Crítica | Big Finish Mensal #12: The Fires of Vulcan

estrelas 5,0

Equipe: 7º Doutor e Mel (+ cameo da Capitã Muriel Frost [UNIT], ao lado do Professor Scalini)
Espaço: Pompeia, Itália
Tempo:
 23 e 24 de agosto de 79 a.C. / Idem, 1980

UAU! Que baita história é essa The Fires of Vulcan!

O texto se ambienta em dois momentos distintos da linha do tempo do Doutor (e da Terra), trazendo-nos um dos mais inteligentes modos de organização para um paradoxo temporal sem ter que mudar boa parte da História da humanidade ou fazer coisas impossíveis até mesmo para o Doutor. Simples, eficiente e brincando perfeitamente com os elementos da ficção científica e da História, a trama nos cativa do seu primeiro ao último minuto!

Escrita por Steve Lyons e dirigida por Gary Russell, The Fires of Vulcan mostra o 7º Doutor e Mel chegando em Pompeia na véspera da erupção do Vesúvio. Eles são afastados da TARDIS por motivos típicos de uma aventura em um lugar antigo (me lembrou, de certo modo, The Myth Makers) e se envolvem com algumas pessoas da cidade, que, evidentemente, possuem “agendas pessoais” para cumprir. O caso mais grave é o de Eumachia, uma viúva e Sacerdotisa da trindade formada por Júpiter, Juno e Minerva. Ela acreditava que o Doutor e Mel eram emissários da deusa Isis — declaradamente proibida de ser adorada em Pompeia — e acaba se apropriando e escondendo a TARDIS, achando que a nave era o “templo móvel” da deusa egípcia.

O Doutor chega a um agrupamento de homens e começa a conversar, tentando descobrir o que está acontecendo, mas acaba aceitando jogar com eles e, como não podia deixar de ser, rouba no jogo, o que não gera um bom resultado final. Já a companion Mel, em um dos cliffhangers, é acusada por Eumachia de roubar uma joia de sua casa. Os problemas e o desespero aumentam porque o Doutor sabe que a TARDIS foi enterrada em Pompeia no dia da tragédia (vejam que sensacional: ele não fazia ideia que sua 10ª encarnação estava lá, no mesmo dia, ao lado de Donna Noble!) e, como bom Time Lord que é, tenta não mudar os eventos. Isso coloca o ouvinte roendo as unhas porque a trama é maravilhosamente bem construída, e, mesmo que saibamos que o Doutor sairá vivo da cidade, fica a dúvida do COMO ele sairá. E acreditem, a surpresa é sensacional!

Arte de Lee Sullivan para The Fires of Vulcan, publicada como prévia da aventura na DWM #295

A ambientação feita pela Big Finish é, mais uma vez, gloriosa. Os efeitos sonoros, a multidão ao fundo, o caos, tudo consegue uma excelente figuração na história, melhorada pela ótima trilha sonora de Alistair Lock. O desfecho, com o ciclo do tempo se fechando e o pessoal da UNIT achando a TARDIS, em uma escavação arqueológica em 1980, é um dos pontos altos da reta final. A explicação de como o Doutor conseguiu sair de Pompeia é a cereja do bolo.

Há um ponto muito triste, se levarmos em consideração as pessoas que Mel e o Doutor conheceram e que foram deixadas para trás, para a morte, mas não há como não dar um enorme sorriso de cumplicidade e felicidade pela forma engenhosa como o texto nos apresenta o engenhoso final.

***

a) A capitã Muriel Frost, na UNIT, criada na Doctor Who Magazine, aparece brevemente nessa história. Ela é a primeira personagem da DWM a aparecer em um áudio da Big Finish.

b) Olha o paradoxo aí: durante sua 5ª encarnação, o Doutor é contactado pela UNIT e é informado que sua TARDIS foi encontrada em uma escavação arqueológica em Pompeia!

c) Em um jantar, Mel diz que é vegetariana. Valeria Hedone, a dona da pousada, diz que não conhecia a terra de Vegetaria.

d) Os escravos romanos chamam o Doutor de “mestre”, mas ele não se sente nada à vontade, corrigindo sempre para “Doutor”.

The Fires of Vulcan (Reino Unido, setembro de 2000)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Steve Lyons
Elenco: Sylvester McCoy, Bonnie Langford, Anthony Keetch, Karen Henson, Robert Curbishley, Andy Coleman, Nicky Goldie, Steven Wickham, Lisa Hollander, Gemma Bissix, Toby Longworth, Robert Curbishley
Duração: 4 episódios de c. 22 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.