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Crítica | Cinco Mulheres Para o Assassino

por Luiz Santiago
228 views (a partir de agosto de 2020)

Com uma vítima a menos do que as Seis Mulheres Para o Assassino de Mario Bava, esta produção de Stelvio Massi, lançada 10 anos depois do famoso clássico do giallo, fica para trás em praticamente tudo, quando falamos de qualidade. Produção ítalo-francesa, Cinco Mulheres Para o Assassino executa uma retomada de temáticas de mistério, profecia fornecida já no título e uma construção que cheira a influência de Alfred Hitchcock, um dos diretores fora da Itália que fortemente influenciaram o giallo em seu escopo narrativo, assim como fizeram os franceses Henri-Georges Clouzot e Claude Chabrol.

A trama começa pouco interessante, mas o espectador está preso desde o início pela promessa do título, que dessa vez faz sentido, tendo apenas um pequeno detalhe a seu respeito que não pretendo revelar aqui. Seguimos Giorgio Pisani (Francis Matthews) desde a cena de abertura, onde descobrimos que ele está para ser pai. É a partir de sua preocupação e emoção que chegamos à casa e, posteriormente, temos contato com aquilo que formará a primeira grande coluna de suspeitas do filme, algo fortemente ancorado na vingança, decepção, machismo e traição de confiança, situação que vira a chave de interesse pelo roteiro e começa a tornar o filme instigante.

Com criativa e muito bem utilizada música de Giorgio Gaslini — que até aquele momento só tinha composto para um gialloUm Homicídio Legalmente Perfeito –, o filme nos leva para uma perseguição que se torna cada vez mais interessante, primeiro porque vão surgindo novos suspeitos, todos eles com bons motivos para matar e com aquelas desculpas esfarrapadas que os tornam moralmente condenáveis ao nosso primeiro julgamento. Depois porque observamos com certo espanto a relativa rapidez com que as vítimas vão se empilhando, e imaginamos como o roteiro irá lidar com os problemas abertos e como os ligará às mulheres que ainda faltam para o assassino matar. E então entram as boas e as más camadas da obra.

Do lado positivo, vemos uma constante maior de ataques e a intensificação da atmosfera de medo e violência, igualmente acompanhada pelas suspeitas, por algumas pequenas revelações (uma em particular, relacionada a um misterioso homem, acaba sendo terrivelmente anticlimática) e uma construção relativamente cuidadosa para o que deveria ser o quinto assassinato. Nesta reta final da fita, porém, vemos a montagem errar com uma constância assustadora o encadeamento de sequências e de cenas muito importantes, interrompendo momentos excelentes ou estendendo de maneira demasiada um tipo específico de demonstração, como aquela que temos na derradeira parte da fita: uma “revelação dos segredosà la Hercule Poirot e que termina com um horrendo corte, finalizando a película antes que ela terminasse organicamente.

Crimes passionais, especialmente os que são temperados por condições socialmente relevantes como a paternidade e a maternidade, possuem um grande impacto, pois falam de duas importantes relações familiares para a maioria das pessoas. Aqui em Cinco Mulheres Para o Assassino, essas condições recebem um tratamento fruto de seu tempo (embora pouco tenha mudado de lá para cá): neurótico em relação à mulher e em fuga da obrigação de ser pai por parte do homem. Mesmo não sendo tão chamativo visualmente quanto os seus pares, o filme traz uma aceitável representação dos assassinatos e uma elogiável trilha sonora, que acaba sendo a sua área técnica com maior constância de bons momentos. O que derruba bastante a qualidade da fita é o seu começo insosso e lento somado ao seu final que promete demais, entrega de menos e ainda tem o infortúnio de encerrar o plot de maneira abrupta.

Cinco Mulheres Para o Assassino (5 Donne Per L’assassino) — Itália, França, 1974
Direção: Stelvio Massi
Roteiro: Gianfranco Clerici, Roberto Gianviti, Vincenzo Mannino
Elenco: Francis Matthews, Pascale Rivault, Giorgio Albertazzi, Howard Ross, Katia Christine, Catherine Diamant, Gabriella Lepori, Maria Cumani Quasimodo, Alessandro Quasimodo, Tom Felleghy, Lia Bresciani, Carla Mancini, Lorenzo Piani, Ennia Rossetto, Milva Bonamone
Duração: 95 min.

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