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Crítica | Chuva (1929)

por Luiz Santiago
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estrelas 5

Joris Ivens foi um dos maiores documentaristas do cinema. A beleza poética de suas imagens da natureza integra-se à presença humana, e é cercada pelas condições sociais das comunidades registradas pela câmera – atitude de um cineasta ativista político. Suas imagens compõem-se do próprio motor interno que lhe dão movimento: o vento, uns pássaros, um homem na bicicleta, o bonde lotado, pedestres. O equilíbrio desses elementos em uma montagem quase estrutural está presente em Regen (1929), filme que Ivens dirige com Manus H. K. Franken, também co-diretor de outros dois filmes do cineasta.

O curta-metragem Regen é composto pela sucessão de takes de diversos lugares da cidade, quem tem início em uma manhã ensolarada, e termina em uma tarde chuvosa e escura. Ivens e Franken constroem rapidamente o clima alegre da manhã – como o reflexo do sol na água do rio, as sombras produzidas, as nuances de claro e escuro. Então aparecem fotogramas que indicam um forte vento: lençóis nos varal esvoaçam violentamente, toldos, árvores, nuvens se movimentam. O céu se encobre, e começa a chover.

A princípio a câmera capta algumas gotas que caem sobre a água do rio. Um pedestre estende a mão para o céu, a fim de constatar a chuva. E numa sucessão de cenas nas quais podemos ver o aumento da intensidade da chuva, a cidade se torna muito cinza, escura, e o resultado é tremendamente poético. A câmera filma vidraças e janelas de bondes cheias de gotas, poças no chão, gotas de chuva ao vento, os canais da cidade enchendo-se, pássaros buscando abrigo, dezenas de pessoas com guarda-chuva, a cidade adormecendo sob a água. Já no final do curta, vemos os barcos dos trabalhadores nos canais da cidade, e as casas próximas a esses canais. A chuva esmaece. Alguns raios de sol são vistos. O curta termina.

Guiado pela bela música de Lou Lichtveld, o espectador acompanha a “epopeia da chuva” sobre a cidade, depois da qual, até as cores e as pessoas mudam. Regen é um ótimo exemplar de como é possível fazer poesia no cinema, e ainda por cima, uma poesia social.

Chuva (Regen, Países Baixos, 1929)
Direção: Joris Ivens e Manus Franken
Roteiro: Joris Ivens e Manus Franken
Duração: 14 min.

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