Home TVEpisódio Crítica | Black Sails – 4X05: XXXIII

Crítica | Black Sails – 4X05: XXXIII

por Ritter Fan
168 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5,0

Obs: Leia, aqui, as críticas das demais temporadas. Há spoilers.

Traições que levam a reviravoltas. Esse é o mote de XXXIII, o episódio que marca a metade da última temporada de Black Sails, série que nunca recebeu destaque, mas que é uma das melhores hoje em andamento, quase como um tesouro escondido.

A decisão de momento do Capitão Flint em seu entregar para Eleanor Guthrie como parte do plano dela de pacificar Nassau sem derramamento de sangue foi algo que certamente fez muitos espectadores balançarem a cabeça incrédulos. Como um homem tão inteligente e que pensa estrategicamente como Flint se deixaria levar por algo tão obviamente falho como algo assim? Mas, como mencionei na crítica anterior, ele e Eleanor, cada um de sua própria maneira, são pessoas com o objetivo comum de proteger aquele lugar e eles sempre se entenderam, apesar de suas diferenças. Naquela túnel, com uma porta de ferro dividindo os piratas do Império Britânico e sem sequer trocar uma palavra com Long John Silver, Flint fez sua aposta, jogando todas as fichas no cenário proposto por Eleanor.

E Eleanor estava sendo sincera, ainda que inocente. Seu jogo maior estava na certeza de que o governador Woodes Rogers, confiaria cegamente nela e esperaria em Port Royal. E, ainda que Rogers realmente confie em sua esposa, nós já havíamos visto que sua raiva dos piratas é algo maior ainda e que ele não retrocederia tão facilmente. A primeira traição do episódio acontece no momento em que ele traça um plano para unir-se momentaneamente com a frota espanhola em Havana para eliminar completa e literalmente os piratas da existência. Aquele final com os navios aproximando-se de Nassau é o prenúncio de um trágico fim para Flint, Silver e companhia.

Vale, aqui, porém, abrir um parêntese para abordar o uso da computação gráfica na série. Sempre usado de forma comedida, mais como uma forma de amplificar o detalhado trabalho de maquetes em tamanho real, aqui vemos seu uso para recriar Havana em sua glória do passado como uma pintura matte de fundo, muito utilizado no cinema nas décadas de 70 a 90, mas que perderam sua função quase que totalmente hoje em dia. O CGI quase old school empregado no episódio é uma bela forma de continuar a tradição da série em ser minimalista nesse aspecto, sem jamais depender da computação gráfica para contar sua história feita por homens, mulheres e lendas. Fecha o parêntese.

Feito esse breve desvio, é importar abordar, agora, a segunda traição do episódio, uma que era realmente inevitável e que mostra a influência da lenda de Long John Silver sobre os piratas, lenda essa criada por Billy Bones, ele mesmo tornando-se no processo, um líder em franca oposição a Flint. Essa oposição chega ao ápice aqui, com o plano de Billy de usar o tesouro para atrair Eleanor e Flint para fora do forte e acabar com eles. Em mais uma daquelas sensacionais conversas que sempre marcaram a série, Silver se vê e revela muito claramente a Billy o que Long John Silver significa: um instrumento para Billy consolidar seu poder. Com isso, Silver tem que tomar uma decisão, decisão essa que o divide em dois. Que amigo trair? Essa resposta nos é dada pelo fiel Israel Hands que sabe que o Rei dos Piratas pode fazer tudo, menos mostrar que está em dúvida, pelo menos não diante da turba que precisa aprender a controlar.

A sequência em que Billy descobre que foi traído é muito bem construída. Aos poucos, por intermédio da revelação a conta-gotas por seu amigo e quem ficou encarregado de matá-lo, aprendemos que Silver usou de todo o poder do Rei Pirata inventado pelo próprio Billy para colocar todos contra ele. Descobrimos que houve mais uma passagem de tempo ali e a decisão do roteiro de Jonathan E. Steinberg e Dan Shotz em não mostrar o processo de convencimento foi muito feliz, mantendo vivo o suspense e evitando que mais uma vez a lábia de Silver ficasse em evidência, já que isso é algo sobejamente claro ao espectador a essa altura do campeonato.

Não satisfeito em lidar com as duas grandes traições, o roteiro ainda nos dá uma rasteira, subvertendo as expectativas de que o tesouro chegara à ilha. Na verdade, a nau vista ao horizonte era a de Jack Rackham finalmente voltando para ajudar na rebelião e encontrando um Flint algemado na praia. O diálogo firme entre os dois, com Rackham revelando do que Woodes Rogers é capaz, é entrecortado por imagens no forte, com Max descobrindo a frota espanhola chegando, em uma brilhante convergência narrativa. E o mais angustiante é que, nesse processo todo, não sabemos ainda o que aconteceu a Anne Bonny. Está viva? Morta? Moribunda?

Um elemento técnico de particular importância no episódio foi a fotografia. Aqui, o trabalho das tomadas interiores foi carregada de fortes contrastes com o evidente condão de expressar dualidade. As composições, porém, lembraram muito a de pinturas renascentistas desde a tomada inicial de Silver saindo do túnel, passando por seu momento de dúvida em seu “escritório” e o tenso diálogo entre Rogers e o governador de Cuba. Os tons escuros ganharam quase que solidez com a fotografia de alto contraste, deixando o lado “claro” quase que esperando ser escurecido completamente em uma espécie de batalha psicológica. As decisões na série têm sido cada vez mais finalistas e, aqui, não foi diferente, pois os lados tomados e os laços feitos certamente definirão os últimos cinco capítulos desse imbatível épico dos Sete Mares.

Em um importantíssimo episódio, Black Sails rearruma suas peças para provavelmente uma última investida unindo os Impérios Britânico e Espanhol, piratas e ex-escravos em auto-destruição mútua. Será um fim de encher os olhos (inclusive de lágrimas…).

Black Sails – 4X05: XXXIII (EUA, 26 de fevereiro de 2017)
Criação e showrunners: Jonathan E. Steinberg, Robert Levine
Direção: Alik Sakharov
Roteiro: Jonathan E. Steinberg, Dan Shotz
Elenco: Toby Stephens, Hannah New, Luke Arnold, Jessica Parker Kennedy, Tom Hopper, Toby Schmitz, Clara Paget, Hakeem Kae-Kazim, Sean Cameron Michael, Louise Barnes, Rupert Penry-Jones, Meganne Young, Nick Boraine, Tadhg Murphy, Angelique Pretorius, Anna-Louise Plowman, Andrian Mazive, Moshidi Motshegwa, Jason Cope, Jenna Saras, Ray Stevenson, Luke Roberts, Zethu Dlomo, David Wilmot, Chris Larkin
Duração: 58 min. aprox.

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26 comentários

André Mozzer 11 de maio de 2017 - 10:00

Fala Ritter!! Terminei SOA, sensacional!!! só senti falta de você nas criticas hehe não que ficou ruim mas pelo que li em algumas criticas suas aqui, cairia muito bem seus textos. Dei um tempinho e engatei em Black Sails, estou demorando um pouco a me apegar, deve ser normal né rsrs só estou no ep 5 da primeira ainda, mas já vi que não é brincadeira kkk. Agora uma coisa é terrivelmente ruim, a dublagem é sofrível, sem chance.

Responder
planocritico 11 de maio de 2017 - 18:11

Eu demorei para realmente gostar de SoA e de Black Sails. Dê mais uma chance e não desista!

E larga a dublagem! HAHAHAHAHAAHAHHA

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 3 de março de 2017 - 18:42

Poha, toda vez que acaba o episodio eu me arrepio todo, episodio épico, o Billy perdeu muito rápido daquele coroa pirata hein, ou então o coroa é muito foda hehe, Será interessante saber o que vai rolar nos próximos episódios ja que no final desse Nassau será invadida por muitos espanhóis e so é o 6 episodio, ficou parecendo que esse era o penúltimo episodio da temporada.

PS: Será que o Flint ou o Silver iram morrer ja que no livro a ilha do tesouro eles estao vivos?

Responder
Junito Hartley 3 de março de 2017 - 18:42

Poha, toda vez que acaba o episodio eu me arrepio todo, episodio épico, o Billy perdeu muito rápido daquele coroa pirata hein, ou então o coroa é muito foda hehe, Será interessante saber o que vai rolar nos próximos episódios ja que no final desse Nassau será invadida por muitos espanhóis e so é o 6 episodio, ficou parecendo que esse era o penúltimo episodio da temporada.

PS: Será que o Flint ou o Silver iram morrer ja que no livro a ilha do tesouro eles estao vivos?

Responder
planocritico 3 de março de 2017 - 23:36

O Israel Hands é um gigante e lutou ao lado de Teach! Billy não tinha chance!

Também estou curioso para ver como a série ainda tem 5 episódios pela frente considerando a frota espanhola às portas de Nassau…

Abs,
Ritter.

Responder
Davy 6 de março de 2017 - 00:48

Me arrepio também, principalmente aqueles momento que apareceu o FLASH

Responder
Davy 6 de março de 2017 - 00:48

Me arrepio também, principalmente aqueles momento que apareceu o FLASH

Responder
Davy 6 de março de 2017 - 00:50

Desculpa, agora parei

Responder
Davy 6 de março de 2017 - 00:50

Desculpa, agora parei

Responder
phgjw 2 de março de 2017 - 20:40

Eita serie boa pra dedeu. Nao se pode confiar em ninguem, em nada. Ate os mais espertinhos sao passados pra traz.
E no proximo ai o bicho vai pegar, que venha domingo.
PS: se eu ganhar na loteria compro um desses, incrivel o preço e os detalhes desses toys. Imaginem se eles fizessem de Black Sails e outras series.

http://www.hottoys.com.hk/photos/PD1488347643KvC.jpg?1488493994567

Responder
phgjw 2 de março de 2017 - 20:40

Eita serie boa pra dedeu. Nao se pode confiar em ninguem, em nada. Ate os mais espertinhos sao passados pra traz.
E no proximo ai o bicho vai pegar, que venha domingo.
PS: se eu ganhar na loteria compro um desses, incrivel o preço e os detalhes desses toys. Imaginem se eles fizessem de Black Sails e outras series.

http://www.hottoys.com.hk/photos/PD1488347643KvC.jpg?1488493994567

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planocritico 2 de março de 2017 - 23:25

Quero ver como a série lidará com o fato que há mais cinco episódios pela frente e que uma frota espanhola está a poucos quilômetros de Nassau…

Mas será muito interessante, sem dúvida alguma!

Abs,
Ritter.

Responder
André Mozzer 1 de março de 2017 - 09:57

Com certeza próxima série da lista.
Algo interessante dito acima Ritter, não vemos destaque algum sobre a série.

Responder
André Mozzer 1 de março de 2017 - 09:57

Com certeza próxima série da lista.
Algo interessante dito acima Ritter, não vemos destaque algum sobre a série.

Responder
planocritico 1 de março de 2017 - 12:34

@andrmozzer:disqus , não deixe de ver não! Eu mesmo demorei muito para começar, vi um episódio e parei e aí engrenei de verdade e não consegui mais parar. É incrível!

Abs,
Ritter.

Responder
André Mozzer 1 de março de 2017 - 17:06

Não perco essa!!! Só estou um pouco “ocupado” acompanhando Sons of Anarchy e vendo com a esposa Breaking Bad. Como você mesmo disse devem ser apreciadas como o vinho né.

Breaking Bad já vi, e SoA estou na terceira temporada, são obras de arte.

Responder
planocritico 1 de março de 2017 - 19:13

Exato, exato. Nada de sair correndo com essas séries!

Depois que pegar Black Sails, volte aqui para dizer se gostou.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 1 de março de 2017 - 19:13

Exato, exato. Nada de sair correndo com essas séries!

Depois que pegar Black Sails, volte aqui para dizer se gostou.

Abs,
Ritter.

Responder
márcio xavier 2 de março de 2017 - 12:33

também comecei atrasado a ver a série exatamente por causa das críticas. Estava me atualizando em SoA e Vikings e hoje Black Sails e Legion são as minhas duas preferidas (dentre as que estão sendo transmitidas agora).

Responder
planocritico 2 de março de 2017 - 13:01

@m_rcio_xavier:disqus , SoA, Vikings e Black Sails formam uma bela trilogia de séries densas e violentas!

Abs,
Ritter.

André Mozzer 7 de março de 2017 - 12:05

Parei na segunda temporada de Vikings, tenho que retomar. Já sei que é pauleira, SoA também e Black Sails já li que não brincam em serviço.

Qual seria seu top 5 de series pra cabra macho Ritter?

planocritico 7 de março de 2017 - 12:11

He, he. Ranking de séries “pra cabra macho” é ótimo. Mas vamos lá:

1. Deadwood
2. Black Sails
3. Justified
4. Vikings
5. Sons of Anarchy

Abs,
Ritter.

André Mozzer 8 de março de 2017 - 08:43

haha Showw Ritter, anotado aqui. Daria uma boa enquete hein

André Mozzer 8 de março de 2017 - 08:43

haha Showw Ritter, anotado aqui. Daria uma boa enquete hein

planocritico 2 de março de 2017 - 13:01

@m_rcio_xavier:disqus , SoA, Vikings e Black Sails formam uma bela trilogia de séries densas e violentas!

Abs,
Ritter.

André Mozzer 1 de março de 2017 - 17:06

Não perco essa!!! Só estou um pouco “ocupado” acompanhando Sons of Anarchy e vendo com a esposa Breaking Bad. Como você mesmo disse devem ser apreciadas como o vinho né.

Breaking Bad já vi, e SoA estou na terceira temporada, são obras de arte.

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