Home TVEpisódio Crítica | Black Lightning – 1X08: The Book of Revelations

Crítica | Black Lightning – 1X08: The Book of Revelations

por Luiz Santiago
50 views (a partir de agosto de 2020)

Black_Lightning_1x08_plano

Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquias críticas das HQs.

De volta aos trilhos, Black Lightning nos apresenta um episódio interessante, sob muitos sentidos. Como eu já havia abordado em crítica de episódios passados, tudo caminhava para uma apresentação geral do trio de heróis que formam a família Pierce, começando com o cabeça da família (e antes que alguém reclame dessa posição, analise o cenário e entenda que Jefferson é, de fato, o que podemos chamar de “cabeça” da família), Raio Negro; seguindo para a filha mais velha, Anissa, que veste o manto de Tormenta e agora, a caçula Jennifer, que vestirá o manto de Rajada. As possibilidades são tantas e tão boas, que é impossível segurar um sorriso. Se a CW souber realmente trabalhar o que tem em mãos, teremos uma segunda temporada simplesmente sensacional.

Com o assassinato de Lady Eve em Equinox: The Book of Fate — de longe, a pior decisão da produção até o momento — as coisas não seguiram boas para o Raio Negro. A polícia caiu na armadilha feita por Tobias e sua irmã, ligando as queimaduras à uma ação do herói, que do dia para a noite, despertou o ódio da população, como acontece com a volátil opinião pública nessas ocasiões. O início do episódio é uma interessante passagem por declarações na televisão de cidadãos preocupados com “o que vem daí para frente” e cenas do treinamento de Jefferson e Anissa. A ação parece até rápida demais, mas eu entendo a escolha por uma brevidade no treinamento e a colocação de Anissa em campo, aprendendo compassadamente em vez de esperar mais. Em termos de temporalidade narrativa, causa estranheza sim, porque não é natural. Mas não é ruim. E podem ter certeza: o outro caminho a ser seguido… este sim, seria um convite ao tédio.

A direção de Tanya Hamilton supre bem as necessidades dramáticas do episódio. A relativa falta de habilidade da diretora em guiar cenas de ação (ela parece não saber onde colocar a câmera, dando uma impressão geral bastante engraçada para as sequências, como se fosse uma série experimental) é compensada por sua enorme elegância ao dirigir cenas mais comuns, todas muito bem abordadas, com os planos visualmente interessantes e movimentos de câmera acertados para cada ocasião. As cenas na Alfaiataria de Gambi, as cenas na casa dos Pierce e dentro do laboratório de Lynn são as mais interessantes. O único momento dramático que não saiu bom, foi o da câmera colocada através do vidro, como se alguém estivesse observando Lynn. Evidente que eu entendo o apelo, mas nesse ponto, sou um espectador pragmático: se a imagem me indica uma coisa mais de uma vez, que haja pelo menos a manifestação de que tem algo errado está acontecendo. Não consigo ter paciência para “figas” estéticas em série. Mas aqui não é um erro mortal nem nada disso, apenas um incômodo desnecessário.

A maior surpresa, porém, veio com o “primeiro momento” de Jennifer em contato com os seus poderes. Confesso que estava preocupado em relação ao tempo que demorariam para mostrar a manifestação de Rajada na série. Como as decisões do episódio passado foram questionáveis, meu temor era que utilizassem do assassinato de Lady Eve para criar um “novo fôlego” vilanesco e escanteassem o drama heroico, o que seria a derrocada da série, sem dúvida. Mas foi com grande felicidade que vi o surgimento dos poderes e, melhor ainda, a exposição de Jennifer para irmã de imediato. Isso combina com a personagem, que mereceu segurar o cliffhanger do capítulo, com sua revelação. Meu único adendo é que a partir de agora os roteiros deverão dar falas mais substanciais para a atriz China Anne McClain trabalhar, evitando que ela seja uma personagem chata, algo que definitivamente não é, nos quadrinhos. Será uma pena se for tratada como uma heroína “adolescente problemática” e só. Ela é bem mais do que isso. Ela e o círculo SOCIAL dela no futuro. Hehehe.

O ponto fraco do episódio, ao menos na questão do enredo, foi o bloco de Lala. Eu gosto do ator, adorei a direção de fotografia para as cenas em que ele aparece (a sequência do banho é visualmente linda!), gostei do uso da trilha sonora nessas mesmas cenas, mas ainda não me desce esse retorno. É quase certo que tudo será explicado a contento em breve, mas isso não tira o fato de que, pelo menos até aqui, a volta de Lala é um estorvo. Tomara que essa fase passe rápido. O caminho para as coisas boas precisa ficar livre o quanto antes.

Em tempo: a revelação de Gambi foi como puxar um espinho da pele. Gostei da objetividade do roteiro de Jan Nash a esse respeito, embora tivesse ficado ainda mais feliz se a coisa toda se estendesse para mais detalhes. Mas está bom assim. Pelo menos a gente sabe que mais informações virão no próximo episódio.

Black Lightning – 1X08: The Book of Revelations (EUA, 2018)
Direção: Tanya Hamilton
Roteiro: Jan Nash
Elenco: Cress Williams, China Anne McClain, Nafessa Williams, Christine Adams, Damon Gupton, James Remar, Gregg Henry, William Catlett, Tracey Bonner, Al-Jaleel Knox, Kyanna Simone Simpson, Anthony Reynolds, Godholly, Mike Forbs
Duração: 43 min.

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18 comentários

Otacilio Neto 22 de março de 2018 - 20:52

Ainda não me desceu a história de o Lala ter voltado. Sempre odiei ele pois seu personagem era muito chato, quando ele morrer eu adorei. Essas cenas dele com a LaWanda são muito sem noção. Mas a serie está maravilhosa no geral.

Responder
Luiz Santiago 23 de março de 2018 - 05:15

Pois é, eu te entendo. Não colocou muito pra mim também não. Bora ver o que vão fazer com essa história!

Responder
Luiz Santiago 23 de março de 2018 - 05:15

Pois é, eu te entendo. Não colocou muito pra mim também não. Bora ver o que vão fazer com essa história!

Responder
Otacilio Neto 22 de março de 2018 - 20:52

Ainda não me desceu a história de o Lala ter voltado. Sempre odiei ele pois seu personagem era muito chato, quando ele morrer eu adorei. Essas cenas dele com a LaWanda são muito sem noção. Mas a serie está maravilhosa no geral.

Responder
Flavio Batista 22 de março de 2018 - 12:02

Eu to achando as cenas do Lala otimas! meio soltas, mas otimas.
Espero q compense no futuro essa abordagem e q ele seja um bom vilao/ameaça.
Concordo em tudo da critica, menos qto a morte da Lady Eve. Nossa, eu a achava insuportavel.
Confesso q era legal ter alguem de quem o Whale tivesse medo, e acho q essa funçao pode ser do tal “Conselho”, sem termos q aguentar aquela chata. ja foi tarde

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Luiz Santiago 22 de março de 2018 - 13:24

@disqus_GZWEmvRlaw:disqus como assim você achava Lady Eve insuportável??? Homem de Deus!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Eu adorava aquela mulher! Sério!
Mas vai aparecer sim alguém que o Tobias tenha medo. Espere só.

Responder
Flavio Batista 22 de março de 2018 - 13:35

Rapaz, eu achava ela chatissima… n sei explicar.
Adorei o Tobias, ele tem cara de mal mesmo, apesar de caricato, bota medo.
Ah, e vc acha q o Gambi (agora Esposito ou algo assim…) vai morrer no final dessa temporada?
Ta com uma cara de q ele vai se sacrificar pra conseguir a redençao e o perdao da parte do Jefferson…

Responder
Flavio Batista 22 de março de 2018 - 13:35

Rapaz, eu achava ela chatissima… n sei explicar.
Adorei o Tobias, ele tem cara de mal mesmo, apesar de caricato, bota medo.
Ah, e vc acha q o Gambi (agora Esposito ou algo assim…) vai morrer no final dessa temporada?
Ta com uma cara de q ele vai se sacrificar pra conseguir a redençao e o perdao da parte do Jefferson…

Responder
Luiz Santiago 22 de março de 2018 - 19:12

Também percebi essa “cara” de sacrifício. Não conheço o final dele nos quadrinhos, então não sei se vai seguir ou não, mas se for bem estruturado na história geral, vai ser bom e triste ao mesmo tempo. Eu gosto desse sacana.

Responder
Flavio Batista 23 de março de 2018 - 11:41

Eu ainda tenho uma questao extra: simplesmente adoro esse ator. É daqueles atores secundarios q sempre funcionam bem.
Tem uma filmografia imensa e e adorava ele como Harry, o pai do Dexter

Luiz Santiago 23 de março de 2018 - 12:07

Ele é bom mesmo. De verdade. Se realmente sair da série, vai fazer uma puta falta.

Flavio Batista 23 de março de 2018 - 15:34

Ah, queria te perguntar outra coisa: qdo vc fala do circulo Social da Rajada, a quem vc esta se referindo?

Luiz Santiago 23 de março de 2018 - 15:58

À gloriosa Sociedade da Justiça! 😀

Flavio Batista 23 de março de 2018 - 16:06

Imaginei, pelas minhas breves pesquisas. N tenho muito conhecimento da historia da SJA e essas outras versoes da Liga da Justiça.

Luiz Santiago 23 de março de 2018 - 16:13

Sociedade da Justiça é um grupo maravilhoso!!! Sério! Afinal, eles são a base de tudo, né. O primeirão grupo de super-heróis da História das HQs. Amor a Sociedade e amo a Liga tb.

Aqui, a gente vai ter a Rajada ligada à SJA e Tormenta, ligada aos Renegados.

Flavio Batista 26 de março de 2018 - 12:03

uau, sera q vao citar mesmo esses supergrupos na serie?

Luiz Santiago 26 de março de 2018 - 12:07

Eu realmente espero que quando elas se separarem do pai, esses grupos realmente apareçam.

Luiz Santiago 23 de março de 2018 - 15:58

À gloriosa Sociedade da Justiça! 😀

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