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Crítica | Capitão América: Operação Renascimento

por Kevin Rick
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Operação Renascimento

Continuando minha jornada inversa com a cronologia de Mark Waid a frente do Capitão América, retornei aos deliciosos (e estranhos) anos 90 do Universo de quadrinhos da Marvel e da DC. No longo e célebre trajeto de Waid escrevendo histórias do Steve nessa época, uma delas ainda é muito relembrada como um marco no cânone do personagem, sendo justamente o tema desta crítica, Operation Rebirth. Logo de cara, confesso que não acho a HQ tudo isso, bem aquém de ótimas histórias modernas do Cap., algumas do próprio Waid, contudo, o quadrinho grita Nona Arte noventista, e no que se propõe a fazer nesse recorte temporal tão autoral de HQ’s heróicas, o faz com bastante louvor.

A premissa é bem absurda, até para HQ’s, entregando uma história no qual o Capitão América, aparentemente, morreu envenenado pelo próprio soro que definiu sua jornada. Porém, como é praxe em quadrinhos, o personagem estava vivo, sendo salvo por Sharon Carter e o nêmesis do protagonista, o Caveira Vermelha, com direito a transfusão de sangue do vilão clássico. A estranha escolha do Caveira por salvar e ainda por cima propor uma parceira com Steve baseia-se no combate de um inimigo comum: o próprio Adolf Hitler. Ou pelo menos uma versão de Hitler, já que sua essência está presa dentro do cubo da realidade, tornando o líder nazista ainda mais perigoso já que, através do objeto cósmico, ele pode reescrever a realidade dentro de sua ideologia distorcida e cruel.

Operação Renascimento

Por ser uma obra mais clássica do personagem, Waid não toca muito em temas sobre legado ou propósito, mas é louvável como desde esse período o autor sempre entendeu a essência de Steve, e como cutucar o espírito dele para entregar quadrinhos mais intimistas, fugindo bastante da superficialidade que era regra nos anos 90. A dinâmica entre o Capitão e o Caveira produzem um anedótico e agressivo ataque à moralidade incólume do personagem, já partindo da ideia que Waid sempre gostou de colocar Steve fora do confortável virtuoso e ético. Além disso, é possível ver alguns indícios de crítica ao sonho americano por parte de Waid através do abandono governamental de Sharon Carter com intuito de atingir o patriotismo meio cego e senso de dever incoerente do protagonista, elemento de julgamento que o autor tornaria comum em histórias mais atuais.

Ademais, o objetivo geral da HQ é ser uma experiência divertida, recheada de ação, plot twists, traições e um ritmo frenético de leitura. A arte datada dos anos 90, muito desproporcional em forma e exagerada em cores, naquela influência ilógica do (péssimo) Rob Liefeld, estraga um pouquinho a leitura, mas o roteiro curto e irrefreável de Waid proporciona uma leitura gostosa e entusiasmada. Operação Renascimento é uma aventura divertida do Capitão, trabalhando a moralidade do personagem na parceria com o Caveira Vermelha e sua incumbência militar com o abandono americano de Sharon. Waid cria mais um belo arco com o personagem.

Capitão América: Operação Renascimento (Captain America: Operation Rebirth | EUA, 1996)

Contendo: Capitão América (1968) #445 a 448
Roteiro: Mark Waid
Arte: Ron Garney, Scott Koblish
Cores: John Kalisz, Paul Becton
Letras: John Costanza
Páginas: 112

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