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Crítica | Como Obelix Caiu no Caldeirão do Druida Quando Era Pequeno

por Ritter Fan
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Os leitores das aventuras de Asterix e Obelix sempre souberam que Obelix ficou eternamente forte porque, quando pequeno, caiu no caldeirão de poção mágica do druida Panoramix, bebendo todo seu conteúdo. Como Obelix Caiu no Caldeirão do Druida Quando Era Pequeno, como o título altamente explicativo deixa mais do que evidente, explica os detalhes desse grande evento na vida do melhor amigo de Asterix.

Mas, antes de tecer comentários sobre a obra, é preciso explicar a origem do álbum, já que ele não é no formato tradicional de quadrinhos e sim um “texto ilustrado”. O que aconteceu é que, na origem, essa história não era um álbum, mas sim uma pequena narrativa em prosa escrita por René Goscinny que contava os detalhes do evento a partir do ponto de vista de Asterix que foi publicado em 20 de maio de 1965, no número 291 da Revista Pilote, lar original das aventuras dos irredutíveis gauleses. Para ilustrar esse trabalho, Albert Uderzo fez três desenhos.

Corta para 1989, 12 anos após o falecimento de Goscinny, e Uderzo, com a desculpa de resgatar esse texto para uma nova geração que teria dificuldade de acessar a publicação de décadas antes (o que, claro, é verdade), criou diversas novas ilustrações de maneira a dar uma “cara” de álbum com um número razoável de páginas de forma que ele pudesse republicar e alcançar um público maior. Lógico que, se considerarmos a produção reduzida de novas histórias por Uderzo após a morte de seu colega, é inescapável aquela velha conclusão de que o artista estaria era tentando tirar todo o leite possível de sua vaca, o que, temos que convir, faz parte do negócio.

Compreendido esse cenário, vale dizer que o breve texto de Goscinny é uma simpatia. Não tem nada muito elaborado ou detalhado, mas ele aborda uma informação importante sobre Obelix: ele sofria bullying de seus amigos quando pequeno e Asterix era o único que constantemente o defendia. É essa situação que leva ao momento climático da “queda” do então já gorducho Obelix no caldeirão de Panoramix, momento esse que, curiosamente, Uderzo elegeu não ilustrar. Além dessa inteligente escolha para explicar a queda, em uma mostra do quão a frente de seu tempo o escritor era, a narração por Asterix já na idade que o conhecemos é eficiente para também apresentar um panorama da aldeia em momento anterior às histórias tradicionais, com as versões jovens de diversos outros personagens, com exceção de Panoramix que, aparentemente, sempre foi exatamente daquele jeito.

As generosas artes de página inteira – e algumas duplas! – de Albert Uderzo são, porém, os grandes destaques. No lugar de apenas replicar seu estilo mais conhecido, o artista empenhou-se em entregar algo diferente, ainda mais bonito do que seu normal e com um nível de detalhes prodigioso. Além disso, ele procurou atenuar as cores, empregando tons pasteis que conseguem elevar a arte a um nível que muitas vezes dá vontade de enquadrar e pendurar na parede. Teria sido muito interessante se, antes de seu falecimento, Uderzo tivesse ilustrado um de seus álbuns exatamente nesse estilo, quebrando um pouco a expectativa dos leitores e trazendo novidades visuais, especialmente considerando que seus roteiros nunca foram muito bons.

Como Obelix Caiu no Caldeirão do Druida Quando Era Pequeno, apesar de parecer uma publicação caça-níquel, tem seu valor e eu gostaria muito de ver um dia os autores atualmente responsáveis pela criação de novas histórias da franquia – Jean-Yves Ferri e Didier Conrad – adaptarem esse “texto ilustrado” como um álbum canônico da coleção oficial, talvez com um enquadramento narrativo passado no presente das histórias normais. Seria uma bela forma de ao mesmo tempo realmente marcar esse tão importante momento na vida de Obelix e de homenagear Goscinny.

Como Obelix Caiu no Caldeirão do Druida Quando Era Pequeno (Comment Obélix est Tombé dans la Marmite du Druide Quand il Était Petit – França, 1965/1989)
Roteiro: René Goscinny
Arte: Albert Uderzo
Editora original: Pilote, Les Éditions Albert René
Editora no Brasil: Editora Record
Páginas: 32

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