-as, para transformá-las em uma arma de violência para a catarse (não tô dzd q esse seja o caso de Kill Bill, nunca vi o filme, nem que isso seja por si só algo ruim, tem como se fazer ótimos filmes a partir disso). Já a Emerald Fennel vem nos apresentar uma perspectiva totalmente diferente, ela, pelo contrário, humaniza ao máximo sua protagonista, fazendo-nos criar simpatia com ela não apenas pelo carisma da atriz, ou por ser uma mulher fodona q mata todo mundo, mas sim por ser uma boa personagem, bem constituída. Em suma, Fennel se distância do clichê de filmes de vingança entregando uma narrativa bem menos catártica e bem mais pessimista. Duas mulheres precisaram morrer para UM homem (e TALVEZ seus cúmplices) seja responsabilizado por um crime hediondo como oq ele cometeu (2 crimes, vale dizer). Eu n sou a favor de um punitivismo, bom ressaltar isso, e tenho mts críticas a polícia como instituição, mas entre ser anti polícia, antipunitivista e defender que um homem estupre uma mulher (uma jovem promissora mulher) e depois mate outra (e n venham com legítima defesa n, pq legítima defesa tem q ter igual força, oq não ocorreu nesse caso, ele exagerou e muito) e passe impune, a uma distância infinita quase. Ainda n vi tds de mlr filme (nem vai dar pelo momento q eu comecei a temporada), mas esse e Meu Pai são os meus favoritos no momento. Já sobre Oscar para a Carry Muligan, bom… Ela tá fenomenal, mas ainda torço um pouco mais para a Francis, entretanto se a Carry ganhar eu vou levantar e comemorar, pois, justíssimo né

Responder
planocritico 24 de abril de 2021 - 18:06

Estamos de acordo!

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 24 de abril de 2021 - 01:06

Quem vai ter a honra de publicar a crítica do Lixo Atômico Mortal Kombat?

Responder
planocritico 24 de abril de 2021 - 02:46

É tão ruim assim?

Abs,
Ritter.

Responder
Victor Martins 24 de abril de 2021 - 12:02

O filme de 95 é melhor.

Responder
JujuExaltado 24 de abril de 2021 - 15:54

Pior filme que já vi. E olha que eu amo passar pano para filmes de luta.

Responder
planocritico 24 de abril de 2021 - 16:29

Eita!

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 26 de abril de 2021 - 11:52

Eu nao achei ruim nao. Pra ser sincero eu gostei, ate mais q o filme de 95. E olha q tem nostalgia envolvida com esse filme hein?
A galera ta achando q MK é Game of thrones. MK sempre foi porno de pancadaria. Desculpas esfarrapadas pra um monte de gente sair na porrada, com motivacoes exdruxulas e reviravoltas mais bagaceiras ainda.
Vale pelas lutas, golpes do jogo e fatalities. Até o Cole Young q eu achei q iria detestar nao chegou a me irritar.

Responder
planocritico 26 de abril de 2021 - 17:07

“até mais q o filme de 95”

Isso não me deixa nada confiante…

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 28 de abril de 2021 - 00:38

Realmente n quer dizer muita coisa. Eu creio q tem a ver com expectativa. Como a minha tava baixa, muito próxima de zero eu fiquei contente com o q vi.
Mas a galera tava esperando um épico, um Game of thrones dos jogos de luta.
Pra mim MK sempre foi porno de pancadaria. Qq desculpa é motivo pra ódio intestino e mortal, e consequente lutas e mais lutas. E só.

planocritico 28 de abril de 2021 - 01:17

Acabarei assistindo porque eu gosto de filme de pancadaria comendo solta, seja pela razão que for. E também porque me diverti com o MK95.

Abs,
Ritter.

Lew Martin 23 de abril de 2021 - 13:55

O filme em si é bom, nao mais que isso, ele ganha destaque mais pelo tema e por isso provavelmente recebeu a indicação. Sobre a tematica, houve alguns cliches como do namorado vilao, e a morte dela nao compensa a vingança no final, afinal o cara foi preso e provavelmente sera julgado pelo assassinato, coisa que poderia ser revertida alegando defesa a propria vida, que ela queria matar ele tmb, enfim de novo homem se safando. Talvez se tivesse um tom mais “sadico”, do tipo tarantino, com ela na pior das hipoteses matando aquela macharada toda, “alguem pediu chucrute de machista”, ou realmente se vingando e vivendo cara, ela merecia isso, eu sei que foi uma jornada dolorosa, mas o estilo sacrificio nao me desceu, ver ela sendo sufocada foi tao sentimento de derrota. Enfim, Excelente trilha sonora.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 16:31

Só pelo tema? Achei a atuação de Mulligan incrível, o design de produção espetacular e a fotografia imitando estilos cinematográficos uma escolha incrível.

Sobre o tema, não pense o que acontecerá depois dos eventos do filme. Afinal, eu poderia dizer que um meteoro cairia na Terra no segundo seguinte à prisão do estuprador e que nada mais seria relevante, com o fim da Humanidade. Veja pelo que acontece: ali, naquele exato momento, o cara foi punido. Ele foi preso em seu próprio casamento. Mesmo que ele saia livre de um julgamento ou pegue pena leve, ele dificilmente se recuperará socialmente em sua plenitude. A vida do cara, como ele conhecia e gostava de ter, acabou. Por muito menos vidas inteiras acabam no cotidiano em que vivemos, porque não imaginar o mesmo?

Mas sim, o filme é pessimista, feito como um labirinto sem saída. E isso é para machucar e incomodar de verdade. Não estamos falando do tipo de catarse de Kill Bill, já que você falou do Tarantino.

Abs,
Ritter.

Responder
Edp 25 de abril de 2021 - 23:09

Estou lendo os comentários e vi já duas pessoas falando sobre ele ser preso alegar legitima defesa e se safar (que também é minha opinião). Vc disse algo meio na linha que temos que aceitar onde o filme acabou, mas acho estranho, que se Cassie não confiava no sistema que ela viu e comprovou que é falho E ela estava até disposta a talvez perder a vida para ter algum tipo de justiça em relação a Nina, por que ela simplesmente não deu cabo do Alexsander na cabana?

Eu não esperava um final onde ela se vingava do Alexsander pois acho que iria contra o que a história queria passar, mas não esperava ela morrendo de modo tão tonto e depois o cara sendo preso, o que pareceu uma espécie de justiça muito conveniente sendo feita, tipo, ah agora o sistema está funcionando (sem falar que Alex aparentemente é um membro respeitável da comunidade e ela seria lida como uma louca depressiva, o que torna uma prisão pouco provável…). Se o Alexsander tivesse ficado solto e estivesse casado e feliz, faria mais sentido para mim.

Responder
planocritico 25 de abril de 2021 - 23:17

Veja: ela QUERIA morrer. Ela não fez aquilo esperando sobreviver em hipótese alguma. O filme não é exatamente sobre vingança, mas sobre essa situação sem saída em que as mulheres sempre se encontraram. É uma abordagem extremamente pessimista, mas é na extrapolação que as mensagens efetivas são passadas.

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 26 de abril de 2021 - 11:55

Sim, desde o começo fica claro que ela abriu mao da propria vida no instante que a amigo morreu.

planocritico 26 de abril de 2021 - 17:09

Sim, largou a faculdade, continuou vivendo com os pais e assim por diante. Ela era uma casca do que ela provavelmente era antes da morte de Nina. E a coisa piorou no momento em que ela se desiludiu com o namorado.

Abs,
Ritter.

Cesar 23 de abril de 2021 - 08:25

Fui assistir o filme sem saber nada sobre ele, nem sinopse, so vi a nota aqui e embarquei. E acho que foi melhor assim. Farei isso com os outros indicados também.

Começando logo pela polêmica, essa coisa do homem ser um estuprador em potencial, ela vem forte logo no prólogo, né!? Três caras conversando, dois olhando a mulher como um prato de comida, e logo o cara que aparentava estar pensando só em trabalho, que parecia ir pelo caminho certo, é o que tenta abusar dela.

Vou discordar de alguns aí, mas eu acho a Mulligan maravilhosa em tudo! Completamente hipnotizado por essa mulher, talentosa demais, e linda e sexy e tudo. Soberba no papel! Por outro lado, achei o elenco masculino do filme bem abaixo da média, (falo dos homens jovens), ou talvez a ideia foi justamente essa, a caracterização desse homem “certinho”, padrão americano, que parece mais um bobão retardado do que qualquer outra coisa. Nojo demais. Aliás, todas as passagens envolvendo os homens no filme me geraram vergonha alheia. Esse comportamento quase bestial que nosso gênero carrega em relação ao sexo, e consequentemente, às mulheres, é triste demais.

Qual o seu pensamento a respeito do comportamento da personagem antes do plano, Ritter? Centenas ou milhares de “encontros” daqueles marcados no caderno. Um comportamento suicida? Auto destrutivo? Se submetia a isso apenas pra provar um ponto? Por um momento achei que ela também tirava uma grana disso. E o ato final é poderoso, quase não acreditei, mas faz todo sentido com esse comportamento suicida dela.Toda cena dela fora do nucleo familiar exala essa auto confiança de quem não tem nada a perder ou temer.

Gostei demais. Qual o teu favorito pra levar o Oscar hein, Ritter?

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 16:19

Sim, o prólogo já apresenta com clareza o que a diretora e roteirista quer passar sobre os homens em geral. Há, ali, todas as informações que precisamos inclusive para imediatamente concluir que o médico, namorado de Cassie, também teve envolvimento com o estupro de Nina.

Sobre Mulligan, ela está excelente, mas ela não tem a beleza e o sex appeal “padrão” de Hollywood. Longe disso até e eu acho que é por isso, além da atuação, que ela foi escolhida para o papel. Não funcionaria como um Angelina Jolie da vida, por exemplo.

O comportamento de Cassie era niilista sim. Para mim, ela procurava, de um lado, satisfação por fazer o que fazia, como pequenas vinganças pelo ocorrido com sua amiga, o que também a ajudava a expiar a culpa que sentia pela morte dela, como, de outro, ela nutria esperança por achar um cara que não se aproveitasse da situação. E o triste é que ela encontra esse cara, somente para ele se revelar como participante do estupro.

Sobre os concorrentes a melhor filme no Oscar, eu votaria em Mank.

Abs,
Ritter.

Responder
Bruna Castro Fernandes 23 de abril de 2021 - 02:44

Que filme horrível, é serio, eu fui assistir sem saber nada a respeito e ja me senti mal na primeira cena cogitando ir embora e largar o filme por achar que ia acontecer uma cena de estupro e não digo que foi uma surpresa feliz, mas fiquei aliviada por não ver que era o caso. Depois da forma como foi construído por mais que tudo fosse muito doloroso era extremamente agradável ver ela fazendo alguma coisa, se vingando daqueles homens (apesar de não ser como o início insinuou).
Quando chegou a parte do relacionamento dela eu realmente torci pra que ela largasse tudo, porque entre ver uma mulher sendo uma heroína vingadora ou sendo feliz eu prefiro ver ela sendo feliz. Mas quando a revelação sobre o namorado dela aconteceu eu fiquei muito frustrada, parece que a felicidade e o amor e deixar os traumas do passado pra trás é algo impossível. E aí sem nenhuma perspectiva de felicidade eu embarquei com a personagem nessa de se agarrar a vingança porque é a única coisa que restou, eu queria ver ela colocando fogo naquela cabana com aqueles caras dentro e o que eu ganho? Uma cena longa, assustadora, horrível dela sendo assassinada asfixiada por aquele lixo, todo aquele símbolo de uma mulher que conseguiu fazer algo a respeito, que não se deixava atingir, que dava o troco tão vuneravel é tão trágico. Foda-se ele ter sido preso. Não vai ficar preso pra sempre, não vai morrer, elas não vão voltar. Outros vão continuar impunes porque não tem mais ninguém pra lutar contra.
Como mulher, foi horrível de assistir. Uma experiência que te dá duas expectativas distintas, uma de felicidade e superação e outra vingança e o mínimo de justiça e no final ele destrói tudo. A mas escancara a realidade, por favor, quem não vê a realidade, quem não se horroriza com casos de estupro não vai mudar por causa de um filme.
No fim não dá pra ser feliz nem na ficção.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 02:51

Como meu pai dizia, “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Um filme não vai mudar a sociedade, mas é um grão a mais que vai ganhando peso na medida em que outros grãos vão se unindo a ele, criando conscientização coletiva. Utópico? Talvez. Mas é a esperança. E concordo que o estuprador em potencial provavelmente não mudará nesse processo, mas as pessoas ao redor sim (como a amiga que casou e teve filhos, como a diretora da faculdade, como o advogado).

Abs,
Ritter.

Responder
Bruna Castro Fernandes 23 de abril de 2021 - 13:59

Sim, eu tinha acabado de assistir e falei 100% sobre minha experiência pessoal. Mas pensando com mais calma, é uma mensagem pessimista. Eu particularmente senti um final totalmente deslocado. Aquela música aquele tom de “ela tinha mais uma carta na manga” parecia tão sem sentido depois daquele desfecho horroroso. Ele foi levado pela polícia, mas nada garante que ele não vai se safar e ser inocentado. Pelo contrário, mesmo com provas, ele pode facilmente alegar legítima defesa, ela já era vista como louca, é só sujar um pouco mais a reputação dela e morta não se defende.
No fim, pros caras, passa uma mensagem de voces sabem que podem fazer qualquer coisa. Essa é a realidade. E eu não acho que o filme escancara algo. A realidade é bem escancarada e quem se importa já olha pra isso. Então não vejo esse filme sensibilizando algum homem que já não seja sensível a essa questão.
E sobre as mulheres eu vi um comentario falando “As mulheres estão com raiva por um bom motivo. Elas merecem filmes melhores do que este.” E eu concordo. Ficou pra mim uma mensagem: o mundo é uma merda e se algo acontecer contigo ou ao teu redor só “supera” e segue em frente porque se tu tentar fazer algo a respeito vai ser pior pra ti. É isso, o filme suga e desintegra esperanças, especialmente por mostrar essa situação fantasiosa, onde ela realmente entra como uma heroína vingadora forte e depois destrói a fantasia com a realidade. Fica aí a sensação de não tem felicidade, não tem vingança, não tem justiça nem heroínas pras mulheres. Nem sequer em um filme.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 16:37

Como venho falando a outros leitores, o filme acaba na prisão dele. Imaginar o que vem depois é pura suposição. Portanto, para todos os efeitos, o estuprador foi punido sim ao ser preso em seu próprio casamento. Quanto começamos a extrapolar os eventos, a coisa perde o controle e arriscamos desfazer o que foi feito com base no que achamos que acontecerá.

Mas sim, o filme é COMPLETAMENTE pessimista. Não é como Kill Bill, que tematicamente, é semelhante, mas acaba com a Noiva trucidando todo mundo, uma verdadeira super-heroína de um filme de fantasia. Aqui, Cassie faz o que pode que, casado com a culpa que sente, com a desilusão por perceber que os homens são daquele jeito, aparentemente sem exceção, ela não tem mais o que perder, não vê mais saída que não seja aquela. Triste, mas é para chamar atenção como acontece com Réquiem para um Sonho.

Abs,
Ritter.

Responder
André Bozzetto Jr. 28 de abril de 2021 - 02:29

Em alguns aspectos suas reflexões sobre o filme são mais interessantes do que o próprio filme.

Responder
Sabrina 23 de abril de 2021 - 02:04

O filme precisa de uma certa suspensão de descrença ,pois só assim para acreditar que ela não teria sofrido nenhuma agressão na sua jornada de vingança. Outra coisa que me incomodou no filme foi o velho clichê do namorado envolvido de certa forma no crime, além disso acho que o filme não acerta o tom .Uma das coisas que eu acho eficiente no filme é o seu final ,pois fica claro que o principal objetivo dela era se machucar ,pois ela se sentia culpada, a vingança era só um prêmio de consolação .

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 02:27

Todo filme exige suspensão da descrença e não achei o pedido aqui exagerado não.

Sobre o namorado envolvido, a questão é mais para passar a lição de que todos os homens são estupradores em potencial. Pesado, com certeza, mas o objetivo era esse mesmo.

Já no caso da morte, há um fusão de desejos. Sim, ela queria morrer, mas ela também provavelmente sabia que o estuprador não seria preso – e, se fosse, não seria condenado a nada sério – pelo estupro da Nina e a melhor maneira de realmente pegar o cara era por assassinato. O dela.

Abs,
Ritter.

Responder
Sabrina 23 de abril de 2021 - 03:16

Eu entendi o papel do namorado na trama ,porém é muito batido usar esse recurso . Eu que sou péssima para descobrir finais de filmes, descobri que ele estaria envolvido quando ele disse que era da mesma faculdade . Torci o tempo todo para a diretora não usar essa virada ,porém ela usou. A diretora usa o namorado para passar a ideia que todo homem é um estuprador em potencial ,porém ela tb passa a ideia que todo homem quando confrontado por uma mulher vira um cordeiro .Essa parte do filme onde os homens não fz nada me incomodou muito. Hoje em dia falo por experiência própria falar um simples não para uma cantada já é motivo para tomar um soco, imagine sozinha em um quarto.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 03:20

Compreendo perfeitamente seu ponto. Ele faz sentido.

Em termos cinematográficos, porém, encarei essa questão como uma espécie de “acordo” que a diretora/roteirista fez com ela mesma. Ela queria dar uma pegada de conto de fadas (do tipo original, pesado) a fatos reais e precisava de uma protagonista vingadora que passava os finais de semana atraindo estupradores somente para faze-los acordar. Nessa estrutura, eu acho que o filme anda muito bem. E veja que o final, pelo menos em princípio, “cura” esse problema, pois ela paga o preço mais alto.

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 23 de abril de 2021 - 00:09

Eu tive sim, uma sensação estranha enquanto assistia. Mas por que acho que as mulheres que foram realmente castigadas por ela no decorrer do filme.

O advogado se arrependeu e a ajudou. E ela ainda por cima planejou o próprio suicídio para condenar o rapaz. Portanto, ela pagou um preço alto demais, muito alto.

Teve a vida toda destruída.

Até mesmo a obsessão que ela tinha de se vingar dos outros prejudicava mais a si mesma e se colocava em alto risco. Enquanto que os homens simplesmente se faziam de idiotas e iam embora.

Então o filme acaba deixando uma ideia ambígua também: afinal, nesta luta contra o machismo tóxico, a mulher está se colocando em desvantagem? Não há uma forma de se fazer ouvida sem que se ponha em risco por causa da forma como a sociedade está estruturada em prol dos homens? O filme é uma mensagem pessimista?

Não gostei.

Obs.: A atriz consegue transmitir um jeito tão fofo quando está apaixonada. A mesma carinha de Drive. Fofa demais.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 02:30

Não sei se entendi. Você não gostou porque a mensagem é pessimista (e é mesmo)?

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 23 de abril de 2021 - 03:46

Sim, não gostei do pessimismo exacerbado do filme, em que a protagonista se aniquila. Ela cometeu suicídio tal como Nina. Provavelmente ela queria se tornar Nina, por se sentir culpada. Não gostei deste rumo.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 16:08

Entendo, mas é uma escolha que está embebida na infraestrutura narrativa do filme, não tem jeito. Mas eu não interpreto de forma alguma que ela queria “se tornar Nina”.

Abs,
Ritter.

Responder
Cahê Gündel 🇦🇹 USEM PFF2 22 de abril de 2021 - 21:18

Ótima crítica, Ritter. Não sou de ficar dizendo que tal filme é “necessário” porque acho que muitas vezes a intenção acaba se sobrepondo à qualidade da obra (produções da Netflix, cof, cof), mas aqui cabe perfeitamente. A obra me ganhou quando a personagem da Carey Mulligan vai na casa do típico “esquerdomacho”: ali eu rolei de rir (de nervoso) porque o cenário mostrado corresponde exatamente ao relato de várias amigas minhas.

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 21:47

Diria que esse filme está para a Cultura do Estupro, assim como Réquiem por Um Sonho está para o vício em drogas! Ambos necessários. Ambos excelentes.

Abs,
Ritter.

Responder
Cristina Monteiro 22 de abril de 2021 - 20:57

Maravilha de crítica para um filme excelente, fiquei pensando nele por dias, e quanto mais reflito, mais perfeito acho o roteiro e as escolhas narrativas da Emerald. Tem o DNA de Thelma e Louise, você não acha?

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 21:03

Obrigado, @disqus_OlrbJb10K9:disqus ! Olha, não tinha pensado em Thelma e Louise – aliás, tenho que rever esse clássico – mas, agora que você falou, diria que tem um quê sim do filme, meio que carregando para o lado do conto de fadas para narrar uma história difícil e eminentemente feminina.

Abs,
Ritter.

Responder
Cleibsom Carlos 22 de abril de 2021 - 19:30

Um filme mediano que em nada merece os elogios superlativos que está recebendo, BELA VINGANÇA possui a “ousadia” e o “sarcasmo” perfeitos para a atualidade politicamente correta que vivemos e por isso mesmo está bem cotado ao Oscar. Hollywood adora presepadas pretensamente “questionadoras” como essa!! O filme parece ter sido feito com uma cartilha identitária feminista imaginária em mãos e quem não está interessado no binarismo raso das redes sociais vai se entediar com seu discurso lacrador e supostamente empoderador, independente do preço que se pague.

Carey Mulligan é uma excelente atriz, mas não foi a escolha certa para o papel, pois, e aqui sei que serei apedrejado, lhe falta sexy appeal para representar uma personagem deste tipo.

Para quem quiser ver uma filme realmente questionador com a mesma temática, sugiro o sensacional VAGINA DENTADA, mas esse, por renegar de maneira irônica e nonsense a cartilha lacradora de Hollywood, ninguém cita, ninguém conhece e ninguém viu…

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planocritico 22 de abril de 2021 - 19:43

Mulligan foi a escolha perfeita exatamente porque ela não tem o sex appeal normal que esperamos de protagonistas em filmes de Hollywood. Afinal, o objetivo do longa foi justamente mostrar que esse tipo de coisa acontece com TODAS as mulheres, seja ela sexy ou não, bonita ou não.

E esse filme não nega Vagina Dentada, só que Vagina Dentada não tem nem 1/20 dos dentes de Bela Vingança…

– Ritter.

Responder
Cleibsom Carlos 22 de abril de 2021 - 21:01

Tá bom, Ritter, BELA VINGANÇA tem bem mais dentes do que VAGINA DENTADA…Então deve ser por isso que o filme “perigoso” está no Oscar, é divulgado em qualquer lugar, pode ser visto por qualquer adolescente espinhudo sem “perigo” algum e é elogiado por quase toda a mídia, situações fora do alcance de um produto de fato “perigoso”, e o “inofensivo” é varrido para debaixo do tapete como se fosse algo tóxico. BELA VINGANÇA é Simone de Beauvoir e VAGINA DENTADA é Camille Paglia! Sou da opinião de que a mordida do segundo exemplo arranca nacos de carne bem maiores do corpo, mas respeito quem tem a opinião contrária…

Responder
Leonora Vieira 22 de abril de 2021 - 19:46

Um homem querendo opinar sobre feminismo e questionando o uso do tema em filmes, ainda usando termos vazios e discursos prontos falando de “lacração”.

Pelo amor de deus, vai se tratar!

Responder
Cleibsom Carlos 22 de abril de 2021 - 20:41

Eu opino sobre feminismo e sobre qualquer outro assunto que eu quiser e você não tem nada a ver com isso! Lugar de fala e outras baboseiras não significam nada para mim…Sua resposta à minha opinião sobre o filme, que você nem citou e nem sei se você leu inteira, diz muita coisa e é à pessoas como você, que parecem ver o mundo de forma binária e acreditam piamente no discurso identitário, discurso aliás autoritário em sua fonte, que BELA VINGANÇA se destina…

Responder
Leonora Vieira 22 de abril de 2021 - 21:25

Opino sim! Por ser mulher e ler tanta merda vinda de você! Se usa termos como “lacração”pra desmerecer lutas sociais, já vejo que bom sujeito não é! Deve ter apertado 17 na urna e acreditar em terra plana pra ser tão escroto e sem empatia assim com mulheres que sofrem com assédio e risco de estupro todos os dias e em qualquer lugar.

Responder
Cleibsom Carlos 23 de abril de 2021 - 02:48

Onde você viu que eu não tenho empatia pelas mulheres? E que acho a Terra plana e que votei 17? Nada mais longe da verdade e isso não surpreende vindo de alguém que parece pensar através de estereótipos…O que eu não suporto são feministas autoritárias e cheias de razão que acham que falam em nome de todas as mulheres do mundo! Só que não!!! Mas voltando ao filme, não gostei de BELA VINGANÇA porque o filme é raso, estúpido e possui a profundidade de um pires! Talvez seja por ele possuir estas “qualidades”, que no fim o tornam inofensivo, que está sendo tão badalado e está em tão alta conta na opinião de muitas e muitos…

santos 26 de abril de 2021 - 01:01

Incel identificado com sucesso.

Cahê Gündel 🇦🇹 USEM PFF2 22 de abril de 2021 - 21:23

Lacração é tão 2015, melhore as palavras, pelo menos.

Responder
Ruqui 22 de abril de 2021 - 22:45

Fez todo um discurso manjado contra o “politicamente correto”, “cartilha identitária feminista imaginária”, “discurso lacrador”, empoderamento e, pra fechar com chave de merda, insinuou que a representação de uma personagem deste tipo deveria ser de uma top model. Não é incrível como essa laia é previsível? O combo está completo para gritarmos “BINGO!”

Responder
Victor Martins 22 de abril de 2021 - 19:26

Ótimo filme mesmo e gostei demais do Bo Burnham, dando ares de um Hugh Grant mais jovem.

A escalação dos homens (e da Alison Brie) do filme é muito bem sacada, principalmente se considerar que eles são famosos por interpretar “pessoas legais”, como o McLovin e o Adam Brody de Gilmore Girls.

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 19:44

Sim. E o mais maduro dos homens (não contando o pai de Cassie) é, também, o único verdadeiramente arrependido de seus atos.

Abs,
Ritter.

Responder
Igor 22 de abril de 2021 - 19:17

Fazia um tempinho que eu não gostava de um filme assim.
Acho que esse é um tipo de filme que é recomendável para qualquer um independente de gosto.

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 19:24

Concordo. E ainda deveria ser obrigatório nas escolas!

Abs,
Ritter.

Responder
Sabrina 22 de abril de 2021 - 21:39

O filme exige uma suspensão de descrença, pois só assim para acreditar que ela nunca teria sofrido uma agressão durante sua jornada de vingança. Outra coisa que me incomodou no filme foi o velho clichê do namorado envolvido de alguma forma no crime.

Responder
santos 22 de abril de 2021 - 14:21

joelho sufocando lentamente o ar da pessoa mais vulnerável… algemas no sufocador… lembra algo?

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 15:22

Claro! Mais uma escolha visual excelente.

Abs,
Ritter.

Responder
Alex Smash (ALeX SmASh) 22 de abril de 2021 - 11:32 Responder
Leonora Vieira 22 de abril de 2021 - 12:59

Filme maravilhoso e necessário demais! Assisti com uma amiga e no final ficamos nos olhando com um misto de choque/satisfação. O filme retrata a cultura do estupro e o machismo como ele realmente é, e só comprova que TODOS os homens heterossexuais são abusadores em potencial. Merece no mínimo uma estatueta <3

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 13:07

Imagino sua satisfação e a de sua amiga! De todas as mulheres, diria!

Realmente, um filme mais do que necessário, que deveria ser obrigatório nas escolas…

Abs,
Ritter.

Responder
Cesar 23 de abril de 2021 - 07:32

Pq só os heterossexuais? Agora eu fiquei curioso… Estenderia isso a TODOS do gênero masculino.

Responder
Junior Conceição 22 de abril de 2021 - 11:29

Filme bom demais, talvez o meu preferido do Oscar desse ano. Mulligan merece muito o oscar de melhor atriz mas acho que não ganha, espero que o filme ganhe pelo menos em roteiro. E ótimo texto, também!

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 12:56

Obrigado, @juniorconceio:disqus !

Como filme de cineasta estreante, é de se tirar o chapéu mesmo. Provocativo e estiloso na medida certa.

Abs,
Ritter.

Responder
Douglas Melo 22 de abril de 2021 - 13:23

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Responder
Felipe Brandon 22 de abril de 2021 - 06:27

Outro filmaço. A coragem da estreante (medo reactions only) cineasta já com um filme foda, gosto.
Tudo está perfeitamente encaixado, no seu devido lugar o filme todo.
É revoltante ver que o estupro foi normalizado na cabeça de muita gente idiota. Em achar que a mulher deve se vestir de forma X porque os homens idiotas não sabem se comportar em sociedade.
Enfim, voltando para o filme. O plano mirabolante dela seria marcar o carinha e depois entregar a fita para a polícia? (Caso ela não tivesse morrido é claro).
O desfecho agridoce, com o sacrifício para um fim é bem-vindo aqui. Só que eu vou além, seria a morte da “justiceira” uma licença poética para dizer que as mulheres que sofrem estupro (e todas aquelas que sofrem por tabela como a amiga e a mãe da Nina por ex) morrem um pouco a cada dia? Ou seria no sentido de que ela já estava morta e mesmo se permitindo viver um amor, no fundo ela se sentiria como faltando um pedaço da sua vida. Já que voltar ao passado seria viver novamente a dor da amiga?
Infelizmente em 2021 temos que ainda nos revoltar com esse tipo de assunto porque ele não fica apenas na ficção. E pior ainda, ele não tem final feliz. Mesmo que a vingança e justiça venham, não é final feliz para a mulher jamais.
Obrigado pelo crítica mais uma vez. E que venha o Oscar.

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 12:58

Um baita filme de estreia mesmo. Tomara que a Fennell continue assim!

Acho que o plano da Cassie era “só” marcar o sujeito. Mas desconfio que, lá em seu íntimo, o que ela queria era esse resultado mesmo, ou seja, a morte dela levando à prisão do estuprador…

E sua visão sobre o fim também funciona direitinho sim. Não é mesmo um final feliz, ainda que dê a impressão breve de que é.

Eu é que agradeço a leitura e comentário!

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 23 de abril de 2021 - 00:12

A ideia era o suicidio. Ela usou propositalmente algemas de sex shop que são frágeis.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 02:29

Há ambiguidade aí. Mas sim, ela também queria se matar, provavelmente como única saída para realmente prender o bandido.

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 23 de abril de 2021 - 04:03

Acredito que, no fundo, ela queria cometer suicídio tal como Nina. Ela queria reviver o que Nina sofreu toda vez que encenava estar bêbada. A mãe de Nina mesmo diz: siga adiante, por favor. O pai dela diz: sentimos falta de Nina, mas sentimos falta de você.

Ela não encenava estar bêbada como forma de se vingar dos homens, mas como um meio de salvar Nina: através da fantasia.

São sutilezas do roteiro que me incomodam, pois para um olhar mais cético, acaba fazendo você questionar se o filme pretendia culpabilizá-la por seu fim. Se há, na mulher, um desejo por morte.

Veja bem: Nina acredita que os homens se aproveitam de mulheres bêbadas. Então ela finge estar bêbada para ser abusada e então expor isso ao homem. Ela está expondo algo que ela acredita, que ela sabe que irá acontecer. Ela se coloca em risco para provar a si mesmo um ponto. Mas se ela estava ciente da existência do risco… Por que fazia mesmo assim? O filme permite este debate.

Note que os homens não são punidos no filme. Eles se arrependeram. E o homem só a matou por que ela iria mutilá-lo. Ele ainda pode pegar uma pena bem pequena se provar que foi legítima defesa (e foi).

Isso que acontece com ela me dói, e não acredito que este era o único meio.

planocritico 23 de abril de 2021 - 16:15

Entendo, mas não interpreto que ela queria se tornar Nina. Eu vejo que o trauma dela a deixou sem saída, que destruiu sua vida também e que sim, ela se culpa em parte pelo ocorrido, por não ter estado ao lado de Nina na tal festa em que ela ficou bêbada. Mas daí a querer tornar-se Nina me parece algo que eu não consigo ver no filme de forma alguma.

O comportamento de Cassie é niilista. Ela se arriscava todo final de semana porque isso talvez lhe desse algum prazer na mesma medida em que ela nutria esperança de quem nem todo homem fosse daquele jeito, esperança que se materializou na forma do ex-colega de faculdade e que, depois, foi estilhaçada quando ela descobre que ele viu o ocorrido e no mínimo não fez nada. Tenho sérias dúvidas se ela entraria naquela cabana ao final se o relacionamento dela com o médico tivesse continuado de vento em popa. Ela se desiludiu, não tinha mais nada a perder e viu que seu mundo se resumia a vingar a amiga. Se é a melhor forma, não importa, pois, para ela aquela era a única maneira.

Sobre sua suposição de que o estuprador não será punido a contento, tudo bem, mas eu posso igualmente supor que o advogado arrependido – que é mostrado como um cara de grande poder de persuasão – lutará bravamente para ver o sujeito preso por muito tempo, como uma forma de expiar seus pecados. Mas eu não gosto de supor o que acontecerá depois dos eventos de um filme. O que interessa é que, NAQUELE EXATO MOMENTO, o estuprador foi punido nem que seja por ter sido preso durante seu casamento, o que socialmente – especialmente hoje em dia – é o equivalente a ser levado ao ostracismo.

Abs,
Ritter.

Leonora Vieira 22 de abril de 2021 - 13:01

Acho que a ideia não era matar ele, apenas torturá-lo e marcá-lo com alguma cicatriz, arrancando uma confissão dele e entregando junto da fita pra polícia.

Responder
Vitor Guerra 22 de abril de 2021 - 06:12

“Bela Vingança (era uma vez o sarcasmo do título original…)”
Isso me lembra que o nome do filme em portugual é: “Uma Miúda com Potencial” kkkkkk

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 12:59

Olha, é engraçado para nós aqui desse lado do Atlântico, mas é muito mais no espírito do original…

Abs,
Ritter.

Responder
Vitor Guerra 22 de abril de 2021 - 14:01

To ligado, apesar de soar estranho pra nos o titulo se encaixa bem com o daleto de lá.
Mas ainda acho hilario kkkkk
Mas nada supera a bizarrce de Bastardos Inglorios ser Sacanas sem Lei e Homens Brancos Não Sabem Enterrar para Branco Não Sabe Meter kk

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 15:23

Hilário sem dúvida é!

E Sacanas Sem Lei é SENSACIONAL!!!

Ben-Hur não foi O Charreteiro Infernal por lá? Ou é lenda?

Abs,
Ritter.

Responder
Cahê Gündel 🇦🇹 USEM PFF2 22 de abril de 2021 - 21:22

A gente zoa, mas quer fazer um português rolar de rir é falar que The Godfather aqui é O Poderoso Chefão.

Vitor Guerra 22 de abril de 2021 - 18:49

Isso é verdade kkkkkk mas como elogio a eles eu adoro não ironicamente que Operação Cupido lá se chame: Pai para Mim… Mãe para Ti

Wagner 22 de abril de 2021 - 22:17

Eu até hoje não superei que “Airplane!” veio pra cá como “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!”
Já em Portugal é “O Aeroplano” mesmo

planocritico 22 de abril de 2021 - 21:45

@cahegundel:disqus , exatamente! HAHAHAHAHHHHAHHAHHA

Abs,
Ritter.

Wagner 23 de abril de 2021 - 02:17

Eu até hoje não superei que “Airplane!” veio pra cá como “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!”
Já em Portugal é “O Aeroplano” mesmo

planocritico 23 de abril de 2021 - 02:24

Então deixa eu entrar na brincadeira!

E The Hangover que é Se Beber, Não Case, enquanto Hot Tub Time Machine é A Ressaca? E Persona que foi brindado com Quando Duas Mulheres Pecam e Annie Hall com Noivo Neurótico, Noiva Nervosa?

E, claro, The Sound of Music tornou-se A Noviça Rebelde que, se pararmos para pensar, é hilário demais.

Abs,
Ritter.

Wagner 23 de abril de 2021 - 02:34

Sequências também não estão de fora

Meet The Parents, Meet The Fockers e Little Fockers são Entrando numa Fria, Entrando numa Fria Maior Ainda e Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família

Eu amo meu Brasil

planocritico 23 de abril de 2021 - 02:41

HAHAHAHAHAHAHAHAH

Sensacional. Se fizerem mais uma continuação, o tradutor vai ter que rebolar!!!

Abs,
Ritter.

Vitor Guerra 23 de abril de 2021 - 14:02

Eu sempre achei esse titulos ironicos pq a fria em que se mete no primeiro é bem maior que a do segundo kkkkkkk

Cahê Gündel 🇦🇹 USEM PFF2 23 de abril de 2021 - 11:52

Annie Hall é o pior, com Quando Duas Mulheres Pecam seguido de perto, junto com Cidade dos Sonhos..

Cahê Gündel 🇦🇹 USEM PFF2 22 de abril de 2021 - 21:21

Cara, eu adoro o termo “miúda” usado em Portugal, às vezes vejo filmes com umas legendas obtidas de meios não ortodoxos e racho o bico quando aparece algo do tipo “chamem as miúdas pra virem junto”

Responder
planocritico 22 de abril de 2021 - 21:46

E o melhor é falar “miúda” alto tentando imitar o sotaque português, he, he, he…

Abs,
Ritter.

Responder
Junior Conceição 22 de abril de 2021 - 07:29

Filme bom demais, talvez o meu preferido do Oscar desse ano. Mulligan merece muito o oscar de melhor atriz mas acho que não ganha, espero que o filme ganhe pelo menos em roteiro. E ótimo texto, também!

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