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Crítica | Carga Explosiva: O Legado

por Kevin Rick
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Carga Explosiva: O Legado é mais um filme da infinita lista de reboots, remakes, e afins, que ninguém pediu e ninguém queria. A trilogia original, encabeçada por Luc Besson, já era uma genérica série de filmes de ação, no entanto, uma bem divertida, protagonizada pelo sempre carismático Jason Statham. A quarta entrada na franquia perde todos os elementos que tornaram as aventuras de Frank prazerosas de assistir, e falha em sequer alcançar um nível razoável de qualidade dentro do gênero.

A saída de Jason, aparentemente por ridículas escolhas do estúdio ao oferecer um contrato de três novos filmes sem roteiro, destroem qualquer resquício do magnetismo descerebrado que Statham promove nos filmes originais. Se existia um raio de esperança para este crash-grab, é a permanência de Luc Besson como roteirista. O cineasta foi responsável pelo enredo dos outros filmes, e fez carreira escrevendo películas de ação que variaram bastante de qualidade, mas, infelizmente, Luc atinge o fundo do poço como escritor nessa obra que mais parece um comercial de carro estendido para duração de um longa-metragem – e nem é uma das boas propagandas pra início de conversa.

A premissa é basicamente a mesma, com Ed Skrein assumindo o manto do mercenário de terno, mantendo as inquebráveis – que são sempre quebradas – regras de: qualquer pacote entregue, sem perguntas, sem nomes e sem alterações no acordo. Skrein não produz a fascinação de Statham, mas ele também não faz feio como o raso Frank Martin, entregando boa postura e credibilidade nas cenas de luta. A escalação de Ray Stevenson para o papel do pai aposentado de Frank, que é sequestrado por um círculo de prostitutas fashionistas de perucas loiras de diferentes origens nacionais, tem como objetivo o aprofundamento emocional da vida do protagonista, durante sua missão de vingança contra o chefe do tráfico russo Yuri (Yuri Kolokolnikov). Dessa forma, O Legado trai a essência da franquia e inicia sua trilha de horrores narrativos.

Se existe um objeto fílmico na obra é a descrença. Estes filmes sempre foram sobre desligar seu cérebro e divertir-se com a jornada de Frank, em sua maioria sobre vendetta, com muita velocidade e porrada. À partir do momento que os roteiristas decidem mudar a linguagem da série, tudo vai por água abaixo. O problema nem é a escolha de constituir uma história mais dramática internamente para Frank, mas sim a completa falta de desenvolvimento em tal empreitada. Na tentativa de trazer nuances ao personagem, algo completamente fora do alcance de Ed Skrein, o filme realiza sua maior façanha: ser um longa ainda mais clichê e raso que os anteriores, ainda que investindo, inicialmente, na navegação dramática do passado e pessoalidade do protagonista.

O diálogo é super expositivo, com frases de efeito a torto e a direita, e uma completa falta de cuidado narrativo para construir qualquer faceta interessante para os personagens. A obra consegue ser um tanto machista com longas cenas de contemplação da sexualidade feminina, focando a câmera constantemente em seus corpos. A descrença em prol da diversão é substituída pela completa estupidez por escolhas que te fazem questionar se um veterano como Luc Besson está envolvido no roteiro. Prostitutas são super-hackers manipuladoras, os vilões, obviamente russos, são mais imbecis que qualquer radar do público comum pode suportar, e Frank é sempre chantageado pelo sequestro de seu pai, no constante fracassado exercício de relação pai e filho que a fita quer propor. Toda a narrativa do filme é uma amálgama dos clichês de mal gosto dos filmes de ação oitentistas.

Mas e a ação? Este é o foco do filme, correto? Bem, deveria ser, mas o que foi apresentado, levando em consideração o alto orçamento, é a verdadeira descrença entregue ao espectador. O diretor Camille Delamarre vomita bobagens baratas, incluindo perseguições de carro que são mais sobre colisões barulhentas e CGI do que a emoção da velocidade. Lutas tão fortemente coreografadas que chega a ser risível o irrealismo do combate, e não de uma forma divertida, mas hilariante frustrantes de olhar. Ed Skrein faz tudo em seu alcance de mal encarado, e, fantasticamente, ele passa credibilidade, mas Camille falha miseravelmente em constituir qualquer fluidez nos planos de ação ou perseguições.

A última empreitada da franquia Carga Explosiva foi concebida como um erro, e a equipe criativa por trás da obra fez tudo em seu poder para tornar a experiência pior. Se você está procurando pela adrenalina e loucura que alimentou os filmes de Jason Statham, você ficará desapontado. Esta é uma obra que erra profundamente em tudo que tenta fazer. Carga Explosiva: O Legado é uma reforma de um veículo de ação que ninguém precisava de outra carona.

Carga Explosiva: O Legado (The Transporter: Refueled | França – Chile, 2015)
Direção: Camille Dellamarre
Roteiro: Adam Cooper, Luc Besson, Bill Collage
Elenco: Ed Skrein, Ray Stevenson, Loan Chabanol, Gabriella Wright, Tatiana Pajkovic, Wenxia Yu, Radivoje Bukvic, Noémie Lanoir, Yuri Kolokolnikov
Duração: 96 minutos

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