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Crítica | Chuck Norris e o Comando Karatê – 1X01: Golfinho Mortal

Nem Chuck Norris salva.

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna semanal dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 1
Número de episódios: 5
Período de exibição: 15 a 19 de setembro de 1986.
Há continuação ou reboot?: Não. Mas Chuck Norris continuou sendo Chuck Norris depois da série e isso basta.

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Como era comum nos anos 80, toda a celebridade hollywoodiana com algum potencial de “venda”, ganhava, mais cedo ou mais tarde, uma série animada com seu nome artístico como chamariz. Foi assim com The Gary Coleman Show, Hulk Hogan’s Rock ‘n’ Wrestling e Mister T, dentre outras, com graus diferentes de sucesso, mas sempre a mesma qualidade da (des)animação oitentista que focava muito mais na produção em massa do que qualquer cuidado com suas animações. Portanto, não é surpresa alguma que Chuck Norris, em meados da década e no alto de sua fama cinematográfica, tenha ganhado o mesmo tratamento em uma série animada da Ruby-Spears que ele criou, deu voz ao personagem que leva seu nome e aparência e cujo título também tem seu nome, só para ficar bem claro quem era a pessoa mais importante da produção.

Surpresa mesmo é Chuck Norris e o Comando Karatê só ter tido cinco episódios, sendo cancelado, de acordo com o próprio Norris, por ser violenta demais, o que obviamente é balela. Não sei se a série não encontrou seu público ou se não foi suficientemente divulgada – apesar de uma HQ em quatro edições pela Star Comics, selo da Marvel Comics para esse tipo de coisa, e os obrigatórios “bonequinhos” da Kenner, terem sido devidamente lançados -, ou se houve questões de bastidores, como o cachê de Norris ou as famosas “diferenças criativas”, mas fato é que os cinco episódios foram ao ar nos EUA em 1986 e em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, e pronto, nunca mais se falou nisso a não ser, lógico, nas incessantes reprises e lançamentos em vídeo doméstico. Considerando que Mister T, usado como molde para Comando Karatê, teve 30 episódios em duas temporadas, algo de estranho definitivamente aconteceu entre Norris e a produtora.

Quando afirmo que Mister T foi o molde da série de Chuck Norris, quero dizer literalmente, pois não só a produtora das duas foi a Ruby-Spears, o que garantiu a falta de qualidade do design e da animação, como a estrutura é a mesma: enquanto Mr. T comanda um grupo de ginastas em missões investigativas variadas, com direito ao ator aparecendo em carne e osso no começo e no fim dos episódios para ensinar ao público a “lição de moral”, Chuck Norris lidera um grupo de artistas marciais em missões contra a VULTURE, entidade capitaneada pelo maligno (e oriental, claro) vilão Claw (Bill Martin) e seus minions em sua maioria ninja, pois ninjas estavam na moda também, com direito a, você acertou, o próprio Chuck Norris ao vivo e a cores, normalmente com quimono e em sessões de treino, conversando com o espectador sobre o que prestar atenção no episódio e o que extrair dele. E aquele “copia e cola” safado que marcou as animações da década e que tinham como objetivo primordial servir de veículo para a venda de produtos variados, mas normalmente brinquedos e revistas em quadrinho.

Em Golfinho Mortal (tem golfinho, mas ele não é mortal de jeito algum…), quando Chuck e sua equipe formada por um lutador de sumo, uma especialista em tecnologia, um aprendiz, um samurai e, claro, uma criança chamada Too Much (sim, isso aí), pois faz todo sentido ter crianças em missões perigosas, estão ajudando o Dr. Sanford (Don Messick) com suas pesquisas submarinas, a VULTURE, por meio da Mulher Peixe (Linda Gary), sequestra o cientista e toma controle de sua base submarina para causar o caos no mundo com tsunamis artificialmente criados. O que segue, daí, é uma hilária sucessão de sequências de ação em que vemos Chuck Norris usar diversos figurinos diferentes para vender mais bonequinhos, os membros de sua equipe demonstrarem suas habilidades e a VULTURE deixar bem claro o quão incompetente é. Há um momento em particular que chega a ser inacreditável, quando Chuck e o lutador de sumo precisam entrar em um  tubo submerso e eles retiram as máscaras de oxigênio que já estava usando para justificar a carona que eles pegam nos golfinhos para poder atravessar o obstáculo sem ficarem sem ar. É um negócio tão sem sentido que chega a doer o cérebro…

O primeiro episódio de Chuck Norris e o Comando Karatê não funciona nem como diversão para crianças de tão tosco que é, mais tosco até do que Mister T. Ver Chuck Norris com o peito depilado (que absurdo!!!) desfilando com uniformes com a sigla CN por todo o lado, enquanto seus ajudantes ficam batendo cabeça é apenas levemente engraçado, mas nunca realmente divertido, talvez explicando, afinal de contas, o porquê de a série não ter seguido em frente. O famoso star power tem limites, mesmo que Chuck Norris seja a própria encarnação do star power, algo que ele provaria ter de sobra uma vez por todas na longeva série Chuck Norris: O Homem da Lei (Walker, Texas Ranger), ao longo dos anos 90.

Chuck Norris e o Comando Karatê (Chuck Norris: Karate Kommandos – EUA, 15 de setembro de 1986)
Direção: John Kimball, Charles Nichols
Roteiro: Dan DiStefano, Janis Diamond
Elenco: Chuck Norris, Kathy Garver, Sam Fontana, Alan Oppenheimer, Robert Ito, Mona Marshall, Bill Martin, Keone Young, Linda Gary, Don Messick
Duração: 25 min.

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