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Crítica | Creed II

por Gabriel Carvalho
549 views (a partir de agosto de 2020)

“Isso é mais do que apenas uma luta.”

  • Leiam as demais críticas dos filmes da franquia Rocky clicando aqui.

Creed II, reiterando alguns dos interesses visuais mostrados em Creed: Nascido para Lutar, encontra nas várias mídias, se não uma oportunidade primária de estudar personagens, mas secundária, certamente uma das suas proposições estéticas mais importantes. As narrações de comentaristas são constantes, os símbolos de empresas de transmissão esportiva acompanham várias sequências, uma pontual entrevista com Adonis Creed (Michael B. Jordan) acontece no meio da narrativa e até mesmo uma coletiva de imprensa participa do enredo. Como o protagonista se comporta diante de um evento publicitário tão grandioso quanto a revanche de gerações, a par da sugestão de um combate entre Donnie e o sucessor de Ivan Drago (Dolph Lundgren), assassino de Apollo Creed em Rocky IV, demonstra a força dessa vertente da obra para consigo mesma – e, consequentemente, suas enormes contradições. Uma publicidade sobre os pesos da publicidade.

Anteriormente, a extraordinária reinvestida nessa saga de boxe possuiu, antes de qualquer coisa, um cineasta querendo contar algo de novo sobre esses personagens, sobre essa mitologia e sobre esse espírito de luta quase inerente ao âmago das jornadas. Os dramas pessoais eram mais importantes que os eventos-chave. Creed II, em contrapartida, apenas consegue chamar atenção dos espectadores por causa da explosão nostálgica que permite acontecer, em vista do retorno de personagens clássicos e um embate de nomes imortais. Chamar as massas para assistirem ao espetáculo do ano, o combate do novo século, é o que importa. Steven Caple Jr., comandando o projeto agora, não consegue criar um sentimento próximo em verdade ao de Ryan Coogler, o responsável pelo primeiro. O que acaba acontecendo ao artista é um reencontro a esse viés midiático, com enquadramentos que parecem mais gravações de televisão que cinema autêntico.

Sylvester StalloneCheo Hodari Coker assinam um roteiro com paupérrimas camadas de nuances, porque os argumentos – se o combate deve ou não acontecer – são contrapostos intensamente, porém desorganizadamente, anulando-se em consequência. A premissa é encaminhar tudo aos combates, o que nos assegura, enquanto público, de uma previsibilidade consideravelmente problemática. Os artistas em questão, principalmente Stallone, realmente querem movimentar alguma coisa através do texto, mas expõem, enfim, unicamente conversas vagas e que não encaminham o enredo a algum ambiente interessante, senão uma incessante redundância. Adonis, por exemplo, entre o convite a participar desse combate, contra um monstruoso sucessor do homem que matou o seu pai, e o temor em acabar sendo morto ou jogar-se à vingança pela vingança, afirma repetidamente que precisa lutar, porque precisa lutar e pronto.

Se o arco do protagonista permanece assim por cerca de mais de duas horas de projeção, ao menos o ator que o interpreta comporta uma presença carismática o suficiente para não desmontar a empatia do público pelo personagem. “Por que você precisa lutar?”, pergunta Rocky Balboa, continuando como treinador de Donnie, mas que ainda se lamenta profundamente por não ter interrompido o combate que acabou com a vida de seu amigo. As respostas para essa pergunta não estão de acordo com uma desconstrução do coração de Adonis, movido por uma angústia que traja resquícios do estudo sobre legado, apresentado no passado, no entanto, é muito mais rasa que isso. O personagem continua essa caminhada, sem perceber que todos os outros coadjuvantes do longa são pessoas destruídas pelo que aconteceu. Creed II não consegue repensar uma fórmula comum sob novos moldes. Nem uma criança rompe o esperado espetáculo.

O que, em uma certa instância, almeja ser um engrandecimento a importância do núcleo caseiro, ainda mais substancial no particular arco de Rocky Balboa, acaba sendo concluída verdadeiramente apenas por meio dos antagonistas. Uma cena surpreendente na resolução, que poderia ser muito tocante e importante, nunca fora, contudo, principiada anteriormente pelo roteiro. Ivan Drago e o personagem do seu filho, mais esquecível impossível, não são enxergados com o mesmo carinho que os protagonistas, o que era extremamente necessário – e o ator que interpreta Vikor é muito limitado dramaticamente. Creed II não se passa na década de 80, mas após a Guerra Fria ter terminado. O maniqueísmo não anseia nem essa contraposição de visões que, como nos primórdios da franquia acontecia constantemente, enalteceriam os Estados Unidos enquanto nação. Os lucros pelos lucros como motor para os nossos corações se anestesiarem pelo passado.

Creed II – EUA, 2018
Direção: Steven Caple Jr.
Roteiro: Sylvester Stallone, Cheo Hodari Coker
Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Wood Harris, Phylicia Rashād, Dolph Lundgren, Florian Munteanu, Andre Ward, Brigitte Nielsen, Milo Ventimiglia, Russell Hornsby
Duração: 130 min.

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19 comentários

Al_gostino 21 de março de 2019 - 10:32

Achei o filme bom porém poderia ser um filmaço….o filho do Ivan Drago não era ruim (e mesmo com poucas falas o ator convence nas expressões faciais quando o pai pedia algo que ele não achava correto), ele só era revoltado pelo jeito que o pai criou ele e pela ausência da mãe dele e poderiam explorar muito melhor isso, dar profundidade a esse núcleo assim como deveria ter mais diálogo entre o Ivan e o Rocky.
Na luta final poderia ter um fair play entre os 2 lutadores, tipo o Credd levantar o cara para lutar (porque ele foi persistente tbm)….no final da luta o Ivan “desmonta” tentando abraçar o filho (e esse lado humano foi pouco explorado, uma pena)
Desperdiçaram a chance de fazer um filme top top top, mas o final salva com a trilha sonora clássica e o desfecho do personagem do Rocky (que achei bem bonito)…mas o Creed em si achei um personagem egoísta e excêntrico, com os propósitos rasos, sem profundidade…a sequência final depois da luta que alterna o desfecho entre o Rocky e o Creed mostra bem a discrepância de carisma e empatia dos 2 personagens, pois pouco me importei com o final do “protagonista” e muito mais com o desfecho do Rocky

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André Tonon 1 de fevereiro de 2019 - 17:29

Discordo das observações do critico, de minha parte, gostei muito do filme, me surpreendeu muito. Acredito que o unico reves seja o arco do Drago, que não se sustenta muito bem.

Por mais que se sustente como filme isolado, é quase uma heresia assistir a Creed e não ver os filmes da série Rocky (pelo menos os quatro primeiros), e obviamente o primeiro Creed, de 2015. Neste longa encontramos um grande amadurecimento do protagonista, tanto na história em si, quanto em sua presença de cena.
Se no primeiro filme Adonis divide o filme com Rocky (Stallone), aqui ele apodera-se de todo o filme. Isso nos é introduzido logo em suas primeiras cenas, aonde vemos Creed se preparando para uma luta ao centro da tela, enquanto Rocky surge ao canto e refletido pelo espelho. Em uma tomada 360º do local, o diretor Steven Caple Jr., literalmente nos mostra que o filme gira em torna de Creed.
Inclusive a direção de Caple foi relativamente criticada neste filme ao ser comparada ao ótimo trabalho de Ryan Coogler no primeiro Creed. Eu discordo. Caple absorveu o sentido do filme e construir sua evolução com base no que o teor da trama dizia. Se no primeiro filme tivemos excelente cenas de lutas e de ação, aqui o foco foi para a vida dos personagens, e nesse ponto o diretor, em parceria com a ótima fotografia de Kramer Morgenthau, nos brindou com cenas icônicas. Como por exemplo o momento em que Adonis vai treinar, levando junto com sua filha, e o diretor em um simples corte, nos apresenta três gerações de Creeds em seu habitat comum. Ou a forma de mostrar o sofrimento do protagonista ao filmá-lo gritando sua raiva ao fundo de uma piscina olímpica.
É nítido o respeito e cuidado do diretor na construção dos personagens e até mesmo referência ao legado da franquia por meio de estátuas, fotografias ou colagens. Outro destaque é a direção de atores. Caple dá espaço tanto para Michael B. Jordan quanto Stallone brilharem, que por sinal, fez falta a indicação de ao menos um deles nas premiações do Oscar.
A montagem dá uma boa dinâmica ao filme e ajuda a contar a história, assim como sua trilha sonora, que se isolada já é incrível. É muito bom ver quando a música faz parte da cena, não como plano de fundo, mas fazendo referência aos momentos dos personagens com base em suas letras. Preste atenção por exemplo, em toda a cena do deserto e imagine outra música aquele momento, a não ser Runnin. Simplesmente épico e ainda mais fazendo referência direta a clássica cena do primeiro Rocky.
Comentei um pouco mais neste link: [HIDDEN LINK]

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Rafael Mathias 29 de janeiro de 2019 - 01:48

Infelizmente o roteiro desse filme carece de ousadia e originalidade. Adonis é um moleque mimado que não suporta a ideia de ser contrariado, até mesmo pelo Balboa. No 1º filme ele chega ao ponto de humilhar o balboa quando foi preso. Nesse 2º filme mais uma vez entra em conflito com o Rocky quando o treinador se recusa a treiná-lo na primeira luta com o Drago. Ou seja, o cara é um mala sem alça que dá piti com quem mais se preocupa com ele. Cheguei ao ponto de torcer para o Drago dar uma camaçada de pau nesse Adonis nas duas lutas. O que sobrava de carisma no Rocky falta para o filho do Creed. A diferença nas duas franquias está no fato do Rocky ser campeão da vida, já para o Adonis é relevante ser campeão dentro do ringue. O que salva os dois filmes de ser um fiasco chama-se Rocky Balboa.

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3921_Y 29 de janeiro de 2019 - 16:09

Muita merda em um único texto (manda mais). Creed por todos os veículos de informação/critica é considerado um dos melhores filmes de toda a franquia. Os fatos podem ser comprovados no IMDB, rotten tomatoes etc. E ainda embasado ainda através de redes sociais (ex: filmow) como um ótimo exemplar da franquia e talvez o melhor longa entre os 8. Muito se deve por Adonis e o ótimo trabalho do ator. E você: uma minoria diante dos dados que apresentei. Vaza daqui seu merda.

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Rafael Mathias 30 de janeiro de 2019 - 07:11

Mais um que não pode ser contrariado; o seu nível de educação me chamou a atenção; Sinceramente não sei como o plano crítico aprovou o seu comentário. Mas tudo bem Adonis Junior, não esquenta não. Lembro a você que em toda a franquia o filme mais repercutido positivamente é o primeiro Rocky, este inclusive levou uma estatueta de melhor filme para casa. Não chore não Junior, calce a sandália da humildade e levante, porque a vida não vai parar de te socar.

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Rafael Mathias 31 de janeiro de 2019 - 00:40

Respondi este elemento hoje cedo, porém não sei por qual motivo a minha resposta não foi adicionada a discussão. Espero no mínimo uma posição do site, uma vez que o comentário do elemento foi aprovado embora contenha palavrões, e a minha resposta não foi. Educação em primeiro lugar pessoal.

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André Tonon 1 de fevereiro de 2019 - 17:29

A diferença nas duas franquias é que Rocky era o herói perfeito. Adonis tem defeitos, não foi feito para agradar sempre.

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David Moura de Oliveira 28 de janeiro de 2019 - 21:38

Viktor foi bem mais trabalhado do que o antagonista do filme anterior. Teve um peso significativo dentro da historia, mas do “jeito russo”, com poucas palavras e mais gestos (como aquela cena, logo no início, que o Ivan acorda seu filho com um soco, isso já diz muito).

Creed II me trouxe uma emoção que eu não consegui sentir tanto em seu antecessor. É mais dramático, mais nostálgico e mais sólido, sem falar que o plot que queríamos que ver, finalmente, aconteceu, e de forma bem executada. Chorei no fim da sessão.

Para quem é fã da franquia Rocky, como eu, tem grandes chances de considerar Creed II como um dos melhores dela.

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Tim 28 de janeiro de 2019 - 04:48

Achei o filme fraco, Ivan merecia mais um aprofundamento dramático melhor, Adonis nesse segundo filme pra mim foi totalmente apático, a luta final achei forçada, e sobre o Viktor, discordo. Gostei dele e cheguei até mesmo a torcer pra ele levar a luta, no filme pode ver que ele só faz tudo isso pelo seu pai, numa esperança de ter sua “familia” novamente, ele também poderia ter mais tempo de tela, mas o que tivemos foi o personagem principal chorar, e chorar e chorar…..

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Fórmula Finesse 24 de janeiro de 2019 - 11:25

Aff…esses críticos de cachecol no pescoço que não curtem uma boa PANCADARIA à moda!!! Tudo tem que ser reflexão, o contemplar das flores de cerejeira caindo, a profundidade filosófica do final de 2001, o som dos passarinhos na Vila do Chaves em Roma…
rsrsrsr – Mas sério, quando o projeto desse filme foi lançado, com Drago subindo à bordo, não deixei de imaginar os diálogos que poderiam acontecer entre ele e Rocky, os ressentimentos, a vida pós-luta, Drago gritando com forte sotaque: “Aquela luta tirou tudo de mimmmm!!!”, Drago declarando que não queria matar Apollo, que nada era pessoal que era treinado apenas para vencer, que seu filho não vinha para matar mas para ter uma chance na vida e etc etc (imaginei muitas linhas de diálogo) ,as motivações de Adonis, deslumbrado como um astro do hip hop, que se sentiria ultrajado por ser desafiado, que não se importava com uma vingança, acontecimento de algo há muito passado, mas que precisava encarar o desafio para seguir a vida adiante, para não ser considerado uma fraude…etc, e etc.
Será que eu gosto da franquia? rsrsrsr, volta e meia me pego assistindo Clubber Lang, enchendo o Rocky de porrada ao mesmo tempo que xinga ele e o mundo com suas tiradas ácidas e engraçadas (“Vejo um perdedor ensinando um outro perdedor”, “Previsão da luta? Dor!”), ou a muito bem gravada luta de Drago vs Rocky, que faz qualquer amante de filmes de ação sapatear de animação. Thunderlips erguendo Rocky (“O camarão”) a mais de dois metros do chão com as mãos no pescoço do infeliz…
Só por isso vou perdoar a densidade pífia do núcleo dramático/emocional do filme e esperar que o filho de Drago ao menos seja tão monstruoso e implacável quanto o velho foi e que a coreografia da luta entregue todo aquele exagero que nos acostumamos na época do Garanhão Italiano.

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Luiz Santiago 24 de janeiro de 2019 - 14:39

Aff…esses críticos de cachecol no pescoço que não curtem uma boa PANCADARIA à moda!!! Tudo tem que ser reflexão, o contemplar das flores de cerejeira caindo, a profundidade filosófica do final de 2001, o som dos passarinhos na Vila do Chaves em Roma…

HAHHAHAHHHAHAHAHAHAHAHAH essa será a minha nova definição para todos nós arrombados bostas lixo prepotente do caralho aqui do PC. Juntando-se à já clássica nossa: “fanáticos por filmes franceses preto e branco e fora de foco” HAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUA

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Fórmula Finesse 24 de janeiro de 2019 - 15:24

Nem vou cobrar cópiraigt por isso, seus arrombado, é só não tentarem encontrar Anna Karenina de novo na minha franquia de pancadaria preferida – rsrsrsrsrsr

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Luiz Santiago 24 de janeiro de 2019 - 17:10

#SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

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planocritico 25 de janeiro de 2019 - 14:38

Meu cachecol é de caxemira! MAIS RESPEITO!!!

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 25 de janeiro de 2019 - 15:59

Esqueci os óculos de moldura vazada…

Gabriel Carvalho 24 de janeiro de 2019 - 15:30

Tudo isso sobre o Drago poderia ser tão bom… Mas não, é só mais um vilão do mal de novo, que no final o roteiro tenta covardemente fingir que possui alguma profundidade.

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Fórmula Finesse 25 de janeiro de 2019 - 15:59

Pois é, ninguém imaginaria que Drago poderia voltar um dia a franquia, e aí – pela que captei da crítica – ele volta novamente unidimensional, com algum arremedo de humanidade aí pelo final. Puxa, o oponente mais perigoso de Rocky merecia uma construção melhor, algumas camadinhas a mais que mostrasse que o super robô também tinha capacidade de ter algum sentimento, afinal, se ele chegou a casar e gerou um filho, ele estava longe de ser apenas um experimento soviético né?
Não seria nenhum demérito se o mostrassem humano, um tanto arrependido, sequioso de reconhecimento, amargurado, esperançoso…enfim, aquele mix que é tão peculiar à todos nós.

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Bruno Linhares 23 de janeiro de 2019 - 14:58

Ryan Coogler deixou saudades.

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Gabriel Carvalho 24 de janeiro de 2019 - 22:00

Bem filme para marmanjo chorar e se engrandecer. Não sei… Não acho que o efeito é maior do que uma superfície de melodrama raso.

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