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Crítica | Breaking Bad – 3ª Temporada

por Ritter Fan
1622 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas de todo nosso material do Universo Breaking Bad.

É impressionante notar a estrada sombria que Breaking Bad segue sem perder o passo. A ótima primeira temporada esboça um fascinante começo de universo, mas sem deixar entrever completamente sua magnitude, algo que só fica mais evidente na sensacional segunda temporada que tem como principais funções colocar todas as peças no tabuleiro e armar um jogo que, porém, permanece razoavelmente encoberto, preparando surpresas e entregando um final de cortar o coração, com o assassinato de Jane Margolis por Walter White que catalisa o acidente aéreo que é usado como artifício de enquadramento narrativo e para mostrar o efeito dominó das escolhas tomadas ao longo da série.

A terceira temporada vem, portanto, para agressivamente movimentar as peças no cada vez mais complexo tabuleiro, tornando Walter White alvo, ao mesmo tempo, da fúria dos Salamancas, com os silenciosos assassinos gêmeos Marco e Leonel (Luis e Daniel Moncada) sendo introduzidos na série e da estratégia de Gus Fring para dominar a fabricação de metanfetamina com um convite para que o professor de química cozinhe para ele em um laboratório subterrâneo ultramoderno. Em paralelo, Jesse, depois de se recuperar de seu vício, decide voltar a cozinhar sozinho, à revelia de Walt, o que atrai a atenção de Hank e Skyler, desconfiada de seu marido, o coloca contra a parede e, finalmente, descobre a verdade sobre seu “empreendimento” secreto.

E olha que a tentativa de sinopse logo acima nem de longe cobre a longa cadeia de acontecimentos da temporada, mas isso não interessa, na verdade. O que é realmente impressionante constatar é como Vince Gilligan comanda tudo como o regente virtuoso de uma orquestra de roteiristas e diretores iluminados que fazem tudo funcionar com perfeita sincronia e encadeamento de notas. Não há nada realmente fora do lugar e nada que pudesse ser contado de maneira tão eficiente de outra forma. Do brilhante retcon que dá ao espectador outra visão sobre a compra do trailer, algo que parece trivial, mas que é de extrema importância para a temporada, passando pelos altos e baixos do relacionamento de Walter e Jesse e a relação de dependência entre Gustavo Fring e Walter e chegando à toda a narrativa paralela de Skyler (aliás, Anna Gunn de novo merece aplausos) tendo um caso com seu chefe como uma forma de vingança contra o marido, tudo, absolutamente tudo só existe porque há uma função por trás.

Até em retrospecto isso é verdade. Se muitos reclamam que a cleptomania de Marie desaparece magicamente, é porque talvez não percebam que essa característica da personagem não está ali para ter um fim em si mesmo. Os dividendos dessa inserção aparentemente estranha nos roteiros das temporadas anteriores tem como objetivo comentar e ironizar a postura de Skyler White primeiro em não tomar medidas contra os crimes fiscais de seu chefe que ela detecta durante seu trabalho. Sim, ela se recusa a assinar a papelada como contadora certificada, mas não faz mais do que isso. Depois, claro, Skyler torna-se cúmplice do marido ao aceitar suas atividades criminosas e a ativamente ajudá-lo na lavagem de dinheiro. O raciocínio para isso é pragmático e tem lógica, mas é tão imoral e errado quanto a escolha de Walt de tornar-se fabricante de metanfetamina. Se a superioridade moral de Skyler a impedia sequer de aceitar um distúrbio de Marie, ela agora passa a fazer algo incomparavelmente pior.

A construção de tensão é outro aspecto que merece comenda. O trabalho inicialmente perfeito e suave de Walt no laboratório juntamente com o simpático e falastrão Gale Boetticher (David Costabile) muito rapidamente descarrila de forma que Walt possa salvar sua própria pele salvando Jesse. Novamente, o jogo de causa e consequência é impressionantemente bem estabelecido, notadamente a maneira como o orgulho de Walt é ferido por um Jesse que se atreve a cozinhar Blue Sky sem ele e, depois, afagado quando Gus demonstra que precisa de seu gênio, oferecendo-lhe milhões e um laboratório altamente tecnológico. Se Bryan Cranston já havia mostrado sua capacidade dramática que foi capaz, de maneira crível, de transformar um pacato professor de química com câncer que entra no mercado de metanfetamina para prover para sua família em um verdadeiro vilão detestável, aqui ele termina de brilhar ao fazer com que seu Walter White quase que literalmente salive ao ver seu “mundo criminoso” abrir-se ainda mais.

E talvez nenhum episódio seja melhor para demonstrar essa transformação do que o muitas vezes incompreendido A Mosca (Fly – 3X10). Dirigido pelo autoralíssimo Rian Johnson antes de entrar no cinema mainstream com Looper (e que depois viria a dirigir o reverenciado Ozymandias), o episódio encapsula todo o orgulho, preciosismo, perfeccionismo e, mais precisamente, toda a obsessão maníaca de Walter White querendo evitar a contaminação de sua “obra-prima”. Vemos traços de loucura no protagonista, algo que Jesse demora a acreditar, mas também vemos traços fortes de remorso que quase leva Walter a confessar o crime que cometera contra Jane, algo que Jesse, em sua inocência – porque sim, ele é o inocente ali – nem de longe conseguiria imaginar. Se alguém tinha dúvida sobre a personalidade profundamente perturbada do tão “adorado” Walter White, sua caçada a uma singela mosquinha em seu imenso laboratório está lá para dissipá-la.

É também nessa temporada que fica patente a facilidade com que Walter comete crimes. Não bastasse a racionalização fajuta para a fabricação de drogas – tudo pela família! -, ele não hesita sequer por um segundo em matar dois traficantes de Gus para salvar Jesse. Sim, é verdade que isso demonstra que ele se importa por Jesse, mas é também verdade que matar, para ele, tornou-se parte do “custo do negócio”. Se vemos a tortura psicológica de Jesse a cada ato que ele acaba tendo que cometer, cada vez mais levando-o para próximo da beirada do abismo, o mesmo não acontece com Walt, bastando ver a relativa tranquilidade com que ele pede a cabeça de Gale, oferecendo-se para cometer o assassinato.

O frágil Jesse, que Aaron Paul incorpora com extrema profundidade nessa temporada, por mais que já fosse um drogado antes mesmo de os eventos da série começar, não tinha e continua não tendo o ímpeto de fazer o que for preciso que Walt demonstra e ele, dessa forma, funciona como a bússola moral de toda a narrativa, potencialmente a única da série junto talvez com Hank, se considerarmos que Skyler, aqui, vai para o lado sombrio. E o grau de seu sofrimento indica ao espectador o grau da vilania crescente de Walt, em um balanço antitético muito bem construído.

Mas obsessivo é um adjetivo aplicável não só a Walter White, como também – e talvez principalmente – a Vince Gilligan. Como o maestro dessa sinfonia audiovisual, ele não deixa nada fora do lugar. Sua mania por espelhamentos, simetrias, cores fortes e distribuição de elementos cênicos resulta em uma série que poderia ter a grande maioria de seus fotogramas recortados, ampliados e colocados em uma moldura. É como ver um quadro em movimento no processo de ser pintado, ainda que diretores do quilate do já citado Johnson, mas também Michelle MacLarenAdam Bernstein, consigam imprimir sua própria assinatura, ainda que a impressão de conjunto seja absolutamente monolítica, sem solução de continuidade entre um episódio e outro.

A terceira temporada de Breaking Bad coincidiu com o momento em que a série ganhava tração na televisão e ampliava seu público, atraindo a audiência que realmente merecia e que poucas séries alcançam enquanto ainda estão passando. Muita gente que embarcou a essa altura na criação de Gilligan teve a oportunidade de ver mais um importante ponto de virada na chamada Era de Ouro da Televisão, tudo graças a um vilão que não se consegue verdadeiramente odiar, como, aliás, são os melhores vilões das artes. E olha que ainda teria muito mais para acontecer ao longo da estrada desse épico moderno sobre desespero, obsessão e ganância.

Breaking Bad – 3ª Temporada (EUA, de 21 de março a 13 de junho de 2010)
Criação e showrunner: Vince Gilligan
Direção: Bryan Cranston, Adam Bernstein, Michelle MacLaren, Scott Winant, Johan Renck, John Shiban, Colin Bucksey, Michael Slovis, Rian Johnson, Adam Bernstein, Vince Gilligan
Roteiro: Vince Gilligan, Peter Gould, George Mastras, Sam Catlin, Moira Walley-Beckett, John Shiban, Thomas Schnauz, Gennifer Hutchison
Elenco: Bryan Cranston, Anna Gunn, Aaron Paul, Dean Norris, Betsy Brandt, RJ Mitte, Bob Odenkirk, Giancarlo Esposito, Jonathan Banks, Mark Margolis, Jeremiah Bitsui, Daniel Moncada, Luis Moncada, Steven Michael Quezada, Charles Baker, Christopher Cousins, David Costabile, Michael Shamus Wiles, Jere Burns, Matt L. Jones, Javier Grajeda, Emily Rios, Carmen Serano, John de Lancie, Larry Hankin, Tess Harper, Tom Kiesche, Krysten Ritter, Rodney Rush, Marius Stan, Danny Trejo
Duração: 611 min. (13 episódios)

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61 comentários

IGOR RAFAEL SILVA DE SOUZA 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Já falei isso aqui comentando sobre essa análise na 2º temporada e falo de novo: Não acho que a queda de avião faça sentido para a série, diria que esse fato não tem importância na série, mesmo que seja para demonstrar que todas as nossas decisões possuem consequências, pois Skyler só descobre sobre o negócio ilegal de seu marido porque ele deixou escapulir sobre o segundo celular bem antes de sua cirurgia. Então acho que o Vinci cometeu esse Gafe aí, mas tudo bem, é aceitável, afinal de contas, estou na 4 temporada e até agora é uma série sensacional, não canço de me impressionar com o que o WW é capaz de fazer.

Responder
planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:18

Não é, sob nenhuma forma de análise ou interpretação, uma “gafe”. Gafe é algo “impensado”, até “involuntário” e não há absolutamente nada de impensado ou involuntário no enquadramento que Gilligan fez usando o acidente aéreo. Muito ao contrário. Trata-se de uma alegoria sobre causas e consequências, sobre escolhas e como elas podem se ramificar. Você pode não ter gostado do que foi feito e isso é direito seu, mas achar que foi uma “gafe” ou qualquer coisa semelhante a isso é simplesmente errado.

– Ritter.

Responder
harrytropi 6 de junho de 2020 - 16:04

A crítica dessa temporada está tão boa quanto o material analisado. Escorregou uma lágrima

Responder
planocritico 6 de junho de 2020 - 17:46

Obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
Jackson Silva 4 de maio de 2020 - 21:08

Olha me desculpem os apaixonados pelo personagem Jesse, que cara chato! Breaking Bad é excelente , mas que personagem inconsequente esse Jesse…cheguei a revirar os olhos várias vezes e pensar” putz que mulecote birrento ” kkkkkk, é aquele tipo de bomba relógio, que não pondera, que age no descontrole.

Responder
planocritico 4 de maio de 2020 - 21:13

Não sou defensor do Jesse especificamente, mas prefiro alguém que age com o coração do que alguém frio e calculista como o WW ou o Gus. São maldades diferentes.

Abs,
Ritter.

Responder
Jackson Silva 5 de maio de 2020 - 16:02

Prefiro quem pondere.
Abs,
Jackson.

Responder
Isaac 4 de maio de 2020 - 13:40

Ritter, fiquei curioso.
Qual seria seu top 5 de séries?

Excelente critica.
Eu amo Breaking Bad!
Comecei assistir esperando tiro, porrada e bomba também. Mas, apesar de ter, o que me fisgou foi a beleza de como tudo se encaixa na hora certa, lugar certo e maneira certa.

Responder
planocritico 4 de maio de 2020 - 13:42

BB é bem mais do que “tiro, porrada e bomba”. Uma verdadeira maravilha.

Sobre sua pergunta, outro leitor me indagou a mesma coisa há pouco tempo, então vou copiar e colar aqui o que respondi para ele:

“Olha, segue a minha lista abaixo, mas lembre-se de algo importante: ela muda muito, especialmente a partir da terceira colocação, então é bem possível que você ache em outros comentários por aí outras respostas minhas que não batem 100% com o que escrevi agora. Ah, eu só cito abaixo séries já encerradas, portanto tem maravilhas recentes como Better Call Saul e The Crown com potencial de entrar na lista que eu deixei propositalmente de fora. Também deixei minisséries de fora (por exemplo, nada de Chernobyl, que eu nem sei se entraria…).

Vamos lá:

1. The Wire
2. Mad Men
3. Seinfeld
4. Deadwood
5. Battlestar Galactica
6. Twilight Zone (a original)
7. Halt and Catch Fire
8. Black Sails
9. Boardwalk Empire
10. Firefly”

Abs,
Ritter.

Responder
Sarah Persons 3 de maio de 2020 - 11:42

Amo a série, mas ela ainda não entra no meu TOP 5, e num TOP 10 ela ainda fica em 9 lugar.

The Sopranos
The Americans
Six Feed Under
Mad Men
Rectify
The Wire
The Shield
Sons Of Anarch
Breaking Bad
Wonder years

Responder
planocritico 3 de maio de 2020 - 14:25

Também gosto muito de BB, mas ela nem no meu top 10 está! Tem muita série sensacional por aí.

E legal ver Wonder Years em seu top 10!

Abs,
Ritter.

Responder
Brian Martins 2 de maio de 2020 - 21:10

Nessa temporada, pra mim, o Aaron Paul consegue, se não igualar, chegar muito perto da monstruosa performance que o Bryan Cranston entrega desde a primeira temporada. A partir daí eu já não vi muita disparidade entre as performances de ambos, o Aaron Paul (e o roteiro, claro) realmente nos convence de que o Jesse é inconsequente, emocionalmente fraco e inconstante e extremamente autodestrutivo.
Temporada excelente e repleta de momentos marcantes.

Se me permite fazer o pedido de crítica de três filmes que já procurei aqui no site mas não encontrei, são:
Coração Valente;
Os Dez Mandamentos (1956);
Meu Pé de Laranja Lima (2012)
Desde já agradeço.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 21:22

@disqus_NRe4K68vJ1:disqus , concordo que Aaron Paul tem uma excelente atuação aqui, realmente comparável com a de Cranston. Mas, para mim, o que fica do personagem é que ele é uma vítima muito mais do que as demais características que você coloca. E com isso não quero relativizar nada, pois ele é um criminoso que deveria estar atrás das grades, mas há criminosos e criminosos e WW está várias categorias acima.

Sobre os filmes, Coração Valente sai no dia 18 de maio, que é aniversário de 25 anos do filme. Os demais, nós anotamos aqui!

Abs,
Ritter.

Responder
Brian Martins 2 de maio de 2020 - 21:48

E eu concordo, as ações do WW vão aos poucos deixando o Jesse cada vez mais perturbado e o levam a fazer grandes besteiras, e como você disse, não que isso isente o Jesse de qualquer culpa ou o torne menos bandido, mas de fato ele é mais uma vítima da ganância do WW, eu apenas mencionei as más características do Jesse pra enfatizar como o Aaron Paul e o roteiro da série nos convencem de tudo isso.

E obaa, já tô no aguardo da crítica deste grande filme que é Coração Valente.

Responder
planocritico 3 de maio de 2020 - 00:39

Sim, sim, entendi perfeitamente seu ponto! Apenas quis dar uma resposta completa!

E pode aguardar, que Braveheart sai sem falta no dia 18!

Abs,
Ritter.

Responder
Clayton Fernandes 2 de maio de 2020 - 20:08

Aproveitei a quarentena para ver BB, pelo que meus amigos falavam, achei que seria tiro, porrada e bomba!!! A primeira temporada bem lenta de introdução dos personagens!!! Frustou minha expectativa mas continuei!!! Espetáculo!!! Comecei esta semana ver BCS por causa das críticas da 5 temporada!!! Parabéns pelas críticas!!!

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 21:22

Nada. BB não é nada de “tiro, porrada e bomba”, ainda que tenha sim alguma coisa disso. E divirta-se com BCS!

E obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
Matheus Felipe 2 de maio de 2020 - 19:43

Essa temporada é excelente mesmo, só relembrar os momentos de tensão entre Hank e os irmãos Salamancas, só a aparição deles em episódio anteriores causa arrepios em qualquer espectador… Tem o episódio da mosca que, sem dúvida nenhuma, é o mais subestimado das séries de Tv e nos episódios finais só vai se elevando o crescente misto de sentimentos.

Pergunta, vocês classificam algo acima de 5 estrelas? Tipo a classificação lixo atômico abaixo de zero.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 21:22

Uma baita temporada, sem dúvida. Uma aula de roteiro e fotografia de série de TV.

Sobre classificação acima de 5 estrelas, não temos não. Pelo menos não ainda. A classificação “lixo atômico” é mais zoeira mesmo, pois, oficialmente, nossa avaliação mais baixa é zero estrela mesmo.

Abs,
Ritter.

Responder
Seu Cuca 2 de maio de 2020 - 15:43

Só duas coisas me frustraram em BB: 1) eu esperava ver o Walter se transformando em um cara realmente mau até o fim da série, não alguém que só fala que é mau, e 2) a descoberta do Hank podia ter sido muito mais impactante. Mas ok, o final foi satisfatório e a série, no todo, continua excelente.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 16:14

Eu não sei o que você classifica como uma pessoa má, mas WW, para mim, é exatamente o que uma pessoa má é no mundo real. Nem todo vilão é um canibal comedor de cérebros ou alguém que comete genocídio. A maioria tem nuances e “está entre nós” como Gilligan deixa claro.

Abs,
Ritter.

Responder
Seu Cuca 3 de maio de 2020 - 14:25

A maldade dele sempre foi dúbia, sempre sobre um pretexto (frágil) de estar fazendo o bem. Mas o que eu falo é no sentido dele virar um bandido foda mesmo, tipo o Gus. Eu achava que algum momento isso fosse acontecer.

Responder
planocritico 3 de maio de 2020 - 14:36

Entendi, um “poderoso chefão” da vida. O que eu diria é que, se WW tivesse tido a oportunidade disso, ele a abraçaria!

Abs,
Ritter.

Responder
Seu Cuca 3 de maio de 2020 - 14:45

Tive que editar o comentário, tinha um erro de português pavoroso ali

Wies e thal 5 de maio de 2020 - 13:38

Os piores vilões sempre têm como pretexto o bem maior, deus, família, pátria…

Responder
Seu Cuca 2 de maio de 2020 - 15:36

“assassinato de Jane Margolis por Walter White”? Nem tanto. Concordo que ele poderia ter evitado a morte dela, mas se ele não tivesse chegado ela teria morrido do mesmo jeito.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 15:41

Não teria. Veja a cena novamente. Ele causa a “virada” de Jane na cama. Ela estava de lado, ele balança Jesse para acordá-lo e ela então fica de costas na cama.

Abs,
Ritter.

Responder
Seu Cuca 2 de maio de 2020 - 15:48

Ainda assim, vc não pode afirmar que ela continuaria naquela posição se ele não chegasse. Chamar de assassinato é meio forçado.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 16:09

Mas aí você está ignorando a intenção do roteiro. A lógica da série é que Jane sabia do perigo tanto que fala sobre ele em outro episódio, estava na posição correta em caso de regurgitação e, NO ROTEIRO, foi Walter quem ocasionou sua morte. A intenção clara foi essa.

Agora, se você quiser chamar assassino – que efetivamente pensou algo como “vou deixar ela morrer, pois ela está me atrapalhando” – de “omissor de socorro”, beleza… Para mim é e sempre será assassinato.

Abs,
Ritter.

Responder
Daniel Kososki 3 de maio de 2020 - 20:20

Também concordo que foi assassinato, tanto que é mostrada aquela cena da Jane falando pro Jesse dormir de lado justamente pra evidenciar isso.

planocritico 4 de maio de 2020 - 00:39

Exato!

Abs,
Ritter.

Thomaz Carvalho 2 de maio de 2020 - 15:00

Foi nessa temporada que Breaking Bad me pegou , o EP 13 em que Jesse mata Gale foi quase um tiro na minha cara, foi quando comecei a sentir empatia total pelo Jesse e começar a abominar Walter, temporada excelente. Sobre a Skyler sempre achei uma ótima personagem, não gosto dela, mas acho interessante também como ela muda pelas temporadas e aqui começa sua “queda”, interessante sua colocação sobre a moralidade da personagem.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 16:14

@disqus_pm3QOUD1zQ:disqus , essa foi a temporada que “pegou” uma parcela enorme das pessoas que hoje adoram BB. Faz todo sentido, pois, até esse momento, a série era razoavelmente desconhecida de um canal ainda engatinhando em suas produções (tudo bem que seu começo foi com BB e Mad Men de cara, o que é impressionante).

Sobre o Jesse, sua queda é uma tristeza mesmo. Ele é manipulado o tempo todo e mata Gale na genuína intenção de salvar WW. No caso de Skyler, aqui ela se torna “tão vilã” quanto WW, não tem jeito, mas eu gosto muito da personagem!

Abs,
Ritter.

Responder
Thomaz Carvalho 2 de maio de 2020 - 16:25

Essa dinâmica dos personagens é o que tanta me fascina em BB, vc até pode até n gostar de um personagem mas reconhecer que é ótimo na proposta.
E falar nisso estou doido pra começar Better Caul Saul, as vezes leio a crítica de vcs fugindo um pouco dos spoilers kkdkdkkd, comparando as primeiras temporadas de BB vc acha as de BCS mais dinâmicas?

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 16:33

Difícil de responder. Eu diria que BCS tem uma proposta diferente e é substancialmente mais “lenta”, por assim dizer. As transformações são mais sutis e não há muitos eventos bombásticos como em BB. Mas as interações de Saul com Kim, Saul com seu irmão mais velho Chuck e mais tarde com a entrada de Lalo, além de Howard e outros personagens exclusivos, sem contar com a história razoavelmente paralela de Mike e Gus, torna a série, para mim, mais preciosa ainda que BB. Fora que os showrunners conseguiram se esmerar ainda mais na beleza plástica da série.

Em poucas palavras: veja BCS! Acho que você não vai se arrepender!

Abs,
Ritter.

Responder
Thomaz Carvalho 2 de maio de 2020 - 16:48

Opa obrigado por responder, vou tentar começar o mais breve ; )

planocritico 2 de maio de 2020 - 17:40

Sempre um prazer!

Abs,
Ritter.

Adriel Diego 2 de maio de 2020 - 17:40

empatia pelo Jesse? Ele causou mts coisas, foi tirar satisfacão com os traficantes, ww foi defender ele lá. Era pra estar morto, talvez o Hank não tivesse morrido

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 17:52

Partindo dessa premissa, se WW não tivesse embarcado no crime, talvez Hank também não tivesse morrido. Jesse é muito mais uma vítima das circunstâncias – e do que WW faz – do que WW, que literalmente ESCOLHE seu caminho, tendo opções.

Abs,
Ritter.

Responder
Brendo Barbosa 2 de maio de 2020 - 20:34

“literalmente escolhe seu caminho, tendo opções”
Sim, Jesse por exemplo, escolheu seguir uma vida criminosa.

planocritico 2 de maio de 2020 - 21:22

Nunca disse que Jesse não é criminoso. Ele é. Agora encare as circunstâncias de cada um e faça um escala mental abordando desde a maturidade do momento da escolha até as alternativas viáveis para cada um e você verá que WW, em termos de mente criminosa, está anos-luz na frente de seu parceiro. Só o fato de ele voltar para a fabricação de metanfetamina nessa temporada por um sentimento mesquinho de inveja e orgulho já o coloca em outro patamar…

Abs,
Ritter.

Leonardo Pereira 2 de maio de 2020 - 12:53

Acho que sou o único que prefere a quarta temporada do que a quinta.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 15:12

Não cheguei lá ainda para bater o martelo e não me lembro bem o suficiente das temporadas para decidir agora.

Abs,
Ritter.

Responder
nuwgott 3 de maio de 2020 - 02:56

Não está sozinho, me too.

Responder
skypeln 3 de maio de 2020 - 10:59

Eu acho a quarta temporada melhor que a primeira parte da quinta, por conta da ausência de um grande vilão. Mas a segunda parte é espetacular.

Responder
Cygnus_NR 2 de maio de 2020 - 12:05

Não creio que omissão de socorro configure assassinato (no caso da Jane)
No mais é isso aí, excelente série. E fico feliz de ver Better Call Saul se igualar a BB, que é uma maravilha da televisão.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 15:24

Juridicamente talvez não seja assassinato, mas, moralmente, aquilo sem dúvida foi. WW não só, ao mexer em Jesse na cama, fez com que Jane se virasse para a posição “perigosa”, como o que passou pela cabeça dele no momento foi algo como “vou me aproveitar disso e deixar essa desgraçada morrer, pois ela está atrapalhando o Jesse e, mas importante que isso, ME atrapalhando”. Dar um tiro a sangre frio em alguém no calor do momento é menos cruel…

Abs,
Ritter.

Responder
Erison Bianchi de Figueredo 2 de maio de 2020 - 15:55

Omissão de socorro é crime previsto no artigo 135 do código penal brasileiro onde ele poderia ser condenado a uma pena de detenção entre 3 a 18 meses, pois sucedeu a morte no caso.

Teríamos que saber como é a legislação penal do Estado do Novo México, onde fica Albuquerque, pra sabermos qual tipo de pena se aplicaria ao fato.

Pelo despudor da inação e frieza psicopática em sopesar os prós e contras em poucos segundos, Walter White se deixou assenhorar definitivamente por Walter Heisenberg com a conveniência da situação em que Jane se colocou.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 16:09

Ou seja, ele, em termos morais, matou Jane mesmo.

Abs,
Ritter.

Responder
nuwgott 2 de maio de 2020 - 11:32

Eu realmente passei a gostar muito de BB a partir desta temporada.
O personagem que mais compreendo e admiro em BB é o próprio Walter, e nunca consegui enxergá-lo como um vilão.
Do mesmo modo que não consigo ver em Jesse nada além de um sujeito auto destrutivo, egoísta.

O que Walter fez por Jesse ao longo das temporadas, foi heroísmo e amizade. Algo que Jesse nunca foi capaz de retribuir.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 15:12

Não dizem algo como “o grande truque do diabo foi convencer a todos que ele não existe”? É exatamente o caso de WW. Jesse sem dúvida é auto-destrutivo, mas WW contribuiu muito para isso e, na categoria egoísmo, WW é o campeão!

Abs,
Ritter.

Responder
nuwgott 3 de maio de 2020 - 02:49

Eu tenho certeza que WW era orgulhoso, manipulador e tudo mais. Mas, não o veio como vilão ainda assim, e ele ajudou Jesse em inúmeras circunstâncias.

Inclusive vale lembrar que foi o Jesse que se mostrou ambicioso no início da série, quando queria produzir mais.

WW tão apenas era demasiadamente racional, quando percebeu que existia a oportunidade de ganhos com um mínimo de segurança, assim o fez. Foi tão somente após a morte do Gus que ele perdeu a cabeça, antes disso não.

WW está mais para um anti-herói do que um vilão. O vejo como vilão apenas numa perspectiva social: as drogas em si.

Jesse foi um imprestável do início ao fim e o único motivo dele ter sobrevivido em toda a série é pq WW nunca o deixou. WW arriscou muito por Jesse. E, vale lembrar, o último ato de Walter foi salvar Jesse.

Responder
planocritico 3 de maio de 2020 - 03:31

Na verdade, quem decide produzir mais por duas vezes é o WW. Uma vez logo no começo quando ele vê que vai demorar muito para conseguir o dinheiro que quer e parte para produção maior e venda em atacado para o Tuco. Depois, já tendo todo o dinheiro do mundo, ele aceita trabalhar por puro orgulho – e por despeito a Jesse – no superlaboratório subterrâneo.

WW salvou a vida de Jesse? Sim. Mas salvou a vida dele depois de ameaçar a vida dele e depois de tratá-lo como lixo o tempo todo. A redenção no final é como a redenção de Darth Vader: ao matar o Imperador, ele não apaga o passado e continua sendo vilão até aquele ponto.

WW não só é vilão, mas consegue ser mais vilão que o Gus. Suas motivações são torpes, baseadas em mesquinhez na maioria das vezes, sem mostrar coração, algo que Jesse tem de sobra.

Mas, claro, é só minha forma de ver.

Abs,
Ritter.

Responder
nuwgott 3 de maio de 2020 - 11:19

Nas minhas lembranças, o Jesse que havia proposto Tuco, indicando um meio de ganhar mais, mesmo tendo sido WW que se mostrou insatisfeito com o que haviam conseguido vender.

planocritico 3 de maio de 2020 - 14:25

Jesse propôs indiretamente o Tuco, mas quem quis expandir o negócio foi o WW.

Abs,
Ritter.

Alisson Fuly da Silva 2 de maio de 2020 - 16:38

A última vez que eu havia assistido BB foi em 2016, e quando acabou o último episódio de BCS, eu resolvi assistir de novo BB, e eu também tinha a mesma impressão, também não gostava do Jessé, ele não respeita ninguém e é um hipócrita, entra no rumo de drogas e reclama das consequências, mas é como diz o texto,ele é muito inocente, não fosse ele Walter,Gale e Mike estariam trabalhando pro Gus até hoje, mas ao terminar a 4 temporada de BB eu realmente me aproximei dele, ele cresce muito como personagem e passa por uma “redenção”

Quanto ao Walter, ele usa esse discurso de família aí, mas a verdade é que ele sempre foi orgulhoso mesmo, não precisava ter passado por nada disso, ele vendeu a parte dele e mesmo assim os amigos ofereceram ajuda, depois fica se passando de vítima aí.

Responder
planocritico 2 de maio de 2020 - 17:40

@alissonfulydasilva:disqus , exato. A chave é justamente essa: WW tinha escolha e seu orgulho o fez escolher ser um criminoso, seu orgulho o manteve como criminoso e isso despertou o lado latente e verdadeiramente criminoso dele.

Abs,
Ritter.

Responder
Jadiel 2 de maio de 2020 - 10:45

Aquele episódio em que os gêmeos Salamanca tentam matar o Hank foi uma das experiências mais tensas e intensas que já havia visto tanto na TV quanto no cinema. É uma aula de suspense, com o misterioso telefonema antecipando a vinda dos gêmeos até a verdadeira aparição deles, passando por todo o tiroteio e atropelamento de um deles até o Hank no chão tentando com as mãos trêmulas carregar a pistola antes que o outro gêmeo, vindo lentamente com seu machado, chegue pra no último segundo Hank conseguir dá um tiro na mosca, ou melhor, no meio da cabeça dele.

Só de escrever já fico tenso. Acho que esse é um dos motivos de muitos preferirem Breaking Bad à Better Call Saul, esses momentos de pura adrenalina e suspense que são colocados em momentos chave da história de Walter e Jesse e que causam um impacto visual e emocional no espectador que nos deixa em completo êxtase após a projeção acabar são realmente impressionantes. Ainda prefiro o esmero com a trajetória de Jimmy McGill até se tornar Saul Goodman, mas não culpo ninguém por preferir a opção mais intensa proporcionada em Breaking Bad, que também tem um roteiro tinindo, como bem comentado na crítica, apesar da série Spin-off também apresentar desses momentos de pura tensão e suspense, realizado pela elite dos diretores/roteiristas desse universo maravilhoso capitaneado por Gilligan e, posteriormente, Gould.

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planocritico 2 de maio de 2020 - 16:19

Foi um baita episódio mesmo e o melhor é que as consequências, para Hank, foram duradouras. Isso é que torna tudo mais significativo. Mais eu sou o tipo de cara que prefere episódios como A Mosca, por exemplo. Claro que tudo precisa de equilíbrio e uma pancadaria como a do Hank precisa de momentos calmos como a caçada à mosca.

Abs,
Ritter.

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Jadiel 2 de maio de 2020 - 22:54

O episódio da mosca é maravilhoso mesmo.

Bom… Admito que dormi na primeira vez que vi o episódio, mas na segunda vez vi o quão excelente ele é, ehehhe.

Ps: será que nessa quarentena a crítica da 4ª temporada sai ainda esse mês? 👀

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planocritico 3 de maio de 2020 - 00:39

Para manter minha sanidade mental (ou o que resta dela), eu me planejei de maneira a publicar cada temporada de BB no primeiro sábado de cada mês. Até agora, tenho cumprido religiosamente essa minha agenda. Então, você pode esperar a quarta temporada para o dia 06 de junho.

Abs,
Ritter.

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