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Crítica | Como Se Fosse a Primeira Vez

por Matheus Carvalho
1127 views (a partir de agosto de 2020)

Quando você se senta na frente da televisão para assistir a um filme do Adam Sandler, geralmente você já sabe o que esperar. Ainda mais quando a primeira sequência desse filme mostra os relatos de várias mulheres que viajaram ao Havaí e viveram um amor de verão com o grande garanhão Henry, interpretado por um Adam Sandler que pode ser tudo, menos um garanhão. Tudo indica que esse será mais um caça níquel da Happy Madison, produtora de Sandler, pronta para faturar milhões em troca de algumas risadas. Desde que foi fundada, em 1999, a produtora batizada com o nome de dois sucessos do ator nos anos 1990 (Happy Gilmore e Billy Madison) já havia produzido filmes como Um Diabo Diferente, A Herança de Mr. Deeds e Tratamento de Choque antes de Como Se Fosse a Primeira Vez.

No entanto, depois de um brevíssimo primeiro ato de apresentação do nosso garanhão Henry, o roteiro logo se ajusta para o tom que o filme realmente quer seguir, de uma comédia romântica mais equilibrada e que mais se aproxima de Afinados no Amor do que dos nonsense como O Rei da Água ou Um Maluco no Golfe. E por falar em Afinados no Amor, é justamente de lá que Sandler retoma a parceria de sucesso com Drew Barrymore. Aqui, ela interpreta Lucy, que depois de um acidente de carro sofre de perda de memória recente, esquecendo tudo o que aconteceu depois do acidente a cada novo dia e por quem Henry se apaixona e se esforça para conquistar todos os dias.

O roteiro de George Wing é bem didático. Ele te conta várias vezes sobre a doença de Lucy e te mostra flashbacks do acidente, tudo para não restar nenhuma dúvida sobre como ela ficou nesse estado e quais as dificuldades que qualquer pretendente irá enfrentar. Em termos de comédia, a sequência de tentativas diárias de Henry de se aproximar de Lucy é ótima, o auge da comédia de Sandler, com direito a algumas tentativas frustradas e outras soluções absurdas. A relação entre os protagonistas é bem equilibrada e a comédia escrachada não interfere na maioria das cenas entre os dois.

O mesmo não se pode dizer do resto do longa. É impressionante o quanto os filmes do Adam Sandler não resistem à tentação de colocar piadas do nível de uma morsa enorme vomitando de maneira bizarra em cima de alguém. O irmão de Lucy, interpretado por Sean Astin, é outro que chega a ser chato de tão tosco. E, como se não bastasse dois elementos toscos ao longo da trama, sempre temos Rob Schneider (Gigolô por Acidente) fazendo uma ponta nonsense. Aqui, ele é um havaiano maluco, caolho, amigo de Henry e com cinco filhos pequenos que só servem para explicar alguma piada para quem não entendeu. De qualquer forma, a estrutura não foge tanto das outras parcerias entre Adam Sandler e o diretor Peter Segal, que também dirigiu Tratamento de Choque e Golpe Baixo.

O desenvolvimento da história e da relação que precisa ser construída diariamente é bem trabalhado e sensível. O roteiro sabe o momento de trazer um elemento facilitador à trama para fugir da repetição da conquista diária e a partir daí nos vemos torcendo por um relacionamento com um futuro tão incerto e improvável. Os pontos de virada dentro da história são outro ponto positivo e o espectador realmente chega a lamentar alguns rumos que o filme leva. Alguns atores secundários fazem ótimos papéis e ajudam nessa construção, como Blake Clark, o pai de Lucy, e Amy Hill, que interpreta a dona café onde Lucy vai todos os dias depois do acidente.

Como Se Fosse a Primeira Vez consegue ser um filme leve no melhor estilo Adam Sandler e ao mesmo tempo trazer uma história que engaja e emociona. A trilha sonora havaiana e o cenário praiano ajudam a construir esse ambiente tão confortável para quem assiste. A semelhança com Feitiço no Tempo é evidente, principalmente na premissa, mas o filme consegue caminhar com as próprias pernas e isso não impede o espectador de se divertir e ter uma das melhores comédias feitas até então pela Happy Madison. 

Como Se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates) – EUA, 2004
Direção: Peter Segal
Roteiro: George Wing
Elenco: Adam Sandler, Drew Barrymore, Rob Schneider, Sean Astin, Blake Clarck, Lusia Strus, Dan Aykroyd, Amy Hill, Pomaika’i Brown
Duração: 99 min.

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