Home FilmesCríticas Crítica | Cinderella (2015)

Crítica | Cinderella (2015)

por Melissa Andrade
405 views (a partir de agosto de 2020)

Walt Disney conseguiu criar um mundo mágico que atrai crianças e adultos no mundo inteiro. Isso é um fato. Com animações estonteantes e que transcenderam o tempo, tornando-se clássicos do cinema e de referências eternas, pois a geração de crianças de hoje aprende a se encantar com os mesmos personagens que seus pais e até mesmo avós se encantavam na infância e isso, não tem preço.

A personagem em questão já foi moderna com all star em A Nova Cinderela, se perdeu do seu príncipe em Once Upon A Time e mais valente em Para Sempre Cinderela. Porém, mesmo sendo revisitada outras dezenas de vezes, nunca pelas mãos do estúdio responsável por todo o seu sucesso.

Agora, em Cinderella (sim, com 2 ll) vemos não apenas mais uma vez o conto de fadas que todos conhecem, mas, uma versão adulta, mais fiel ao conto original e com toques extras que serviram para abrilhantar mais o longa.

Ella é uma jovem especial. Vive feliz com seus pais em uma fazenda e é adorada por todos, inclusive os animais que são seus melhores amigos. Ella acredita que eles podem entende-la perfeitamente, pois há um pouco de magia em tudo. Os dias são sempre divertidos e quando seu pai retorna das viagens, lhe traz presentes diferentes, tal qual a própria filha. A família não poderia ser mais feliz, no entanto, a mãe de Ella cai doente e acaba falecendo. Pouco tempo antes de morrer faz um pedido à filha, que seja sempre gentil e corajosa.

Triste por sentir falta da esposa e por ter que deixar a filha sozinha em casa enquanto viaja, o pai de Ella decide que é hora de casar de novo e é assim que a jovem ganha uma Madrasta e duas meia-irmãs. Acostumadas a um meio social completamente diferente Anastasia e Drisella zombam de Ella sempre que podem e sua Madrasta ressente o quanto ela e o pai se amam e são próximos, juntando-se as suas filhas na zombaria. Não demora muito outra desgraça assola a vida da moça quando seu pai acaba falecendo uma das viagens, deixando-a sozinha no mundo. Antes dona da casa, Ella passa a ser empregada e a dormir no sótão, contando apenas com a companhia dos seus estimados amigos roedores. Seus dias se resumem a serviços domésticos, cuidar dos animais da fazenda e a atender aos pedidos mais absurdos do trio ao qual ficou presa. Ainda assim, Ella que passa a ser chamada de Cinderella por suas algozes acredita que algo de bom pode lhe acontecer e não estava errada.

Bem, daqui para frente todos sabem como o conto se desenrola, com leves diferenças, que não serão descritas aqui para não estragar a experiência.

O principal é que essa versão de Cinderella soube tocar em pontos interessantes da história, como a infância da personagem, por exemplo, e também mostrar a mãe o que é algo raro nas animações da Disney em geral e um fator em comum que a maioria das princesas possuem. Existe toda uma psicologia envolvida nisso, mas não chegarei a tanto.

Quem interpreta a mãe da princesa é ninguém menos que Hayley Atwell que além de ser durona e deixar muito marmanjo no chão e, eventualmente um exemplo feminino forte em Agente Carter, também é doce, gentil e possui uma voz angelical, há algo que essa atriz não faça bem? Creio que não. Outra personagem feminina de destaque no longa é a da atriz Cate Blanchett, que mesmo interpretando a vilã e estando numa posição de raiva instantânea dos espectadores, acaba criando empatia ao demonstrar fraquezas e um passado antes desconhecido. Na verdade, as personagens femininas são um ponto forte em todo o filme, incluindo as irmãs postiças que carregam a veia cômica de forma leve e espontânea.

Existe todo um cuidado especial com vários aspectos de Cinderella, contudo os figurinos, tal como os cenários foram elaborados de maneira bem calculada e acabam sendo um vislumbre para os olhos. Os personagens possuem esquemas de cores próprios e um não usa a cor do outro, exceto as irmãs que acabam fazendo dobradinha e se vestindo de forma idêntica apenas intercalando as cores, com vestidos que beiram o ridículo e que são parte fundamental para a construção das personagens. Já o famoso vestido de baile da Cinderella que foi replicado nove vezes e tem metros e metros de tecido é o ingrediente secreto de uma das cenas mais emocionantes de todo o longa.

O curta que foi muito falado de Frozen: Febre Congelante, e que passa antes do filme começar é um deleite. Em pouco mais de dez minutos temos situações hilárias envolvendo Olaf, Kristoff, Sven e novos amigos que surgem a cada vez que Elsa dá um espirro, pois, quem diria a Rainha do Gelo tem alergia a Primavera. E mesmo muito doente ela não quer estragar o aniversário da irmã. Só que não dá para controlar nossos espirros não é mesmo?

Cinderella pode não ser a princesa mais encantadora dentre todas as conhecidas, mas aqui, neste filme, ela reina de forma absoluta e imponente graças a direção de Kenneth Branagh e a impecável atuação de Lily James.

Cinderella (Cinderella – EUA 2015)
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Chris Weitz
Elenco: Lily James, Cate Blanchett, Richard Madden, Helena Bonham Carter, Nonso Anozie, Stellan Skarsgard, Sophie McShera, Holliday Grainger, Derek Jacobi, Ben Chaplin, Hayley Atwell, Rob Brydon, Jana Perez, Alex Macqueen, Tom Edden
Duração: 105 min.

Você Também pode curtir

14 comentários

Jocimari Amitesh 18 de junho de 2015 - 20:08

Tirando os efeitos visuais, eu achei um dos filmes mais chatos que já vi, não entendo o motivo de esse lixo de filme ter recebido 4 estrelas, e na maioria dos sites de critica ter recebido nota 7 ou 8. O filme está longe de ser uma adaptação moderna e diferente, é a mesma coisa idiota de sempre só que com pessoas reais. Longe da belíssima adaptação do filme da Drew Barrymore, ( que na minha opinião a melhor adaptação) esse filme mostra o que tem de mais insosso no universo disney. Li muitos comentários, principalmente de mulheres, falando sobre o resgate de “valores antigos” e blá blá blá, o que me deixa chocada, já que pelo visto as pessoas estão ficando cada vez mais “emburrecidas” pois não chegam a perceber o tamanho da pieguice que existe no filme e o considerando “perfeito” por inundar com excesso de sentimentalismo e ações e reações nada reais e sim fantasiados.

Esqueçam frozen e a princesa e o sapo, esse é ideal para quem ainda acha que príncipes não têm genitália e que princesas têm que ser “anjos” sem maldade alguma, que sempre sorriem de forma hetéria e insossa. Parabéns disney, conseguiu fazer o mesmo do velho.

Responder
Mr B 11 de julho de 2015 - 18:58

Essa é a essência da Disney, e principalmente da Cinderela, se você não gosta disso então você nunca vai gostar da Cinderela em sí, por que originalmente ela é assim. Agora só pq vc é gentil e bondoso vc “abaixa a cabeça” pra todo mundo e blá blá blá? O mundo tá precisando de um resgate de valores, hein!

Responder
Willian rodrigues pereira 30 de março de 2015 - 08:46

Assisti ontem e concordo com cada palavra da sua crítica, Melissa. Uma belíssima produção que ouso dizer que acertou no tom de quase tudo oque se propôs. As atuações bem dosadas, o figurino impecável… A cena da valsa é um presente para quem está assistindo. Gostei bastante!

Responder
Melissa Andrade 30 de março de 2015 - 13:55

Que bom que gostou @willianrodriguespereira:disqus 😀 tanto da crítica quanto do filme!

Responder
Gabriela Miranda 25 de março de 2015 - 17:54

Ahhh parece brilhante e cheio de detalhes dignos de um sapatinho de cristal com suas delicadezas. Adorei a crítica! Quero correr logo pra ver o filme! =)

Responder
Melissa Andrade 25 de março de 2015 - 20:21

É sim @disqus_ZXNy7jmEXd:disqus 😀 E obrigada!

Responder
Gabriela Miranda 31 de março de 2015 - 14:25

Nossa, fui ver no fim de semana! Que figurinos heim… fazia tempo que não ficava tão fascinada com vestidos. Achei a Cinderella graciosa! O filme é bem legal.

Responder
Melissa Andrade 1 de abril de 2015 - 01:49

Os figurinos são lindíssimos! Adorei a cartela de cores.

Responder
Mauro Guimaraes 25 de março de 2015 - 15:19

Esta não é minha opinião particular!
Mas li alguns comentários sobre o filme e achei interessante a opinião de pessoas que diziam que este filme é um atraso para a imagem das mulheres, justamente pq o sucesso Frozen trouxe personagens femininas com personalidades fortes, o que vai na contramão desse novo lançamento, que traz novamente uma mulher no papel principal com a imagem de uma pessoa oprimida e subjulgada, a espera do príncipe encantado que a venha salvar de suas aflições…

Responder
Melissa Andrade 25 de março de 2015 - 20:21

Putz é serio que tem pessoas falando sobre isso @mauroguimaraes:disqus? Atraso é isso daí! Não conseguir enxergar a moral da história que existe a bons anos. E as crianças certamente não se identificam com isso, é coisa da cabeça poluída dos adultos.

Responder
Gabriela Miranda 31 de março de 2015 - 14:30

Eu não acho que as figuras femininas do filme sejam subjulgadas. Pelo contrário, a madrasta é muito forte e mostra como ela tem de lidar com uma situação adversa depois da morte do marido e que ela tenta fazer o que pode pelas filhas. A Cinderella em momento algum é menos corajosa por ser gentil e ela encoraja o príncipe a pensar por si mesmo. Acho que eles ficarem juntos no final não desmerece a história dela como mulher independente, que pensa por si mesma. Afinal, amor não é subserviência. Acho que a moral da história é muito bem colocada.

Responder
Melissa Andrade 1 de abril de 2015 - 01:49

Disse tudo Gabi!

Responder
Rafael Gardiolo 25 de março de 2015 - 13:13

Faz muito, muito tempo que o Kenneth Branagh não acerta um filme… Fiquei esperançoso agora.

Responder
Melissa Andrade 25 de março de 2015 - 20:19

@rafaelgardiolo:disqus fico feliz que tenha ficado esperançoso e prefiro ele como ator mesmo.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais