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Crítica | Big Finish Mensal #43: Doctor Who and the Pirates

por Luiz Santiago
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Eu fiquei muito surpreso com tudo o que aconteceu aqui. Lançado em abril de 2003, Doctor Who and the Pirates traz o 6º Doutor ao lado de Evelyn, em uma história… bem, de piratas, mas que é contada em flashbacks e tem uma tocante e pesada linha emocional no presente, com a visita da historiadora e companheira do Doutor à sua aluna Sally, que perdeu alguém em um acidente de carro “causado por ela” e está sofrendo de depressão, tendo enviado uma carta de despedida para a professora de quem tanto gostava. Sentimentalmente abalada após a morte de um jovem rapaz no Mar do Caribe (século XVIII), Evelyn faz o Doutor usar a TARDIS para visitar Sally antes de ela cometer suicídio.

Se vocês já passaram pelas minhas críticas de The Marian Conspiracy, Bloodtide e Jubilee, que são as melhores aventuras dessa dupla até agora, sabem o quanto eu gosto deles e o quanto o elemento histórico, emocional e da própria viagem no tempo é trabalhado com um cuidado todo especial nessa jornada do Doutor ao lado de Evelyn, o que é bem interessante porque amolece o 6º Doutor de uma forma tão bonita e tão fraterna, que dá gosto de ver. O que ele faz aqui para consolar Evelyn é mais uma prova disso.

Por se tratar basicamente de Evelyn chegando na casa de Sally para impedi-la de se suicidar, a abordagem que o roteiro de Jacqueline Rayner faz é de uma intervenção amigável e fartamente “intrometida”. Sally quer que Evelyn vá embora, mas a professora permanece ali, contando uma bizarra história de piratas, fazendo chá e procurando inserir sua aluna na conversa, provocando-a com incorreções históricas e “discutindo” clichês de piratas com ela. É uma abordagem correta do ponto de visto de distração da pessoa com tendências autodestrutivas, mas a partir do momento em que esse bloco começou a se alterar com a linha cômica e relativamente intricada da aventura de pirataria… a saga começou a perder um pouco de sua força e diversão para mim, já que não conseguia mais lidar com essas camadas tão distintas, criando basicamente duas histórias distintas dentro de um único capítulo.

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Ilustração desse episódio feita por Martin Geraghty na DWM #329.

Doctor Who and the Pirates será eternamente lembrado pelas cenas musicais, com Colin Baker cantando e tudo mais! O único momento da série que eu lembro de ter visto isso foi em The Gunfighters, uma surpresa também. Aqui, por mais estranhas e deslocados que sejam, as canções são boas, engraçadas e muito bem cantadas! O hit do episódio é I Am the Very Model of a Gallifreyan Buccaneer, que na verdade é uma paródia da ária I Am the Very Model of a Modern Major General, da ópera cômica Os Piratas de Penzance ou O Escravo do Poder (1879) composta por Sir Arthur Sullivan e com libretto de W. S. Gilbert. Todas as outras canções também são versões de óperas cômicas dos mesmos autores, a primeira, HMS Pinafore ou A Moça Que Amou a um Marinheiro (1878) e a segunda, O Mikado ou A Cidade de Titipu (1885).

Como disse antes, eu gosto de todos os temas apresentados aqui, mas não sou muito fã do contraste dramático entre os dois momentos. De certa forma, é uma relação paradoxal, porque eu acho que essa linha cômica ou menos séria é a correta para cumprir o objetivo de Evelyn e do Doutor, mas ao mesmo tempo tenho problemas com essa dinâmica. Pois é, eu disse que era paradoxal. De qualquer forma, esta é uma aventura divertida em muitos pontos e captura bem o espírito de tramas clichês de pirata. Como cereja do bolo, ainda há boas canções, um prato cheio para quem é fã de musicais (e infelizmente um horror para quem não gosta).

Doctor Who and the Pirates (Big Finish Mensal #43) — Reino Unido, abril de 2003
Direção: Barnaby Edwards
Roteiro: Jacqueline Rayner
Elenco: Colin Baker, Maggie Stables, Dan Barratt, Helen Goldwyn, Bill Oddie, Nicholas Pegg, Mark Siney, Timothy Sutton
Duração: 120 min.

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