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Crítica | Capitão América: Lar dos Valentes

por Kevin Rick
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Lar dos Valentes

Logo após a polêmica saga Império Secreto, que transformou completamente o personagem do Capitão América, e o próprio Universo da Marvel, ao colocar Steve Rogers como o líder supremo da Hydra, a Editora queria abafar as críticas e a recepção raivosa de vários fãs que não queriam sair da zona de conforto. Claro que a decisão é controversa, contudo, eu sou sempre aberto a mudanças e tentativas de criar algo novo com criações tão fortemente enraizadas em seus próprios princípios e expectativas, especialmente se concebidas a partir de uma ideia verdadeiramente honesta conjunta a uma boa construção narrativa, o que, em minha concepção, representa o trabalho de Nick Spencer em Império Secreto.

Dito isso, depois do abalo e comoção geral, seja positiva ou negativa – muito mais negativa, afinal, quem não gosta reclama mais alto -, a Marvel certamente entregaria histórias mais “fiéis” ao Capitão. Aquele aconchego criativo e nostálgico, quase num pedido de desculpas da Editora. É dessa proposta que nasce Capitão América: Lar dos Valentes, uma HQ que puxa a essência patriota, esperançosa e incorrupta de Steve de volta para os quadrinhos, e apesar de partir de um planejamento meio “controle de danos”, é uma obra muito boa. Escrita por Mark Waid, com arte do seu parceiro no crime Chris Samnee, a HQ é praticamente uma homenagem ao legado do Capitão, remetendo-se à Era de Ouro do personagem.

Lar dos Valentes

A HQ é composta por seis edições, e a primeira metade do quadrinho pode ser resumida em sorrisos bobos. São pequenos contos simples do Capitão sem muito perigo, substância ou impacto, mas o argumento de Waid pinta muito bem o quadro de confiança, positivismo e responsabilidade de Steve, no qual é impossível não sentir um conforto emocional em frases piegas, socos exagerados e finais otimistas além da conta. Como disse, é uma revisitação e homenagem à Era de Ouro do personagem, e os próprios civis na história constantemente exaltam o protagonista. Um louvor ao legado gigantesco do personagem, até com uma certa piscadinha e mensagem ao leitor de “ei, o Capitão América ainda está aqui”.

A segunda metade de Capitão América: Lar dos Valentes toma um rumo estranhíssimo, com viagem no tempo, apocalipse e uma pegada bastante negativa, bem na contramão da proposta inicial da obra. Todavia, o final, em uma baita quebra de expectativa, expõe como tudo foi feito no intuito de transpor a representação de Steve, sua simbologia, personalidade e herdade, tanto na Marvel fictícia quanto no seu significado para fãs. Uma bela HQ, meio descompromissada e simplória no começo, mas que trabalha bem sua premissa, além de nos abalar em um final corajoso e puramente Capitão América.

Capitão América: Lar dos Valentes (Captain America: Home of the Brave | EUA, 2017)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Chris Samnee
Cores: Matthew Wilson
Letras: VC’s Joe Caramagna
No Brasil: Panini; 1ª edição (1 dezembro 2018)
Páginas: 144

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4 comentários

Starr-Lord 11 de março de 2021 - 22:15

Acabei de ler essa história por causa da crítica. Eu amo a dupla Waid e Samnee, eles trabalharam muito bem juntos em títulos como Viúva Negra e especialmente Demolidor, uma das melhores fases do personagem pra mim. O Waid sabe fazer aventuras esperançosas e ele assumir o Capitão por um tempo é excelente, pois gostei muito da caracterização dele como um herói inspirador. Curiosamente, muitos dos heróis que eu gosto passam nessa linha de inspirarem o leitor a ser melhor, mas, na maioria dos casos, essa é a intenção mesmo. Fiquei curioso para ler o resto das histórias.

O Chris Samnee é perfeito para esse tipo de história esperançosa com o estilo mais cartunesco. Inclusive, mudando completamente de assunto, não sei se você viu, mas ele chegou a postar um desenho do Invencível esses dias. Foi muito bom ver um dos meus ilustradores favoritos desenhando mais um dos meus personagens favoritos.

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Kevin Rick 12 de março de 2021 - 15:24

Aaaaa, eu amo o Demolidor do Waid e do Samnee! Preciso terminar a run deles com a Viúva Negra. Eu até que gostei dessa fase com o Cap em 2017, mas achei meio que ele fez só espaço entre o Steve do Nick Spencer e do Coates. Só que, claro, Waid é Waid, e o saldo ainda é positivo.

Não vi o desenho do Invencível. Vou dar uma procurada depois hehehe

Outra coisa, chegou a ler Man out of Time ou Rebirth do Waid com o Capitão? Pensando em ler elas nesse mergulho do mês de aniversário do personagem.

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Starr-Lord 12 de março de 2021 - 15:25

Rebirth do Waid eu não li, mas Man out of Time é bem legal por ter o processo de adaptação do personagem de forma extremamente recente, especialmente porque a principal mudança é que ele acordou bem mais tarde, na década passada, pois ele acabou de voltar e uma boa releitura dele se juntando aos Vingadores. Ah, e uma menção maravilhosa a Radiohead aliada com a caracterização excelente do Steve. Tomara que goste quando ler.

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Kevin Rick 13 de março de 2021 - 00:20

Achei ótimo! Essa menção do “Head Radio” é maravilhosa HAHAHAHA

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