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Crítica | Capitão América: Terra Prometida

por Kevin Rick
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Continuando sua run nostálgica e legatária do Capitão América após Lar dos Valentes, Mark Waid retoma as mesmas temáticas de homenagem ao Steve, mas decide dar uma misturada no Universo ao criar uma história sobre seus descendentes em uma sociedade futurista aparentemente utópica, o resultado do sonho do Capitão – concomitantemente, o sonho americano também – de um planeta regido pela constituição, liberdade de expressão e direitos iguais. A Terra Prometida é basicamente o resultado do legado e das virtudes do personagem, em mais uma espécie de louvor à representação dele. O conceito é até interessante, acompanhando a história de Jack Rogers, um homem que só quer salvar seu filho das suas condições médicas extraordinárias, contudo, a execução de Waid é bastante regular, como se ele estivesse no piloto automático.

Vários elementos da mitologia do Cap. estão em ação, desde o super soro, o Caveira Vermelha, seu escudo, além de várias e várias metáforas e simbologias sobre o espírito e os princípios do personagem em ambientações, ideologias e diálogos. A diferença é que, com exceção de alguns (péssimos) flashbacks do próprio Steve, a história sequer é sobre o Capitão, mas sim da sua herança. Novamente, é uma premissa interessante, que abre um leque de recursos para o autor brincar com a mitologia e a história do Capitão, e trazer algumas camadas políticas sobre patriotismo, nacionalismo e o lado ruim do sonho americano tão romantizado nas clássicas histórias do personagem, mas o que vemos é um quadrinho que parece estar tampando buraco entre o final de Império Secreto e o início da run do Coates.

O verdadeiro protagonista da HQ, Jack Rogers, é deveras interessante em sua turbulência paterna, navegando numa linha moral tênue entre salvar seu filho e condenar o mundo. Existe um cinismo em relação à virtude do seu ancestral heroico bacana utilizado em suas difíceis decisões, e como ele pode viver e escolher de acordo com o “sonho” de Steve. A questão é que a construção narrativa em torno do conflito dele é muito mal feita. O núcleo dos Kree serve como motor narrativo, mas é extremamente desinteressante, assim como a aparição estranha e gratuita do Caveira Vermelha. A resolução da história não ajuda na experiência esquecível e mal montada de Waid, que se importa muito com a metaficção e simbologias, mas se esquece de escrever algo concreto e engajador.

Capitão América: Terra Prometida não chega a ser ruim, pois parte de uma premissa curiosa e de um protagonista que te faz importar com sua jornada inicialmente. A questão é que à medida que a história avança, mais você se encontra pedindo um roteiro orgânico e cativante, que faça jus ao legado das HQ’s de Steve. Waid traz um conceito que prende sua atenção, mas ao longo de curtas quatro edições, faz muito pouco para alongar o entusiasmo do leitor com sua obra. Um quadrinho para passar o tempo, bastante esquecível.

Capitão América: Terra Prometida (Captain America: Home of the Brave | EUA, 2018)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Leonardo Romero, Rod Reis, Howard Chaykin
Cores: Jordie Bellaire, Rod Reis, Jesus Aburtov
Letras: VC’s Joe Caramagna
No Brasil: Panini; 1ª edição (01 de fevereiro de 2019)
Páginas: 112

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