Crítica | Conan, o Bárbaro: A Feiticeira do Pântano (A Rainha da Costa Negra)

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Adaptação de Roy Thomas para o conto Black Canaan, de Robert E. HowardA Feiticeira do Pântano (ou, como é mais conhecido este arco, A Rainha da Costa Negra) mostra o Cimério em trânsito, tendo que passar por um lugar sombrio, um pântano que, como era de se esperar das histórias dele, guarda inúmeras surpresas mortais e aquilo que o personagem sempre tem receio e com o que nunca lida bem: magia.

Composto pelas edições #82 e 83 da revista Conan the Barbarian Vol.1, o arco começa bem, com uma descrição simples — mas eficiente — do lugar e uma boa representação do espaço do pântano pela arte de Howard Chaykin, finalizada por Ernie Chan. Basicamente temos todos os bons ingredientes introdutórios de um conto do Bárbaro, mesclando informações sobre como ele vê o mundo e apresentando, de maneira não muito espalhafatosa, um perigo para ser enfrentado a longo prazo. A feiticeira Sabia (sim, este é o nome dela), que aparece pela primeira vez aqui, é uma adição interessante no primeiro momento. Por estar cercada de mistérios e pelo ataque dos negros do pântano — soldados da feiticeira — a Conan, logo em seguida, o leitor espera que algo bem interessante se dê nessa região, já que bons ingredientes para uma grande história não faltam.

Até mesmo quando Neth-At, do povo estígio, aparece pela primeira vez na história, a narrativa se mantém adequada. O princípio mágico e a constante marca de “momento de passagem” de Conan aqui não se alteram. É certo que as descrições de Roy Thomas vão ficando mais e mais cansativas, porque simulam elementos do conto em uma linguagem que cobra um maior dinamismo em suas abordagens, especialmente se a gente considerar todo o contexto. Percebam que a narração tem um caráter mais parecido com o da literatura, enquanto os diálogos são pobres, rápidos demais, às vezes dando conta de coisas que o leitor já estava vendo nos desenhos… Assim, fica difícil a total apreciação da obra em termos de ritmo e qualidade do enredo. Mas para todos os efeitos, até que dá para acompanhar. E é aí que temos a chegada da edição #83: A Dança da Caveira.

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Tudo o que podemos apontar de negativo na primeira edição desse arco acaba sendo potencializado na segunda revista. O drama bipartido se une novamente a uma única linha e seguimos nas águas do pântano com Conan e seu parceiro de ocasião, Neth-At, procurando a feiticeira, além do líder dos negros e dos próprios soldados invasores da cidade estígia, cujos limites se encontravam na região alagadiça. O roteiro nesta parte está inteiramente disperso, fartamente ancorado em descrições e com praticamente nada de novo acontecendo. A história anda devagar e até os ataques da reta final parecem não surtir o efeito de impressionar o público. Assim, com um desfecho anticlimático e uma reflexão quase filosófica que não combina com o drama, Conan parte para sua próxima aventura, não antes de incendiar a vila dos condenados feiticeiros do pântano, cujo nebuloso destino está entre as coisas questionáveis o roteiro, já que nada a respeito dessa intenção/plano geral dos povos do lodo fica claro (seria o domínio pelo domínio, apenas?). Uma saga bastante cansativa e aquém do que Conan merecia.

Conan the Barbarian Vol.1 #82 e 83: The Sorceress of the Swamp / The Dance of the Skull (EUA, janeiro e fevereiro de 1978)
No Brasil:
Espada Selvagem de Conan #52 (Abril, 1989), Espada Selvagem de Conan Reedição #52 (Abril, 1994), Conan, o Bárbaro #47 (Mythos, 2006)
Roteiro: Roy Thomas (baseado em Black Canaan, de Robert E. Howard)
Arte: Howard Chaykin
Arte-final: Ernie Chan
Cores: George Roussos
Letras: John Costanza, Gaspar Saladino, Tom Orz
Capas: John Buscema, Ernie Chan
Editoria: Roy Thomas, Archie Goodwin
34 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.