Crítica | Big Finish Mensal #51: The Wormery

Quanto mais eu escuto os áudios do 6º Doutor, mais apaixonado eu fico. E talvez nesse momento, você, velho da casa, deve estar pensando "nossa, que novidade, o Luiz tietando um áudio com o Colin Baker", mas é aquela: errado eu não estou. Se a gente for contar apenas os episódios de excelentes para cima, só na série Big Finish Mensal e até o presente The Wormery (#51), pensem que temos aventuras como Whispers of Terror (#3), The Marian Conspiracy (#6), The Holy Terror (#14), Bloodtide (#22), The One Doctor (#27), The Maltese Penguin (#33,5) e Jubilee (#40), ou seja, é muita coisa boa, em interpretação e conteúdo vindo de um único Doutor! Impossível não tietá-lo. E ainda mais aqui, ao lado de uma mulher que eu só tive contato duas vezes antes (em Find and Replace, com o 3º Doutor e em Old Flames, com o 4º Doutor) mas por quem me apaixonei perdidamente desde que a conheci: Iris Wildthyme. Plano Crítico.

Quanto mais eu escuto os áudios do 6º Doutor, mais apaixonado eu fico. E talvez nesse momento, você, velho da casa, deve estar pensando “nossa, que novidade, o Luiz tietando um áudio com o Colin Baker“, mas é aquela: errado eu não estou. Se a gente for contar apenas os episódios de excelentes para cima, só na série Big Finish Mensal e até o presente The Wormery (#51), pensem que temos aventuras como Whispers of Terror (#3), The Marian Conspiracy (#6), The Holy Terror (#14), Bloodtide (#22), The One Doctor (#27), The Maltese Penguin (#33,5) e Jubilee (#40), ou seja, é muita coisa boa, em interpretação e conteúdo vindo de um único Doutor! Impossível não tietá-lo. E ainda mais aqui, ao lado de uma mulher que eu só tive contato duas vezes antes (em Find and Replace, com o 3º Doutor e em Old Flames, com o 4º Doutor) mas por quem me apaixonei perdidamente desde que a conheci: Iris Wildthyme.

Então chegamos a um ponto que pode dividir os espectadores já no começo, no próprio conceito da personagem: Iris Wildthyme é ao mesmo tempo um pastiche, uma caricatura e uma paródia do Doutor e de Doctor Who, mas ainda assim, carrega as suas próprias caraterísticas e particularidades. Completamente envolta em mistérios e contradições (sim, ela foi concebida para ser dessa forma), Iris é supostamente uma Time Lady (mas também supostamente humana ou supostamente do Universo de Bolso chamado Obverse ou também supostamente uma Deusa grega do Greek Space, mãe de Eros) que vive suas “aventuras transtemporais” tendo como companion mais conhecido um urso panda robô chamado… Panda. Pois é essa maravilha de mulher que acompanha o 6º Doutor nessa trama que não se passa tanto tempo depois dos eventos de The Ultimate Foe e trata diretamente das consequências daquela grande farsa para a vida do Time Lord.

O Doutor está sentado em um canto do Bianca’s Cabaret, “disfarçado” (até onde isso é possível para o 6º Doutor), claramente investigando algo. Numa outra camada da história, ouvimos uma narração que ocorre muitos anos depois: Mickey, uma senhora que um dia fora garçonete na boate de Bianca, conta para um homem chamado Mr. Ashcroft (7º Doutor) o que se passou naquele respectivo dia. O dia em que Iris chegou ao bar onde o estranho homem de casaco colorido estava. Conforme é revelado depois, Iris chegou até o Cabaré de Bianca para investigar alguma coisa. Surge então uma história quase metalinguística, com um importante segredo revelado sobre a identidade de Bianca, mais um flerte sensacional com algo traumático pelo qual o Doutor já havia passado: o seu julgamento e o encontro com o Valeyard, a versão maléfica de si mesmo, nascida entre a sua 12ª e última encarnação.

plano crítico big finish the wormery

Esta é uma história em que é possível perceber o quanto os atores estão se divertindo absurdamente no papel. A atriz Maria McErlanem que interpreta Biana, merece ser citada aqui, mas todos os louros e aplausos vão mesmo para o maravilhoso Colin Baker e para a maravilhosa Katy Manning, que interpretou Jo Grant, companion do 3º Doutor, mas que na Big Finish ganhou de presente essa personagem fantástica que é Iris. Da primeira à última sílaba pronunciada por Manning o espectador está completamente capturado, risonho, ansioso por mais deboche vindo da personagem, por suas bebedeiras (ela está bêbada o tempo inteiro e há uma quantidade bem grande de tequila com bigato nessa história) e pela maneira engraçada e deliciosamente afetada que Paul Magrs e Stephen Cole escreve para a personagem, morrendo de amores pelo Doutor, investigando uma anomalia espaço-temporal, procurando, sozinha, ligar os pontos de algo que demora um pouco para se revelar de verdade quem (ou o quê) é.

A relação entre os dois protagonistas é perfeitamente orgânica, assim como a relação deles com Bianca, que traz o sonho vilanesco (embora ela não seja a única vilã) para uma situação que envolve flerte, comédia física, conceitos mais complexos de ficção científica e pitadas do musical Cabaré, do qual traz a atmosfera. O lado de dentro do estabelecimento coloca os visitantes dentro de um pedaço específico do Universo, em tempo indeterminado, enquanto do lado de fora é a cidade de Berlim, no início dos anos 1930.

The Wormery é uma aventura extremamente divertida, com interpretações maravilhosas do elenco e, narrativamente, apenas contando com algumas pequenas inconstâncias em torno de Henry, o gerente e às vezes barman do cabaré, marcado por sua relação com sombras e minhocas espaciais. Um baita projeto da Big Finish.

Big Finish Mensal #51: The Wormery (Reino Unido, novembro de 2003)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Paul Magrs, Stephen Cole
Elenco: Colin Baker, Katy Manning, Maria McErlane, Jane MacFarlane, Paul Clayton, James Campbell, Jason Loborik, Mark Donovan, Ian Brooker
Duração: 149 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.