Home TVTelefilmes Crítica | Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok

Crítica | Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok

por Ritter Fan
475 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2

Espaço: Lua-floresta de Endor
Tempo: 3 anos após a Batalha de Yavin (3 d.BY)

Todo mundo já teve essa experiência: filmes que assistiram há muitos anos e que adoraram, mas que, assistidos novamente, depois de um longo hiato, “tornam-se” ruins. Faz parte. A memória afetiva nos prega peças e maravilhas do passado são reveladas como porcarias do presente.

Ainda que Caravana da Coragem, telefilme da LucasFilm feito para capitalizar em cima da fofura dos Ewoks, ursinhos de pelúcia introduzidos no cânone de Star Wars em O Retorno de Jedi, encaixe-se no caso que descrevi acima, a película sobreviveu surpreendentemente bem por todos esses anos. Não que seja uma obra classificável como boa ou mesmo recomendável (a não ser para os muito pequenos, claro), mas, despretensiosamente, a narrativa flui sem maiores percalços e os efeitos especiais, uma fusão de stop motion com o uso inteligente das pinturas matte (as pinturas detalhadas de fundo, para dar impressão de profundidade) não envelheceram tanto assim, especialmente se lembrarmos – e eu lembro! – que a aventura televisiva anterior da LucasFilm, o famigerado Star Wars Holiday Special, é um atentado audiovisual.

A história é simples e clichê ao extremo, com um cruzador espacial com a família Towani caindo na lua-floresta de Endor. Quando os pais, Catarine (Fionnula Flanagan) e Jeremitt (Guy Boyd), desaparecem, as crianças Mace (Eric Walker) e Cindel (Aubree Miller) ficam sozinhas e são achadas por Deej (Daniel Frishman), um dos simpáticos Ewoks. Levados para a aldeia, eles – especialmente Cindel – fazem amizade com Wicket (novamente vivido por Warwick Davis) e, depois que o sábio Logray diz que os adultos haviam sido levados pelo monstro Gorax, um pequeno grupo se forma (a “Caravana” do título) para resgatá-los.

Assim, como todo filme desse tipo, com estrutura de videogame, nossos heróis enfrentam obstáculo atrás de obstáculo, conhecem novos personagens e chegam ao “chefe final”, no caso o tal Gorax que, não demora, é derrotado. Simples, objetivo e pouco comprometedor.

Como o objetivo era fazer algo claramente voltado para crianças (muitos de nós, críticos adultos, esquecemos disso…), a mensagem de amizade, coragem e união familiar é o único alvo da fita e ele é atingido eficientemente, mesmo se considerarmos o mundo mais cínico em que vivemos hoje. Claro que um roteiro menos óbvio e mais desafiador, aliado a uma direção menos burocrática, com planos de câmera parada típicos de televisão da época, teriam ajudado a retirar Caravana da Coragem da vala comum para onde esse tipo de produção acaba mentalmente arquivada. Na verdade, “vala comum” não, pois é uma produção dentro do universo de Star Wars, algo que, para os fãs, exige uma “vala não tão comum assim”.

Em termos de atuação, Warwick Davis continua sendo o destaque. Ele arrebatou as crianças (e adultos também, confessem!) como Wicket em O Retorno de Jedi e continua seu trabalho aqui, debaixo de uma fantasia que, assim como no longa para o cinema, inacreditavelmente funciona. E Aubree Miller, como a pequena Cindel, lembra muito o papel de Gertie de Drew Barrymore em E.T. – O Extraterrestre, reunindo ternura com fofura e criando uma boa química com os ursinhos de pelúcia. Quem realmente não funciona é Eric Walker como Mace, o irmão mais velho de Cindel. O ator que, não surpreendentemente, tem um carreira artística pífia, não sabe reagir às situações que seu personagem tem que enfrentar e entrega uma atuação de trincar os dentes e tão exagerada que chega a ser cômica. Sendo uma produção de baixo orçamento para a TV, não é incomum que o elenco seja de baixa categoria, mas, mesmo assim, é incompreensível que sua incapacidade técnica não tenha sido revelada nas audições e olha que, diferente de Star Wars Holiday Special, dessa vez George Lucas manteve todo o controle criativo (algo que, como o mundo descobriria em 1999, não quer dizer absolutamente nada…).

Caravana da Coragem é mais um filme que, sem dúvida alguma, fica melhor devidamente guardado nos recônditos da memória afetiva. Mas, se der vontade de voltar a Endor mais uma vez, a fita até que não desapontará completamente, o que, por si só, já é uma boa notícia.

Obs: Aos que se interessarem, Caravana da Coragem é um telefilme canônico, ou seja, é considerando na cronologia de acontecimentos oficiais do Universo Star Wars. Em termos cronológicos, ele se passa em algum momento entre O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi e muito determinam o ano como sendo o terceiro ano após a Batalha de Yavin, de Guerra nas Estrelas. [comentário seguinte acrescentado graças às dicas de alguns leitores] Claro que, depois que a Disney comprou a LucasFilm e resolveu eliminar do cânone de Star Wars tudo que não fossem os seis filmes, reiniciando o Universo Expandido com uma série de livros e quadrinhos próprios, pode ser que Caravana da Coragem tenha deixado de ser cânone a partir de 1º de janeiro de 2015, o que é uma pena.

Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok (Caravan of Courage: An Ewok Adventure/The Ewok Adventure, EUA – 1984)
Direção: John Korty
Roteiro: Bob Carrau (baseado em história de George Lucas)
Elenco: Eric Walker, Warwick Davis, Fionnula Flanagan, Guy Boyd, Aubree Miller, Burl Ives, Daniel Frishman, Debbie Lee Carrington, Tony Cox
Duração: 96 min.

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12 comentários

planocritico 10 de junho de 2018 - 13:54

@disqus_2j4CYnTPvg:disqus , acho que procede mesmo! Vi aqui e o SBT passava o segundo filme como Caravana da Coragem: A Batalha de Endor (para aproveitar o relativo renome do título Caravana) e aí gerou a possível confusão.

Abs,
Ritter.

Responder
Rafaela Oliveira 11 de dezembro de 2017 - 11:06

A caravana da Coragem passava direto no SBT, quando eu era criança sabia que fazia parte do guerra nas estrelas, mas não sabia onde se encaixava, até que agora, depois de mil anos vc explicou :Dai nunca me interessei em assistir. E também pq era um filme muito fofo para os meus padrões 😀

Responder
planocritico 11 de dezembro de 2017 - 18:05

@disqus_xl1RhN1NPZ:disqus , o filme não é mais canônico desde que a Disney comprou a Lucasfilm, mas ele se encaixaria onde expliquei mesmo.

Abs,
Ritter.

Responder
Rodolfo Júnior 10 de junho de 2018 - 00:52

Não era no sbt, e sim na globo, foi um grande sucesso da sessão da tarde.

Responder
Edu Jiu 4 de janeiro de 2017 - 17:24

ae Ritter, tô navegando pela lista especial Star Wars… e o que achei: o filme dos Ewoks !!!!!!!!

Não é qualquer coisa esse filme… muita nostalgia pra mim…

Os Ewoks são, simplesmente, as criaturas mais ‘gutchi gutchi’ do universo Star Wars!!!

Acha pouco? … eles estão na frente do Yoda, que vem em segundo na lista…. Viu?!

Responder
Edu Jiu 4 de janeiro de 2017 - 17:24

ae Ritter, tô navegando pela lista especial Star Wars… e o que achei: o filme dos Ewoks !!!!!!!!

Não é qualquer coisa esse filme… muita nostalgia pra mim…

Os Ewoks são, simplesmente, as criaturas mais ‘gutchi gutchi’ do universo Star Wars!!!

Acha pouco? … eles estão na frente do Yoda, que vem em segundo na lista…. Viu?!

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2017 - 14:53

Legal seu passei pelo Especial Star Wars, @edujiu:disqus !

Tenho muita nostalgia por esse filme também! Vi e revi milhares de vezes!

Mas não, na frente do Yoda, não.. Pelo menos não do Yoda boneco com voz de Frank Oz. Do Yoda digital sapo-saltitante tudo bem…

Abs,
Ritter.

Responder
Edu Jiu 5 de janeiro de 2017 - 15:16

huahuahuahua

No meu caso, é complicado. A primeira vez que fui ao cinema, meu primo mais velho me levou. Eu tinha cerca de 5 anos. Qual o filme? O Retorno de Jedi

Então os Ewoks foram sucesso total, eu era publico alvo!!! kkkkkk

…por causa disso Vader é o centro da minha construção da concepção de vilão.

Responder
Edu Jiu 5 de janeiro de 2017 - 15:16

huahuahuahua

No meu caso, é complicado. A primeira vez que fui ao cinema, meu primo mais velho me levou. Eu tinha cerca de 5 anos. Qual o filme? O Retorno de Jedi

Então os Ewoks foram sucesso total, eu era publico alvo!!! kkkkkk

…por causa disso Vader é o centro da minha construção da concepção de vilão.

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2017 - 15:21

Tá certo!

HAHAHAHAHAHAHHAHHA

– Ritter.

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2017 - 15:21

Tá certo!

HAHAHAHAHAHAHHAHHA

– Ritter.

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2017 - 14:53

Legal seu passei pelo Especial Star Wars, @edujiu:disqus !

Tenho muita nostalgia por esse filme também! Vi e revi milhares de vezes!

Mas não, na frente do Yoda, não.. Pelo menos não do Yoda boneco com voz de Frank Oz. Do Yoda digital sapo-saltitante tudo bem…

Abs,
Ritter.

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