Crítica | Capitã Marvel: Origens Sombrias (2017-2018) – CM#125 a 129

Depois de dois arcos publicados sob o título A Poderosa Capitã Marvel, a editora mais uma vez parece fazer de tudo para confundir os leitores e tornar impossível o acompanhamento das linhas narrativas da Capitã Marvel sem ter que pedir socorro para uma junta de Ph.Ds em arquivologia arqueológica para entender suas renumerações. De toda forma, se você estiver confuso, clique no link de “A Poderosa”, pois lá eu explico tudo. De toda forma, Origens Sombrias é um arco em cinco edições – o terceiro da referida publicação – publicado debaixo do título Capitã Marvel apenas, que ganhou a numeração de Legado #125 a 129, reunindo todas as publicações solo de Carol Danvers desde sua época de Miss Marvel de barriguinha de fora, em 1977.

A romancista Margaret Stohl continuou à frente da personagem, lidando, aqui, com o paradeiro de Bean, a criança Kree de pele azul que foi transformada em energia pura ao final do arco Nação Alien, o primeiro de A Poderosa Capitã Marvel. Começando no universo Marvel normal, ou seja, o bom e velho Terra-616, Carol Danvers, não demora, é transportada para um “universo espelho”, um dos mais utilizados artifícios sci-fi, juntamente com a viagem no tempo. Nesse “universo sombrio”, tudo é ao contrário e os heróis são vilões e um dos maiores vilões do Universo Marvel é um benfeitor, com diversos personagens sendo alterados, alguns levemente, como a Tropa Alfa ser renomeada para Tropa Zeta, com Pigmeu cabeludo e Sasquatch careca, outros mais fortemente, com os Guardiões da Galáxia sendo chamados de Ravagers e tendo como componentes Lorde Starkill (obviamente, Peter Quill), Draxx (um Drax magrelo), Gamora (na cor lilás, mas ainda filha de Thanos), Root (Groot, só que como uma cenoura…) e, finalmente, Rockette, uma guaxinim fêmea humanoide (ou seja, bem mais humana do que guaxinim).

Em outras palavras, estamos diante de mais uma dimensão inédita da Marvel Comics, editora que, não muito tempo atrás, em 2015, fez uma saga inteira – Guerras Secretas – para fazer seus vários universos convergirem em um só… Mas estou sendo mimizento e inocente aqui, eu sei. É só que esse negócio de universos alternativos, apesar de ser conceitualmente muito bacana, de tanto ser utilizado já ficou cansativo e repetitivo e, aqui, talvez com exceção do Groot Cenoura, que carrega alguma originalidade cômica, esse universo espelho é insosso demais, como se Stohl não estivesse muito preocupada em trabalhar algo minimamente diferente.

(1) Tropa Zeta e (2) os Ravagers, com direito ao Groot-Cenoura ou Root…

E tudo ficaria ótimo se a roteirista não investisse tanto tempo em lidar com seus “novos” personagens, trabalhando a dinâmica desse Quill do mal com Carol Danvers e, também, entre um grupo e outro de vilões. Para o leitor ter uma ideia, a primeira edição do arco se passa integralmente na Terra-616 e, depois, os três números seguintes inteiros são focados nesse novo universo sem que a história de Bean, Dra. Eve e seu metamorfo seja abordada. Na verdade, essa narrativa é completamente esquecida, com Danvers preocupando-se muito mais em entender onde raios ela está e fazendo um jogo duplo do que efetivamente tentando descobri onde afinal Bean está. Apenas a Dra. Eve aparece aqui e ali, em ações independentes, correndo atrás de uma misteriosa pedra chamada Coração de Gaia que é a nossa boa e velha conhecida joia da realidade, muito claramente fazendo com que o arco inteiro sirva como uma maneira de o leitor descobrir como é que afinal de contas a referida joia do infinito foi parar nas mãos da Capitã Marvel em Guerras Infinitas, a saga mais recente (e desapontadora) da editora. Não sei se eu queria esse nível de detalhe sobre algo, digamos, tão trivial assim e eu definitivamente não queria uma história tão enamorada com si mesma, achando que o universo espelho criado é a coisa mais original e bacana do mundo.

Com isso, os “segredos” sobre a verdadeira intenção da Dra. Eve e sobre Bean são revelados a toque de caixa, na base do texto expositivo entulhando apenas a última edição, com um final extremamente corrido, em coisa de pouquíssimos quadros que acaba de repente, sem cerimônia. E, pior, não me parece que o arco ganhará uma continuação direta, a julgar pela mais recente renumeração da Capitã Marvel, com o primeiro arco ainda não encerrado na data da presente crítica.

Sem muito espaço para trabalhar conceitos realmente diferentes, a arte de Michele Bandini limita-se a mudar as cores dos uniformes da Tropa Zeta e da pele dos Ravagers. Não que Bandini não consiga trabalhar bem as sequências de ação e as expressões faciais, ainda que caricatas, pois ela consegue muito bem. Mas não é o suficiente para fazer o arco sair da mediocridade.

Origens Sombrias, que não tem origem alguma e não é nada sombria, é um daqueles arcos que se acham bem mais espertos do que são, subestimando o leitor e trabalhando de maneira modorrenta artifícios sci-fi clássicos que já viram dias melhores em mãos mais inspiradas. Não é o horror que talvez minha crítica mais ácida faça parecer, mas a história sofre por ser intensamente desequilibrada e simplista.

Capitã Marvel: Origens Sombrias (Captain Marvel: Dark Origins, EUA – 2017/8)
Contendo: Capitã Marvel #125 a 129
Roteiro: Margaret Stohl
Arte: Michele Bandini
Cores: Erick Arciniega
Letras: Joe Caramagna
Capas: Phil Noto
Editoria: Sana Amanat, Mark Basso, Sarah Brunstad
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: dezembro de 2017 a abril de 2018
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: não lançado no Brasil na data de publicação da presente crítica
Páginas: 113

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.