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Crítica | Constantine 1X02: The Darkness Beneath

por Guilherme Coral
50 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

Com um episódio piloto repleto de problemas de produção (e aceitação), era de se esperar que Constantine continuasse levando as coisas em um ritmo levemente mais devagar. Um segundo capítulo ainda na estrutura de series première não seria algo impensável e foi justamente o que recebemos em The Darkness Beneath. Não se enganem, porém, o seriado se desfaz de grande parte de seu didatismo nesta segunda aventura, especialmente no que se diz respeito ao protagonista – o que define o tom introdutório aqui é a apresentação de Zed, vivida por Angélica Celava, que substitui Liv Aberdine como companheira (agora de forma definitiva) do exorcista/ demonólogo.

Ao contrário de Aberdine, Zed se faz presente nos quadrinhos originais, muito embora tenha um papel muito diferente da série. Assim como a companheira substituída, ela apresenta uma forma de poder especial, a fim de ajudar John em sua cruzada contra os demônios. Tal fator já fora inserido em Non Est Asylum e agora passa a desempenhar um papel de destaque na trama, ao passo que os personagens, enfim, se encontram. Celaya empresta à personagem uma fibra maior do que vimos em Liv – não temos mais uma mulher mais fragilizada e sim alguém que pode efetivamente ajudar Constantine em seu trabalho.

O que vemos no roteiro do capítulo é o típico “caso da semana”, mas isso não é algo para se preocupar (ao menos não ainda). Como dito anteriormente, estamos ainda em uma fase de “recuperação” acerca dos problemas do piloto. Zed precisava ser inserida na trama e ainda não podemos nos apressar com a trama principal. Além disso, não era segredo que veríamos diferentes tipos de demônios em locais diferentes devido ao mapa deixado por Liv no episódio anterior. Portanto, a viagem realizada para Pensilvânia aqui não veio como uma total surpresa. O roteiro de Rockne S. O’Bannon, contudo, vem munido de substância ao inserir nos diálogos citações ao cenário geral, a situação que o mundo se encontra, que fora alertada pelo anjo no capítulo passado.

Dessa forma, The Darkness Beneath consegue estabelecer um vínculo com o espectador, por mais que estejamos diante de um caso que se apresenta e se resolve nesse período de 42 minutos. É claro que grande parte desse mérito cai nos ombros de Matt Ryan e sua ótima interpretação do protagonista. Por mais que estejamos apenas no segundo episódio, Ryan se demonstra totalmente à vontade no papel, nos fazendo acreditar plenamente naquele homem. Aqui não entrarei no mérito se ele, de fato, faz jus ao material original, pois não cheguei a ler Hellblazer – algo que irei retificar em breve! Estando no ponto de vista do leigo, contudo, me permite dizer com melhor precisão que a trama segue de forma orgânica e continua não requisitando uma leitura prévia ou paralela da obra publicada pela Vertigo.

Aqueles que se preocupavam com a ausência dos hábitos fumantes do protagonista, não devem se preocupar. Burlando a imposição politicamente correta da NBC, Daniel Cerone e David S. Goyer utilizaram uma tática simples e genial, dando evidentes indicações de que Constantine está fumando, mas sem mostrar diretamente. Portanto, vemos a fumaça subindo enquanto o acompanhamos, de costas, andando. Vemos ele colocando o cigarro na boca, mas nada de vê-lo acendendo e assim por diante. Dessa forma, um dos marcantes traços da personalidade de John é mantido, mas sem influenciar as crianças (que sequer são o público-alvo) a entrarem no vício.

Dentre tais qualidades, porém, um defeito se mantém presente na narrativa desde o capítulo anterior. Há um excesso de cortes bruscos que rapidamente encadeiam ações com bastante distância temporal. Essa montagem imprecisa quebra nossa imersão em determinados pontos, causando um evidente estranhamento. Alguns deles, ainda, encerram a ação dramática prematuramente, interrompendo a tensão para que um comercial entre no lugar. Quando voltamos da tela preta já estamos em outro momento com o protagonista.

Tal defeito, contudo, não nos afasta da ótima experiência audiovisual que é Constantine. Com uma trama adulta em tom crível, aliada de um ótimo personagem principal e uma intrigante coadjuvante, trata-se de uma série que pouco esforço tem de fazer para nos prender. Por enquanto, ouso dizer que estamos diante de um dos melhores seriados baseados em quadrinhos.

Constantine 1X02: The Darkness Beneath (EUA – 2014)
Showrunner: 
Daniel Cerone
Direção: Steve Shill
Roteiro: Rockne S. O’Bannon
Elenco: Matt Ryan, Angélica Celaya, Harold Perrineau, Leisha Hailey, James Le Gros, Michael McGrady
Duração: 42 min.

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3 comentários

Rafael Tavares 5 de novembro de 2014 - 11:30

Até gosto da premissa da série, vez que compactuo da mesma “leiguice” do Guilherme, afinal não acompanho HQ’s, apenas sou um bom apreciador de series e filmes. Então, voltando, assisti o filme e gostei muito do John, mas um john mais malévolo, mais astuto e sem muito escrúpulo, aquele jeitão menos “moçinho” que inclusive apareceu no final do episodio piloto… entretanto que não apareceu neste segundo episodio… Vejo neste nesse segundo episodio um Supernatural sem os irmãos.. rsrs.. muito do mesmo já apresentado.. esperava algo mais surpreendente. Mas como já foi dito, acredito na premissa e darei uma nova chance aos proximos episodios… e também concordo que não tem nada a ver com Fringe e muito menos com Arquivo X

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Dever 4 de novembro de 2014 - 18:59

Um dos melhores seriados baseados em quadrinhos? É praticamente consenso na internet que este episódio foi bem ruim, principalmente para aqueles que lêem as HQ’s. Se comparar com arquivo X e fringe então, parece palhaçada isso….

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Guilherme Coral 5 de novembro de 2014 - 09:32

Não gostou, Dever? De repente nos próximos episodios sua percepção acerca da série melhora…
Quanto à recepção na internet, realmente não me baseio nelas, ou sequer nos quadrinhos. Uma boa adaptação não precisa ser fiel. E tendo assistido as três primeiras temporadas de Fringe falho em ver como essa série tem alguma coisa a ver com a de ficção cientifica

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