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Crítica | Contos da Cripta – 1X01: The Man Who Was Death

Um começo chocante!

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 07
Número de episódios: 93
Período de exibição: 10 de junho de 1989 a 19 de julho de 1996
Há continuação ou reboot?: Sim. Em 1993, a série animada spin-off Tales from the Cryptkeeper foi lançada tendo 39 episódios e três temporadas, durando até 1999. Dois longas cinematográficos foram lançados em 1995 e 1996, Os Demônios da Noite e O Bordel de Sangue. Houve um game show chamado Secrets of the Cryptkeeper’s Haunted House que contava com o Guardião da Cripta como apresentador entre 1996 e 1997. Também em 1997, a HBO tentou um spin-off focado em ciência e não horror batizado de Perversions of Science que durou apenas um mês. Finalmente, houve um um programa de rádio – Tales from the Crypt – de oito episódio no ano 2000.

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Contos da Cripta surgiu como uma espécie de resposta macabra à bem-sucedida Histórias Maravilhosas, série produzida por Steven Spielberg em formato de antologia que foi ao ar entre 1985 e 1987, focada em fantasia e ficção científica, mas sempre com uma abordagem positiva. Produzida pela HBO, o que garantiu a possibilidade de linguagem mais pesada e violência razoavelmente explícita, a série criada por William Gaines e Steven Dodd foi baseada na HQ homônima que Gaines, juntamente com Al Feldstein, capitaneou nos anos 50 para a EC Comics, assim como todos os quadrinhos derivados de mesmo tema da editora.

Com nas HQs, cada episódio conta uma história fechada que emoldurada pelo Guardião da Cripta, basicamente uma divertida marionete de um desmorto sádico com a clássica voz de John Kassir que recebe o espectador, explica a premissa e então abre caminho para o episódio, encerrando-o normalmente com uma brincadeira com o que acabou de ser mostrado. Exatamente como foi com Histórias Maravilhosas, Contos da Cripta reuniu uma enorme quantidade de diretores e atores em voga na época, com o piloto, The Man Who Was Death, tendo sido dirigido por Walter Hill, que, na mesma década, já havia sido responsável por filmes como 48 Horas, Ruas de Fogo e Chuva de Milhões, com os dois seguintes, só para ilustrar, sendo comandados por Robert Zemeckis e Richard Donner.

Na história, extraída diretamente da HQ Crypt of Terror #17, somos apresentados a Niles Talbot (William Sadler que, no ano seguinte, viveria o vilão de Duro de Matar 2 e, em seguida, a Morte, em Bill & Ted: Dois Loucos no Tempo), um carrasco que sente particular orgulho em executar condenados à morte na cadeira elétrica. O personagem serve como o próprio narrador, com o uso constante – e, confesso, um pouco exagerado e irritante – da quebra da quarta parede em que ele olha para a câmera para explicar cada detalhe do que estamos vendo. Depois de uma execução em que o prisioneiro precisa ser basicamente arrastado até a cadeira, o estado revoga a pena de morte e, da noite para o dia, Niles vê-se sem emprego, mas ainda com a mesma vontade sádica de eletrocutar as pessoas.

Assim como Dexter Morgan faria anos mais tarde, o protagonista, então, passa a selecionar alvos para dar vazão à sua compulsão, normalmente pessoas absolvidas na Justiça que ele tem certeza que são culpados. Pelo tempo apertado de duração do episódio, não há espaço para um processo investigativo de forma que Niles possa ter mesmo certeza da culpa das pessoas que ele mata com versões diferentes da cadeira elétrica, o que exige que aceitemos seus instintos como tudo o que precisamos para comprar a ideia. Curiosamente, porém, o roteiro consegue ser lento, vagarosamente levando Niles a ter a ideia de cometer os crimes, tendo ainda tempo para mostrar dois sucessos e um fracasso que, claro, transforma caçador em caça de maneira muito instantânea só para que tudo possa chegar ao desfecho e à bem óbvia moral da história.

Trata-se de um começo muito simples para Contos da Cripta que só tem mesmo de especial o sempre hilário Guardião da Cripta e a vantagem de poder mostrar mais violência do que o normal da época. Mas o antidoto para a leveza de Histórias Maravilhosas funcionou com mágica e o monstrinho sádico apresentaria ainda 92 outras histórias em sua série que ficaria no ar por sete temporadas, gerando diversos spin-offs, inclusive dois filmes lançados no cinema. Nada mal para um início consideravelmente discreto.

Contos da Cripta – 1X01: The Man Who Was Death (Tales from the Crypt – EUA, 10 de junho de 1989)
Criação: William Gaines, Steven Dodd (baseado em HQs de William Gaines e Al Feldstein)
Direção: Walter Hill
Roteiro: Robert Reneau, Walter Hill
Elenco: John Kassir, William Sadler, Gerrit Graham, Roy Brocksmith
Duração: 26 min.

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