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Crítica | Blade Runner 2049 (Com Spoilers)

por Ritter Fan
1865 views (a partir de agosto de 2020)

  • A crítica abaixo contém um arsenal nuclear de spoilers. Portanto, cuidado. Leiam, aqui, a crítica sem spoilers.
  • Sugiro fortemente que peguem um café e relaxem lendo a crítica, pois ela é longa, quase tão longa quanto o filme.

Mal recebido quando, em 1982, foi originalmente lançado no cinema, Blade Runner, ao longo dos anos, tornou-se um clássico sci-fi tão importante que marcou uma era a ponto de, mesmo aqueles que não gostam do filme, reconhecerem seu valor para a história recente desse gênero. Ridley Scott, com seu apuro visual imbatível, Hampton Fancher com seu fascinante roteiro original, David Webb Peoples, com suas importantes alterações na história já sob o comando de Scott e o inesquecível elenco encabeçado por Harrison Ford fizeram da obra algo que, uma vez visto, jamais será esquecido.

No entanto, como em Hollywood nada é sagrado, alguma hora inventariam de mexer no clássico, seja para fazer um reboot, um prelúdio ou uma continuação. E conversas nessas linhas começaram efetivamente em 1999, com uma possível adaptação de The Edge of Human, romance de K.W. Jeter sancionado por Philip K. Dick, que dava seguimento à história de Rick Deckard, tentando conciliar as versões do personagem que vemos em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? e no filme. Em 2009, conversas surgiram por intermédio de Scott e seu irmão Tony, sobre uma possível série que se passaria antes do filme original. Foi apenas em 2011 que a semente do que viria a tornar-se Blade Runner 2049 foi plantada de maneira mais definitiva, com um longo processo de gestação e diversas ideias e nomes circulando, inclusive o de Christopher Nolan.

Uma coisa, porém, sempre foi unânime no lado do público: que Blade Runner não precisava de uma continuação. E, de fato, não precisava. Não precisa – no presente mesmo -, se pararmos friamente para pensar. Por outro lado, basta remexer um pouca a memória para lembrarmos que O Poderoso Chefão e Alien – O Oitavo Passageiro nunca precisaram de continuações e elas vieram mesmo assim, conseguindo, dependendo a quem você perguntar (inclusive a este crítico), ser melhores do que os originais. Ou seja, para toda regra há uma exceção, como o chavão clássico determina, e o mesmo poderia valer – era a esperança, pelo menos – para Blade Runner.

Mas a grande virada mesmo veio em 2015 quando Denis Villeneuve foi anunciado como o diretor da complicada empreitada. Com uma carreira curta e então sem qualquer sci-fi, ele já havia angariado todo o respeito da crítica e do público com uma série de filmes hollywoodianos sensacionais e desafiadores – Os Suspeitos, O Homem Duplicado, Sicario: Terra de Ninguém – e isso depois de ganhar relevo com obras canadenses não menos relevantes como Polytechnique e Incêndios. Quando em 2016 seu A Chegada, primeira incursão no gênero de Blade Runner, ganhou aplausos quase universais, concorrendo ao BAFTA e ao Oscar na categoria de Melhor Filme, o interesse pela continuação que ninguém esperava ou queria subitamente chegou ao seu ponto mais alto. Era a certeza de que, se Blade Runner 2049 era inevitável 35 anos depois, então que pelo menos ele ficasse com Villeneuve, aumentando as chances de que o resultado fosse algo que, no mínimo dos mínimos, não envergonhasse o original.

Villeneuve, porém, é Villeneuve e, cercando-se de um time imbatível como o diretor de fotografia Roger Deakins, um dos mais brilhantes em sua arte e que talvez por isso seja o mais esnobado pela Academia e o compositor Hans Zimmer (o islandês Jóhann Jóhannsson, parceiro de Villeneuve em A Chegada e que trabalharia junto com Zimmer, foi afastado da produção faltando poucas semanas para o filme ser lançado), responsável pela excepcional trilha de Dunkirk e isso só para ficarmos em 2017, além de Hampton Fancher, o co-roteirista do original, Blade Runner 2049 chegou aos cinemas mais do que excedendo suas expectativas. Se ainda é cedo para afirmar com todas as letras que estamos diante de um daqueles exemplos de continuação melhor do que o original, alguns elogios hiperbólicos são, pelo menos para mim, absolutamente cabíveis aqui: trata-se de um desses sci-fis que já nascem clássicos e que vivem com suas próprias pernas, além de ser uma das melhores continuações já feitas e um dos melhores filmes do ano.

Feita essa introdução alongada (e merecida), vamos à análise do filme em si.

KD6 -3:7 – UM REPLICANTE OBEDIENTE

Continuações precisam justificar-se para além do “quanto mais, melhor” que assola Hollywood. E, quando são continuações de clássicos, há que haver um cuidado ainda maior, especialmente quando o referido clássico é, para todos os efeitos, um filme fechado, com começo, meio e fim bem estabelecidos, mesmo que deixe perguntas no ar, algo que é uma característica positiva e esperada. E Blade Runner 2049 consegue justamente isso e logo na largada.

O objetivo dos roteiristas e direto foi claro: ampliar a mitologia do primeiro filme de forma lógica. Para isso, o texto inicial de abertura (e os curtas disponíveis online que, porém, não são essenciais, mas muito bons, vale dizer) preenche o vácuo de 30 anos entre uma história e outra informando sobre replicantes (ou androides humanoides) descontrolados que teriam se organizado em ataques terroristas pelo que sobrou da Terra, levando à sua proibição. A principal empresa por trás da tecnologia, a Tyrell Corporation, assim, foi à falência, sendo adquirida por Niander Wallace (Jared Leto), que reaproveita a tecnologia para salvar a humanidade do colapso. Em algum ponto, os replicantes – agora do modelo Nexus-9, completamente obedientes – passaram a ser novamente fabricados, ainda que alguns deles também tenham demonstrado vontade própria, o que justifica a permanência da unidade policial de blade runners para aposentar os androides, exatamente como no primeiro filme. No entanto, o modelo novo é tão eficiente que o Oficial K, corruptela (para homenagear Philip K. Dick) de seu código de identificação KD6 – 3:7 (Ryan Gosling vivendo o tipo de papel que sua latitude dramática permite: o homem silencioso amargurado), um dos policiais dessa unidade, é ele mesmo um replicante, cegamente seguindo suas ordens.

Em uma dessas missões, ele precisa aposentar o replicante grandalhão Sapper Morton (Dave Bautista), que, antes de morrer, diz, de forma críptica, que K também mudaria sua diretiva se ele testemunhasse um milagre como Sapper testemunhou. Palavras ao vento ou tem algo mais aí? Cuidadoso, K descobre uma maleta enterrada perto de uma árvore morta onde Sapper mora e que contém um esqueleto muito bem guardado, dando a entender que se trata de um caixão. Durante a análise, o legista conclui que a ossada é de uma mulher e que ela morrera dando a luz, depois de uma cesariana. Nesse ponto, o alarme na cabeça do espectador já começa a tocar e a revelação vem alguns segundos depois: K percebe, ao microscópio, um número de série em um osso, indicando que ele pertencia a nada menos que uma replicante.

Que melhor forma de tornar a diferença entre um androide e um humano do que abordar a possibilidade de um ser artificial ter dado a luz? A simplicidade desse conceito é também a genialidade da premissa do filme, que passa a girar em torno da busca pela criança que teria nascido há 30 anos. Aqui, o espectador não tem mais sombras de dúvidas – e o filme não esconde – sobre a identidade dessa mulher misteriosa. Só pode ser Rachael (Sean Young), que fugiu com Rick Deckard (Harrison Ford) exatamente há 30 anos para lugar incerto e não sabido.

As forças em oposição, então, ficam claras. De um lado, há a tenente Joshi (Robin Wright), que quer exterminar o bebê e todas as provas de sua existência, por entender que a revelação desse “messias” robótico faria a própria Humanidade ruir e, de outro, há Niander Wallace que deseja o bebê para seus fins, que conseguem ser ainda mais nefastos, que é permitir a multiplicação “espontânea” de replicantes, aumentando seu quadro de escravos que, como ele deixa muito claro para nosso horror (por ser a triste verdade), é a base do crescimento da civilização. E há, descobrimos ao pouco, um terceiro vértice nessa equação, uma silenciosa resistência replicante que protege o bebê milagroso e planeja utilizá-lo em sua revolução que busca a liberdade.

K está nesse meio, obediente à Joshi, mas começando a criar consciência de que há algo maior ali, maior do que sua programação binária pode compreender. E, ao mesmo tempo, nós nos perguntamos mais uma vez, 35 anos após o filme original: e agora, o que é ser humano mesmo?

OFICIAL K: UM ESCRAVO PROCEDIMENTAL

Com 163 minutos, Blade Runner 2049 é um filme longo, consideravelmente mais longo que o original que tem pouco menos do que duas horas. Lá, porém, a história – não a filosofia – é muito mais simples e objetiva, com uma caçada a quatro androides servindo de pano de fundo para uma improvável história de amor e para uma figura de Cristo fenomenal representada por Roy Batty (Rutger Hauer), figura essa que, de certa forma, é espelhada na criança replicante objeto de ódio, desejo e adoração ao mesmo tempo. Agora, a ambição é maior, com a necessidade de se construir novos personagens e toda a nova lógica desse mundo pós-blecaute, 30 anos depois que vimos Deckard fugir com Rachael.

Essa duração, então, é primeiramente justificada pelo aspecto visual da obra de Villeneuve, também um reverência ao original. O mundo (re)criado pelo design de produção de Dennis Gassner (O Show de Truman, Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, 007 – Quantum of SolaceOperação Skyfall e Spectre) e pela direção de arte ao comando de Paul Inglis (Filhos da Esperança, Prometheus, 007 – Operação Skyfall) é o mesmo que o imaginado e materializado detalhadamente por Ridley Scott, mas fundamentalmente diferente.

Aqui, temos que voltar à premissa: 30 anos se passaram, depois que Los Angeles – e possivelmente todas as demais grandes cidades remanescentes da guerra nuclear – passou uma idade das trevas em que valiosos dados foram perdidos. Em outras palavras, houve uma involução tecnológica e um adensamento populacional. Com isso, a Los Angeles neo noir do filme original está sim um pouco lá na continuação, mas o que chama a atenção é a “favelização” monumental do lugar e da homogenização arquitetônica. Se, antes, havia ainda o uso de locais famosos pré-guerra (como o Bradbury Building, onde J.F Sebastian vivia), agora tudo é igual, tudo é feito, tudo é decadente. Se, diferente do primeiro filme, vemos luz, o que vemos de verdade é claridade estourada, cinza, sem sol, como se olhássemos tudo por intermédio de um vidro opaco, que mata qualquer semblante de alegria. Há cores, claro, mas elas são exclusivas do bombardeio neon de anúncios holográficos e marcas que cobrem todo o espaço disponível em um assalto aos sentidos desagradável e que assusta por ser tão próximo do que efetivamente vemos no dia-a-dia em cidades grandes.

Portanto, com a necessidade de situar o espectador nesse novo velho mundo do futuro, Villeneuve usa e abusa da linguagem puramente visual, o que toma tempo do filme, e também estabelece seu passo. Afinal, não estamos diante exatamente de um filme de ação. Seu caráter contemplativo sobrepuja a pancadaria em grande proporção e o foco inicial é na investigação de K, primeiro sobre a identidade da mãe do bebê e, depois, o paradeiro do pai, Rick Deckard. Há um certo didatismo nessa primeira hora, mas ele não é o tipo de didatismo que extrapola o razoável e nem é expositivo, subestimando o espectador. O roteiro de Hampton Fancher e Michael Green não tem pressa, mas usa o caráter procedimental investigativo para nos mostrar que o arco narrativo que realmente importa e que é o foco da obra é o de K. É ele o sujeito do estudo antropológico que forma o coração de Blade Runner 2049.

Reparem como o tão esperado encontro de K com Deckard é algo deixado para o terço final da projeção. Quando chegamos nesse ponto, já entendemos o que aconteceu e compreendemos que a caçada ao antigo blade runner e ao seu bebê é o fim que justifica os meios e os meios, no filme, são os elementos que discutem a humanidade de K ou, melhor dizendo, o conceito de humanidade em si.

K, aprendemos, vive em um apartamento minúsculo, razoavelmente claro (mas acinzentado, feio), espartano, quase sem móveis, talvez o exato oposto da entulhada, complexa e escura moradia de Deckard – há uma inteligente rima visual na decoração “maia” da parede da cozinha de K, mas só -, ainda que não exatamente sozinho. Ele divide seu lar com Joi (Ana de Armas), uma inteligência artificial holográfica que tem função dentro e fora do filme. Dentro, como um relacionamento amoroso cibernético, que ajuda a desafiar e a alargar o conceito de humanidade. K sente algo por ela, mesmo que ela, no final das contas, possa não ser um programa tão completo assim e que verdadeira sente aquilo que diz sentir. Sua materialização é um dos elementos mais intrigantes e bem executados em um filme quase perfeito, desde sua portabilidade, até a forma como ela “veste” a prostituta replicante Mariette (Mackenzie Davis, a Cameron de Halt and Catch Fire) para um belíssimo momento de amor carnal entre os dois.

Externamente, porém, Joi é a versão 2017 da odiada narração da versão de 1982 do filme original. Sua interação com K ajuda em nossa compreensão do que de quem ele é exatamente. Sem Joi, não haveria razão para sequências em que vemos K fora da investigação, a não ser que fosse para mostrá-lo silencioso, preparando sua comida. Seria até possível que sua contrapartida no mundo fora da polícia fosse uma humana, mas isso quebraria a lógica do filme que determina que os skin jobs são odiados pelos humanos. De certa forma, há um flerte nesse caminho quando sua chefe o visita no apartamento, mas o roteiro não arrisca artificializar a relação entre os dois, deixando K com sua versão binária de uma história de amor (aliás, repararam na sensacional jogada do roteiro ao equalizar a clássica frase de Eldon Tyrell para Roy Batty – “a luz que brilha o dobro arde a metade do tempo” – à questão da comparação do DNA humano e dos “uns” e “zeros” que formam Joi, feita por K?).

Portanto, o foco procedimental que parece fazer o filme se arrastar é, na verdade, Denis Villeneuve deixando sobejamente claro que o filme não é sobre o esperando encontro de K com Deckard, mas sim o encontro de K com sua humanidade latente. Assistir esse filme só pelos “grandes momentos” e classificar os pequenos como enrolação é perder o foco do principal e, no final das contas, desperdiçar 163 minutos.

JOE: O HOMEM POR TRÁS DO ANDROIDE

Vou novamente voltar ao Blade Runner original. É inevitável. Mas confiem em mim.

Ao morrer depois de seu inesquecível monólogo “lágrimas na chuva”, Roy Batty nos mostra que ser humano não é nascer do ventre de uma mulher. Batty é muito mais humano que Deckard, já que o policial mata friamente duas mulheres – uma pelas costas – e nada sente quando Leon tem sua cabeça estourada por Rachael. O caçador de androides é um androide (e não quero dizer literalmente) em sentimentos ou, pelo menos, tem o tipo de comportamento que esperamos de um androide. Batty é seu exato oposto. Demonstra um amor por Pris, que Deckard emula de forma violenta com Rachael e, ao final, deixando claro o valor da vida para ele, salva Deckard da morte certa. Os papeis se invertem e, na morte, Batty ensina a vida a Deckard.

Corta para Blade Runner 2049.

K é literalmente um androide, disso não temos dúvidas. E um androide completamente obediente, capaz de chacinar friamente seus pares. K é Deckard antes da morte de Batty, para todos os efeitos. K é, também, um ser que começa a duvidar de sua programação, de sua natureza. Ao desvelar o mistério sobre o bebê replicante, K nutre a esperança de que ele é essa criança. A prova disso são suas memórias de infância, uma em particular em que, fugindo de valentões, esconde seu cavalinho de madeira, com função semelhante ao unicórnio de origami no filme original, com a data de seu nascimento em uma fornalha em desuso em um lugar horroroso.

Mas K sabe que essa memória, assim como todas as outras, é um implante. Um implante usado para manter os replicantes na linha. Um implante… criado pela mulher que fora o bebê replicante, que ignora essa condição e cuja profissão é exatamente criar essas memórias para replicantes, por sub-contrato com… Niander Wallace. A circularidade temática é impressionante, mas eu me adianto aqui.

O que importa, no momento, é que K quer ser essa criança. Apesar de suas reações explosivas, ele passa a depender dessa revelação e tudo conspira para isso. O roteiro nos impede de ver o óbvio ou, na verdade, não cai na armadilha de fazer o que é extremamente conveniente. Se K é o protagonista, então ele precisa ser o replicante salvador, o replicante que nasceu e não foi feito. Essa esperança que ele nutre passa a ser o que também queremos. Tem que ser ele. Mesmo quando uma incongruência é percebida – duas crianças, uma menina e um menino? – ela é logo descartada dentro da estrutura de “narração” que é a conversa entre Joi e K.

Não é assim que agimos? Digo nós, humanos? É a esperança que nos move. Esperança por uma vida melhor, por um mundo melhor, por um filme dos Transformers que seja minimamente bom. É isso que nos leva para a frente e é isso que passa a mover K, ou Joe nesse momento. Ele, aqui, diante de nossos olhos, torna-se humano.

JOE: O FILHO DE DECKARD

Quando o grande encontro acontece, a fotografia de Roger Deakins muda a paleta de cores completamente, com a ação sendo transposta para as ruínas radioativas de Las Vegas. O choque com o tom fortemente alaranjado exige ajustes na visão e cria automaticamente uma beleza deslumbrante que, por alguns segundos, esconde o horror que está por trás de tudo aquilo.

Aliás, Mr. Deakins provavelmente concorrerá pela 14ª vez ao Oscar de Melhor Fotografia e, mais um vez, periga de não levar a estatueta. Não porque ele não mereça, mas sim exatamente porque ele merece. Em Blade Runner 2049, ele nos arrebata com seus planos gerais meticulosamente armados que ampliam sobremaneira o universo do filme original. Se, antes, estávamos restritos às ruas claustrofóbicas de Los Angeles e a tomadas aéreas belíssimas, econômicas, na continuação não há freios para o que vemos. O travelling de abertura, com Joe voando até a fazenda de lesmas que Sapper Morton cuida, ao mesmo tempo que cria familiaridade com a tomada de abertura da obra de 1982, também subverte nossas expectativas. A cor predominante é um off-white horroroso, sujo, quebrado por elementos cinzas que mostram que estamos sim na versão diurna daquilo que conhecemos na versão noturna. Acreditamos automaticamente nessa expansão de universo.

E essa expansão ganha outros momentos inesquecíveis, como no sinistro, mas belíssimo, escritório piramidal de Niander Wallace, com o reflexo da água imediatamente referenciando o mesmo tipo de efeito que vemos na enorme sala de Eldon Tyrell, no momento em que Rachael entra no recinto. E também no sobrevoo de K pelo muro de contenção que impede o oceano de tragar tudo com sua fúria e sobre o gigantesco lixão que é San Diego, que começa a ganhar a coloração que explodiria no terço final com Joe se aproximando de Vegas. É no uso das cores fortes que Deakins consegue criar um clima de suspense, de finalismo, de devastação de maneira ainda mais eficiente do que toda a Los Angeles noir que já conhecíamos. É um mundo que não parece mesmo ter mais salvação, um mundo que talvez não precise mais dos humanos.

Ou, pelo menos, da maioria deles. Alguns humanos ainda mantém seus valores base, mesmo que esses valores tenham sido aprendidos – ou reacendidos – a partir de sacrifícios feitos por androides. Rick Deckard, quando aparece finalmente (nossa, como demorou – e ainda bem que demorou!) é um homem que passou os último 30 anos sozinho, um ermitão que tem como companhia um cachorro (pergunte para ele se é verdadeiro!) e hologramas falhos de Elvis Presley, Frank Sinatra e Liberace em um teatro deserto, que Deakins fotografa com uma maestria de tirar lágrimas dos olhos, abusando do contra-luz, do chiaroscuro e de uma câmera bem localizada próxima ao solo para acompanhar Joe. Harrison Ford tem, talvez, sua melhor atuação em anos, em sua terceira revitalização de personagens clássicos que encarnou. Seu rosto mantém a rudeza do Deckard que conhecemos, mas deixa transparecer a profunda agonia da solidão e da ignorância completa sobre o paradeiro de seu filho com Rachael.

Podemos considerar o encontro como anti-climático? Com certeza, e isso deve ter irritado muitos espectadores que esperavam algo mais, digamos… convencional. Mas o encontro é o encontro que o filme havia estabelecido que seria: o fim de uma investigação em que K sabe, tem certeza absoluta que acaba com ele como o filho perdido de Deckard. Mas Joe vê o sacrifício que Deckard fez. Ele nem mesmo conheceu sua filha e nunca a procurou, mas não por não amá-la e sim para protegê-la. Apesar de eu estar usando o indicativo de gênero, nesse momento não sabemos que é uma menina. Na verdade, temos certeza de que é um menino. É Joe, ora bolas!

Os espectadores mais ressabiados e calejados provavelmente soltaram um “hummmm…” nesse momento, talvez até com direito a mão no queixo e aquele cochicho ao colega ao lado. Sim, pois há algo de podre na ex-cidade do pecado. Joe não percebe. Ele está cego – Niander Wallace é cego, mas enxerga mais do que todos aqui – pela certeza gerada por sua investigação. Joe quer ser humano. Mal sabe ele que ele já é, independente de qualquer outra consideração!

Mas a pergunta, que nunca é feita, permanece sem resposta. Afinal, Joe é mesmo o filho perdido de Rachael e Rick?

Quando a resposta finalmente vem, depois que o movimento clandestino de revolução replicante nos é apresentado oficialmente, levamos um soco no estômago. Mesmo sabendo que seria uma conveniência exagerada de roteiro, fomos manipulados a querer – exigir! – que Joe fosse o bebê. Quando, ao mesmo tempo que ele, descobrimos que não é e que já havíamos conhecido a bebê, Ana Stelline (Carla Juri), algo confirmado em um breve flashback, entramos em depressão, choramos com a esperança estilhaçada no coração artificial de Joe. Mas é assim que Blade Runner 2049 se destaca, ao justamente não cair em armadilhas narrativas tipicamente hollywoodianas.

E, novamente, não podemos esquecer que, neste ponto da história, já aprendemos que não interessa mais a diferenciação entre humanos e replicantes. As naturezas de um e de outro se amalgamaram e um ser tornou-se o outro.

RICK DECKARD: NÓS FINALMENTE O CONHECEMOS?

Mesmo que a verdadeira pergunta de Blade Runner seja o que faz de um humano humano, a pergunta mais famosa – e irritante – é se Deckard, afinal de contas, é ou não um replicante. Ridley Scott passou anos se esquivando dessa resposta, até que um dia capitulou e disse que sim, Deckard era um androide. Mas será que é isso mesmo?

Eu poderia dizer que não interessa, pois é a mais pura verdade. Mas vou morder a isca aqui por um momento e perguntar: e se ele for? Em que isso muda a história? O bebê replicante será um bebê replicante tendo ele nascido de mãe replicante ou de mãe e pai replicantes. Deckard envelheceu, é verdade, mas os replicantes Nexus-9 podem envelhecer normalmente também e, se Rachael era o modelo Nexus-X (he, he…), Deckard também poderia ser algo assim, não?

Agora releiam os dois parágrafos acima. Perceberam a quantidade de pontos de interrogação? Pois é, foi de propósito. A conclusão é simples: Blade Runner 2049 não oferece essa resposta. Aliás, não oferece nenhuma resposta que não seja Ana é filha de Rick e Rachael. É até mesmo possível construir a tese que Niander Wallace é um replicante excêntrico, mas não chegarei a esse ponto. O importante é entender e aceitar que “a verdade está lá fora” e que, se depender de Villeneuve, continuará por lá. Afinal de contas, tudo explicadinho nos seu mínimos detalhes é chato demais.

ANA STELLINE: O FUTURO

Depois de um clímax de ação na água, com a replicante assassina fria Luv (Sylvia Hoeks), minion de Wallace, sendo derrotada pela humanidade de Joe em momentos impressionantemente tensos e bem construídos, com uma câmera que não se furta de nos colocar no meio da ação, mas em momento algum nos confundindo ou tirando nosso norte, partimos para talvez o mais belo momento-homenagem do filme. Joe, ferido, mas escondendo a gravidade de Deckard, leva o pai para finalmente encontrar-se com sua filha e, olhando os flocos de neve caindo, morre nas escadas.  Sua humanidade se esvai, perdida como flocos de neve na nevasca. Mas ele morre humano, não androide.

Confesso que a brevíssima cena seguinte me incomodou menos do que o que ela significa. Villeneuve soube encerrar a projeção em um momento que, diria, fica no meio termo entre o que ele deveria querer e o que o estúdio queria. O reencenamento de “lágrimas na chuva” era o final que o filme precisava. O encontro entre Rick e Ana é quase – por muito pouco – o equivalente à tomada aérea verdejante (de O Iluminado) que vemos ao final da versão original do filme de 1982. O semblante de final feliz incomoda, mas, aqui, rima com a morte humana de Joe. Faz sentido. Funciona até.

O que não funciona é o que a cena significa. Sem dúvida alguma, ela nos remete à ponta que permaneceu solta: a prometida rebelião replicante tendo Ana Stelline como messias. Vejo muito claramente uma interferência do estúdio aí, com a história do primeiro filme se repetindo, mas com outro viés. Se em 1982 o objetivo foi simplificar o filme e torná-lo “feliz”, agora o plano é fazer como Rachael fez e permitir que o produto tenha filhos. Se Blade Runner 2049 fizer sucesso financeiro, uma outra continuação está ali, esperando para ser feita, sem necessidade de muitos malabarismos.

Mas, novamente, essa segunda continuação não é necessária ou, diria, consegue ser menos necessária ainda que a primeira. Um caminho possível para a produtora seria lidar exclusivamente com a revolução replicante, sem necessariamente voltar à Deckard ou mesmo Ana Stelline diretamente. Seria possível fazer uma história paralela à principal.

Todavia, quem sou eu para julgar? Se me perguntassem, há 10 anos, que filme eu jamais esperaria ver continuação e especialmente uma que competisse de igual para igual com o original, eu diria Blade Runner sem medo de errar e cá estou escrevendo um tratado internético rasgando elogios exatamente a essa continuação. Portanto, tudo é possível.

Acontece que a abertura tão escancarada dessa porta – que, devo admitir, Villeneuve, para seu mérito, se esforça em esconder – detrai um pouco da experiência como um todo. Não haver resposta para uma pergunta como “qual é o sentido da vida?” é uma coisa, mas não haver encerramento para algo mais mundano como “quem ganha a guerra, humanos ou androides?” é uma rasteira no espectador. É por isso que está faltando meia estrela na avaliação final desta crítica.

XXXXXXXXXX

Só o tempo dirá se Blade Runner 2049 representará para a ficção científica o que seu pai representou. Mas responder essa pergunta é irrelevante diante do que esse filme representa agora: mais uma belíssima demonstração de que continuações podem ser tão relevantes quanto o original, bastando para isso uma conjunção de fatores tão presentes aqui como estiveram em um seleto número de outras. É raro, mas quando acontece, é um evento que deve ser comemorado efusivamente.

Blade Runner 2049 (Idem – EUA/Reino Unido/Canadá, 2017)
Direção:
 Denis Villeneuve
Roteiro: Hampton Fancher, Michael Green (baseado em personagens criados por Philip K. Dick)
Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Dave Bautista, Robin Wright, Mark Arnold, Vilma Szécsi,  Ana de Armas, Wood Harris, David Dastmalchian, Tómas Lemarquis, Edward James Olmos
Duração: 163 min.

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220 comentários

Gabriel Leão Buendía 6 de junho de 2020 - 08:22

Filmaço, de tirar o fôlego, são 160 minutos que passam voando. Além do roteiro que não tenta responder todas as perguntas, chamo a atenção para a excelente fotografia, gostei mais do efeito da água no prédio do Wallace, e a trilha sonora angustiante. O relacionamento de K com a Joi é outro ponto forte do filme.

Responder
planocritico 8 de junho de 2020 - 04:03

Magnífico filme mesmo!

Abs,
Ritter.

Responder
Vinicius Maestá 25 de março de 2019 - 04:27

Acho o filme maravilhoso, mas como não vi
ninguém comentando, queria ressalvar que a personagem e atuação da Robin Wright está ruim, e totalmente destoante daquele universo na minha visão

Responder
planocritico 25 de março de 2019 - 14:25

Sinceramente, não achei a atuação dela horrível não. Mas, mesmo que fosse horrível, a participação da atriz é tão pequena no filme que ela não afetaria o conjunto.

Abs,
Ritter.

Responder
Vinicius Maestá 25 de março de 2019 - 14:58

Editei o meu comentário para “ruim”, acho que peguei meio pesado mesmo. De fato não atrapalha o conjunto, mas quando ela apareceria eu as vezes me desconectava do filme e deixava alguma informação passar.

Responder
planocritico 25 de março de 2019 - 18:00

Cara, eu te entendo perfeitamente. Tem atuações que não fazem “clique” em mim também e atrapalham as cenas em que a pessoa aparece. Não foi o caso comigo com a Robin Wright, mas sem dúvida consigo simpatizar com o que você está dizendo!

Abs,
Ritter.

Responder
Vinicius Maestá 26 de março de 2019 - 19:46

Pois é, as vezes a atuação não é necessariamente ruim, mas simplesmente não combina com o que está sendo apresentado. Para mim essa personagem da Robin Wright é um exemplo de que em outro filme poderia funcionar, mas não no universo de Blade Runner. Fiquei com a impressão de que ela é uma pessoa que se enquadra no nosso mundo, alguém que tem várias preocupações e tarefas para se fazer além do seu emprego, e não um indivíduo que luta para manter a ordem de seu mundo aposentando replicantes. Resumindo, achei uma personagem do mundo real e não de uma ficção científica, o que acaba atrapalhando a atuação da atriz também, apesar de achar que ela também é “culpada”.

Abraços!

planocritico 26 de março de 2019 - 20:05

Muito interessante seu ângulo de observação. Eu posso não concordar, mas acho que consigo visualizar seu ponto.

Infelizmente, acho que terei que fazer o “grande esforço” de rever o filme para tentar pescar em mais detalhes sua visão sobre a personagem da Robin Wright… HAHAHAAHHAHAHAHHHA

Mas sério, essa conversa aqui me deu vontade de rever o filme e acho que o final de semana agora eu farei isso!

Abs,
Ritter.

Vinicius Maestá 26 de março de 2019 - 23:28

Hehehe que bom. Acho que vou te seguir nessa e ver o filme de novo para ver se confirmo esse ponto de vista ou se não estou falando besteira hahahhah

Mera Rainha de Atlântida 13 de fevereiro de 2019 - 19:17

Só fiquei com uma dúvida, se a Rachael era uma replicante, então como ela pode engravidar de um humano ?

Responder
planocritico 13 de fevereiro de 2019 - 20:46

Fica subentendido que Rachel teria sido criada especialmente com essa função pela Tyrell Corporation.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de junho de 2018 - 19:52

Obrigado, @disqus_neoZ7a3kF2:disqus ! Eu esperava o pior, apesar de amar o diretor, e saí também enlouquecido pelo que ele fez!

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Rodrigues 4 de junho de 2018 - 17:48

Excelente crítica!
Saí do cinema quase entorpecido (principalmente pela atmosfera) pelo que eu tinha acabado de assistir. A trilha sonora é nada menos que primorosa, ouço até hoje no meu spotify. Destaque para: 2049, Sapper´s Tree, Joi, See Wall e Blade Runner. Aliás, que ano do Hans Zimmer. Compôs duas trilhas soberbas, Dunkirk (a composição The Mole é incrível), e Blade Runner.

Responder
Jonatã Lopes 24 de abril de 2018 - 16:27

Filmão, sequência digna do original, conseguindo aliar o “DNA” do primeiro filme se sustentando de forma magnifica com as suas próprias pernas. Preservando mistérios do original como adicionando outros novos tão ou mais interessantes.Uma expansão magistral do original. A jornada de auto-descoberta de K, faz parecer uma versão ainda mais trágica de David de Inteligência Artificial, ou mesmo um conto adulto sobre pinoquio, e Gosling caiu muito bem no papel principal como o estóico “Joe”. Aliás o elenco de uma forma geral se saiu muito bem, até mesmo a Suíça Carla Juri com tão pouco tempo de tela, só perde em graça para Ana de Armas com a sua fascinante Joi. Melhor performance de Harrison Ford em décadas. Quem mesmo destoa é Jared Leto, parece um vilão genérico de 007, tão megalomaníaco quanto caricato.
Não vejo necessidade de mais uma sequência, a ponta deixada pode ser resolvida com alguma mini-série ou mesmo em uma animação, de preferência sem repetir qualquer personagem, já que quase todos cumpriram muito bem a sua função.

Responder
planocritico 29 de abril de 2018 - 18:38

Concordo com tudo. Sobre mais uma sequência, se for algo tão bem feito quanto essa aqui, confesso que não me importo não!

Abs,
Ritter.

Responder
Terry Malloy 1 de abril de 2018 - 22:11

“Esperança por um filme dos Transformers que seja minimamente bom. É isso que nos leva para a frente”, mas não é isso que incentiva o estúdio a continuar os fazendo.

“Minion de Wallace” – minion veio para ficar mesmo, virou sinônimo. Já vi sendo usado em várias partes.

Responder
planocritico 1 de abril de 2018 - 22:23

Eu sei que não é isso, claro. Uma pena, mas não tem jeito: o dinheiro, nesses casos, precisa estar na frente mesmo e, se o público paga para ver lixo, é lixo que ele terá!

Sobre “minion”, é uma palavra em inglês que, antes de significar aqueles bichinhos amarelos irritantes de Meu Malvado Favorito, significa “servo” ou “agente” ou até mesmo “capanga”.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 1 de abril de 2018 - 22:23

Eu sei que não é isso, claro. Uma pena, mas não tem jeito: o dinheiro, nesses casos, precisa estar na frente mesmo e, se o público paga para ver lixo, é lixo que ele terá!

Sobre “minion”, é uma palavra em inglês que, antes de significar aqueles bichinhos amarelos irritantes de Meu Malvado Favorito, significa “servo” ou “agente” ou até mesmo “capanga”.

Abs,
Ritter.

Responder
Fórmula Finesse 6 de fevereiro de 2018 - 08:26

Um filme realmente te marca quando você o assiste à noite, e quando for dormir, passa depois a noite toda sonhando, construindo estruturas oníricas com base nele…no meu caso, o filme precisa ser muito bom de verdade.
“Vila Nova” conseguiu, reescreveu a Bíblia sem diminuir nada da versão original, fez algo um pouco diferente, mas tão bom quanto – e talvez – em termos de contar uma história poderosa, fez melhor.
O primeiro filme era um assalto aos sentidos tanto em visual como em trilha sonora, a atmosfera era (e é) hipnótica, tudo isso era tão forte que a narrativa ficava até um pouco de lado; agora – nessa nova versão – a trama é mais robusta, complexa e intrigante. Não dá mais para se calcar apenas em efeitos especiais para se fazer jus a um Blade Runner nos dias atuais, se passaram 35 anos, nesse hiato houve um desenvolvimento exponencial no setor de criatividade e tecnologia visual…o murro na cara que era o primeiro filme, nunca mais poderia se repetir. Como fazer então? “Não façam, nunca!!!” apregoavam a maioria…e ninguém poderia dizer que não estavam certos.
Mas, tal como o milagre do nascimento de um replicante por vias humanas, o rebento está aí: forte, denso, lindo e profundo.
Obrigado Dennis e companhia! E obrigado ao Plano Crítico por tecer uma crítica tão sensacional e coerente com uma obra que já nasce autônoma e clássica.
P.s: As aparições fantasmagóricas de Rachel, que sessão nostalgia arrepiante, que saudades do primeiro filme.

Responder
Fórmula Finesse 6 de fevereiro de 2018 - 08:26

Um filme realmente te marca quando você o assiste à noite, e quando for dormir, passa depois a noite toda sonhando, construindo estruturas oníricas com base nele…no meu caso, o filme precisa ser muito bom de verdade.
“Vila Nova” conseguiu, reescreveu a Bíblia sem diminuir nada da versão original, fez algo um pouco diferente, mas tão bom quanto – e talvez – em termos de contar uma história poderosa, fez melhor.
O primeiro filme era um assalto aos sentidos tanto em visual como em trilha sonora, a atmosfera era (e é) hipnótica, tudo isso era tão forte que a narrativa ficava até um pouco de lado; agora – nessa nova versão – a trama é mais robusta, complexa e intrigante. Não dá mais para se calcar apenas em efeitos especiais para se fazer jus a um Blade Runner nos dias atuais, se passaram 35 anos, nesse hiato houve um desenvolvimento exponencial no setor de criatividade e tecnologia visual…o murro na cara que era o primeiro filme, nunca mais poderia se repetir. Como fazer então? “Não façam, nunca!!!” apregoavam a maioria…e ninguém poderia dizer que não estavam certos.
Mas, tal como o milagre do nascimento de um replicante por vias humanas, o rebento está aí: forte, denso, lindo e profundo.
Obrigado Dennis e companhia! E obrigado ao Plano Crítico por tecer uma crítica tão sensacional e coerente com uma obra que já nasce autônoma e clássica.
P.s: As aparições fantasmagóricas de Rachel, que sessão nostalgia arrepiante, que saudades do primeiro filme.

Responder
planocritico 6 de fevereiro de 2018 - 17:00

@frmulafinesse:disqus , que depoimento bacana! Dennis Villeneuve é um cineasta absolutamente incrível. Estou louco para ver o Duna dele.

Abs,
Ritter.

Responder
Fórmula Finesse 7 de fevereiro de 2018 - 08:31

Duna vai ser outra pedrada épica na nossa moleira, nesse cabra we trust!
O problema agora é que fica difícil retornar a Carbon Altered, depois de ter assistido Blade Runner…é como estar valsando com a Paola de Oliveira, e do nada, ser rendido para dançar com a sua prima imberbe – rsrsrsrsrsr

Responder
planocritico 7 de fevereiro de 2018 - 23:29

HAHAHAHAAHAHA

Boa!

Abs,
Ritter.

Responder
Roger Barros 29 de janeiro de 2018 - 11:46

ainda não entendi a questão dos filhos gêmeos. foi dito que a menina tinha problemas genéticos e por isso morreu, sobrevivendo o menino, depois descobrimos que a menina está viva (no momento em que a personagem apareceu, deduzi que era a filha perdida). desta forma então, não haveria a hipótese de serem dois filhos, e o Joe ser realmente filho de Raquel junto com sua irmã gêmea?
fora esta dúvida, lanço o olhar para a profundidade filosófica do filme, que literalmente traça um panorama da própria existência humana, uma espécie de alegoria da criação. estaremos nós condenados a uma escravidão eterna pelo nosso criador? as referência gnósticas são grandes.

Responder
Roger Barros 29 de janeiro de 2018 - 11:46

ainda não entendi a questão dos filhos gêmeos. foi dito que a menina tinha problemas genéticos e por isso morreu, sobrevivendo o menino, depois descobrimos que a menina está viva (no momento em que a personagem apareceu, deduzi que era a filha perdida). desta forma então, não haveria a hipótese de serem dois filhos, e o Joe ser realmente filho de Raquel junto com sua irmã gêmea?
fora esta dúvida, lanço o olhar para a profundidade filosófica do filme, que literalmente traça um panorama da própria existência humana, uma espécie de alegoria da criação. estaremos nós condenados a uma escravidão eterna pelo nosso criador? as referência gnósticas são grandes.

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 22:39

Os filhos gêmeos eram uma cortina de fumaça montada por Deckard e pela resistência replicante para dificultar a localização da criança verdadeira. Sempre foi só uma criança.

Sobre a profundidade filosófica, você tem toda razão!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 22:39

Os filhos gêmeos eram uma cortina de fumaça montada por Deckard e pela resistência replicante para dificultar a localização da criança verdadeira. Sempre foi só uma criança.

Sobre a profundidade filosófica, você tem toda razão!

Abs,
Ritter.

Responder
tbporto 17 de janeiro de 2018 - 11:06

Adorei a crítica! Sempre achei Blade Runner difícil de assistir, desde que vi o primeiro a uns 3 anos atrás, quando tinha meus 17, 18. E com esse novo não foi diferente. São obras bem desafiadoras, contemplativas, e que exigem uma atenção e esforço maior do espectador pra entender o que ela quer passar. Mas as discussões e comentários posteriores sempre enriquecem, e o filme vai melhorando e tomando forma cada vez mais. Com certeza assistirei mais vezes!

Agora, tenho uma curiosidade que não tem a ver com o filme citado, mas com o gênero como um todo: Já faz alguns anos que, tenho a impressão, uma nova leva de filmes de ficção científica tem ganhado bastante espaço em Hollywood. A cada ano vários outros filmes Sci-Fi são anunciados, adaptações de livros e etc, e muitos deles são ótimos. Esse tipo de revigoramento do gênero acontece de tempos em tempos ou tem alguma causa específica, ou um filme específico, que deu o pontapé para o interesse de Hollywood para com essas novas obras?

Parabéns pelo trabalho que só a galera do Plano Crítico sabe fazer tão bem!

Responder
tbporto 17 de janeiro de 2018 - 11:06

Adorei a crítica! Sempre achei Blade Runner difícil de assistir, desde que vi o primeiro a uns 3 anos atrás, quando tinha meus 17, 18. E com esse novo não foi diferente. São obras bem desafiadoras, contemplativas, e que exigem uma atenção e esforço maior do espectador pra entender o que ela quer passar. Mas as discussões e comentários posteriores sempre enriquecem, e o filme vai melhorando e tomando forma cada vez mais. Com certeza assistirei mais vezes!

Agora, tenho uma curiosidade que não tem a ver com o filme citado, mas com o gênero como um todo: Já faz alguns anos que, tenho a impressão, uma nova leva de filmes de ficção científica tem ganhado bastante espaço em Hollywood. A cada ano vários outros filmes Sci-Fi são anunciados, adaptações de livros e etc, e muitos deles são ótimos. Esse tipo de revigoramento do gênero acontece de tempos em tempos ou tem alguma causa específica, ou um filme específico, que deu o pontapé para o interesse de Hollywood para com essas novas obras?

Parabéns pelo trabalho que só a galera do Plano Crítico sabe fazer tão bem!

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 15:00

Como mencionei em seu outro comentário, acho que o sci-fi funciona em espasmos e em virtude do sucesso de um ou outro filme que reacende a chama de produções na mesma linha.

*Desculpe demorar a responder, mas estive de férias e tive que deixar alguns comentários sem resposta por um tempão!

Abs,
Ritter.

Responder
Thales Porto 16 de janeiro de 2018 - 16:36

Mas uma vez, o Plano Crítico e o Ritter fazendo um trabalho maravilhoso como nunca vi em nenhum outro site sobre cinema. Adorei a análise do filme!

Mas tenho uma dúvida que não tem muito a ver com a obra citada, mas sobre o gênero como um todo: Já fazem alguns anos que uma nova leva de filmes de ficção científica vem ganhando bastante espaço no cinema. E ótimos filmes, que ficam melhores a cada ano. Gostaria de saber se você tem algum palpite ou conhecimento do porquê e quando essa “nova fase” de filmes Sci-Fi começou.

Mais uma vez, parabéns pelo trabalho! Abraços!

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 14:58

Obrigado, Thales, pelo prestígio e elogio!

Acho que o sci-fi funciona em espasmos. Quando um filme faz sucesso, outros vêm em sua cola e isso tem acontecido mesmo nos últimos anos.

*Desculpe demorar a responder, mas estive de férias e tive que deixar alguns comentários sem resposta por um tempão!

Abs,
Ritter.

Responder
Thales Porto 16 de janeiro de 2018 - 16:36

Mas uma vez, o Plano Crítico e o Ritter fazendo um trabalho maravilhoso como nunca vi em nenhum outro site sobre cinema. Adorei a análise do filme!

Mas tenho uma dúvida que não tem muito a ver com a obra citada, mas sobre o gênero como um todo: Já fazem alguns anos que uma nova leva de filmes de ficção científica vem ganhando bastante espaço no cinema. E ótimos filmes, que ficam melhores a cada ano. Gostaria de saber se você tem algum palpite ou conhecimento do porquê e quando essa “nova fase” de filmes Sci-Fi começou.

Mais uma vez, parabéns pelo trabalho! Abraços!

Responder
SUPRAMATY 15 de janeiro de 2018 - 12:41

Meu coração ainda está dividido em gostar ou não ter gostado da aparição de Deckard.
Uma parte minha torcia para que ele não aparecesse para manter o mistério do que aconteceu com ele. Já a outra sentiu uma nostalgia muito bacana.
Tirando isso, o visual, a trilha sonora, a ambientação em si estão ótimas.

..
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida

Responder
SUPRAMATY 15 de janeiro de 2018 - 12:41

Meu coração ainda está dividido em gostar ou não ter gostado da aparição de Deckard.
Uma parte minha torcia para que ele não aparecesse para manter o mistério do que aconteceu com ele. Já a outra sentiu uma nostalgia muito bacana.
Tirando isso, o visual, a trilha sonora, a ambientação em si estão ótimas.

..
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 14:57

Interessante sua ponderação. De fato, a história poderia existir substancialmente da mesma forma sem o Deckard aparecendo fisicamente. Mas acho que ele traz justamente isso: um senso de nostalgia. Além do mais, diria que um círculo é fechado.

Abs,
Ritter.

Responder
maumau 11 de janeiro de 2018 - 20:44

Pergunta…a Joy é só um holograma ou tem alguma consistência?Na chuva a água molha suas mãos e logo depois ela abraça o K…
E quando o K está analisando o DNA dos irmãos o rosto dela surge na frente do dele,que continua observando a tela como se nada estivesse em sua frente…

Responder
maumau 11 de janeiro de 2018 - 20:44

Pergunta…a Joy é só um holograma ou tem alguma consistência?Na chuva a água molha suas mãos e logo depois ela abraça o K…
E quando o K está analisando o DNA dos irmãos o rosto dela surge na frente do dele,que continua observando a tela como se nada estivesse em sua frente…

Responder
planocritico 12 de janeiro de 2018 - 22:26

Cara, não saberia te dar certeza, mas me parece que sim, Joy consegue ter algum tipo de “consistência”. Ou isso ou a programação dela emula o “toque” com perfeição.

Mas é só quando ela quer, não sempre.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 12 de janeiro de 2018 - 22:26

Cara, não saberia te dar certeza, mas me parece que sim, Joy consegue ter algum tipo de “consistência”. Ou isso ou a programação dela emula o “toque” com perfeição.

Mas é só quando ela quer, não sempre.

Abs,
Ritter.

Responder
Leonardo Raimundi 9 de janeiro de 2018 - 17:42

“e agora, o que é ser humano mesmo?”
o ser humano também é artificial. também é uma réplica do seu criador. o ser humano também foi feito, criado…replicado.
(como dão a entender os mitos cosmogônicos de praticamente todas as culturas)

Responder
Leonardo Raimundi 9 de janeiro de 2018 - 17:42

“e agora, o que é ser humano mesmo?”
o ser humano também é artificial. também é uma réplica do seu criador. o ser humano também foi feito, criado…replicado.
(como dão a entender os mitos cosmogônicos de praticamente todas as culturas)

Responder
planocritico 9 de janeiro de 2018 - 22:31

Sim, mas o ser artificial como normalmente vemos é aquele criado pelo homem e não por um ser superior. Mas entendo seu ponto, claro.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 9 de janeiro de 2018 - 22:31

Sim, mas o ser artificial como normalmente vemos é aquele criado pelo homem e não por um ser superior. Mas entendo seu ponto, claro.

Abs,
Ritter.

Responder
Daniel Barros 7 de janeiro de 2018 - 04:28

Tão boa quanto o filme foi sentir e acompanhar toda essa empolgação na belíssima e merecida crítica.
Parabéns!

Responder
planocritico 9 de janeiro de 2018 - 02:03

Obrigado, Daniel! Esse filme merece todos os elogios!

Abs,
Ritter.

Responder
Zé Higídio 6 de janeiro de 2018 - 00:16

Meu sonho a partir de agora é ser informado do lançamento de Blade Runner 2079 (ou qualquer ano que seja) daqui a uns 30 anos…

Responder
planocritico 9 de janeiro de 2018 - 02:08

Boa!

– Ritter.

Responder
Paco Miguel 4 de janeiro de 2018 - 09:41

Critica como sempre perfeita de vcs Ritter! Assisti essa madrugada o filme,depois de um final de ano super ocupado em trabalho finalmente consegui conferir e mais que adorei o filme,tomando a liberdade e a heresia (pra alguns) de nivelar ambos os trabalhos. Em aspectos tecnicos,a exigencia e disciplina de Villeneuve,ja notoria em seus trabalhos aqui é muito mais rigorosa. Tudo é perfeito,desde figurinos a cenários,planos interiores e externos. O Bunker do Wallace é uma das coisas mais lindas que ja vi no cinema. O figurino tbm é maravilhoso,assim como a trilha sonora,sempre tensa e ameaçadora. Mas o maior destaque do filme na parte tecnica,na minha opiniao é a fotografia. Traballho magistral e inesquecivel.
Quanto ao filme em si,não é uma trama complicada,mas o roteiro complica a receita do bolo com o desenrolar dos eventos,até culminar na reviravolta que todos nós,romanticos não queriamos (mas certamente precisavamos). Tava impossivel não torcer pela revelação de pai e filho entre K e Deckard,e assim que sabemos não se tratar de um filho e sim de uma filha,mergulhei na mesma decepção e magoa do Replicante,ansioso pra se libertar daquele casulo de escarnio e preconceito que sempre lhe foi imposto. Assim como o de 82,nesse filme não cabem finais felizes. Não existe saida prospera nessa sociedade e nem para a vida dos seus pares. Tudo em Blade Runner e no caçula termina em morte,seja fisica ou psicologica,sentimental (ainda prefiro no primeiro filme aquele fim da fuga de D e Rachel,ao inves daquele voo no carro). Por isso ficamos felizes,ao não termos nesse filme certos cliches impostos pela industra de Hollywood avida por sorrisos ao final da pelicula.
E assim como no original,questoes abertas: K morreu? Deckard é ou não replicante? Se sim,irá ajudar sua especie na revolta? Se não,conseguira a confiança dos Replicantes? Sua filha sera a Messias tão esperada? Niander tera um fim? Ao que parece,o estudio,num jantar regado a iguarias e quitutes deve ter pedido ao Dennis: “viu,sei que vai ser um trabalho muito pessoal e unico,mas….deixa umas pontinhas vai? quem sabe não rola,dependendo de como for pra mais um….”. Mas espero sinceramente que fique só nesse. Um filme inesquecivel.
PS: do elenco,destaque pra Replicante assassina,não sei o nome dela,mas que personagem intensa e incrivel,e pra Dave Baustista,que prova a cada filme não ser apenas um troglodita.

Responder
Paco Miguel 4 de janeiro de 2018 - 09:41

Critica como sempre perfeita de vcs Ritter! Assisti essa madrugada o filme,depois de um final de ano super ocupado em trabalho finalmente consegui conferir e mais que adorei o filme,tomando a liberdade e a heresia (pra alguns) de nivelar ambos os trabalhos. Em aspectos tecnicos,a exigencia e disciplina de Villeneuve,ja notoria em seus trabalhos aqui é muito mais rigorosa. Tudo é perfeito,desde figurinos a cenários,planos interiores e externos. O Bunker do Wallace é uma das coisas mais lindas que ja vi no cinema. O figurino tbm é maravilhoso,assim como a trilha sonora,sempre tensa e ameaçadora. Mas o maior destaque do filme na parte tecnica,na minha opiniao é a fotografia. Traballho magistral e inesquecivel.
Quanto ao filme em si,não é uma trama complicada,mas o roteiro complica a receita do bolo com o desenrolar dos eventos,até culminar na reviravolta que todos nós,romanticos não queriamos (mas certamente precisavamos). Tava impossivel não torcer pela revelação de pai e filho entre K e Deckard,e assim que sabemos não se tratar de um filho e sim de uma filha,mergulhei na mesma decepção e magoa do Replicante,ansioso pra se libertar daquele casulo de escarnio e preconceito que sempre lhe foi imposto. Assim como o de 82,nesse filme não cabem finais felizes. Não existe saida prospera nessa sociedade e nem para a vida dos seus pares. Tudo em Blade Runner e no caçula termina em morte,seja fisica ou psicologica,sentimental (ainda prefiro no primeiro filme aquele fim da fuga de D e Rachel,ao inves daquele voo no carro). Por isso ficamos felizes,ao não termos nesse filme certos cliches impostos pela industra de Hollywood avida por sorrisos ao final da pelicula.
E assim como no original,questoes abertas: K morreu? Deckard é ou não replicante? Se sim,irá ajudar sua especie na revolta? Se não,conseguira a confiança dos Replicantes? Sua filha sera a Messias tão esperada? Niander tera um fim? Ao que parece,o estudio,num jantar regado a iguarias e quitutes deve ter pedido ao Dennis: “viu,sei que vai ser um trabalho muito pessoal e unico,mas….deixa umas pontinhas vai? quem sabe não rola,dependendo de como for pra mais um….”. Mas espero sinceramente que fique só nesse. Um filme inesquecivel.
PS: do elenco,destaque pra Replicante assassina,não sei o nome dela,mas que personagem intensa e incrivel,e pra Dave Baustista,que prova a cada filme não ser apenas um troglodita.

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2018 - 01:45

Magnífico comentário, Paco. Concordo com tudo, especialmente a angústia de ver o final que sabíamos não ser possível se esvair por entre nossos dedos. Um trabalho magnífico de Villeneuve e que realmente dá para equalizar com o original. A cada vez que revejo, tenho mais certeza de que estamos diante de um novo clássico cult sci-fi!

Abs,
Ritter.

Responder
Paco Miguel 6 de janeiro de 2018 - 19:53

Só um último detalhe Ritter que esqueci de mencionar em meu comentário e que passou em branco, acho que aqui na sua crítica também: a Líder Replicante é a sexta parte faltante do grupo de Roy Batty? No primeiro filme,é nos dito que escaparam 3 homens e 3 mulheres, sendo um eletrocutado e 4 mortos por Deck,sendo essa última mulher não aparecida e nem mencionada no filme. Enfim, mais uma questão pra nossa imaginação.

Responder
Paco Miguel 6 de janeiro de 2018 - 19:53

Só um último detalhe Ritter que esqueci de mencionar em meu comentário e que passou em branco, acho que aqui na sua crítica também: a Líder Replicante é a sexta parte faltante do grupo de Roy Batty? No primeiro filme,é nos dito que escaparam 3 homens e 3 mulheres, sendo um eletrocutado e 4 mortos por Deck,sendo essa última mulher não aparecida e nem mencionada no filme. Enfim, mais uma questão pra nossa imaginação.

Responder
planocritico 9 de janeiro de 2018 - 02:06

Não. A história da sexta replicante é mais prosaica. Foi um erro de roteiro no filme original que foi corrigido depois no corte final.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2018 - 01:45

Magnífico comentário, Paco. Concordo com tudo, especialmente a angústia de ver o final que sabíamos não ser possível se esvair por entre nossos dedos. Um trabalho magnífico de Villeneuve e que realmente dá para equalizar com o original. A cada vez que revejo, tenho mais certeza de que estamos diante de um novo clássico cult sci-fi!

Abs,
Ritter.

Responder
Aquele Cara 2 de janeiro de 2018 - 14:45

Esse filme será “descoberto”, tal qual seu antecessor. Vai demorar, mas vai gerar tanto interesse quanto o anterior gerou, ao longo de décadas.
E aind averemos Blade Runner 20XX, daqui há 10, 20 ou 30 anos.

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2018 - 01:46

Também acho, meu caro!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2018 - 01:46

Também acho, meu caro!

Abs,
Ritter.

Responder
Ana 31 de dezembro de 2017 - 01:23

Como o K sabe quem exatamente é a filha do Deckard, já que a líder do movimento dos andróides não revelou a identidade da filha?

Responder
Ana 31 de dezembro de 2017 - 01:23

Como o K sabe quem exatamente é a filha do Deckard, já que a líder do movimento dos andróides não revelou a identidade da filha?

Responder
planocritico 1 de janeiro de 2018 - 07:04

Uma junção de pistas: ele descobre que havia “gêmeos” usados no plano de Deckard para fazer a criança sumir, ele aprende da líder da resistência que a Messias é uma mulher, ele lembra da reação da mulher quando vê a memória que deveria ser dele, ele lembra da doença genética que ele detecta na pesquisa dele, doença essa que a implantadora de memórias tem.

Abs,
Ritter.

Responder
Ana 1 de janeiro de 2018 - 19:00

Ah!!! Verdade! Tinha me esquecido da questão da doença genética que ele notou nas pesquisas…. agora faz sentido haha Obrigada!!!

Responder
Ana 1 de janeiro de 2018 - 19:00

Ah!!! Verdade! Tinha me esquecido da questão da doença genética que ele notou nas pesquisas…. agora faz sentido haha Obrigada!!!

Responder
planocritico 1 de janeiro de 2018 - 07:04

Uma junção de pistas: ele descobre que havia “gêmeos” usados no plano de Deckard para fazer a criança sumir, ele aprende da líder da resistência que a Messias é uma mulher, ele lembra da reação da mulher quando vê a memória que deveria ser dele, ele lembra da doença genética que ele detecta na pesquisa dele, doença essa que a implantadora de memórias tem.

Abs,
Ritter.

Responder
Gleek 11 de novembro de 2017 - 18:35

Perdoem a minha ignorância sobre o assunto, mas fiquei com dúvida sobre algumas coisas, e agradeceria se alguém esclarecesse:

1- Replicantes não são androides? E androides não são robôs com forma humana? Como um robô engravida?

2- Os replicantes não morrem depois de um curto espaço de tempo? Então como aquele médico do começo do filme (que pelo que eu entendi era um replicante) ficou vivo todos esses anos?

3- As lembranças foram conscientemente implantadas no K por ele ser um Replicante investigador da polícia? Ou foi uma gigantesca coincidência as memórias caírem logo no Replicante que é chamado pra investigar a criança perdida?

No geral, gostei do filme, só achei que não precisava ser tão longo, fica arrastado.

Responder
planocritico 11 de novembro de 2017 - 20:56

Vamos lá:

1. Sim, replicantes são androides e androides são, grosso modo, robôs com aparência humana. Sobre como um robô engravida, estamos falando de ficção científica. Tudo é possível. Mas repare que apenas UMA replicante engravidou e que nem mesmo Wallace sabe repetir o que Tyrell conseguiu criar.

2. Só os replicantes do primeiro filme. É explicado no texto do início de Blade Runner 2049 que os replicantes, agora, tem tempo de vida normal, como se fossem humanos.

3. Todos os replicantes têm memórias implantadas. Elas servem para impedir que a inteligência artificial “se perca”. Sobre K ter as memórias da filha de Deckard e Rachael, bem, fica para cada espectador decidir se foi coincidência ou não.

Abs,
Ritter.

Responder
Gleek 11 de novembro de 2017 - 22:05

Opa, valeu pela resposta, foi bem esclarecedor.

Agora eu só consigo imaginar o choque do pobre Deckard quando descobriu que ia ser pai hahahahaha

Aliás, ótima análise.

Responder
planocritico 11 de novembro de 2017 - 22:41

É uma prazer interagir com os leitores, @disqus_9r7elXBjx1:disqus ! Obrigado e volte sempre!

Abs,
Ritter.

Responder
Matheus V. 29 de outubro de 2017 - 23:34

Belíssimo como as duas cenas do contato do K com a neve se completam, por em ambas ele encontrar sua “humanidade” por razões diferentes. Na primeira tinha acabado de chegar a conclusão para si que era o bebê, aquele que por ter nascido “teria alma”, e na segunda simplesmente entende que não depende disso para ter essa tal valor. Filmaço, já quero ver de novo!

Responder
planocritico 30 de outubro de 2017 - 15:01

Realmente, um grande filme. Um dos melhores de 2017 desde já!

Abs,
Ritter.

Responder
Giordano 24 de outubro de 2017 - 19:41

Excelente crítica, como de costume (não vou dizer “sempre”, pq..bem…). Eu sai deslumbrado do cinema, como não acontecia há anos (a última vez foi com Interestelar). E o que senti, naquele momento, foi: conseguiram engrandecer ainda mais o primeiro filme – e justamente por esse motivo, eu ainda considero o 1º imbatível, sua própria continuação fez com que isso ocorresse. Enfim, tem um trecho que eu gostaria de opinar: “criado pela mulher que fora o bebê replicante, que ignora essa condição”.

Eu não creio que ela ignorava essa condição…pelo contrário, ela certamente sabia disso! Tanto assim que ela chora quando vê a lembrança, e fica muda quando K. fica revoltado e grita um “fuck” (até então, ele era tão frio…com a descoberta, virou “humano”). E o fato de ela ficar tranquila naquele local, quase como uma prisão, esperando sempre por algo….e bem no nariz do Wallace, deixa isso mais evidente.

Responder
planocritico 25 de outubro de 2017 - 00:33

Legal você ter gostado tanto do filme, @disqus_logebvIE3k:disqus !

Sobre a ignorância de Ana Stelline, interessante seu comentário. Nem havia me passado pela cabeça que ela poderia saber. Acho que há espaço para as duas interpretações, eu diria. Não sei se o fato de ele chorar quando vê sua lembrança tem relação com isso ou simplesmente com a lembrança em si e de seu cavalinho de madeira. Ela estar tranquila onde mora é uma questão de costume, pois ela está ali desde os 8 anos de idade. Com o tempo, ela simplesmente esqueceu o que há fora dali e aquele é seu mundo.

Abs,
Ritter.

Responder
Giordano 25 de outubro de 2017 - 12:00

Acredito que ela tenha participado do plano, talvez ela quem enviou essa memória para inserir no K….enfim, mil divagações, mas eu fiquei com a impressão de que o K, e tudo mais, o blecaute, p.ex., tudo fez parte de um grande e elaborado plano dos replicantes.

Responder
planocritico 25 de outubro de 2017 - 14:04

Confesso que não é impossível. No entanto, se for isso mesmo, ficarei desapontado. Um plano de décadas sendo colocado em movimento quebra e diminui os conceitos filosóficos dos filmes.

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Miguel 21 de outubro de 2017 - 03:18

Eu AMEI o filme. O assisti mais de uma vez e assistirei de novo. É simplesmente maravilhoso. É uma pena que não esteja sendo tão bem recebido pelo público (como mostra a bilheteria), mas ao meu ver já é um clássico.

Se o BR2049 é melhor que o original só o tempo irá dizer mas podemos divagar a respeito do filme ( como é bom um filme com riqueza temática).

O filme é bem contemplativo, criando imagens belíssimas, mas é muito mais intimo que o filme de 82. Não há nenhum diálogo memorável como “Like tears in rain” mas eu acho que isso foi proposital, afinal o filme diz muito usando imagens. Isso fica claro em algumas cenas: K encontrando o cavalo de madeira; Joi observando a paisagem dentro do carro; Joi na chuva; A cena de sexo; K encarando o holograma gigante de Joi. Aliás, a cena de K e o holograma gigante é ao meu ver o verdadeiro clímax do filme, pois mostra o encontro definitivo do policial com sua Humanidade. Achei belíssimo.

Agora ideias que vieram a minha cabeça após assistir ao filme:(Podem ou não fazer sentido)

Luv é outra personagem que achei bem interessante. A sua presença é realmente ameaçadora e acho que ela também guarda alguns segredos. Como: na cena na delegacia ela mata a Tenente Joshi mas antes disso ela zomba da certeza que a Tenente Joshi tem de que K matou a criança, tanto que ela muda o tom de voz. Ou seja, aparentemente Luv tem consciência própria de que replicantes (ou alguns replicantes) não são mais diferentes de humanos (e ela ter consciência própria mostra a sua humanidade), mas o seu comportamento é intrigante. Na cena de luta na água ela desfere um golpe em K e depois o beija. Parece que ela está imitando o mesmo gesto que Wallace fez no começo do filme com uma replicante. Será que Luv, devido a sua convivência com Wallace, se considera superior a outros replicantes e outros humanos de uma certa forma (e por isso imita o gesto de Wallace)? Afinal ela chama a Joshi de “ser insignificante”. Mas uma coisa não consigo entender: Por que Luv chora em algumas cenas? Seria empatia?

E outra coisa, se a minha suposição sobre Luv estiver correta isso abre outra questão: Replicante podem se ver como humanos porque QUEREM ou por que são INFLUENCIADOS pelo meio em que vivem. K QUER se ver como um humano enquanto que Luv é INFLUENCIADA a se ver como humana pelo meio onde vive (como ela ser identificada por um nome não por um número de série). A “influência para se ver como um humano” também pode ser explicada a partir do uso de memórias. No filme original Rachel acredita ser uma humana não por vontade individual mas porque tem memórias de infância. Se isso for verdade a revolução de Freysa se dará influenciando outros replicantes a se verem como humanos e não de uma vontade individual de cada replicante. (Se é que consegui deixar meu pensamento claro).

Responder
planocritico 22 de outubro de 2017 - 18:57

Confesso que já esperava essa recepção fria do público em geral. Foi assim com o primeiro e é mais uma prova de que o filme é realmente excepcional! Um dia, esse pessoal todo que não viu o filme agora o verá e achará uma maravilha incompreendida à sua época (por eles mesmos, mas isso não admitirão…).

Gosto da sua forma de encarar Luv. Acho que sim, ela assimilou a postura superior de Leto e, quando ela chora, é por empatia, algo que deveria faltar aos replicantes e uma sentimento que é elemento central do livro original de PKD, mas que nunca é explorado de verdade nem nesse filme, nem no primeiro.

Sobre seu segundo ponto, acho que aí entramos na seara da filosofia e eu sou ruim pacas nisso. Então me perdoe se falar besteira adiante.

Não acho que exista “querer” ser humano. Ou se é, ou se não é. É como o Homem Bicentenário. Ele SEMPRE foi humano, mas levou séculos para conseguir a declaração oficial de uma coisa que ele era. O meio influencia em que TIPO de humano alguém é, seja replicante na origem, seja humano na origem.

Abs,
Ritter.

Responder
Augusto Leonardo 28 de dezembro de 2017 - 02:10

@disqus_VHC9B85q6w:disqus Poderia me explicar melhor a cena do holograma gigante? Acho que não entendi muito bem.

Responder
Luiz Miguel 30 de dezembro de 2017 - 02:26

Eu interpretei da seguinte maneira: Joi era o único relacionamento saudável de K. Ele era ridicularizado no trabalho, obedecia cegamente sua chefe e não tinha interesse em “mulheres de verdade”.

Quando Joi é destruída K se vê sozinho no mundo. Quando descobre que não é o filho de Deckard se vê mais sozinho ainda. Então ele observa o holograma gigante dizendo para ele as mesma palavras que a sua Joi dizia, como se ele não fosse nada especial. Nesse momento ele percebe que aquele relacionamento não era exatamente verdadeiro e relembra a fala de Freysa dizendo que morrer pela causa justa é a coisa mais humana que os replicantes podem fazer.

Nesse momento K finalmente descobre sua humanidade. Descobre que pode fazer algo por conta própria, algo verdadeiro. Tanto que o holograma tem uma iluminação roxa, cor que pode simbolizar tristeza, introspecção, meditação e transformação.

Responder
JJL_ aranha superior 20 de outubro de 2017 - 12:50

Algumas coisas que eu não entendi:
– o jared leto queria o bebê porque era mais fácil que eles reproduzissem do que serem fabricados?
– Se a resposta pra anterior for sim, então por que ele não fez os replicantes que ele já tinha copularem, eu deixei alguma informação passar?!
– Não acho que fez sentido, no final, o k dizer que o deckard “morreu”, quando poderiam muito bem encontrar o veículo na água sem o corpo ou ver o k caído na entrada do prédio onde tava a filha do deckard;

Responder
planocritico 20 de outubro de 2017 - 20:55

@joao_lucas_ribeiro_lopes:disqus , sim, Leto queria o bebê para ele descobrir como é que se faz replicantes férteis. Os deles não são férteis, tanto que ele mata aquele modelo novo justamente por isso.

Sim, no final você tem razão. Será muito fácil descobrir que Deckard está vivo ainda.

Abs,
Ritter.

Responder
JJL_ aranha superior 20 de outubro de 2017 - 22:43

Nossa, não tinha percebido que a nova linha de replicantes era infértil.

Esse erro no final pode ter sido intencional, pra deixar aberto pra uma sequência?

Responder
planocritico 21 de outubro de 2017 - 11:36

Na verdade, TODOS os replicantes são inférteis, menos a Rachael, do primeiro filme. E é esse “modelo” que o Jared Leto quer fazer, mas não sabe como e, por isso, quer a criança gerada.

Repare que a replicante nova que ele faz é examinada pelo seus “olhos voadores” e ele a mata cortando exatamente no ventre, indicando que ela é também infértil.

Abs,
Ritter.

Responder
armaquis 19 de outubro de 2017 - 17:00

Assisti a Blade Runner (1982), quando passou nos cinemas brasileiros e imediatamente adorei o filme. Não entendi como a crítica pôde ser tão rude em sua avaliação. Tempos depois assisti à versão do diretor e achei incrível como a mudança em alguns detalhes podiam mudar a ótica do filme. Adorei também. Agora assisti nos cinemas à Blade Runner 2049, versão do diretor. Já estou ansiosamente esperando o lançamento da versão do estúdio, com menos de duas horas de duração, sem tantas firulas e naves voando de um lado para o outro. Uma versão mais objetiva e com um final mais dentro do contexto vai ser muito bem vinda.

Responder
planocritico 19 de outubro de 2017 - 17:06

Mas que final dentro do contexto você acha que o filme deveria ter tido?

Abs,
Ritter.

Responder
Giordano 24 de outubro de 2017 - 19:46

Também fiquei curioso! Vou comentar para ver posteriormente

Responder
Jefferson Viana 17 de outubro de 2017 - 21:30

Da primeira versão do blade runner, detesto a narração do deckard, não sei , me atrapalha no filme. Já em blade runner 2049 fui assistir confiando no trabalho do diretor. E que trabalho, a fotografia do filme, montagem das cenas, cuidadosamente e meticulosamente feitas. Eu gosto de acreditar que Deckard é humano, pois isso faz mais sentido pra mim dentro do filme anterior e faz com que o personagem tenha uma evolução maior, de um humano robótico que pouco se importa com que faz para se sentir vivo pela primeira em vez em muito tempo, pelo seu amor a Rachel.
Interessante é como Blade runner utiliza estrutura dos 2 filmes parecidas , joi e k emula Deckard e Rachel, é possível existir amor entre coisas tão diferentes, coisas consideradas tão menos humanos? Que a relação de K com joi ajuda na evolução do personagem é patente no filme, ela serve como força motivadora pra ele, mas em determinado momento o filme mesmo coloca em duvida se tudo aquilo era real ou apenas programação. Aqui novamente gosto de pensar que joi de alguma forma amava K, talvez por que foi programada para isso, mas que dentro de sua programação ela conseguiu evoluir, não sabemos quais as capacidades da IA de Joi, e as ações delas depois que ela ganha a atualização de poder andar livremente é que me faz acreditar nisso, a cena da chuva, sua insistência para que K destrua a matriz, suas ultimas palavras, principalmente suas ultimas palavras, aquilo de nada ajudar K naquele momento, pelo contrario.
Já a jornada de K é triste, e quando piora parece que tudo que valia a pena pra ele acabou, ele já não tem Joi, não é “especial”, e vai ser caçado.Nessa hora ele decide fazer uma coisa por algo que ele acredita naquele exato momento , por ele mesmo, que é salvar Deckard e leva-lo para sua filha, aquela ação de K é real, não partiu de memorias falsas, ordens dos outros, nem nada, ele fez por ele mesmo , uma decisão sem as sombras que nublavam sua mente.
Algumas coisas que eu não compreendi bem, é quem colocou essas engrenagens para andar no filme?Tem teorias que propria Stelline que colocou as memorias em k para despistar? não faz muito sentido isso, por que era necessário que tudo acontecesse como está no filme para descobrirem sobre ela, deveria ser K a achar o corpo de rachel, ainda poderia ter passado batido que era o corpo de um replicante, muita coisa dependia de K fazer exatamente o que fez pra narrativa evoluir. Outra coisa que não entendi bem , quando Fresya diz para K que ele não era a criança, e tem todo o dialogo sobre que todos também tinham lembrança ou algo assim e que por isso eles iriam lutar para serem livres, era metafórico? por que mesmo que eles tivessem lembrança do cavalo e tudo mais, isso só faz sentido com a narrativa do K, pois outro replicante , que sabia que todas as lembranças eram implantes não desencadearia as motivações para rebelião sem contexto que K teve.

Responder
planocritico 18 de outubro de 2017 - 14:46

@jeffersonviana:disqus , eu adoro a narração em off original. Eu cresci com ela e sei ela de cor em inglês! Mas entendo perfeitamente que ela é desnecessária. E eu também prefiro acreditar que Deckard é humano. Por isso não gosto do sonho do unicórnio nas versões do diretor e final.

Sobre seus comentários, cara, você pegou completamente a essência do filme. Quando K decide ajudar Deckard, AQUELA é uma escolha dele. É o momento que o define como humano.

Já sobre suas dúvidas, acho que a questão da engrenagem que coloca o filme em movimento, prefiro acreditar que não houve nenhuma, que tudo aconteceu a partir da descoberta, sem querer, do jazigo de Rachael e da descoberta que ela teve um filho. Se tudo for pré-determinado, pelo menos para mim muita graça do filme vai embora.

As lembranças funcionam como uma forma dos androides não “fundirem” com a senciência deles. Cria um colchão em que seus sentimentos possam ter reflexos. Com isso, cada um tem seu implante, uns criados do zero, outros baseados em experiências verdadeiras, como é o caso da memória de K baseada na de Ana Stelline. Mas a consciência de que as memórias são falsas não afetam o julgamento dos androides. Aqueles mais evoluídos, podem desenvolver independência de raciocínio e de escolha.

Abs,
Ritter.

Responder
Jonatã Lopes 24 de abril de 2018 - 15:38

Eu acho que Ana Stelline deixou a memória dela (do pequeno cavalo) inadvertidamente em alguns replicantes, além de K. Mariette ao ver o pequeno cavalo, parece reconhece-lo, o que dá a sugestão de que ela poderia ter o “mesmo” implante. Enfim é uma outra questão em aberto, aliás, notem que no final do filme, a própria Ana parece admirar a neve que cai em uma pequena abertura no seu escritório, indicando que talvez seu problema genético seja um blefe ou que não tenha a gravidade que alega.

Também tenho a mesma opinião de que Deckard é um humano, apesar do filme (sabiamente) não responder a essa pergunta tão longeva. Mas reparem como na questão da própria natureza de Ana,, a faz parecer mais especial como sendo geneticamente parte humana, parte replicante, assim abre um precedente para a tão sonhada igualdade de direitos que os replicantes tanto almejam e quebra o muro que há entre as espécies, tendo uma razão para uma coexistência pacífica.

Responder
Jonatã Lopes 24 de abril de 2018 - 15:38

Eu acho que Ana Stelline deixou a memória dela (do pequeno cavalo) inadvertidamente em alguns replicantes, além de K. Mariette ao ver o pequeno cavalo, parece reconhece-lo, o que dá a sugestão de que ela poderia ter o “mesmo” implante. Enfim é uma outra questão em aberto, aliás, notem que no final do filme, a própria Ana parece admirar a neve que cai em uma pequena abertura no seu escritório, indicando que talvez seu problema genético seja um blefe ou que não tenha a gravidade que alega.

Também tenho a mesma opinião de que Deckard é um humano, apesar do filme (sabiamente) não responder a essa pergunta tão longeva. Mas reparem como na questão da própria natureza de Ana,, a faz parecer mais especial como sendo geneticamente parte humana, parte replicante, assim abre um precedente para a tão sonhada igualdade de direitos que os replicantes tanto almejam e quebra o muro que há entre as espécies, tendo uma razão para uma coexistência pacífica.

Responder
Gabriel Pereira 17 de outubro de 2017 - 18:40

Excelente discernimento Ritter. Para mim você conseguiu defini-lo nesse parágrafo: “Portanto, o foco procedimental que parece fazer o filme se arrastar é, na verdade, Denis Villeneuve deixando sobejamente claro que o filme não é sobre o esperando encontro de K com Deckard, mas sim o encontro de K com sua humanidade latente. Assistir esse filme só pelos “grandes momentos” e classificar os pequenos como enrolação é perder o foco do principal e, no final das contas, desperdiçar 163 minutos.”
Foi exatamente o que mais me manteve ligado no filme, sem falar na trilha sonora e na PERFEITA fotografia, que pra mim já tem o Oscar garantido. Sobre o mistério do Joe, eu só fiquei com ele até o momento do encontro dele com a Ana Stelline, quando ela chora ao ver o sonho dele, ali senti que não seria ele o filho do Deckard , e poderia ter uma grande chance de ser ela, pois não sei se isso é uma base para afirmar o que irei falar, mas, porque ela choraria com aquele sonho ? Isso me levantou dúvidas e dali em diante já estava com o pé atrás.
Gostei muito do filme, realmente um dos melhores do ano. PORÉM, não é uma exclusividade do filme, quase 99% dos filmes tem esse tipo de vilão, que é cruel e realmente “mal” com quem não precisa, e na hora que tem que ser frio e executar o inimigo, não executa. Falo de duas cenas, a primeira quando a Luv vai atrás do Joe, e o fere gravemente, mas não o mata e somente captura o Deckard. Ali, já comecei a coçar a cabeça, pois não matando o Joe, com certeza ele se recuperaria e voltaria a enfrenta-la, e isso acontece. Novamente ele é gravemente ferido pela Luv, que não o mata de novo! E não o matando, o que acontece ? Joe vai atrás dela novamente, até mata-lá. Não consigo engolir esses “vilões” que no momento crítico possuem ato de bondade, ou seria uma paranoia minha ? Tirando esses dois pontos, o filme me agradou e muito, e com as críticas do Plano Crítico, em especial as suas, as obras ficam mais ricas ainda.
Obs: Li recentemente Admirável Mundo Novo, e o filme me fez lembrar muito ele, em partes é claro, principalmente na questão do modo de vida da sociedade.

Responder
planocritico 18 de outubro de 2017 - 14:49

Obrigado, @disqus_7JTpvCcjpL:disqus !

Sobre esses vilões que não vão até o fim, é quase que como um arquétipo que dá base a toda narrativa cinematográfica. Concordo que é complicado de aceitar, mas eu já me acostumei a tal ponto de nem perceber direito…

Sobre Admirável Mundo Novo, realmente há muitos paralelos!

Abs,
Ritter.

Responder
Andrew 15 de outubro de 2017 - 16:53

Eu achei o filme muito bom, mas encontrei alguns erros de roteiro, eu não sei se foi eu que talvez não tenham entendido o que aconteceu, me ajudem a tirar essas dúvidas :

Quando K ( Ryan Gosling ) está naquele ferro velho cheio de crianças, e encontra o cavalo de madeira dele escondido, logo depois a cena corta pra ele de volta em seu apartamento na cidade. Como ele voltou para cidade se o seu carro/nave havia sido destruído pelas bombas que os moradores locais do ferro velhice haviam atirarado em K, fazendo sua nave/carro cair.

O personagem de Jared Leto é incrível, rouba a atenção quando aparece, mas ele simplesmente some, desaparece do filme, ele não tem um fim e nós não sabemos o que aconteceu com ele, por ele ser o vilao principal do filme eu acho que isso foi uma falha de roteiro do filme.

A Replicante que trabalha pro Wallace, que fica indo atrás do K o filme todo. Há uma cena em que ela invade a LAPD a procura de K, é tortura a chefe de polícia ( Robin Wright) e acaba matando ela. Como está replicante conseguiu do nada invadir o prédio da LAPD dos Blade Runner, Eh um prédio com vários Blade runners imagino eu, e ela simplesmente entra lá sem mais nem menos.

A luta entre Harrison Ford e Ryan Gosling dentro do hotel é sensacional, mas sem objetivo. Nós sabemos que nenhum dos dois vai matar um ao outro, a cena é longa e você sabe como vai acabar, mas mesmo se insiste em Ford indo atrás e socando Gosling por um longo tempo, sendo que não há objetivo nenhum nesta briga, Eh uma luta vazia.

O filme inteiro é sombrio, tem um clima pesado, e isto é ótimo, mas chega no final é tudo acaba bem, eh um final muito feliz para um filme totalmente sombrio, achei que tirou muito do clima.

Responder
planocritico 15 de outubro de 2017 - 20:26

@disqus_2NDkUuYm3O:disqus , deixe-me comentar seus pontos:

1. O Spinner de K: Não me pareceu que o carro estivesse totalmente inutilizado. Caso contrário, ele não teria ativado o drone e ordenado que ele ficasse vigiando o carro.

2. Esse problema com o Leto tem conexão com a questão da revolução dos androides que foi um final aberto propositalmente e, para mim, como mencionei ao final, o único defeito do filme.

3. A Luv não invade a delegacia. Ela apenas vai até lá falar com a tenente. Afinal, lembre-se que ela é o braço direito do homem mais poderoso do mundo e isso facilita muito os acessos a tudo e a todos.

4. Não é uma luta vazia. É uma luta gerada por 30 anos de um Deckard fugindo de tudo e de todos. Ele é alguém extremamente desconfiado e usa a luta para medir K. Quando K para de revidar seus golpes, ele percebe que está diante de alguém que, pelo menos em princípio, não lhe quer fazer mal.

5. O final mais leve é relativo. K morre, afinal de contas. Mas a mensagem é sim esperançosa, mas é algo que rima com a entidade messiânica que é a filha milagrosa de Deckard com Rachael.

Espero ter ajudado.

Abs,
Ritter.

Responder
Andrew 15 de outubro de 2017 - 22:37

Agora que você me explicou esses detalhes do filme, eu estou achando Blade Runner ainda melhor kkkkk. Concordo com os pontos 1 , 2 , 3 e 4 que vc falou.
O 5 eu acho que continua sendo um defeito do filme, mas é só minha opinião.

Responder
planocritico 16 de outubro de 2017 - 01:04

Sobre o 5, entendo perfeitamente. É mais ou menos como a versão de cinema do filme original, em que, depois de uma atmosfera pesada, triste e mortal, os dois acabam fugindo para campos verdejantes… Ainda bem que isso foi arrancado nas versões posteriores!

Abs,
Ritter.

Responder
JJL_ aranha superior 15 de outubro de 2017 - 02:07

Sem palavras para essa crítica, muito bem falado.

Responder
planocritico 15 de outubro de 2017 - 02:47

Obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 14 de outubro de 2017 - 13:57

Cara, eu fui a pessoa que cochichou no cinema sobre a maternidade de Rachael com o protagonista, haha. Antes eu estava esperando um filme chato de ser arrastado, mas ao final do longa, eu adorei muito o filme. Nem tinha tanta necessidade de ser um filme de ação, com uma ótima historia, bons personagens, fotografia sensacional… Já está na minha lista de melhores do ano! Pra mim, conseguiu ainda superar o original e ser um clássico! Foi melhor que MUITOS filmes que vi tanto no cinema e na tv esse ano!

Responder
planocritico 14 de outubro de 2017 - 19:35

Um filme surpreendente, sem dúvidas! Está na minha lista de melhores de 2017 também.

Abs,
Ritter.

Responder
Diego Peixoto 14 de outubro de 2017 - 09:01

Parabéns Ritter! Prezo muito a opinião de vocês do Plano Crítico, e a partir de hoje, se alguém me perguntar o por quê, vou pedir para ler esta análise.

Parabéns mais uma vez!

Responder
planocritico 14 de outubro de 2017 - 19:36

Muito obrigado pelo prestígio,, @Diegopeixoto:disqus !

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 12 de outubro de 2017 - 22:52
Responder
planocritico 14 de outubro de 2017 - 03:05

Obrigado, @disqus_TgMKBjZJUe:disqus ! E que bom que você gostou do filme! Uma obra-prima, sem dúvida!

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 14 de outubro de 2017 - 14:01

Eu vi o filme-pai um dia antes de ver 2049, pela segunda vez completo. So vi um trailer apenas e no final, nem fez diferença assistir ao trailer. Um filme que merece o Óscar de melhor filme! Merece muito!

Responder
Cleido Vasconcelos 12 de outubro de 2017 - 19:31

parabéns pela crítica, adorei. Só vi diferente o final, me lembrei do final de paris texas, do encontro entre pai e filha através de um vidro, mediado pela tecnologia. Um encontro que nao muda nada e muda tudo, ao mesmo tempo, na historia dos dois. Achei redentor mas nao achei um final fácil, chorei com a morte de joe mas fiquei com o nó na garganta ainda mais por conta da cena final. Um abraço.

Responder
planocritico 14 de outubro de 2017 - 03:06

Boa lembrança, @cleidovasconcelos:disqus ! Gostei da sua correlação com Paris, Texas.

Abs,
Ritter.

Responder
Rafael Martins 12 de outubro de 2017 - 02:37

Ana Stelline seria uma analogia ao ditador bolchevique, Stalin — já que o filme aborda de raspão o tema de revolução?

Responder
planocritico 14 de outubro de 2017 - 03:11

Sinceramente, acho que não tem nenhuma relação.

Abs,
Ritter.

Responder
Sidnei Cassal 11 de outubro de 2017 - 21:39

Bela e profunda crítica, Ritter. Como sempre. Não há críticas desse nível senão aqui no Plano Crítico. O resto são youtubers com análises bem superficiais.

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 22:41

Obrigado, @sidneicassal:disqus !

Abs,
Ritter

Responder
Gabriel 14 de outubro de 2017 - 14:04

Concordo. Tem um Youtuber que possui o canal Super 8 que pra mim, faz boas criticas. Mas olha, sinceramente, nenhum site de critica é melhor que o Plano critico! Aqui possui os melhores ao meu ver

Responder
planocritico 14 de outubro de 2017 - 19:34

Obrigado, @disqus_2AYaDImobe:disqus !

Abs,
Ritter.

Responder
Filipe Isaías 11 de outubro de 2017 - 20:17

Então, sessão de Blade Runner, a tarde, onde o número de pessoas na sala seria mínimo, algo perfeito para um filme soturno, com vários momentos silenciosos e reflexivos. Ao me dirigir à sala 01, vejo várias crianças de 13-14 anos em seus uniformes levados em excursão pela professora para ver algum filme. Pensei que estavam lá para ver o futuro indicado ao Óscar Pica-pau. Para a minha desgraça, eles também entraram na sala 01.

A próxima hora foi seguida por todas as violações de etiqueta dentro de uma sala de cinema que um grupo de seres humanos poderia realizar, com exceção de gente se pegando, o que eu não me surpreenderia se acontecesse. Gente pegando no celular, entrando e saindo da sala, passando na minha frente (e pisando no meu pé). Felizmente, durante a cena em que a Joi é vestida pela replicante, eles foram embora, mas o estrago já havia sido feito. Eu poderia desejar que todos eles perdessem de ano por pura e simples maldade. Mas a verdade é que esses projetos de gente ainda não estão aptos para viver em sociedade. Eles não passariam para as colônias extraplanetárias, teriam que viver nas metrópoles decadentes sem poder ver a luz do sol. Cada vez mais, estou preferindo os replicantes, mesmo a maioria deles sendo assassinos psicopatas. Ao menos, são educados.

Por conta disso, não consegui absorver o filme totalmente, como a jornada do personagem do K. No entanto, graças a sua ótima crítica, consegui absorver melhor o filme, e concordo quase que integralmente com ela, inclusive dando a mesma nota. Enfim, desculpe pelo longo comentário, mas infelizmente ir pro cinema tá assim ultimamente. De novo, excelente texto! 🙂

Abs.

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 22:43

@filipeisaias:disqus , ao mesmo tempo agradeço e lamento muito seu relato. Isso é tudo que eu não quero quando entro em uma sessão de cinema… Que desespero…

Mas, no caso de Blade Runner 2049, acho que o melhor que você tem a fazer é voltar ao cinema, em uma outra sessão menos amaldiçoada…

Abs,
Ritter.

Responder
Filipe Isaías 11 de outubro de 2017 - 22:52

Pior que eu ficava pensando em outros filmes enquanto aquilo tudo acontecia, como Bastardos Inglórios…

Abs.

Responder
Gabriel 14 de outubro de 2017 - 19:48

Essas pessoas não respeitam e são muito mal educadas. Tinha que fazer sabe o que? Quando ter tumulto nesse tipo de sessão, que expulsassem todos que causam tumulto da sala e se puder, passar o filme desde o inicio, pois tem pessoa que pensa que cinema é lugar de brincadeira. Eu sinto muito por isso

Responder
Filipe Isaías 16 de outubro de 2017 - 15:51

Valeu! Pelo menos rendeu uma história maneira. 🙂

Abs.

Responder
Jose Claudio Gomes Souza 11 de outubro de 2017 - 19:49

Quando soube da notícia de que fariam uma continuação de Blade Runner, minha primeira reação foi: “Vou passar longe dos cinemas que a estiverem exibindo!”. Mas qual! Que filme maravilhoso! Beleza, emoção, tristeza… Pode ser que, assim como o original, o reconhecimento demore a vir. Mas, com certeza, se tornará um clássico também. E parabéns por mais esta bela crítica.

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 22:45

Exatamente como me senti, ainda que eu tenha ficado mais aliviado quando anunciaram o Villeneuve na direção.

Abs,
Ritter.

Responder
ABC 11 de outubro de 2017 - 12:50

Pelo andar da bilheteria a continuação deve demorar outros 35 anos…

Infelizmente a atuação do Dave Bautista teve a mesma duração do curta, mas somando os dois ele até que se saiu bem.

O origami do Gaff era uma ovelha?

Cheguei à conclusão de que Cuba deve ser o paraíso. Um lugar que produz a Ana de Armas só pode ser mágico. E que história é essa de comparar ela com a narração do primeiro filme, nem de longe aquela narração tem a mesma elegância. Será que na versão 4D ela se materializa na nossa frente?

Basta colocar Superbonder® no Joe que ele volta à ativa.

Saudações.

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 17:26

É, a bilheteria foi bem abaixo do esperado. Está combinando com o filme original.

E sim, o origami que Gaff faz é uma ovelha, uma referência direta ao livro que inspirou o primeiro filme.

Abs,
Ritter.

Responder
JC 10 de outubro de 2017 - 21:23

Eu confesso que fiquei na dúvida se o Joe morreu mesmo, sabia?
Amei o filme.
Trilha sonora absurda de boa!

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 04:24

Acho que ele morreu sim. A cena foi feita para espelhar a morte de Roy Batty no primeiro filme.

Abs,
Ritter.

Responder
dudup 10 de outubro de 2017 - 20:24

Sei que ele foi apenas produtor neste, mas acho que já dá pra escrever um livro sobre “As Aventuras de Ridley Scott e As Pegadinhas de Explicar Tudo nas Continuações”

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 04:26

Você diz o que ele fez com Alien? BR 2049 não chega nem próximo do mesmo grau. Aliás, não dá nem para colocar as duas coisas em uma frase só… 🙂

Abs,
Ritter.

Responder
Luzonaldo Júnior 15 de outubro de 2017 - 11:42

que oportunidade perdida não terem colocado o Villeneuve para dirigir o prequel de Alien.

Responder
planocritico 15 de outubro de 2017 - 20:37

Mais ainda se pensarmos que o Blomkamp começou a pré-produção de uma continuação de Aliens que desconsideraria Alien 3 e 4… Isso sim seria fantástico!

Abs,
Ritter.

Responder
Bruno Cavalcanti 10 de outubro de 2017 - 18:15

Que filme!
Saí do cinema contagiado com esse clima pesado e denso, difícil de ser tragado. Não poderia concordar mais com a melancolia que a fotografia e a trilha sonora passam. A distopia é bela e contemplativa para o espectador, ainda que triste e aparentemente sem volta para aquela humanidade. Fora as questões filosóficas, claro, que aqui se expandem consideravelmente.
Masterpiece!!

O cuidado do Villeneuve com detalhes é tão meticuloso, que me espanta a quantidade de filmes que ele vem produzindo sem perder qualidade.
Lidar com a complexidade de Arrival, Blade Runner e o ainda em produção Duna num espaço tão curto de tempo é quase impensável pra um mero espectador como eu.

E claro, excelente texto Ritter. Mas acho que deveria haver um 4,99 estrelas no site pra situações como essa.
O 4,5 me deixou tão melancólico quanto o filme. haha

abs.

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 04:27

He, he. Um baita filme mesmo. Mas eu achei que a armação para mais uma continuação detraiu da experiência. Daí ele perdeu meio ponto.

Mas que venha Duna!!!

Abs,
Ritter.

Responder
silvana 10 de outubro de 2017 - 17:12

Continuo com a minha convicção de que não precisava de continuação,Blade Runner se bastava por si só! Não é uma continuação ruim, e nem poderia, estando na batuta desse grande arquiteto do cinema atual, Denis Villeneuve! Mas sinceramente, deixou muitas lacunas e o pior pra mim, beirando o sacrilégio de se tornar uma franquia! E sim, já que tudo é passível de especulações, K deveria ser o filho de Deckard e Rachel, daria sentido aos sonhos e memórias implantadas nele! Essa continuação foi salva pelo K, que guardou em si os questionamentos tão profundos do filme original, e sua morte , bela e triste faz referência ao maravilhoso replicante Roy e o seu discurso emblemático e inesquecível! Agora porém, ninguém presenciou seu fim, não teve discurso, nem percebemos lágrimas, porém sentimos a profunda solidão e novamente a esperança por um sentido existencial que ele chegou a acreditar, ser perdida para sempre…tão frágeis e insustentáveis como flocos de neve…chorei horrores e ainda com aquela música de fundo…aquela! Acaba com qualquer um!

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 04:38

Não precisava mesmo de continuação. Eu inclusive digo isso algumas vezes na crítica. Mas ela existe, então precisamos viver com ela e perceber como ela é boa e como o que não era necessário, pelo menos para mim, tornou-se uma gratíssima surpresa.

Abs,
Ritter.

Responder
silvana 11 de outubro de 2017 - 12:31

Perfeitamente! A propósito, gostaria de saber sua crítica sobre um filme que eu amei e que é muito apreciado pela crítica especializada: A Ghost Story! Agradecida e sucesso!

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 17:27

Não vi esse filme ainda, mas ele está na minha lista!

Abs,
Ritter.

Responder
Jimmy Edmar 10 de outubro de 2017 - 15:18

Ótima crítica, Ritter.
Queria saber tua opinião sobre essa matéria da Vice (não sei se você já leu):
https://i-d.vice.com/en_uk/article/evpwga/blade-runner-2049-sexist-misogynistic-mess?utm_campaign=global&utm_source=idfbuk

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 04:41

Confesso que o texto dela me soa raivoso e paranoico ao extremo, classificando até mesmo as mulheres fortes do filme como aspecto negativos e misóginos. Desse jeito, não tem nenhuma forma de retratar a mulher que a agradará. Se for bonita demais, é “modelo padrão de beleza imposto pelo homens”, se for feia, “estão tentando diminuir as mulheres”. Se chuta bundas, é “artificial só para fingir que consideram a mulher como importante”. Se tem filhos, é “definida pela maternidade”. Se não tem filhos, é “tentativa de descaracterizar a mulher”.

Não tenho muita paciência para isso não, sabe?

Abs,
Ritter.

Responder
Vinicius Rizerio 10 de outubro de 2017 - 09:44

Poxa, porque não teve 5 estrelas? O que faltou?

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 04:32

Está explicado no final, no capítulo “Ana Stelline: o Futuro”.

Abs,
Ritter.

Responder
Willian Alves de Almeida 10 de outubro de 2017 - 01:49

Mestre Ritter,me perdooe pelo sacrilégio, mas ainda não vi o filme original. Qual das inúmeras versões você recomenda?

Verei este filme,após ver o original, não LIGO para spoleirs,abraço!

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:23

Se só puder ver UMA, veja a Versão Final, de 2007. É a versão que o Ridley Scott considera como perfeita.

Se puder ver duas, veja a primeira, de 1982 e a Final, de 2007.

Se tiver mais tempo, veja tudo na ordem. A razão para isso é que é bacana ver a evolução – ou não – do filme ao longo do tempo. Eu vou explicando isso em minhas críticas de cada uma delas.

Abs,
Ritter.

Responder
Wendell Bronson 9 de outubro de 2017 - 23:23

ótimo texto! Fazia tempo q não saia do cinema com tantas indagações e teorias, fui com um amigo e discutimos sobre inúmeras possibilidades. Foi ainda melhor pq o ultimo filme q havia visto foi o Mãe, q odiei com todas as minhas forças, fiquei entediado, irritado e puto com tanto didatismo jogado na cara. E o pior o diretor explicando p pessoas do q se tratava seu filme…
Esse novo Blade Runner me deixou feliz dmais,cara!
Só discordo na parte em q fala do furo do roteiro, da tal pergunta envolvendo a rebelião, acho q isso não tinha a importância, pq p mim o filme não era especificamente sobre isso, mas sim sobre a trajetória do K, e nisso é perfeito, alias se ele fosse o filho, acreditaria q seria uma falha, pois iria contra o primeiro Blade, já q a tonica sobre a humanidade estava, como vc mesmo falou, acima d vc ser humano ou replicante.
Obs, eu comecei a desconfiar q o K não era o filho quando falaram q o bebe havia nascido há 30 anos atrás, dai eu pensei, po o Ryan Goslinng ´deve ta beirando os 40 kkkk será q tá fazendo papel d 30, dai fiquei meio assim kkkk
Só uma duvida a respeito da Rebelião, eles queriam sua liberdade,ok, mas fiquei na duvida se queriam exterminar de uma vez todos os humanos, fala ai Ritter

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:25

@wendellbronson:disqus , um filmaço mesmo!

Mas eu não acho que tem furo no roteiro não. Apenas acho que ficou aberto nesse ponto da rebelião e não achava necessário que ficasse.

Sobre a rebelião, não entendi que eles queriam exterminar os humanos não. Mas sabe como são rebeliões, não é mesmo… Tem sempre a facção mais radical…

Abs,
Ritter.

Responder
Wendell Bronson 10 de outubro de 2017 - 13:38

Entendi, e bem q podia vir um terceiro filme. Pq com a hst ainda da mto pano p manga

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 04:30

Não quero um terceiro filme não. Deixa passar mais 30 anos…

Abs,
Ritter.

Responder
Wendenberg Santana 9 de outubro de 2017 - 20:24

Adorei o filme, simplesmente maravilhoso, porém, ao término da projeção, vi muitos saírem da sala do cinema reclamando que o filme era lento em demasia, discordei rapidamente. Achei o ritmo perfeito, afinal a atmosfera existencial proposta para o longa exige momentos contemplativos, isto sob o prisma do cinéfilo.

Alguns momentos contemplativos me remeteram imediatamente ao anime Ghost in the Shell (sim… me refiro às clássicas cenas da cidade na chuva com aquela música melancólica), por isso creio que o feedback do atual Blade Runner em relação ao estilo cyberpunk trouxe um novo patamar para o gênero. Também achei que o filme encerrou de forma, relativamente, abrupta, acabando com o clima introspectivo provocado pela morte silenciosa, mas repleta de emoção, do protagonista Joe. Infelizmente, mais uma vez, as grandes corporações (no futuro dominarão as nossas vidas?) não permitiram que Blade Runner pudesse assumir plenamente o seu caráter transcendental.

Excelente crítica, parabéns.

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:26

Obrigado, @wendenbergsantana:disqus ! Vi o filme novamente e não tem mesmo nada em demasia não. Tudo está em seu lugar e dura o tempo que tem que durar. Muito bom!

Abs,
Ritter.

Responder
Robson 9 de outubro de 2017 - 20:18

Todo mundo falando do Villeneuve, mas caramba, que ano pra esse Michael Green, o sujeito em um só ano trazer Logan, Blade Runner 2049 e American Gods.

Estou oficialmente hypado para ver Assassinato no Expresso Oriente.

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:27

É, mas esses três AINDA não compensam Lanterna Verde e Alien: Covenant…

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas H 9 de outubro de 2017 - 19:56

pena que nem todo mundo concorda que esse é um filmaço,tem supostos críticos que fala que o filme é um “lenga lega chato sem ação”, e os “especialistas americanos ”fala que a fraca bilheteria é por falta de personagens femininas fortes.Vou para por aqui que magoa falas essa coisas de um filme que provavelmente vou assisti pelo resto da minha vida . P.S. o site de vocês é um dos meus preferidos e mais confiáveis que eu conheço tudo de bom pra vocês

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:28

Eu li essa crítica da “lenga lenga”… Realmente triste. Não sei nem se posso chamar isso de crítica e não em razão do autor não ter gostado – perfeitamente natural não gostar – mas sim pela forma que ele escreveu…

E obrigado pela confiança!

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 14 de outubro de 2017 - 20:01

Critico assim tem que saber mais o que são obras primas com lentidão! Filme não é só ação, mas acho que eles deveriam medir as palavras, porque um critico que fala isso se chama critico amador. Não gostar tudo bem, mas não reconhecer o valor da obra não é profissionalismo

Responder
Fernando Mendonça 9 de outubro de 2017 - 17:50

um filme que não queríamos, não precisávamos mas que agora torna-se indispensável. Ainda irei assistir Blade Runner 2049 inúmeras vezes na vida.

Responder
planocritico 9 de outubro de 2017 - 18:03

Perfeito resumo do filme!

Abs,
Ritter.

Responder
Michelle 9 de outubro de 2017 - 15:38

Eu estou tão aliviada e feliz com esse filme. Eu não sou muito fã de Arrival, então não confiava 100% no trabalho do Villeneuve, mas estava enganada… Que venha Duna! Sobre a personagem Ana, também tive ressalvas. Se tiver uma sequência, não combina nada com o espírito dos filmes uma narrativa sobre a grande treta dos replicantes e o que sobrou da humanidade. Todos os filmes apresentam momentos pós/pré-conflitos, não são focados nos grandes acontecimentos, mas nas suas consequências. Então prefiro que se acontecer alguma guerra ou algo do tipo, o próximo filme destaque o momento posterior ao fato.

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:29

A não ser que a eventual continuação só foque na pancadaria e esqueça o lado existencial. Aí fica parecendo algo paralelo aos filmes de verdade…

Abs,
Ritter.

Responder
Debian1977 Music 9 de outubro de 2017 - 14:54

Muito fraco. O primeiro, proporcionalmente comparado aos dias de hoje, deu um banho no segundo. Esperava muito mais do filme e sai frustado. Tudo muito óbvio e muito cansativo com cenas longas e desnecessárias, com a desculpa que servem para sentir ou refletir. E o Jared Leto? O que esse cara esta fazendo nesse filme? Fala serio!! Já não basta a grande decepção como Coringa?? Alguém tem que avisá-lo que é melhor ele ficar quietinho cantando, assim as pessoas vão gostar mais dele.

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:30

É, eu já não achei isso não, mas opinião é opinião.

Leto está até bem no papel, mas o problema que existe não é dele e sim do roteiro que não dá espaço para o personagem dele. E ele cantando é pior, garanto…

Abs,
Ritter

Responder
Luzonaldo Júnior 15 de outubro de 2017 - 11:46

Achei fantástico o personagem dele, realmente senti falta de uma maior participação dele no filme.

Responder
planocritico 15 de outubro de 2017 - 20:36

Fica aquela impressão que o personagem dele foi preparado para ser mais usado em uma futura continuação.

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 14 de outubro de 2017 - 20:04

Uma pena que não gostou, poque foi ótimo.

Responder
JCésar 9 de outubro de 2017 - 11:38

Muito boa análise. Acho que esse filme desconstrói o 1º por um lado bom.
Nós acreditamos fielmente que os androides estão apresentando seus sentimentos até bum, não é nada do que estamos vendo. Mas ele é um filme difícil para se compreender as nuances filosóficas.

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:31

Não entendi seu ponto, @jcsar:disqus , sobre a questão dos sentimentos.

Abs,
Ritter.

Responder
JCésar 19 de outubro de 2017 - 13:22

Já que têm spoilers vamos lá.
O Joe e sua esposa virtual passam durante quase todo o filme a sensação de que estão agindo impulsionados pelo amor e a curiosidade. Enquanto ele mergulha de cabeça na busca pelo que acreditava ser vestígios de seu passado ela lutava para fazer seu amor incondicional por ele mante-lo vivo e dar a ele tudo o que precisava para ser feliz, apesar das restrições físicas óbvias, a final ele é um androide e ela um software de AI.
Nesse ponto temos uma reviravolta, (que foi o inverso do 1º filme), ao descobrirmos que Joe é só mais um androide, com tantos defeitos como os outros que ele mesmo caçava e por fim que o amor que ele recebia da AI era algo programado para ser como era, (cena explicitada com a propaganda gigante virtual). Uma ciranda inversa a do primeiro filme em que tudo parecia virtual até vermos os vislumbres humanos na Androide.

Responder
planocritico 19 de outubro de 2017 - 14:05

Entendi. Mas acho que só concordo com a esposa virtual dele.

No caso de K, ele é um androide, claro, mas é um androide que, no final, mostra que não tem nada de diferente de um humano ao fazer uma escolha por vontade própria, que é salvar Deckard, não seguindo nem a programação estabelecida e as ordens de sua chefe e nem o pedido da revolução androide. Ali, para mim, ele se torna humano e diferente dos demais androides.

Abs,
Ritter.

Responder
JCésar 22 de outubro de 2017 - 19:23

O cara somente apresentou os mesmos “defeitos” dos androides antigos, que ele agora caça. Ele acha que esta tomando decisões, mas na verdade esta apenas entrando em contradições lógicas. Não vejo ele tão diferente do primeiro androide do filme, que ele matou

planocritico 22 de outubro de 2017 - 20:03

Mas, partindo dessa premissa, nós também somos androides, pois nossas escolhas nada mais são do que o resultado de uma escolha após uma contradição lógica. E, se não somos diferentes deles, eles não são diferentes de nós, ou seja, a discussão filosófica de Philip K. Dick é mantida à perfeição aqui.

Abs,
Ritter.

JCésar 24 de outubro de 2017 - 12:56

Acho que você tem razão nesse ponto, apesar do exagero, (Nem acho que os produtores se debruçaram na filosofia por mais de 10 minutos, só curtiram a ideia e foram na onda), mas de fato a contradição reside no fato de como diferenciar .homem de máquinas. Acho até que esse é o tema central da obra.

planocritico 24 de outubro de 2017 - 14:13

Sim, é o tema central da obra desde o livro original. Aliás, mais do que a diferença em si é a tentativa de responder à pergunta “o que nos faz humanos?”.

Abs,
Ritter.

JCésar 26 de outubro de 2017 - 11:23

Não sabia que existia um livro. Vou procurar para comprar.

planocritico 26 de outubro de 2017 - 11:29
JCésar 28 de outubro de 2017 - 11:48

Valeu, vou ler.

FabioRT 9 de outubro de 2017 - 10:17

Olha..concordo que o final deixa aberto pra continuação mas…que ficou muito legal a mudança de paradigma de um cara que começou como assassino de androides no primeiro e terminou protegendo a filha replicante…ahhh…isso ficou

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:31

Mas esse não é o problema, e sim a questão da rebelião que ficou completamente em aberto na linha do “tudo será resolvido na continuação”.

Abs,
Ritter

Responder
João Paulo Pereira 8 de outubro de 2017 - 23:57

Ótima análise do filme, Ritter. Me esclareceu algumas conexões com o clássico de 82 que eu não tinha reparado. Porém, sobre o plot da emancipação (ou revolução) replicante, mesmo que tenha aí o dedo do estúdio para explorar possíveis continuações, eu vejo como um aspecto importante tendo em vista a discussão sobre o ser humano. Não só pelo aspecto em que os replicantes desde sua criação foram usados como instrumento para permitir a exploração da máquina pelo homem com objetivos belicistas e colonizadores (e pessoais também) mas também levando em consideração o papel que lhes foi atribuído de seres “menores” na sociedade, sofrendo preconceito por ter uma “pele falsa” e sem perspectiva de continuar a espécie por não poderem se reproduzir a princípio. É nesse ponto que eu vejo a centralidade da questão da descoberta que a Rachel (replicante) concebeu uma criança e como isso de fato é um milagre e do porque de tantas pessoas estarem interessadas na questão, independente de seus objetivos.
Sendo assim, eu bolei uma teoria que me veio no momento enquanto assistia o filme no cinema (não sei se faz tanto sentido assim kkk), eu acredito que esse bebê nascido da Rachel com o Deckard não é necessariamente replicante por causa que o Deckard não é replicante, ou seja, ele seria fruto do amor entre uma replicante e um humano. Eu baseio essa minha teoria de que o Deckard não seja replicante devido ao fato de que ele foi levado a crer que era um replicante pelo cara dos origamis, (como no filme de 82 sugere essa ideia) porém as memórias que foram implantadas em sua mente (unicórnio mais especificamente) foram implantadas de modo ilegal (tendo em vista que é citado em um dos filmes que a prática é proibida em humanos) com o intuito de ele questionar sua identidade como humano e passar a se interessar por uma replicante e, consequentemente, se apaixonar pela Rachel. A única parte que não faz sentido para mim seria quem (não necessariamente o cara dos origamis) ou o porquê de ter havido essa possível manipulação para que houvesse esse relacionamento entre os dois e assim ser gerado essa possibilidade dos replicantes se reproduzirem e se emanciparem (objetivo da seita revolucionária) ou ser aprofundada sua condição de servidão (objetivo do Niander Wallace). Apesar de isso tudo parecer teoria da conspiração, acho que isso faz algum sentido, gostaria da sua opinião a respeito 🙂
P.S: se eu não estou enganado, há uma cena em que o agente K também tem contato com algum origami, ou seja, ele de algum modo também poderia estar sendo manipulado por alguém para encontrar a criança e mover as peças do tabuleiro hahah

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:34

O K vê o origami da ovelha que o Gaff faz.

Sobre sua teoria, eu gosto, mas ela precisa fechar com a razão de todo esse plano mirabolante, senão fica só sendo um plano mirabolante.

Mas, sinceramente, acho que racionalizar muito acaba quebrando a mística dos filmes. Eles querem indagar sobre o que faz de um humano humano. Os planos malignos por trás acabam dando uma rasteira na contemplação. Por isso não gosto do final aberto da rebelião. Se tivesse acabado ali, tudo bem, mas ficou para “cenas dos próximos capítulos”.

Abs,
Ritter.

Responder
Giovane Sena 8 de outubro de 2017 - 17:21

Assistindo Blade Runner: 2049 na quinta feira, na cena de abertura (literalmente) dos olhos que parece ser da Ana (???). Eu senti um arrepio e uma nostalgia maravilhosa que não consigo nem descrever. Eu me senti assistindo um DVD empoeirado que encontrei na locadora aos meus 11 anos de idade, que me surpreendeu, não pela filosofia envolvida que só consegui entender (em partes) por volta dos 15/16, mas pelo visual perfeito e que recriava um universo tão vasto, que me pegou até hoje.

Ler essas análises a fundo de uma obra cinematográfica, é extremamente importante pra mim, pois consigo correlacionar meus entendimentos, minhas referências com as de outras pessoas! E isso, você fez muito bem, Ritter.
Obrigado por esse texto incrível!

Responder
planocritico 9 de outubro de 2017 - 13:51

@giovanesena:disqus , o olho no começo pode ser dela sim, apesar de a correlação mais óbvia ser com o K.

É um filme para observar da mesma maneira que é para pensar. Filmaço!

Abs,
Ritter.

Responder
Pedro Enzo 8 de outubro de 2017 - 15:07

Excelente análise do filme, o Plano Critico como sempre trás um crítica realmente aprofundada como nenhum outro site, e concordo com o Ritter que o filme só não perfeito por conta da possibilidade de uma continuação da rebelião dos replicantes. Melhor filme que eu vi esse ano e pra mim melhor que o original, e a expectativa pra Duna, com Villeneuve no comando, aumenta cada vez mais.

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 15:11

Obrigado, @pedroenzo:disqus ! Tentamos ao máximo trazer aos nossos leitores o máximo possível sobre as obras de destaque.

Sobre Duna, minha pilha para o filme é tanta que estou fazendo algo raro: relendo um livro. Estou relendo Duna e pretendo fazer o mesmo com os demais livros da série (escritos por Frank Herbert, não pelo filho dele) para trazer para o site.

Abs,
Ritter.

Responder
xcog 8 de outubro de 2017 - 14:07

Uma possibilidade interessante que eu pensei, é: E se ao ter as memórias implantadas da Rachel a programação do K Fosse levar o Deckard até ela? E exatamente por isso ele morre, porque seu propósito foi cumprido. Acho que a facada não era o suficiente para mata-lo naquele momento.

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 14:54

Rachael não. Você quer dizer da Ana, certo?

Não descarto a hipótese, mas ela tiraria o lirismo da morte dele. Se ele morreu como replicante, porque “cumpriu sua função”, toda a sutileza que o filme constrói na linha de que ele transcendeu sua condição de androide e tornou-se humano ou mais que humano, seria perdida como lágrimas na chuva (não resisti!).

Abs,
Ritter.

Responder
xcog 8 de outubro de 2017 - 15:20

Sim, confundi o nome.
Você perde a beleza do momento e enxerga o filme de forma muito mais objetiva e cruel indo por essa hipótese, na minha opnião combina igualmente com o filme, talvez nesse cenário onde tudo se tornou artificial e o mundo esteja em constante depressão não haja espaço para um final tão humano.

Obviamente é só uma possibilidade, o filme é bem aberto nessas questões, mas eu gosto de ver o máximo de angulos possíveis.

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 15:24

Combinar combina sim. Mas se voltarmos para Roy Batty, eu interpreto que, ali, ele morreu humano. Pelo menos mais humano que Deckard era naquele momento. Portanto, rima mais se K também seguisse pelo mesmo caminho, só que de forma mais ampla e completa.

Abs,
Ritter.

Responder
Anderson Mochetti Tatsch 8 de outubro de 2017 - 12:35

Ver essa continuação foi como encontrar páginas perdidas de um livro. Obra independente e fidedigna à original. Uma das melhores continuações que já vi, embora o final do filme realmente decepcione um pouco por optar pelo propósito comercial, e não pelo cunho filosófico.

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 14:38

Precisa metáfora, @andersonmochettitatsch:disqus ! Exatamente isso: encontraram páginas perdidas do script do primeiro filme (e, de certa forma, isso é verdade, pois a sequência inicial, de K matando Sapper, estava no primeiro roteiro do Blade Runner de 1982)!

Abs,
Ritter.

Responder
Debian1977 Music 9 de outubro de 2017 - 14:59

Concordo plenamente contigo no que diz respeito ao filme optar pelo proposito comercial e não pelo cunho filosófico. E se analisar pelo lado comercial ficou péssimo, pois é cheio de cenas longas e desnecessárias tornando o filme muito cansativo comercialmente. Estive numa sala com 50 pessoas e 15 delas foram embora na metade do filme, sem contar as que dormiram. Dava pra escutar o ronco de um homem no meu lado esquerdo 3 fileiras para cima.

Responder
planocritico 10 de outubro de 2017 - 04:36

@debian1977music:disqus , o filme não opta pelo propósito comercial. Apenas o finalzinho da rebelião, que fica em aberto. Uma pequena ponta apenas, que não tira o mérito de todo o resto.

Nas duas salas que eu estive, em duas cidades diferentes, houve aplausos ao final. Veja só o contraste…

Abs,
Ritter.

Responder
Paulo Victor 8 de outubro de 2017 - 04:04

Parabéns pela crítica, abriu meus olhos para referências que eu não havia captado, como o cavalo de madeira. Gostaria de reclamar da nota com uma contribuição a análise. Blade Runner 2049, é um estudo de personagem sobre o K, toda a história gira em torno de seu encontro com sua humanidade. Refletindo sobre o filme, ficou claro pra mim a rima entre os personagens de Roy e Joe, ambos morreram humanos ao salvar Deckard. Um reconheceu o valor da vida, e o outro o valor do sacrifício por uma causa. A revolução replicante é o motor dessa história, mas os filmes focaram no drama desses personagens. Dessa forma, considero que Blade Runner se tornou uma saga, que a cada filme pode contar uma história fechada sobre um replicante nesse universo incrível, em que o pano de fundo é a emancipação replicante, ou a tomada da terra por eles. A história do filme era sobre Joe, ela teve começo, meio e fim, assim como a de Roy, que teve sua história concluída no filme de 1982. Levo pra mim, que nós como indivíduos somos uma contribuição a história da humanidade, nossa vida, nossa busca por identidade, são apenas um fôlego de existência, mas o legado de nossas ações podem mudar o mundo. É isso que vejo nos arcos desses personagens. A última cena era importante assim como a fuga de Deckard e Rachel em 2019. Essa saga precisa continuar e espero que encontrem um novo personagem igualmente humano e cativante para acompanharmos num próximo filme, pois esse universo tomou vida própria.

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 14:49

@disqus_hCe8L8dGgH:disqus , obrigado, sobre o filme ser a história de K, foi exatamente meu ponto: ele é a história de K. Deveria, portanto, ter acabado em K e não “voltado” à revolução androide ou, se tivesse voltado, deveria ter acabado com ela. Deixar sem respostas perguntas do tipo “Deckard é replicante ou humano?” ou “K morreu humano?” é uma coisa, mas deixar sem respostas perguntas banais como “quem ganhou a briga, replicantes ou humanos, Wallace ou K?” acho que foi Hollywood forçando a barra para deixar aberto de forma escancarada para continuação, algo que o filme de 1982 não era.

Abs,
Ritter.

Responder
rodrigocunha 7 de outubro de 2017 - 19:48

Eu sorri e fiquei sério e pensativo em inúmeros momentos do texto. Meus parabéns pela análise. Eu vinha buscando profundidade nos textos que vinha lendo mas, foi nesse que consegui encontrar o que queria. Análise compatível com o nível do filme que irei rever, novamente em IMAX, na semana que vem. Meus parabéns!!! 👏👏👏👏👏👏👏👏

Responder
planocritico 7 de outubro de 2017 - 22:04

Obrigado, @rodrigocunha:disqus ! Fico muito feliz que tenha gostado da análise.

Veja novamente sim! Eu mesmo farei isso também, pois o filme merece.

Abs,
Ritter.

Responder
JONATHAN ESTECHE 7 de outubro de 2017 - 20:16

A sala de cinema estava quase vazia, e isso é ótimo por dois motivos! Primeiro: Blade Runner é cult, é para o pequeno público que sabe que o cinema não é só entretenimento vazio, e que existem obras de arte que provocam a reflexão. Segundo: Se o filme não for bem de bilheteria, vai demorar mais 35 anos para corrermos o risco de alguém querer fazer mais uma continuação e manchar essas duas obras primas.

Responder
planocritico 7 de outubro de 2017 - 22:02

De certa forma, penso igual a você. E parece mesmo que a bilheteria será bem mais baixa do que a esperada…

Azar de quem não quiser ver!

Abs,
Ritter.

Responder
xcog 8 de outubro de 2017 - 14:04

Isso não é ótimo em momento algum, as pessoas fizeram o filme acreditando nele e na sua capacidade de sucesso, ele ir mal significa que gente vai perder o emprego e o gênero será desacreditado, não só ferindo Bladerunner, como outros filmes cabeça que pedem um grande orçamento e o gênero cyberpunk que já é tão pouco representado na mídia.

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 14:36

O Blade Runner de 1982 foi pessimamente na bilheteria e a indústria continuou firme e forte, com os nomes ligados ao filme se mantendo ativos no mercado cinematográfico. Não desejo insucesso a filme algum, mesmo os que desgosto, mas trata-se de uma constatação e o “ótimo” vem qualificado como algo que evita a banalização dos filmes, como é o que mais acontece por aí.

Abs,
Ritter.

Responder
xcog 8 de outubro de 2017 - 14:50

A indústria mudou muito de 82 para 17, e não mais é limitada apenas ao seguimento cinematográfico, mais do que nunca as mídias conversam hoje em dia, o fracasso de Bladerunner não é apenas ruim para uma mídia, é ruim para todas.

E eu não vejo o problema com a banalização dos filmes, esse filme sejamos sinceros nunca será banalizado porque ele não apela para a grande massa, mas eu não vejo problema de um expectador menos culto gostar dos visuais e do mundo e da ação (pouca)e não pegar os questionamentos no seu primeiro contato, eu sei que eventualmente ele vai chegar lá se ele continuar gostando,e se não, pelo menos eu gosto da mesma coisa que ele, e dos questionamentos também. Que venham mais obras cyberpunks para o mercado.

Ps: o corretor do celular ta me fodendo.

planocritico 8 de outubro de 2017 - 14:59

Cada vez mais eu acredito que corretor de celular foi feito para sacanear a gente… HAHAHHAAHHAHAHAH

Sobre seu ponto, a questão é que a banalização de filmes leva a sua simplificação e a simplificação não apresenta desafios e aí voltamos à massificação da arte, que gera oito Velozes e Furiosos, cinco Transformers e isso sem fim próximo. Aí o grande público segue a massa e danou-se.

O espectador que vai gostar de Blade Runner e filmes nessa linha vai gostar de qualquer jeito e não é o sucesso ou fracasso do filme que o atrairá, será ele mesmo que naturalmente está “acima” da média e que vai correr atrás.

Abs,
Ritter.

xcog 8 de outubro de 2017 - 15:28

Mas você precisa fazer dinheiro para sobreviver no mundo de hoje, e o público para isso existe, caso contrário series como Bojack Horseman nunca existiriam.

O fato da massificação gerar vários filmes(e cópias) é uma coisa boa, eu prefiro apostar que na quantidade encontraremos qualidade eventualmente. Mesmo com 8 velozes e furiosos, eu achei os ultimos 2 filmes bem legais, Matrix gerou várias cópias e algumas delas são bem legais também.(melhores do que o próprio Matrix inclusive.)

Eu também não acho que a simplificação mata os filmes cabeça, festivais de cinema sempre vão existir e o público disso é lá, o problema é que Bladerunner é um filme de orçamento grande, ir bem em festivais de cinema não é o suficiente para que outros como ele ganhem financiamento.

planocritico 8 de outubro de 2017 - 15:31

Mas você há de convir que blockbusters de arte dá para contar nos dedos de uma mão, não é mesmo? Falo nessa “categoria” de filmes mais complexos e não no teatro filmado feito com atores espetaculares e que custa 10 dólares para fazer. Se só o mais simples se paga, então é inescapável concluir que o “emburrecimento” já existe. Reverter o quadro é complicado, talvez impossível.

Abs,
Ritter.

xcog 8 de outubro de 2017 - 15:40

Particulamente eu acho que o ”emburrecimento” é natural. Nem todo mundo vai se aprofundar nessas questões, as pessoas podem escolher dar mais atenção a outros aspectos de suas vidas, seja porque elas querem, ou seja porque não tiveram esse luxo que nós tivemos.

planocritico 8 de outubro de 2017 - 15:53

Claro que o acesso ao “luxo” como você diz ajuda muito, mas eu vejo hoje pessoas com acesso ao luxo sentadas em berço esplêndido. Meu pai nunca teve aula de inglês. Aprendeu a escrever a falar a língua da maneira mais rudimentar possível, comprando romances americanos e britânicos em sebos e lendo com um dicionário ao lado e anotado o significado das palavras que não sabia ao longo de todo o livro (tenho até hoje alguns deles assim – dá até vertigem). Funcionou. Hoje, o pessoal corre para filmes dublados, sob a desculpa da “valorização” da língua portuguesa, língua essa que esse mesmo pessoal destroi em redes sociais.

Portanto, o emburrecimento é mesmo natural, mas isso não é desculpa para seguir por esse caminho, mesmo para as pessoas que não têm acesso ao luxo, ainda que elas, claro, sejam obrigadas a se desviar de estudos para sobreviver, tendo que multiplicar esforços. É uma equação complicada de se fazer e eu não quero, aqui, trabalhar com reducionismos – e tenho consciência que muito do que escrevi é reducionista – mas isso tudo é apenas para dizer que há que haver cuidado para o emburrecimento nem mesmo ser percebido, pois aí é caminho sem volta mesmo.

Abs,
Ritter.

Giovane Sena 8 de outubro de 2017 - 17:10

Caraca, o que fazer quando você concorda com as duas opiniões mas entende que mesmo reducionista, essa reflexão do Ritter é extremamente necessária?

planocritico 9 de outubro de 2017 - 13:49

O que você fez: comenta! HAHAHAHHAHAHAAH

Abs,
Ritter.

Giordano 24 de outubro de 2017 - 20:07

Me indique! Quais filmes melhores que matrix??

Gaius Baltar 8 de outubro de 2017 - 07:04

Discordo. Creio que com mais pessoas tendo acesso a obras como essas poderemos ter uma melhoria geral no gosto do público e por conseguinte na produção de filmes.
Traçando um paralelo com o filme, é como usar o milagre do nascimento de Ana em proveito próprio, como queriam Wallace e a resistência, quando esse milagre existe para ser conhecido e visto por todos.
Muito se falou que Harry Potter trouxe as crianças para a leitura e que não importava que os livros fossem simples, pois ao adquirir o hábito as crianças leriam algo mais profundo no futuro. Pois bem, nossos JK Rowling foram Spielberg, Lucas, Nolan, etc. Vamos torcer para os outros não chegarem a Gore Vidal ou Umberto Eco, como nós chegamos?

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 14:46

Você tem parcialmente razão. Sim, melhores filmes de grande alcance tendem a educar o público. Mas a razão de eu só concordar parcialmente é que esses “melhores filmes” não precisam e nem mesmo deveriam ser continuações, reboots, prelúdios e coisas do gênero. Deveriam ser obras novas ou que nunca foram adaptadas antes. Continuações deveriam ser exceções, mas são a regra justamente porque Hollywood não quer arriscar, não quer ousar, não quer ensinar o público a trilhar caminhos diferentes. Não é sem querer, para usar o exemplo de HP que você deu, que a Warner vai soltar mais uns 25 filmes das “criaturas fantásticas”. Isso educa ou deseduca o público? Eu acho que deseduca, ao tornar o público “another brick in the wall”, como já diria o Pink Floyd.

Abs,
Ritter.

Responder
Gaius Baltar 8 de outubro de 2017 - 18:57

Minha colocação foi acerca de haver uma expansão para o grande público de filmes excelentes que adquirem a pecha de “difíceis”. Eu procuro sempre indicar filmes e livros que não possuem apelo tão popular. Para cada Game of Thrones ou Breaking Bad eu indico um Westworld ou Battlestar Galactica. Para cada Star Wars ou Senhor dos Anéis eu indico um Blade Runner 2049 ou Baby Driver. Temos que tentar trazer mais gente para os nossos produtos de midia preferidos e não cairmos no hermetismo.

Responder
planocritico 9 de outubro de 2017 - 13:55

Sim, sim. Também tento fazer isso o máximo possível!

Abs,
Ritter.

Wendenberg Santana 9 de outubro de 2017 - 20:43

A sessão em que assisti o filme Blade Runner foi uma das melhores da minha vida, não apenas por que o filme é excelente, mas sim devido a elevada educação dos espectadores presentes. Mesmo durante as cenas mais silenciosas, para a minha grata surpresa, todos se mantinham em silêncio, admirando as cenas, sem qualquer manifestação desagradável. Espero não aparentar ser elitista, mas, convenhamos, quando o filme é arte, ou ao menos possui a pretensão de ser cult, o público possui um maior nível intelectual e, concomitantemente, o respeito à experiência cinematográfica também é elevado.

Responder
Dan 7 de outubro de 2017 - 16:35

Uau, Ritter! Este foi um verdadeiro estudo sobre o Blade Runner 2049. Uma pequena obra prima tal como o próprio filme, que me abriu os olhos sobre alguns aspectos sobre os quais eu não havia pensado ainda e que me fez adorar o filme ainda mais. É para isso que pago a internet! hahah

Achei que o filme foi muito inteligente em muitos aspectos. O primeiro, em como essa continuação segue a história do original e a expande organicamente. A gravidez de Rachael foi uma ideia original, audaciosa e genial. Nunca esperei por algo do gênero. Além de trazer mais a discussão filosófica sobre o que é ser humano, foi um McGuffin perfeito para trazer Deckard, RAchael, Gaff e todos os aspectos do original que amamos de volta sem que soassem forçados ou deslocados.

Outros aspectos do filme que destaco:
-Joi: à principio estranhei a personagem holográfica, mas depois entendi que assim como para os humanos do original, os replicantes eram menos humanos, aqui Joi representa algo ainda “menor”. Ela nem corpo real tem. A personagem é ainda mais distante do que um replicante já era e ainda assim alguém complexo e “humano”.

– Deckard: impressionante como o filme foi hábil em não desconstruir nada do que sabíamos sobre ele no original. A questão se ele era ou não replicante continua.

Por fim, eu gostaria de destacar um ponto em que discordo de vc, a cena final. O final em aberto era um dos trunfos do original e acho que se fechassem a história, 2049 perderia a força. Vai haver revolução? O vilão vai continuar atrás de Deckard e do bebÊ? Não sabemos, assim como não sabíamos oq aconteceria à Deckard e Rachael.
Tive plena certeza de que o filme se encerraria na cena da neve, sem vermos de fato o encontro de Rick e sua filha, mas para mim foi uma grata surpresa de que o filme se encerrou focado no personagem de Ford. Ali, seu arco iniciado no filme de 84 se encerra. Sim, podemos ter revoluções pelo planeta, guerras entre humanos e replicantes, e mil outras repercussões mais para a frente, mas isso não é o que interessa, e sim todas as transformações que o ex blade runner passou nos 30 anos de história. Ele começou caçando replicantes para viver e termina o segundo filme olhando com amor para sua filha replicante. Genial.

Á principio também espero que não haja mais filmes na “saga”, mas como vc, também já achei que esta própria sequência não tinha propósito. Quem sabe não somos mais uma vez surpreendidos.

Abs

Responder
planocritico 7 de outubro de 2017 - 17:53

Muito obrigado! Achei a ideia da gravidez tão simples, tão óbvia e, por isso mesmo, absolutamente genial.

Concordo com seus pontos bem sacados sobre Joi e Deckard. Construções perfeitas.

Já sobre o final, acho que, na verdade, estamos de acordo. O final aberto é bom e rima com o primeiro filme. A questão que me deixou cabreiro foi essa ideia da revolução ser plantada e depois esquecida ou, melhor dizendo, mantida subdesenvolvida. Ou seja, é algo menor, debaixo do conceito filosófico que, esse sim, deveria permanecer sem resposta. Senti uma pitadinha de “enganação” ali, feita para nos levar diretamente a BR3.

Abs,
Ritter

Responder
Cristiane Inokuma 8 de outubro de 2017 - 15:26

Olá, uma dúvida: se o bebê se tornou um ser adulto com um problema genético sério, então a revolução cairia por terra, pois não há uma possibilidade positiva para a reprodução dos replicantes?

De qualquer forma, ótima análise!!!

Responder
planocritico 8 de outubro de 2017 - 15:34

Acho que não, @cristianeinokuma:disqus . A figura do bebê replicante é um símbolo, não algo que precise ser levado a ferro e a fogo. É, basicamente, a figura messiânica de diversas religiões que é retratada como pessoas perfeitas por essas religiões, com seus defeitos – que certamente existiam – sendo glosados completamente pelo bem da narrativa que comanda as massas.

Abs,
Ritter.

Responder
Ana 13 de fevereiro de 2018 - 19:05

Ritter, acho que eu estava mais ansiosa pra ler sua crítica do que pra ver o filme!
E os dois foram melhores ainda que o esperado! =D

Engraçado que desde o começo da história do K ser ou não a criança eu já achei que com certeza não era ele, ele só tinha os implantes da memória real da criança (que eu acho que a Ana implantou em vários replicantes apesar disso ser proibido, pq eram as que ela mais gostava e, segundo o próprio K, eram as melhores). Mas mesmo assim fiquei arrasada quando ele descobriu que não era ele! Mesmo achando que não era queria que fosse nesse momento, só pra ele não ficar arrasado daquele jeito… rs

Agora uma dúvida: tem que entender de Star Wars pra ver o Duna? Pq eu confesso que não gosto de Star Wars e nem estou pretendendo começar… Rs

Abs!

Responder
planocritico 18 de fevereiro de 2018 - 14:14

Obrigado, @AnaMercyS:disqus !!!

Confesso que senti o mesmo que você. Meio que já sabia, mas queria muito que fosse ele e aí fiquei bem triste quando ele descobre que não é, especialmente considerando a reação dele de tristeza e desapontamento…

Sobre Star Wars e Duna, apesar de Duna ter sido uma das influências de SW, não, não é necessário conhecer SW para apreciar Duna. No final das contas, são obras BEEEEM diferentes.

Abs,
Ritter.

Responder
Ana 13 de fevereiro de 2018 - 18:41

Nossa, vc transcreveu meus pensamentos nesse comentário! Rs!

Pessoalmente achei a parte da Joi muito genial, pq ao mesmo tempo que ela pode ser só programada pra agir daquela forma, dependendo do ‘nível’ da inteligência artificial dela ela pode ser tão ‘replicante’ quanto um replicante e por isso tb pode ser humana. Mas nós nunca saberemos hehe

Quanto ao Deckard, além de continuar a dúvida sobre ele ser ou não um replicante acho que o filme ainda deixa bem claro que isso não faz diferença. Como o próprio Wallace fala, foi amor mesmo ou ele foi programado para aquilo? Não interessa. Do mesmo jeito que não interessa muito pra gente saber se ele é ou não replicante pq independente do que ele for fisicamente no final ele se ‘tornou’ humano.

Abs!

Responder
planocritico 18 de fevereiro de 2018 - 14:15

Exato. Ele se tornou humano. E talvez MAIS humano que os humanos…

Abs,
Ritter.

Responder
Leonardo Auditore 7 de outubro de 2017 - 14:42

Excelente texto. Eu sai extasiado desse filme como não saio a um bom tempo, Villeneuve realmente é o melhor diretor dessa geração atual, ele contra todas as expectativas criou um filme que, na minha opinião, fica no mesmo patamar do original.

Obs: Alguém teve alguma interpretação sobre a cena em que o K está olhando para o holograma da Joi no final? Tive algumas ideias, mas ainda fico pensando nisso.

Responder
planocritico 7 de outubro de 2017 - 17:39

Concordo que ficou no mesmo patamar do original. E é impressionante constatar isso (e muito bom!).

Sobre K olhando o holograma de Joi, eu interpretei como a constatação dele sobre a artificialidade de sua vida. Afinal, ele era apaixonado (ou achava que era) por um programa de computador. Creio que ali ele conclui que deixou de ser androide, passando a ser humano ou um híbrido dos dois, mas definitivamente algo vivo.

Abs,
Ritter

Responder
Everton Mendonça 7 de outubro de 2017 - 12:51

O filme é maravilhoso, tão bom quanto o original.
Porém, tem algo que me deixou bem intrigado: Quando Luv visita a Joshi procurando saber se o K descobriu a criança, ela informa a Luv que a criança foi morta por K. Nisso, Luv afirma que isso é verdade pq obviamente nenhum replicante é capaz de mentir, porém, nós sabemos que K mentiu sobre o desfecho da criança…

Responder
planocritico 7 de outubro de 2017 - 13:51

@disqus_iu1D0cyT5K:disqus , esse é o ponto: as diferenças entre replicantes e humanos não existem mais.

Abs,
Ritter.

Responder

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