Como é comum acontecer com HQs mensais novas que fazem mais sucesso do que inicialmente esperado, Bug Wars ganhou um one-shot especial entre o primeiro arco, publicado de fevereiro a agosto de 2025 e o segundo que deve aparecer em breve por aí. O objetivo não é apenas capitalizar em cima das boas vendas das edições iniciais, mas, também, manter o universo criado por Jason Aaron e Mahmud Asrar aceso na mente dos leitores, como um lembrete do que está por vir. E, claro, como bônus, há a expansão da mitologia insectoide que é um bem-vindo misto de Querida, Encolhi as Crianças com O Senhor dos Anéis, mesmo que o especial em si seja focado no misterioso clã das aranhas-bruxas e, como sabemos, aranhas não são insetos, um detalhe desimportante no todo, mas que é sempre bom lembrar.
O especial de pouco mais de 60 páginas é composto por três breves histórias suficientemente autocontidas, Covil das Aranhas de Fogo (Lair of the Fire Spiders), O Longo Caminho de Volta (The Long Way Back) e As Teias do Destino (The Webs of Fate) a primeira delas a única que se passa depois dos eventos do arco inicial, com as duas outras ocorrendo em momentos diferentes do passado. A eleição das aranhas como foco da HQ foi certeira, pois oferece oportunidades para que os roteiros – dois de Aaron e um de Asrar – fujam dos meros embates furiosos entre clãs rivais, algo que seria repetitivo e que provavelmente pouco agregaria ao que já havia sido contado. Como as aranhas de Wyrdweb (corruptela que pode ser traduzida como Teia Estranha) tem na magia, nas visões e em seu código de conduto estrito a base para sua existência, o enfoque nelas abre espaço para histórias que reúnem misticismo e violência, mas agregando história pregressa para elas e apontando também a direção do que Aaron planeja para o futuro da saga de proporções diminutas.
A primeira história, escrita por Aaron, com arte de Baldemar Rivas e cores de Matthew Wilson, se passa três meses depois do final do primeiro arco, com Wysta exilada de Wyrdweb e vagando pelo jardim até receber uma missão de uma aranha para descobrir o que aconteceu na maior árvore dali, que está completamente silenciosa. Lá chegando, ela se deparada com aranhas que tecem teias brilhantes que ardem como fogo e que são comandas por uma myte (nome dados aos humanoides que representam os animais e insetos desse universo) poderosa que se autodenomina Viúva e que tem um passado muito semelhante ao de Wysta e que tenta recrutá-la para sua causa de vingança contra Wyrdweb. Equilibrando flashbacks brutais com pancadaria entre as duas no presente, vemos mais um exemplo da rigidez dos costumes do clã das aranhas e todas as mortes horríveis que isso gera, além de sermos apresentados, pela primeira vez, ao myte que é líder de um clã de esquilos que planeja invadir o jardim, marcando a primeira vez que efetivamente vemos animais não insetos ou aracnídeos na história, algo que reforça o que já havia ficado claro que seria a direção da jornada de Slade Slaymaker no vindouro segundo arco.

Na segunda história, com roteiro e arte de Asrar, o que temos é quase que um interlúdio que acontece em algum momento no passado, quando Wysta ainda fazia parte de Wyrdweb, com um jovem myte aracnídeo perdido no jardim e sendo ajudado por ela a lidar com um pequeno grupo de sádicos do clã das vespas. Assim como na história anterior, o que fica, de verdade, é a mensagem de que as aranhas seguem regras estritas e absolutamente brutais para lidar com qualquer tipo de desvio de comportamento ou de seus rituais. Diria que é um conto redundante em seu objetivo que pouco ou quase nada agrega à mitologia, ainda que reforce o passado que eu poderia eufemisticamente chamar de ambíguo de Wysta.
Finalmente, a terceira história, que se passa logo depois de a família Slaymaker retorna à casa do jardim e que conta com roteiro de Aaron e arte de David Messina, conta com uma tentativa de assassinato de Slade pelo clã das aranhas liderado por Xyreena. Durante o processo, elas não só passam a enfrentar o poderoso clã das baratas – mencionado no primeiro arco, mas debutando aqui -, fiel aos Slaymakers, como a própria Xyreena tem uma visão de futuro sobre Slade que a leva a desobeceder as ordens e deixar o jovem em paz, algo que obviamente não é spoilers considerando que, como disse, o conto se passa antes dos eventos protagonizados pelo rapaz depois de ele se miniaturizar e se aventurar pelo jardim. É, para todos os efeitos, uma historieta que parece ter como objetivo nos apresentar ao clã das baratas como uma espécie de bônus, já que esse pessoal ficou de fora do arco inicial, mas será interessante ver se, para a frente, Xyreena retornará e, se retornar, em que capacidade, se protetora de Slade ou mais uma myte que quer acabar com ele e sua família.
O primeiro especial de Bug Wars não é exatamente essencial, o que torna sua função de “lembrete” de que essa mensal existe e voltará em breve muito mais relevante do que qualquer outra. Em um mundo hiperativo em que todo mundo precisa competir pela atenção de consumidores cada vez mais dispersos pela enorme quantidade de ofertas no mundo do entretenimento, uma HQ como essa é quase uma inevitabilidade. O que posso dizer, no final das contas, é que o objetivo da Image foi cumprido e estou eu aqui agora diligentemente aguardando o recomeço efetivo da publicação principal. Que venham os insetos, as aranhas e, claro, os esquilos!
Obs: Todos os títulos em português são traduções minhas, já que a HQ ainda é inédita no Brasil.
Bug Wars: Especial Spyder Wytch (Bug Wars: The Spyder Wytch Special – EUA, 2026)
Roteiro: Jason Aaron (histórias 1 e 3), Mahmud Asrar (história 2)
Arte: Baldemar Rivas (história 1), Mahmud Asrar (história 2), David Messina (história 3)
Cores: Matthew Wilson (histórias 1 e 3)
Letras: Becca Carey
Editoria: Heather Antos
Editora: Image Comics
Data original de publicação: 28 de janeiro de 2026 (impresso), 04 de fevereiro de 2026 (digital)
Páginas: 62
