Crítica | Big Finish Mensal #52: Scherzo

Quando Zagreus terminou, eu fiquei animado por uma coisa bem específica: como seriam os áudios do 8º Doutor agora nesse Universo Divergente, onde não existe nenhuma concepção de tempo? E devo dizer que em alguns aspectos, Scherzo, a primeira aventura do Senhor do Tempo nesse novo lugar me surpreendeu. Por se tratar de uma obra que conta com apenas dois personagens principais (Paul McGann e India Fisher) e uma personagem secundária com poucas falas, podemos tem uma boa noção do que é estar perdido em um lugar habitado por alguma coisa que não se sabe o quê; onde não se vê nada, a princípio; e onde os pensamentos são rapidamente transformados em falas da própria criatura que ali vive. Pois é, absolutamente aterrador e ao mesmo tempo, fascinante. Plano Crítico.

Quando Zagreus terminou, eu fiquei animado por uma coisa bem específica: como seriam os áudios do 8º Doutor agora nesse Universo Divergente, onde não existe nenhuma concepção de tempo? E devo dizer que em alguns aspectos, Scherzo, a primeira aventura do Senhor do Tempo nesse novo lugar, me surpreendeu. Por se tratar de uma obra que conta com apenas dois personagens principais (Paul McGann e India Fisher) e uma personagem secundária com poucas falas, podemos tem uma boa noção do que é estar perdido em um lugar habitado por alguma coisa que não se sabe o quê; onde não se vê nada, a princípio; e onde os pensamentos são rapidamente transformados em falas da própria criatura que ali vive. Pois é, absolutamente aterrador e ao mesmo tempo, fascinante.

Escrito por Robert Shearman, o arco explora a relação entre o Doutor e Charley, assim como alguns aspectos da psicologia de cada um + a união e a individualidade que empregam para resolver o problema básico dessa história, que é permanecerem vivos e encontrarem um jeito de prosseguir, de alguma forma, nesse Universo [note que “sair dele” não é uma opção]. E sim, todo o conceito aqui é sensacional. Eu gosto da premissa, gosto muito da atuação da dupla principal e embora não morra de amores pela criatura aqui presente, não desgosto dela. Porém (estava falta um, não?) eu não consegui digerir alguns caminhos tomados pelo roteiro aqui não.

Quando comuniquei ao meu demônio familiar caçula que não achei esse arco a maravilha que ele havia me vendido, quase que fui fisicamente agredido, aos gritos “ouviu errado, ouve de novo!“. Depois chegamos a um ajuste de opiniões e eu percebi que tudo o que meu irmão achou sublime no arco, para mim, foram coisas “apenas” interessantes e que estavam aliadas a passagens que, em meu olhar, precisariam ser melhor articuladas para dar suporte a esse tipo de luta pela vida empreendida pelo Doutor e sua companheira. E para mim, as muitas formas de enxergar o pacote de moções e reações dos dois é o que desencadeia mais incômodos, acompanhado de perto pela narração ao estilo de contos de fadas que se arvora metáfora-guia para a situação toda, mas que para mim é apenas encheção de linguiça confusa e definitivamente desnecessária. Se isso não tiver um puxadinho à guisa de “vamos tentar resolver a inutilidade” nos episódios seguintes com o 8º Doutor, vou interpretar apenas como um surto psicótico do autor.

Scherzo_Comic_Preview plano crítico

Ilustração desse episódio feita por Martin Geraghty na DWM #338.

Já a abordagem isolada para a solidão e a união para se vencer esse tipo de problema são as coisas de que mais gostei na trama. Mesmo que tenha torcido o nariz para as nuances apaixonadas de um lado e ignorantes de outro, vindas de Charley e do Doutor (coisas realmente dispensáveis) o fato de estarem nesse espaço e com uma “criatura de som” que procura crescer desenvolver-se e que enxerga neles um pai e uma mãe são conceitos fascinantes — o que de fato me impediu de ver a história de mediana para baixo. Gosto também da forma como tudo termina. O Doutor e sua companheira de mãos dadas, agora podendo enxergar nesse novo Universo, mas sem saber exatamente para onde ir e o que esperar encontrar pela frente. Posso até dizer que é uma ponte muito boa entre a chegada da TARDIS no Divergent Universe e a entrada para algumas aventuras que de fato valham a pena. Assim espero. Veremos.

Big Finish Mensal #52: Scherzo (Reino Unido, dezembro de 2003)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Robert Shearman
Elenco: Paul McGann, India Fisher
Duração: 89 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.