Crítica | Chico – O País da Delicadeza Perdida

estrelas 3

O especial Chico ou o país da delicadeza perdida (1990), é um daqueles programas feitos para a TV, que possuem tema e realizadores de primeira linha, e que fascinam o espectador por sua excelência artística.

O trabalho foi encomendado pela TV francesa FR3, e conta com direção de Walter Salles e Nelson Motta. Nele, a notável dupla faz um recorte para analisar a sociedade brasileira a partir de 1960, quando do início da carreira de Chico Buarque. Desde as delicadas primeiras músicas do cantor, passando pelas críticas ao Regime Militar e as trilhas sonoras dos filmes, o documentário chega ao fim dos anos 1980, pintando um Brasil que padece sob as violentas diferenças entre ricos e pobres, e como plano de fundo ou ilustração, as músicas de Chico, que marcam essa época com criações mais ácidas, expositoras da realidade doente em que vivia o país – Brejo da Cruz, por exemplo.

Com imagens tomadas de crianças e habitantes dos morros cariocas, e de comunidades à beira-mar, o especial documentário junta imagens do Rio antigo retiradas do filme Rio de Memórias (José Inácio Parente, 1987) e do filme Uma Avenida Chamada Brasil (1988), de Otavio Bezerra. Aí se forma a parte documental, que dará conta dos elementos sociais e da relação dessas questões com a obra de Chico, que nas entrevistas, fala sobre tudo: de sua inspiração feminina para compor algumas canções, até a teoria do “Homem Cordial”, de seu pai, Sérgio Buarque de Hollanda. O ponto lírico da obra é a apresentação de canções do artista carioca postas entre cada bloco documental específico, cações filmadas em março de 1990 , por ocasião da comemoração dos 25 anos de carreira do músico.

Por ser um trabalho para a TV, entendemos alguns caminhos mais fáceis tomados pelos diretores, mas determinadas coisas poderiam muito bem não aparecer na tela, como os intertítulos divisórios dos blocos documentais ou a colossal distância temática entre as entrevistas dadas por Chico. Sendo um especial para a tevê, certamente o problema do tempo para narração de um fato foi um obstáculo triste enfrentado pelos realizadores, mas já sabendo a cronométrica atitude dos produtos da telinha, que a abordagem fosse feita de maneira mais una… Vale dizer, que nenhum dois defeitos compromete o resultado final do produto, que é, como já dissemos, muito bom. O especial é uma boa surpresa, e termina deixando aquele gosto de “quero mais”, na alma e nos ouvidos do espectador.

* Por falta de imagens de boa qualidade do documentário em questão, coloquei como destaque uma foto qualquer do cantor.

Chico – O País da Delicadeza Perdida (Idem, Brasil, França, 1990)
Direção: Walter Salles, Nelson Motta
Roteiro: João Moreira Salles
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.