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Crítica | Chad Powers: O Quarterback – 1ª Temporada

Um pateta talentoso.

por Kevin Rick
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Mais nova série do Disney Plus, Chad Powers é uma comédia esportiva sobre um quarterback decadente fingindo ser outra pessoa, inspirado em Uma Babá Quase Perfeita, mas de diversas formas emulando o recente Ted Lasso. Gradualmente, a comédia de farsas dá espaço ao drama com retratos sobre vaidade, fracasso e a persistente tentação de se reinventar, mesmo que isso signifique mentir. Criada e estrelada por Glen Powell (como Russ Holliday/Chad Powers), a série não abraça completamente o absurdo de sua premissa, mas é certamente um material inusitado.

A temporada abre com a imagem que define o personagem: Russ Holliday, astro universitário do futebol americano, prestes a marcar o touchdown da carreira, larga a bola um segundo antes da linha de gol. Poucos segundos depois, ele soca um fã que cai em cima de uma criança com câncer. É um tipo de erro absurdamente hilário, algo saído dos filmes escrachados do Ben Stiller, do Will Ferrell ou até do Adam Sandler nos anos 2000, no que é o símbolo de uma vida marcada por autossabotagem. Oito anos depois, reencontramos Russ como um homem partido, até que decide se reinventar: cria o alter ego Chad Powers e tenta voltar aos gramados disfarçado.

Essa estrutura de farsa esportiva poderia render apenas uma comédia de erros, mas a série tem ambições maiores e, da minha leitura, equivocadas. Cada episódio combina o humor situacional com um estudo de personagem que é um tanto superficial. Gosto mais da série quando de fato se apropria do humor escrachado, como na guerra de balões d’água, do que quando tenta tornar o riso em algo incômodo sobre o narcisismo crônico de seu protagonista antipático ou então quando gradualmente se torna uma história de romance batida. 

Formalmente, a série se ancora em uma estética híbrida entre sitcom e drama esportivo, uma aposta adequada para a abordagem narrativa. O roteiro, no entanto, tenta encontrar força no jogo entre o absurdo e a humanidade. Quando Chad se infiltra na equipe universitária dos Catfish, o texto brinca com arquétipos do gênero: o técnico durão, a assistente idealista, o colega rival e coisas do tipo; tudo embalado em uma boa sátira. Mas quando o texto pesa pro melodrama e para relacionamentos interpessoais, noto uma queda na leveza e no charme de ver Powell como um caipira incestuoso de voz fina, ainda que não seja um arco dramático completamente desperdiçado no convencional tom edificante de histórias esportivas. 

Mesmo com esse problema tonal, a temporada de estreia diverte. Piadas surgem da situação em cena, como o absurdo de um homem de trinta e poucos anos fingindo ser calouro, o desconforto dos colegas mais jovens, a logística surreal de manter o disfarce, tudo no ritmo de comédia física. Powell está se divertindo horrores no papel e o elenco coadjuvante sabe sustentar os arquétipos, apesar da assistente namoradinha do protagonista destoar um pouco do humor da temporada.

Chad Powers é, portanto, uma tragicomédia que, na minha visão, funciona melhor quando não se esforça tanto para trazer mais substância dramática. Há humor, há emoção, há tentativa de trazer densidade e, no fim, há um carisma inegável na produção, que mesmo entre tropeços ainda proporciona algumas lições morais em meio a bons risos. Não acho que exista história o suficiente para mais uma temporada, mas veremos o que Powell trará num vindouro sophomore year.

Chad Powers – 1ª Temporada | EUA, 2025
Criação e desenvolvimento: Glen Powell, Michael Waldron (baseado no Eli’s Places Segment, da ESPN)
Direção: Tony Yacenda, Payman Benz, Michael Waldron
Roteiro: Glen Powell, Michael Waldron, Paloma Lamb, Jamie Lee, Ben Dougan, Jordan Mendoza, Luvh Rakhe, Gaelyn Golde
Elenco: Glen Powell, Perry Mattfeld, Quentin Plair, Wynn Everett, Frankie Rodriguez, Steve Zahn, Toby Huss, Clayne Crawford, Colton Ryan
Duração: 203 min. (06 episódios)

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