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Crítica | Ben, O Rato Assassino

O filme de ratos com canção tema de Michael Jackson.

por Leonardo Campos
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Um filme que é mais conhecido por sua trilha sonora que necessariamente por seu conteúdo visual e dramático. Ben, O Rato Assassino, é uma modalidade de horror ecológico urbano, situado na profícua década de 1970, era demarcada por um boom expressivo dos animais horripilantes e assassinos no cinema. Com a famosa música Ben, cantada por Michael Jackson ainda em começo de jornada artística, o filme retrata uma peculiar amizade entre um garoto e o seu rato, o mesmo roedor que ajudou Willard a efetivar o seu projeto de vingança contra todos aqueles que o infernizavam. A tal faixa musical melancólica da trilha ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção na época e também chegou a ser indicada ao Oscar na mesma categoria. Desta forma, sim, a produção é uma sequência de Calafrio, lançado no ano anterior, inspirado no romance de Stephen Gilbert, ponto de partida literário que empresta apenas os personagens para a continuidade da história em outro lar, perspectiva ainda muito macabra da desordem social causada por um rato responsável por comandar um exercito expressivo de roedores. Com texto de Gilbert Ralston, a narrativa dirigida por Phil Karlson analisa a amizade entre o rato e um menino, Danny, também inábil e alijado e de algumas questões sociais, tal como Willard.

Como reforça a campanha de divulgação, “Ben retorna para terminar o que Willard começou”. Desta vez, o pequeno Danny (Lee Montgomery) é o jovem solitário que inicia uma relação excêntrica com o rato que ele sequer imagina, lidera um gripo de roedores responsáveis pela morte de várias pessoas. Há algumas menções ao filme anterior, com apontamentos sobre a mídia ter lido o diário de Willard e suas peculiaridades, além da abertura que retoma os quatro minutos finais de Calafrio para atualizar o público em relação aos processos conectivos da narrativa em questão com o seu antecessor. Sem amigos, Danny é um menino que brinca sozinho e precisa lidar com as graves consequências de seus problemas de saúde. Na região, a polícia inicia um projeto de eliminação dos roedores que estão causando estragos de grandes proporções, assustando as pessoas em ambientes domésticos e também promovendo o horror em academias, supermercados e outros locais públicos. Ben, o rato do título, é quem “chefia” os roedores “perigosos e arruaceiros”.

Para nos contar essa história, o cineasta Phil Karlson teve apoio da direção de fotografia de Russell Metty, esperta ao investir em planos fechados após grandes aberturas do quadro, em especial, nas aparições dos ratos bizarros em cena. O design de produção de Rolland M. Brooks investe num bom espaço doméstico para a casa de Danny e seus familiares, além de trabalhar adequadamente na concepção visual do espaço nas cenas finais, com os personagens em travessias pelos inóspitos e sujos esgotos da cidade. Na trilha sonora, além do clássico com Michael Jackson, a textura percussiva dialoga bastante com o estilo da década de 1970, sem grande ousadia criativa e abordagem mais trivial da música para mesclar os momentos de horror e as passagens lacrimejantes do drama familiar quando a necessidade de transplantar logo um coração para o pequeno Danny é o assunto em pauta. Acometido por esse problema de saúde, de ordem cardíaca, o garoto desenvolve algumas inaptidões sociais, o que culmina na aproximação com Ben, um rato amigo, mas que já sabemos, não sabe exercer o controle, nem ser manipulado.

A amizade entre os dois cresce e apesar de sempre proteger o menino de várias situações, Ben se torna uma ameaça social fora de controle, tal como a sua presença no filme anterior. Eliminar o rato é uma das metas de outros personagens, numa narrativa que possui momentos de puro horror e ojeriza, em especial, nas passagens com os ratos em aglomerações que causam no mínimo arrepios, mas também é um drama familiar de grandes proporções, haja vista a abordagem da vida de Danny com a mãe, a ausência de amigos e brincadeiras próprias para a sua idade, em suma, uma existência infantil preterida por uma série de situações. O menino passa horas brincando com seus fantoches ou nas interações com o rato, criatura que não deixa de traçar o seu rastro de estragos pela região enquanto não está na companhia do garoto solitário. Preocupadas, a mãe e a irmã de Danny inicialmente acham que se trata de um amigo roedor imaginário, depois compreendem ser um dos fantoches, mas logo adiante, a verdade será estabelecida e a família vai adentrar num espiral de horror. Ademais, há alguns bons momentos, mas no geral, Ben, O Rato Assassino é um filme menos dinâmico que o esperado. No entanto, entrou para a história por sua canção e por sua história peculiar. Na década seguinte, os ratos fariam a festa no cinema, presentes em numerosas narrativas sangrentas de horror, humor involuntário e morte.

Ben, O Rato Assassino (Ben, EUA – 1972)
Direção: Phil Karlson
Roteiro: Gilbert Ralston, Stephen Gilbert
Elenco: Lee Montgomery, Arlen Stuart, James Luisi, Joseph Campanella, Kaz Garas, Kenneth Tobey, Lee Paul, Meredith Baxter
Duração: 94 minutos

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