Home TVEpisódio Crítica | Black Mirror – 4X02: Arkangel

Crítica | Black Mirror – 4X02: Arkangel

por Gabriel Carvalho
200 views (a partir de agosto de 2020)

  •  spoilers do episódio. Leiam, aqui, as críticas de todos os demais episódios da quarta temporada de Black Mirror.

Arkangel leva os espectadores para dentro de um mundo levemente alterado, se comparado com o nosso. Em substância, apenas a criação de um aplicativo que permite pais terem controle do que seus filhos estão comendo, sentindo, precisando e assistindo, 24 horas por dia. Dessa forma, Black Mirror cria seu debate sobre a linha tênue entre cuidado e obsessão. A questão é que o episódio nada tem verdadeiramente a falar que já não foi falado anteriormente e melhor. O discurso nunca existiu ou se perdeu na tradução para o audiovisual. Apesar disso, a direção de Jodie Foster permite que Arkangel seja um pouco mais interessante do que poderia ser em seu estado mais cru, com uma fotografia acinzentada bem cabível a obra, fornecendo um clima de desamparo e solidão, apesar da vigilância contínua.

Hoje mãe solteira, Marie (Rosemarie Dewitt) deu luz a uma garota e, após perdê-la de vista ainda quando criança, recorreu de imediato aos serviços da Arkangel, os quais permitiram que, além das outras funcionalidades, sua filha fosse resguardada de imagens mais delicadas que pudessem alterar níveis de cortisol. O erro do episódio é desistir de desenvolver qualquer aspecto das consequências do aplicativo sobre a criança. O pai de Marie, interpretado por Nicholas Campbell, serve apenas um propósito narrativo bem básico, e mesmo assim, Charlie Brooker não tem a mão firme para ir até o final com a sua atitude no início do episódio, a qual poderia levar à morte do personagem. Estranhamente, o personagem ainda morre quando vem uma passagem temporal e seu luto não é sentido, além de alguns segundos de visita ao cemitério. Inteiramente sozinha agora, Marie acompanha o crescimento da sua filha, abrindo mão do aplicativo, após o primeiro – e único – surto da filha.

Há o que se lembrar aqui com o que foi feito em The Entire Story of You, embora, nesse caso, a história não engata tão bem quanto poderia. A começar, as problemáticas que acometem a filha, agora com 15 anos, de Marie (Brenda Harding) são tão genéricas quanto se poderiam pensar que seriam. Apesar disso, é legal que o roteirista não leve Trick (Owen League) para caminhos de antipatia extrema com o espectador. É bastante perceptível e associável as atitudes do garoto ainda menino com as atitudes dele adolescente, embora, mesmo assim, ele não seja nenhum sociopata quanto Marie revela-se ser na conclusão do capítulo. Neste último ponto, Arkangel falha completamente em não trazer um desenvolvimento de personagem que permita que o fim do episódio seja algo além de sádico. Tudo foi pincelado brevemente em uma única cena na qual a garota começa a se cortar. Depois, ela já consegue falar com o cachorro do vizinho decentemente, e aparenta ser uma menina como qualquer outra, cheio de vontades e desejos. Pode até ser que o aplicativo pudesse causar transtornos como o que acontece com ela a ponto de quase matar a mãe, mas isso é muito mal feito.

De fato o controle da mãe sobre a filha é extremamente abusivo. Mas, ainda pelo fato de que estamos tratando de uma criança primeiramente, apenas o conceito do filtro é duramente inadequado. O resto vai abrindo margem para inadequações no decorrer do crescimento da pessoa. O debate, porém, do que se é aceitável nessa relação de mãe e filha, com a garota maior, nunca vai para lugar algum e a narrativa é fortemente blasé. Brooker nos força goela abaixo que algo está acontecendo com a garota, mas é tudo óbvio demais, como a relação que se faz do comportamento sexual da garota bem inspirado em pornografia com o fato do acesso abrupto dela àquele mundo. Ao menos a atuação de Rosemarie DeWitt é intensa, e sua personagem convence como uma mãe preocupada e engajada. O roteiro ajuda-a com a linha de história sobre gravidez, a qual mostra que, embora vigiando erroneamente a filha, Marie se importa com ela intensamente. É surpreendente, contudo, que até o último minuto eu esperasse que algo mais relevante saísse de Arkangel, mas tudo não passou de uma ideia sensacional, que acabou ganhando traços comuns e se viu assim encabeçada em um mar medíocre.

Black Mirror – 4X02: Arkangel (EUA, 29 de dezembro de 2017)
Showrunner: Charlie Brooker
Direção: Jodie Foster
Roteiro: Charlie Brooker
Elenco: Rosemarie DeWitt, Brenna Harding, Nicholas Campbell, Owen League, Angela Vint, Jason Weinberg, Aniya Hodge, Sabryn Rock, Jenny Raven, Paul Braunstein, Sarah Abbott, Nicky Torchia, Mckayla Twiggs, Abby Quinn, Michelle Giroux
Duração: 52 min.

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40 comentários

Marcos M. 7 de janeiro de 2018 - 22:09

Não achei o episódio tão fraco quanto outros acharam.

O tema maternidade e liberdade estão bastante quentes, em obras como Mother!, The Handsmaid’s Tale, Lady Bird, Big Little Lies…

Eu curti a narrativa e as atuações, tentando prever no que toda aquela vigilância e repressão iria resultar. A obra dialoga bastante com o conceito de Sociedade Disciplinar, do Foucault, então acho que isso também contou pontos pra mim rs

A mãe de Sara aplicava sua vigília sobre ela, mas nunca a punia de verdade. Um tipo de educação muito atual. Os pais fazem de tudo para proteger seus filhos, melhor aplicar repreensões e punições adequadas, que os ajudariam a lidar melhor com o mundo real.

Escrevi mais sobre o tema aqui: http://farofageek.com.br/series/arkangel-vigilancia-panoptico-e-a-chave-para-boa-educacao/?utm_source=comentarios&utm_medium=sites&utm_campaign=planocritico

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Marcos M. 7 de janeiro de 2018 - 22:09

Não achei o episódio tão fraco quanto outros acharam.

O tema maternidade e liberdade estão bastante quentes, em obras como Mother!, The Handsmaid’s Tale, Lady Bird, Big Little Lies…

Eu curti a narrativa e as atuações, tentando prever no que toda aquela vigilância e repressão iria resultar. A obra dialoga bastante com o conceito de Sociedade Disciplinar, do Foucault, então acho que isso também contou pontos pra mim rs

A mãe de Sara aplicava sua vigília sobre ela, mas nunca a punia de verdade. Um tipo de educação muito atual. Os pais fazem de tudo para proteger seus filhos, melhor aplicar repreensões e punições adequadas, que os ajudariam a lidar melhor com o mundo real.

Escrevi mais sobre o tema aqui: http://farofageek.com.br/series/arkangel-vigilancia-panoptico-e-a-chave-para-boa-educacao/?utm_source=comentarios&utm_medium=sites&utm_campaign=planocritico

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Cadê o Yoshi? 5 de janeiro de 2018 - 04:21

Fiquei esperando aquele plot twist que não levou a nada. #decepcionado

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Christian Allen 4 de janeiro de 2018 - 17:38

Episódio fraco. Como muitos disseram haviam diversos caminhos para o roteiro seguir, mas optou pelo mais fácil e simples. Gostaria de ver consequências mais complexas na vida da Sara devido ao uso do Arkagel do que uma mera invasão de privacidade.

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Gabriel Carvalho 4 de janeiro de 2018 - 23:40

@christianallencarobasilva:disqus, episódio bem meia-boca. É uma pena que Black Mirror tenha falhado em nos apresentar uma quarta temporada tão incrível quanto as demais.

Abraços!!

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Marcos M. 7 de janeiro de 2018 - 22:11

Não achei a solução mais fácil e simples não. O roteiro realmente não é complexo, mas é bem amarradinho. A leitura que eu tive é que a Sara tentou se perder da mãe 3x (no nascimento ao quase morrer, no parquinho e depois ao fim pegando a carona no caminhão).

Como diz Gandalf, a terceira vez é a que realmente importa.

Responder
Marcos M. 7 de janeiro de 2018 - 22:11

Não achei a solução mais fácil e simples não. O roteiro realmente não é complexo, mas é bem amarradinho. A leitura que eu tive é que a Sara tentou se perder da mãe 3x (no nascimento ao quase morrer, no parquinho e depois ao fim pegando a carona no caminhão).

Como diz Gandalf, a terceira vez é a que realmente importa.

Responder
Diogo Maia 3 de janeiro de 2018 - 20:08

Bom episódio. Esse é o Black Mirror que eu conhecia nas temporadas passadas e não aquela atrocidade chamada USS Callister.

Responder
Diogo Maia 3 de janeiro de 2018 - 20:08

Bom episódio. Esse é o Black Mirror que eu conhecia nas temporadas passadas e não aquela atrocidade chamada USS Callister.

Responder
Gabriel Carvalho 4 de janeiro de 2018 - 00:02

@diogo_maia:disqus, já eu achei USS Callister muito melhor. Fazer o que né? Que bom que gostou!

Responder
Marcos M. 7 de janeiro de 2018 - 22:11

Os dois são ótimos! rs

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adrianocesar21 3 de janeiro de 2018 - 10:27

Sempre vejo cada episódio como uma crítica às atitudes humanas diante da tecnologia. Como vemos o pior do ser humano em cada episódio com a ajuda da tecnologia futurista. Se o aplicativo não existisse a mãe seria uma mãe melhor? Não “filtraria” a realidade da Sarah? Ela não precisou do Arkangel pra pegar a filha na mentira, mas não foi conversar com ela.. Foi direto pro aplicativo, confrontar o menino que estava “desvirtuando” seu anjo sem saber que a menina não era esse anjo todo. Acho que nesse propósito da série como um todo (mostrar o pior lado do personagem com a ajuda da tecnologia) o episódio serviu ao seu propósito. Curiosidade… No quarto da Sarah tinha um pôster do Tusk, o rapper de Odiados pela Nação.

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Yannick T. Messias 14 de maio de 2018 - 00:09

Excelente comentário. Realmente, a tecnologia não torna as pessoas piores, mas às vezes lhes dá mais liberdade de demonstrarem quem são.

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adrianocesar21 15 de maio de 2018 - 17:08

Obrigado. exatamente assim.

Responder
Samir Campos Daneu 2 de janeiro de 2018 - 10:04

Achei o episódio médio/fraco. Um ponto que observei enquanto estava assistindo, é que ao ativar o Arkangel, a mãe pôde observar as mentiras de sua filha, mudando a atmosfera da casa. Filhos mentem muito para viverem suas aventuras e seus desejos e me pergunto se isso faz parte do desenvolvimento do adolescente, ou se as relações entre as famílias estão erradas, necessitando de um meio mais aberto de comunicação entre pais e filhos.

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Gabriel Carvalho 3 de janeiro de 2018 - 08:06

@samdaneu:disqus, essa é uma discussão que poderia ter sido aberta pelo episódio. Mas ele fica no óbvio e não busca explorar nada efetivamente. Você vê, no entanto, que a mãe em momento algum interfere diretamente com a filha, mudando seu comportamento com ela. Ela tenta fazer tudo na surdina e até salva a garota de uma gravidez extremamente indesejada. Mas sim, vamos quebrar o IPad na cara da mamãe porque ela ficou assistindo eu fazer sexo e terminou meu namoro com um cara que me amava (vagabundo, por sinal). Muito pior para mãe ter flagrado a filha fazendo sexo e fingindo estar num vídeo pornográfico, do que a filha ter tido sua privacidade atacada. Mesmo assim, nada justifica e dá embasamento para aquela loucura de final. Roteiro completamente bagunçado, com várias ideias desfocadas. Fico desgostando do episódio cada vez mais.

Abraços!!!

Responder
Robson Luz 1 de janeiro de 2018 - 19:48

A idéia é mt boa porém mt mal executada, também fiquei esperando as consequências negativas que uma tecnologia de super proteção iria fazer na criança mas acabei me decepcionando.

Responder
Robson Luz 1 de janeiro de 2018 - 19:48

A idéia é mt boa porém mt mal executada, também fiquei esperando as consequências negativas que uma tecnologia de super proteção iria fazer na criança mas acabei me decepcionando.

Responder
Gabriel Carvalho 2 de janeiro de 2018 - 10:23

@robson_luz:disqus, o final é uma grande consequência dessa tecnologia, mas soa extremamente forçado. Não é uma construção orgânica. A cada hora que penso mais nisso, menos eu consigo ser favorável a Arkangel.

Abraços!!

Responder
Gabriel Carvalho 2 de janeiro de 2018 - 10:23

@robson_luz:disqus, o final é uma grande consequência dessa tecnologia, mas soa extremamente forçado. Não é uma construção orgânica. A cada hora que penso mais nisso, menos eu consigo ser favorável a Arkangel.

Abraços!!

Responder
Lidi 1 de janeiro de 2018 - 14:46

Acho que o título do episódio é pq o app seria o anjo da guarda das crianças que estão no sistema.

Responder
Lidi 1 de janeiro de 2018 - 14:46

Acho que o título do episódio é pq o app seria o anjo da guarda das crianças que estão no sistema.

Responder
Lidi 1 de janeiro de 2018 - 14:45

Acho que o nome é pq o app seria o anjo da guarda das crianças do sistema. Arkangel.

Responder
Lidi 1 de janeiro de 2018 - 14:45

Acho que o nome é pq o app seria o anjo da guarda das crianças do sistema. Arkangel.

Responder
Huckleberry Hound 31 de dezembro de 2017 - 14:33

Pelo título pensei que fosse algo a ver com o cristianismo,a série debate muito sobre o lado negro da tecnologia algo sobrenatural seria interessante se bem executado!

Responder
Gabriel Carvalho 1 de janeiro de 2018 - 07:39

@disqus_6l28o55IZI:disqus, a não ser o título de USS Callister, não entendi nem esse (alguma justifica para o nome Arkangel, da empresa que fez o aplicativo), nem o título de Crocodile. Mas deve fazer algum sentido. Essas coisas costumam fazer.

Abraços e feliz 2018!!

Responder
Link 1 de janeiro de 2018 - 07:46

Eu vi uma teoria que o título de Crocodile remete a Lágrimas de Crocodilo, pois toda vez que a a moça mata uma pessoa, ela chora, porém, não sente remorso, ou seja, um choro fingido

Responder
Gabriel Carvalho 2 de janeiro de 2018 - 10:18

@chase_ro:disqus, faz sentido, mas eu acredito nas lágrimas dela. Não pela pessoa que ela matou, mas por ela mesmo. A bola de neve que ela está criando. É um choro egoísta, mas não isento de verdade.

Abraços!

Responder
JC 2 de janeiro de 2018 - 11:39

Muito bom!

Responder
Thiago_NCO 1 de janeiro de 2018 - 11:53

Oi, Gabriel! Li em algum lugar que “Crocodile” é uma referência ao cérebro reptiliano, pioneiro em desenvolver, ao longo dos milênios, o senso de auto preservação. Se for isso mesmo, o título é brilhante e uma referência incrível.

Responder
Gabriel Carvalho 2 de janeiro de 2018 - 10:19

@thiago_nco:disqus, cada um dando uma justificativa diferente e todas elas surpreendentemente fazem sentido. O título pode ser brilhante, mas o episódio…

Abraços amigo!!

Responder
Thiago_NCO 1 de janeiro de 2018 - 11:53

Oi, Gabriel! Li em algum lugar que “Crocodile” é uma referência ao cérebro reptiliano, pioneiro em desenvolver, ao longo dos milênios, o senso de auto preservação. Se for isso mesmo, o título é brilhante e uma referência incrível.

Responder
Marcelo K 1 de janeiro de 2018 - 13:21

Acredito que quiseram fazer menção a arcanjo como um anjo cuidador, ou algo do tipo, associando à personagem da mãe.

Já no 3o episódio, pode ser uma menção à voracidade do crocodilo, que devora mais uma presa, e depois mais uma, e mais outra…

Responder
Gabriel Carvalho 2 de janeiro de 2018 - 10:20

@makf:disqus, hm… Sobre o arcanjo faz sentido. Mas sobre o crocodilo; vários animais são assim. Então poderia ser qualquer predador feroz como título?

Abraços!!

Responder
Marcelo K 1 de janeiro de 2018 - 13:21

Acredito que quiseram fazer menção a arcanjo como um anjo cuidador, ou algo do tipo, associando à personagem da mãe.

Já no 3o episódio, pode ser uma menção à voracidade do crocodilo, que devora mais uma presa, e depois mais uma, e mais outra…

Responder
André Prado 2 de janeiro de 2018 - 09:20

Sobre Crocodile é em relação ao próprio desenvolvimento da personagem que ali está representada desde o começo em meio a um mundo de causas e consequências, se no início ela teve a consciência pesada em meio a uma ocultação de uma morte, no final virou uma pessoa sem alma para proteger sua própria vida e reputação. Uma atitude predatória como um Crocodilo.

Sobre Arkangel, se formos traduzir livremente o nome da empresa tecnológica seria algo como: “a arca dos anjos”. Se anjos são crianças para seus pais, protegê-los em um tipo de “arca” vigilante, faz todo sentido se formos observar a mãe.

Abraços! =)

Responder
Gabriel Carvalho 2 de janeiro de 2018 - 10:21

@disqus_ElScxooVXs:disqus, então poderia ser qualquer predador no título do terceiro episódio, mas decidiram ir com Crocodile?

Sobre Arkangel, faz completo sentido. Valeu!

Abraços!!!

Responder
André Prado 3 de janeiro de 2018 - 11:27

@disqus_HrYi9xZvdi:disqus sim, por esse ponto de vista poderia ser qualquer predador, mas convenhamos que o Crocodilo é a maior e mais brutal associação que temos no mundo animal e fica mais legal no título xD

Gabriel Carvalho 2 de janeiro de 2018 - 10:21

@disqus_ElScxooVXs:disqus, então poderia ser qualquer predador no título do terceiro episódio, mas decidiram ir com Crocodile?

Sobre Arkangel, faz completo sentido. Valeu!

Abraços!!!

Responder
Gabriel Carvalho 1 de janeiro de 2018 - 07:39

@disqus_6l28o55IZI:disqus, a não ser o título de USS Callister, não entendi nem esse (alguma justifica para o nome Arkangel, da empresa que fez o aplicativo), nem o título de Crocodile. Mas deve fazer algum sentido. Essas coisas costumam fazer.

Abraços e feliz 2018!!

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