Crítica | Bullying (Turma da Mônica Jovem #45)

estrelas 4

O bullying não é algo novo, mas foi só a partir de meados dos anos 2000 que alcançou verdadeiro impacto midiático e reacendeu os estudos e discussões sobre o fenômeno, os praticantes e as vítimas. Tais discussões são importantes, inclusive, para diferenciar o que é uma atitude impertinente, uma malcriação, uma passagem eventual de limites e o bullying, de fato, sendo todas essas questões problemáticas (porque fazem mal a alguém), mas em níveis diferentes. Ao trabalhar o tema, independente do meio de comunicação, é necessário ter sensibilidade e saber muito bem como expor a crueldade e covardia dos que cometem bullying e, principalmente, as terríveis consequências que isso pode ter para uma pessoa.

A edição #45 da Turma da Mônica Jovem (TMJ) trouxe o tema à discussão e surpreendeu pela pertinência e veracidade com que trabalhou o tema. O roteiro de Petra Leão — mesma escritora de Tesouro Verde, HQ com mensagem ambiental ligando a TMJ aos personagens de Osamu Teuzka — é ágil no modo como narra a história e consegue estabelecer o ponto de conflito, assim como apresentar o caráter dos vilões sociais e o estado de depressão em que Quim, o destaque dessa edição, se afunda, vítima de bullying.

Como não acompanho todas as edições da TMJ, até porque não sou fã da revista, mas adquiro as edições que tratam de temas muito bons, como este, fiquei surpreso ao saber que Quim era namorado da Magali. Achei realmente interessante deixarem um gordinho namorando com ela, um rompimento nos padrões sociais aceitos que tomam conta dessa nova versão da Turma. Pois bem, a história dessa edição tem Quim como personagem principal. Ele não é um bom jogador de futebol e se sente excluído da turma por isso. Então resolve entrar para uma famosa escola de culinária, onde estaria, ao menos em tese, “em sua própria casa”. Mas eis que três estudantes de famílias ricas e tradicionais enxergam Quim como o patinho feio da turma e resolvem atormentar a vida do rapaz.

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O que mais chama a atenção na história é o foco todo especial na construção do caráter e da sensibilidade do personagem principal. Inúmeros problemas poderiam surgir desse ponto, mas o roteiro de Petra Leão contorna com competência os possíveis abismos e mesmices que surgem em falas e argumentos rasos sobre o tema. A história acaba nos trazendo uma lição de humildade, compartilhamento, amizade, superação e autoestima. Esses mesmos elementos das entrelinhas conseguem fazer com que os terríveis momentos didáticos (sempre desnecessários) percam sua força, e o mesmo vale para as facilidades narrativas adotadas, como por exemplo, o fato de uma famosa escola de culinária mostrar apenas quatro alunos em uma turma.

Nem a esfera do romance aparece como escapismo nessa edição, o que comumente acontece em quadrinhos com o público-alvo da TMJ. Tanto Magali quanto os sempre maravilhosos Mônica e Cebola agem como verdadeiros amigos/irmãos de Quim, cada um tentando ajudar da forma que sabem, sem negar a personalidade, os gostos, a sensibilidade e as muitas qualidades do amigo. O desfecho da história mostra como a questão trabalhada na HQ inteira pode surgir até em um grupo de amigos, basta que alguém faça algo, revele algo ou se comporte de uma maneira que não é esperada por todos. Bullying – Além do Limite é uma edição necessária para tempos como os nossos, onde a vida escolar ou mesmo em outros núcleos sociais pode ser um verdadeiro inferno para uma pessoa. As consequências negativas para isto são enormes. Se você sofre ou conhece alguém que sofre bullying ou qualquer outro tipo de violência/segregação procure ajudar (mas não se coloque em situação de risco!). Chame alguém. Registre em vídeo, áudio ou fotografia e denuncie. Grite por ajuda imediata. Vá à polícia. DISQUE 100.

Turma da Mônica Jovem #45 (Brasil, abril de 2012)
Roteiro: Petra Leão
Arte: Denis Y. Oyafuso, José Aparecido Cavalcante, Lino Paes, Roberto M. Pereira
Arte-final: Diversos
128 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.