Crítica | City of the Damned (Doctor Who Magazine #9 a 16)

City of the Damned

estrelas 4,5

Equipe: 4º Doutor
Espaço-tempo: Planeta Zom, cidade de Zombos

City of the Damned, o segundo arco de histórias em quadrinhos da DW Magazine, chegou a se submetido para a BBC a fim de ser produzido, mas a emissora rejeitou a proposta. Não pela falta de potencial, já que esta trama de Pat Mills e John Wagner é exemplar, mas pela dificuldade em fazer jus à história, o que podemos entender como uma desculpa elegante mas, no final das contas, faz sentido.

Ambientada em uma cidade convenientemente chamada Zombos, a trama de City of the Damned nos mostra um lugar onde era proibido sentir qualquer tipo de emoção. A civilização aí estabelecida conseguiu, ao longo dos séculos, uma forma de extrair todo tipo de emoção de parte dos cidadãos (bem, apenas daqueles que vivem na cidade de Zombos, pois fora dela, existe uma grande quantidade de pessoas que fogem a esse padrão), uma medida drástica para que a violência fosse erradicada.

O leitor é tomado de grande surpresa com essa premissa já nos primeiros quadros da história e a situação fica ainda mais interessante e cruel à medida que vemos todas as consequências que é ter uma população inteira proibida de sentir qualquer coisa ou pensar por si mesma, ter iniciativa. É evidente que o texto foi escrito para gerar uma discussão ética – das mais interessantes, por sinal – que é o da interferência na liberdade pessoal para dar origem a uma sociedade aparentemente pacífica.

Por um lado, a atitude pode parecer justificável. Ninguém gosta de violência no convívio social, afinal. Assim, o papel das emoções é colocado em xeque, mas ao mesmo tempo é destacado e defendido pelo simples fato de que sem emoções, as pessoas são escravas, robôs de um sistema mecânico. O propósito da vida se torna inexistente. Sem a emoção, os planos, os desafios, a felicidade, tristeza, prazer, decepção e todos os elementos que fazem parte de uma existência comum desaparecem, ficando apenas as ações fisiológicas ativas e uma porta aberta para a obediência cega, apesar de pacífica. É de se entender por quê o Doutor (e também o leitor) fica horrorizado com o que vê.

Em dado momento da história, os membros da Zom Emotional People’s Organisation (ZEPO) tentam transformar o Doutor em uma espécie de deus, ao que ele recusa com horror (o 1º Doutor já tinha passado por isso em A Religious Experience e isso não tinha dado muito certo…). No fim das contas, eles o consideram o lendário Great Emoter, personagem que chegaria a Zom para lhes ensinar toda uma gama de emoções. Esse, aliás, é o interessantíssimo toque final a história, mesmo que seja muito estranho todas aquelas reproduções emotivas e físicas do Doutor em um grande número de pessoas da cidade, agora salva.

Com arte de Dave Gibbons baseada sutilmente em Metropolis, de Fritz Lang, City of the Damned é uma história poderosa, com fortes questionamentos ético-morais, dois tipos de vilão muito interessantes (os bichos devoradores de pessoas sem adrenalina e os controladores da cidade de Zom) além de um ritmo notável para quadrinhos lançados em uma revista semanal. Eis aqui uma sequência em alto nível para The Iron Legion.

Doctor Who Magazine #9 a 16: City of the Damned (Reino Unido, dezembro de 1979 a janeiro de 1980).
Relançamento com históricas colorizadas:
 Doctor Who – Dave Gibbons Collection (Reino Unido, 2009) – Editora IDW
Roteiro: Pat Mills, John Wagner
Arte: Dave Gibbons
Cores adicionadas no atual relançamento, 2009.
34 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.