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Crítica | Braddock: O Super Comando

por Ritter Fan
1490 views (a partir de agosto de 2020)

Aviso: Assistir a esse filme faz a barba crescer mais rapidamente.

Missing in Action, que ganhou o hilário título brasileiro Braddock: O Super Comando, foi filmado juntamente com seu prelúdio, Missing in Action 2: The Beginning (ou Braddock 2: O Início da Missão) que não era para ser prelúdio, mas sim o primeiro a ser lançado. Só não assim foi porque consideraram que o roteiro do que acabou indo ao ar antes era melhor, o que é, claro, uma grande mentira, já que a Golan Globus sabia que Rambo II: A Missão, seria lançado em 1985 e a produtora queria correr para não só ser a primeira a contar essa história de prisioneiros de guerra americanos no Vietnã, como também para evitar uma briga judicial por plágio.

Mas como assim plágio, alguns podem perguntar. Simples, o roteiro original de Rambo II era de James Cameron e estava rolando em Hollywood há algum tempo. A Golan Globus foi uma das produtoras que chegaram a pensar em produzir a história, mas deram para trás, ainda que isso tenha sido a fagulha para eles chutarem o balde e resolverem contar a mesma história, só que com “pequenas diferenças”. Afinal, para que pagar se basta copiar? O resultado foi a transformação do expressivo Chuck Norris em mais um astro de filmes de brucutu oitentistas e o maior sucesso da empresa.

E o mais curioso é notar que, apesar dos sensíveis contornos de filme B que Braddock: O Super Comando inegavelmente tem, a obra não é aquela idiotice completa que se poderia esperar. Há até um comedimento muito grande com a pancadaria desenfreada, com o personagem do título, um coronel americano aposentado que fugira há 10 anos de um campo de prisioneiros do Vietnã e que tem certeza que há outros como ele, ganhando uma razoavelmente boa construção narrativa. Claro que os dotes dramáticos de Norris são o grande destaque para a credibilidade do personagem, que reage exatamente da mesma forma quando beija uma mulher ou quando atira com uma metralhadora .50. E a barba sempre arrumada e os pelos cobrindo o corpo todo emprestam outras camadas extras de compreensão metafísica de um personagem perturbado e sofrido que faz de tudo para voltar para o Vietnã e salvar seus colegas já que o governo americano mostra-se burocrático e covarde ao extremo e o vietnamita simplesmente vilanesco e mentiroso.

Brincadeiras à parte, falo sério quando afirmo que o filme não é de todo imprestável. A preocupação política na época com as alegações da efetiva existência de prisioneiros de guerra mesmo após o fim do conflito era alvo de uma investigação parlamentar nos EUA e Rambo II e, por pré-plágio, Braddock, se aproveitaram do momento. Nesse ponto, apesar da projeção começar com uma desnecessariamente longa sequência de pesadelo que coloca o coronel em uma missão no Vietnã durante a guerra, com cenas tiradas do que seria o prelúdio do ano seguinte, o roteiro logo embarca em uma pegada política efetivamente interessante, ainda que maniqueísta que protrai no tempo a ação propriamente e traz um mínimo de camada de seriedade para a obra.

Somente quando Braddock, irritado pela politicagem (é incrível a feição de frustração de Norris!), parte para a Tailândia para reunir equipamento para voltar e delicadamente perfurar vietnamitas com projéteis e armas brancas, é que o que se espera do filme realmente começa e, mesmo assim, com grande parte da ação ficando justamente nesses preparativos, já que o governo vietnamita manda seus minions para acabar com o ex-militar lá pelo país vizinho mesmo. É, resumindo, diversão descerebrada garantida para quem quiser apenas isso e nada mais. Aliás, em termos comparativos, chego a arriscar e afirmar que, apesar de Rambo II ter suas arestas sem dúvida mais polidas, Braddock não deixa lá muito a dever ao filme de Sylvester Stallone, com a grande diferença que Braddock tem Chuck Norris e Chuck Norris é Chuck Norris, se é que me entendem.

Título brasileiro idiota não obstante, Braddock: O Super Comando é mais uma pérola que os anos 80 produzia em atacado. Uma bobagem do começo ao fim com uma ou duas tentativas de fazer algo além disso que colocou Chuck Norris de maneira mais proeminente no mapa, finalmente fazendo jus a esse grande ator que nunca, em circunstância alguma, sai de seu personagem.

Braddock: O Super Comando (Missing in Action, EUA – 1984)
Direção: Joseph Zito
Roteiro: James Bruner (baseado em personagens criados por Arthur Silver, Larry Levinson e Steve Bing e história de John Crowther e Lance Hool)
Elenco: Chuck Norris, M. Emmet Walsh, David Tress, Lenore Kasdorf, James Hong, Ernie Ortega, Pierrino Mascarino, Erich Anderson, Joseph Carberry, Avi Kleinberger, Willie Williams, Ric Segreto, Bella Flores
Duração: 101 min.

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19 comentários

paulo ricardo 23 de novembro de 2019 - 18:41

Ritter , da uma olhada n Filme para doidos um bloq q analisa c tds os detalhes este filme . muito divertido ! Abrç

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planocritico 25 de novembro de 2019 - 12:02

Vale pela dica!

Abs,
Ritter.

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Wagner 23 de novembro de 2019 - 16:43

Meu saudoso pai adorava esse filme.
Uma vez me pediu para baixar os três filmes e assistiu todos em sequência.
Fui ver com ele e não terminei nem o primeiro, mas meu nível de masculinidade aumentou 60% (correspondente ao tempo de filme).

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planocritico 24 de novembro de 2019 - 16:35

He, he. Esse é o exato efeito desses filmes! Mas três de uma vez pode causar masculinidade explosiva…

Abs,
Ritter.

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Alex Lordelo 25 de novembro de 2019 - 23:04

kkkkkkkkk

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Camilo Lelis Ferreira da Silva 22 de novembro de 2019 - 11:22

Estive Pensando Numa Coisa:
Daria Certo Hollywood fazer um Remake deste filme “Missing In Action” (Braddock), desta vez, atualizado pros dias de hoje?

Sim, quando digo atualizado, é quando cumpre uma certa agenda vigente:
a) Protagonista Feminina (Troque o “Lorde Supremo” por uma Atriz-Ativista Feminina como a “Brie Larson” ou “Ellen Page”) com o mesmo sobrenome “Braddock”.
b) Trocar a Guerra do Vietnã por Tráfico de Mulheres em “Países Conservadores” (Para Agradar à Atuais Financiadores).
c) Críticas à Valores Másculos Tradicionais utilizando Referência à Tanto Trilogia “Missing In Action”, Quanto à Filmes Oitentistas de Ação.
d) Demagogia sobre a “Nova Ordem Mundial”.
e) Equipe de Produção 100% Feminista ou Simpatizante com estes Valores

Uma Pena que, se o “Chuck” ler isso, vou estar todo Ferrado…

Por Isso, foi bom ter conhecido vocês, Falou…

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planocritico 22 de novembro de 2019 - 15:35

Que heresia!!!

Você já deveria saber que não tem pessoa melhor para viver uma versão feminina de Braddock do que o próprio Chuck Norris…

Abs e adeus,
Ritter.

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Camilo Lelis Ferreira da Silva 22 de novembro de 2019 - 16:45

Pior que você tá certíssimo…
Por isso que fui penalizado…
Mas, a boa notícia é que sobreviivi…

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Paco Miguel 22 de novembro de 2019 - 08:21

Lembro que uma vez passou meio que uma maratona Norris na tv (não me lembro qual canal,mas pelo nível de tosqueira COM CERTEZA foi no SBT) e meu pai e eu assistimos esse e os dois Comando Delta. O fdp do velho ficou me enxuriçando uma semana com a desgraça do tema do CD e imitando os movimentos fantásticos e sem igual do Chuck,a quem ele deu o carinhoso apelido de “Pulinho” (acho que nem preciso explicar o porquê).

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planocritico 22 de novembro de 2019 - 15:35

Enxuriçando?????

HAHAHAHAHAAHHAAHHAHAHAAH

Nunca tinha ouvido falar, mas ADOREI!!!

Cara, Braddock x 3 e Comando Delta x 2 é testosterona demais. Você deve ter saído da experiência com pelos no corpo todo!!!

Abs,
Ritter.

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Saulo Henrique 21 de novembro de 2019 - 18:29

É nesse que tem a cena clássica dele dando um chute na tv? E destruindo, claro. Hahaha. Tv hoje em dia tá muito caro..posso quebrar não. Espero que, Chuck Norris não tenha lido isto. Hahaha

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planocritico 21 de novembro de 2019 - 18:29

Esse mesmo!

E Chuck leu, pode ter certeza. Ele é onisciente, como você bem deveria saber… Só espero que ele não resolva dar um pulo aí…

Abs,
Ritter.

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Cleison Miguel 21 de novembro de 2019 - 17:16

hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha….

É só o que tenho a dizer 😉

Responder
planocritico 21 de novembro de 2019 - 17:16

Espero que essa seja uma risada de adoração ao deus Norris.

Abs,
Ritter.

Responder
Cleison Miguel 21 de novembro de 2019 - 17:23

certamente é, mas foi motivada mesmo pelo texto da crítica

https://media0.giphy.com/media/mPIA4KZVXv0ty/giphy.gif

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planocritico 21 de novembro de 2019 - 17:38 Responder
William O. Costa 22 de novembro de 2019 - 10:04

Acredita que quase comentei o mesmo? Mas fiquei com medo do Chuck Norris ver, e eu levar um tiro quando sair de casa.

Responder
Cleison Miguel 25 de novembro de 2019 - 10:11

Eu tenho ficado dentro de casa desde então.
Vivo de UberEates e outros aplicativos assemelhados, peço para o porteiro levar no meu apartamento, não apareço nem na janela e me movo abaixado sempre… rs

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William O. Costa 26 de novembro de 2019 - 03:38

Hahaha

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