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Crítica | Constantine 1X06: Rage of Caliban

por Guilherme Coral
13 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3

Rage of Caliban, sexto episódio da primeira temporada de Constantine é um capítulo inteiramente dispensável, um filler descarado que tenta mascarar sua condição através das pontuais aparições do anjo Manny, que a este ponto já demonstra não ter muito o que fazer, considerando suas visitas, que nada acrescentam, a John. A completa inutilidade do episódio quando se trata do cenário mais amplo, contudo, não significa que ele seja um verdadeiro terror de se assistir – o contrário disso, na verdade. A série continua a divertir mesmo nesses momentos mais desconexos e, por mais que apresente os mesmos problemas que assolaram capítulos anteriores, se traduz como uma boa diversão para o espectador menos exigente.

A condição filler de Rage já é demonstrada nos minutos iniciais (pós-créditos de abertura) do episódio. A personagem Zed já é tirada de cena com uma desculpa mal-elaborada de “está em sua aula de artes”. Vale lembrar que Constantine passou por seus inúmeros problemas de produção em seu princípio e que este capítulo pode ter sido, em sua maioria, gravado antes da contratação da nova coadjuvante, Angélica Celaya – ao menos essa é a única plausível explicação além de eventuais problemas de agenda entre os atores.

A ausência da garota médium poderia significar um instantâneo “trocar de canal” por parte do espectador, não fossem os instantes antes da abertura. Acompanhamos um curioso caso de uma menina com poderes telecinéticos que acabou matando sua família. A ideia de possessão logo vem à mente e aqui entra o background das centenas de filmes de terror nos quais vemos a criança sendo a culpada por tudo – é um paralelo um tanto óbvio, é claro, mas a fotografia e montagem aproveitam isso para justificar sua linguagem de filme de terror, algo que já se estabeleceu na série desde Non Est Asylum.

Mas Constantine não é uma série desse gênero propriamente dita e logo o exorcista descolado entra em cena. E por falar em descolado, com seis episódios já passados desde a première da série, devo confessar que já não consigo relevar a aparência de cosplayer de Matt Ryan. Mesmo após ser jogado na prisão, sua camisa se encontra em perfeito estado, limpa e sua gravata solta quase que de medida, transparecendo uma aparência propositalmente largada, mas que, de fato, soa “arrumada demais”. Há uma grande artificialidade nesse aspecto da retratação do personagem, algo que deve ser corrigido urgentemente.

Esse descuido visual no protagonista, porém, não se estende para os cenários. A direção de arte do episódio chega a ser impressionante, especialmente nos minutos finais dentro da casa de horrores (provavelmente a de tom mais pesado já criada). Nesses momentos o clima do episódio passa a ficar verdadeiramente assustador, criando uma notável tensão no espectador e construindo o clímax com precisão. Infelizmente, como em capítulos anteriores, a resolução vem de forma demasiadamente acelerada, quebrando nossas expectativas de imediato.

O final em si, contudo, não tira a força do roteiro como um todo, que progride de forma orgânica e sem pedir muito da suspensão de descrença do espectador. A investigação de John segue de forma fluida, ainda que a identidade do culpado por trás dos assassinatos fosse óbvia.

Mas não será apenas uma trama sólida que irá salvar Constantine do cancelamento – a série precisa se aproximar da linha principal da narrativa logo, ou somente irá perder espectadores ao longo das semanas. Rage of Caliban, como dito anteriormente, diverte, porém falha em nos trazer um verdadeiro engajamento, algo que prenda nossa atenção. Seus minutos finais, contudo, são uma bela acenada para os fãs, mostrando, explicitamente, o personagem acendendo um cigarro enquanto lida com as memórias de sua infância.

Constantine 1X06: Rage of Caliban (EUA, 2014)
Showrunner: 
Daniel Cerone
Direção: 
Neil Marshall
Roteiro: Daniel Cerone
Elenco: Matt Ryan, Charles Halford, Harold Perrineau, Jonjo O’Neill, Charles Parnell

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8 comentários

Gustavo Moura 29 de dezembro de 2014 - 19:26

Quando sai a critica dos episódio 7 e 8? Parabéns pelas criticas 😉

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jcesarfe 10 de dezembro de 2014 - 11:19

Parando para pensar, o que houve com as séries que metiam um capítulo atrás do outro como continuações diretas dos anteriores? Sobrou quase nenhuma que faz isso, e mesmo algumas que fazem ainda inserem histórias paralelas e sem contexto.

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Guilherme Coral 10 de dezembro de 2014 - 16:48

As histórias paralelas são comuns mesmo, mas ainda temos alguns bons exemplos dessas séries. Boardwalk Empire (acabou esse ano, mas tudo bem), Game of thrones, Walking Dead, Mad Men

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jcesarfe 12 de dezembro de 2014 - 12:17

Bates Motel é outro grande exemplo, mas elas parecem ser financeiramente menos atrativas ou pelo menos mais arriscadas.

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jcesarfe 7 de dezembro de 2014 - 20:06

Até que eu estou gostando da série, mas ela claramente não possuí personalidade, e parece uma porção de boas histórias com um protagonista que parece ser um grande ator sufocado num roteiro sem muito espaço para desenvolver.

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Guilherme Coral 8 de dezembro de 2014 - 15:52

Não tenho como não concordar, jcesarfe. A narrativa que a série tenta seguir é cansativa e não oferece quase nada para o espectador.

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Zero 6 de dezembro de 2014 - 18:52

Mais uma vez, boa critica Guilherme.
Acredito que Constantine não seja renovada, e o pior inimigo do seriado, nesse casa, não é ele mesmo. O problema de constantine é Supertnarual (o seriado), este fez sucesso, utilizando de casos por semana e aborda o mesma tema que constantine, ou melhor se baseou na HQ hellblazer, mas utilizou tanto do conceito dos casos por semana que abusou, ficou massante. Ai surge Constantine fazendo o mesmo, poderia ter dado certo, mas não deu e nem vai dar. Porque vai ser só mais do mesmo, é claro que o personagem principal é foda, mas ele por se só não salvará a serie. A unica coisa que salvaria a serie na minha opinião seria se focasse na história de John Constantine de forma linear e não através dos casos por semana, por que como disse antes, já não tem mais espaço de casos por semana abordando o tema de Demônios e cia. Como duvido muito que o seriado mude de tal forma, constantine não renovará, infelizmente.

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Guilherme Coral 8 de dezembro de 2014 - 15:54

Concordo em gênero, número e grau! Constantine praticamente implora por uma maior linearidade, uma melhor construção de personagem e o que ganhamos são pinceladas a cada capítulo com os notórios casos da semana. É uma narrativa totalmente sem criatividade que, como você mesmo disse, já demonstrou o cansaço em Supernatural (que parei de assistir no meio).
Uma verdadeira pena.

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