Home TVTelefilmes Crítica | Capitão América (1979)

Crítica | Capitão América (1979)

por Ritter Fan
294 views (a partir de agosto de 2020)

Foi necessário esperar 35 anos desde a primeira adaptação do Capitão América em audiovisual para que o herói da Marvel Comics fosse chamado de Steve Rogers por trás do icônico uniforme de bandeira, mas, quando esse momento finalmente chegou, no telefilme de 1979 transmitido originalmente pela CBS que, à época, só engordava sua carteira de super-heróis (Homem-Aranha e O Incrível Hulk ganharam telefilmes em 1977 e séries de TV em 1978), o resultado foi próximo de uma tragédia. Mesmo que haja mais do Capitão América dos quadrinhos neste filme do que no serial de 1944, o que, francamente, não é nada difícil, a grande verdade é que todo o resto chega a ser assustador de ruim ao ponto de nem a nostalgia salvar um fotograma que seja dessa aberração audiovisual.

No longa-metragem produzido pela Universal Television para a CBS com orçamento que provavelmente nem daria para comprar “duas mariolas e um cigarro”, Steve Rogers é um jovem bombado ex-jogador de futebol americano e motoqueiro que acabou de sair do exército para passear pelos EUA desenhando em uma van descolada, mas que descobre que seu pai falecido havia inventado um super-hormônio que só funcionou plenamente nele, recebendo uma proposta de ser cobaia de testes em razão de seu DNA. Como é padrão, ele se recusa a tornar-se o novo Capitão América até que, depois de um atentado, o soro é injetado nele de todo jeito, o que lhe dá não só super-força, mas também super-visão e super-audição em uma versão totalmente sem graça e com bíceps de um metro de diâmetro do outro Steve superforte da época, o Austin, mais conhecido como o Homem de Seis Milhões de Dólares (da rival ABC).

O roteiro de Don Ingalls é um horror completo que não faz o menor sentido lógico, marretando um pouco da mitologia dos quadrinhos (o soro, o escudo, o uniforme e alguma conexão com o exército americano) com uma trama vilanesca risível que é tão idiota que eu me recuso a descrever. Chega a dar vergonha ver Steve Forrest, o líder da equipe da S.W.A.T. da série clássica como o industrial Lou Brackett que, por alguma razão ridícula, quer explodir uma bomba de nêutrons. Na verdade, fica difícil crer que uma pessoa só tenha escrito o texto, pois o que vemos é um arremedo de história cujas partes não têm nexo causal e, com isso, só com muita boa vontade poderia ser chamada de colcha de retalhos, ainda que pareça mais um quebra-cabeças daqueles infantis, com peças grandes e óbvias, só que faltando metade delas…

E, no quesito elenco, temos o sensacional e maravilhoso “ator” Reb Brown que consegue a façanha de transformar Steve Rogers em um sujeito que transpira burrice por cada poro, dente exageradamente branco e cacho loiro de surfista de seu ser. Chega a dar vergonha alheia ver Brown “atuar” e proferir diálogos com a mesma naturalidade de âncora de primeira viagem lendo de teleprompter. Tudo bem que o roteiro não ajuda em nada, entregando-lhe linhas de texto que mais parecem que foram escritas em trabalho de grupo de 2ª ou 3ª série de primário de alguma escola ruim. O Capitão Grant Gardner “gordinho” de Dick Purcell, por mais que não tenha absolutamente nenhuma conexão com o herói dos quadrinhos, é infinitamente superior ao mondrongo que singra a telinha aqui.

O mais engraçado é que não há quase nada de Capitão América propriamente dito no longa. A enrolação é tão grande, com um vai-e-vem inexplicável com pseudo-ciência e planos mirabolantes que envergonhariam o Dr. Evil que Rogers fardado com um uniforme até razoavelmente parecido com o original, só que com um capacete e óculos com asinhas pintadas no lugar de máscara e um hilário escudo de acrílico transparente – objeto entregue a ele de maneira tão aleatória que irrita, aliás – só aparece por menos do que 15 minutos no total, em dois momentos diferentes lá pelo final da projeção, como se a produção estivesse envergonhada de alguma coisa.

No final das contas, esse filme não consegue nem mesmo entrar nas cobiçadas categorias de “passatempo descompromissado” ou de “tão ruim que é bom”. Afinal, não só o tempo não passa vendo a narrativa modorrenta rastejar para a frente como um cágado manco, como o filme é tão ruim que é péssimo mesmo, daqueles que dá vontade de apagar da mente logo depois da magnifica experiência que é ver o Capitão América das HQs ter sua reputação destruída por um marombeiro bobalhão que não fala lé com cré.

Capitão América (Captain America, EUA – 1979)
Direção: Rod Holcomb
Roteiro: Don Ingalls (baseado em história de Don Ingalls e Chester Krumholz e personagem criado por Jack Kirby e Joe Simon)
Elenco: Reb Brown, Len Birman, Heather Menzies-Urich, Robin Mattson, Joseph Ruskin, Lance LeGault, Frank Marth, Steve Forrest, Harry Johnson (Chip Johnson), James Ingersoll, Jim B. Smith, Jason Wingreen, June Dayton
Duração: 97 min.

Você Também pode curtir

24 comentários

Luís Gabriel 12 de junho de 2020 - 17:49

Tô morrendo de rir com essa crítica kkkkjkkkjjj que terrível

Responder
planocritico 12 de junho de 2020 - 17:57

Sua missão, agora, é ver o filme caso não tenha visto!

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 16 de maio de 2020 - 11:07
Responder
Anônimo 16 de maio de 2020 - 11:06
Responder
Anônimo 16 de maio de 2020 - 11:06
Responder
planocritico 16 de maio de 2020 - 13:20

Chegarei lá em algumas semanas.

Abs,
Ritter.

Responder
Bernardo Barroso Neto 14 de maio de 2020 - 10:25

Esse eu nunca vi. Conseguiu ser pior que o de 1990? kkkk

Responder
planocritico 15 de maio de 2020 - 03:04

Não revi ainda o de 1990 para bater o martelo, mas acho MUITO DIFÍCIL de ser pior do que esse lixo aqui…

Abs,
Ritter.

Responder
Beatriz Lynch 12 de maio de 2020 - 19:41

Eu pergunto… serio que isso existe??? E depois tem gente que não gosta do Capitão do MCU.

Responder
planocritico 13 de maio de 2020 - 00:05

Ô se existe! E não só um. Foram DOIS filmes do Capitão com esse ator no mesmo ano! A crítica do segundo sai domingo que vem.

Abs,
Ritter.

Responder
harrytropi 11 de maio de 2020 - 17:05

Aguardando a crítica de outro filme do Bandeiroso: aquele de 1990 protagonizado pelo Petkovic.

Responder
planocritico 11 de maio de 2020 - 17:56

Antes tem outro filme do Capitão de 1979 e o famigerado longa do Howard, o Pato.

Abs,
Ritter.

Responder
Wies e thal 11 de maio de 2020 - 18:15

Bwahahaha ainda tem mais…

Responder
planocritico 11 de maio de 2020 - 18:45

Muito mais, com Geração X, Nick Fury e Homem-Coisa entre elas…

Abs,
Ritter.

Responder
Sidney Gump 11 de maio de 2020 - 01:34

Meia Estrela, Ritter? Esses tempos em que vivemos deixa a gente mais caridoso. 😄

Responder
planocritico 11 de maio de 2020 - 01:53

Pô, pelo menos ele é um Steve Rogers ex-soldado que recebe uma injeção para ficar super-forte e usa escudo, e não um promotor público de meia idade e fora de forma chamado Grant Gardner que não tem super-força alguma e só tem escudo na fivela do cinto…

HAHHHHAAHAHHHAHAHAAHAHAHAH

Abs,
Ritter.

Responder
GENIO PLAYBOY E SAFADÃO VOLTOU 11 de maio de 2020 - 17:26

Cadê o Grand Gardner nos quadrinhos marvel?

Responder
planocritico 11 de maio de 2020 - 17:56

Não fala não que resolvem fazer uma HQ só dele, como o Capitão que nunca soubemos que existiu!

Abs,
Ritter.

Responder
Filipe Isaías 10 de maio de 2020 - 14:10

Gente, o que a falta de filme não faz? Acho que chega um ponto na vida de um cinéfilo que ele já viu todos os filmes bons e tem que partir pra os ruins hahahaha

Abs.

Responder
planocritico 10 de maio de 2020 - 15:10

Maldita hora que eu disse para mim mesmo algo como “acho que vou aproveitar a quarentena para fazer as críticas de todos os filmes da Marvel fora do UCM como fiz com a DC há algum tempo…” Aí deu nisso. E pior: tem Capitão América II e Howard, o Super-Herói um em seguida do outro agora…

Reze por mim…

Abs,
Ritter.

Responder
Filipe Isaías 10 de maio de 2020 - 16:11

Nossa, não deixe de usar a máscara enquanto assiste…

Abs.

Responder
planocritico 10 de maio de 2020 - 20:46

Máscara para os olhos, você quer dizer, não?

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de maio de 2020 - 02:12 Responder
planocritico 10 de maio de 2020 - 03:05

Eu me lembrava de ter visto esse filme em priscas eras, mas não fazia IDEIA que era tão ruim assim. Assombroso…

Abs,
Ritter.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais