Crítica | Cristóvão Colombo – O Enigma

PLANO CRITICO MANOEL DE OLIVEIRA E ESPOSA COLOMBO

Manoel de Oliveira foi um diretor muito perspicaz ao trabalhar com adaptações. Sua captura da essência de obras originais (como no presente caso, o livro Cristóvão Colon era Português, de Manuel da Silva e Sílvia da Silva) ligava-se constantemente a assuntos de interesse direto do cineasta, ganhando maior ou igual atenção na adaptação, um casamento que por mais problemas que tenha em sua construção, nos encanta imensamente.

Lançado em 2007, Cristóvão Colombo – O Enigma veio na esteira de novas teorias e polêmicas a respeito da origem do famoso navegador. A versão histórica mais aceita e conhecida é que ele nasceu em Gênova, Itália, no segundo semestre de 1451. Mas desde o início do século XX existem teorias — algumas delas com indícios documentais — de que Colombo poderia ser, na verdade, de diversas nacionalidades: catalão, grego, português e mais algumas outras bem curiosas como polonês e escocês. Na época em que o filme foi rodado, essas teorias existiam, mas o caminho para as provas ainda precisavam de investigação científica, e o próprio roteiro traz um diálogo de que era necessário que instituições portuguesas financiassem um estudo e pedissem autorização para estudar o DNA dos túmulos de dois parentes de Colombo, a fim de se provar a teoria criada com base em “tantas evidências documentais“.

Só em 2018 que a autorização para esses exames foi concedida e até o momento em que escrevo esta crítica (julho de 2019), não há um resultado divulgado, nem dos exames e nem em torno das pesquisas para este tema. A questão é realmente curiosa, pois se trata de um questionamento histórico e não é de se espantar que Oliveira, grande apaixonado pela História, tenha resolvido trabalhar este assunto em um filme, adicionando uma camada pessoal para dar suporte à teoria. Em certa medida, este longa se parece bastante com Um Filme Falado (2003), com mais uso de silêncio e uma história íntima em evidência, ficção que se mistura à vida do próprio Manoel de Oliveira, fortalecida pela presença de seus filhos, netos e esposa (Maria Isabel de Oliveira) protagonizando alguns dos momentos mais ternos do filme, embora bastante deslocados.

A direção relaciona bem as cenas de museus, locais históricos, igrejas, estradas e mar, fazendo com que a trajetória de “descoberta das raízes de Colombo” se confundam com a vida do casal protagonista. Essa relação, no entanto, está repleta de diálogos expositivos e tremendamente chateantes, muito pelo fato de Oliveira e Maria Isabel não serem atores profissionais, logo, a entrega de textos assim tão técnicos e pouco engajantes acabam tendo um ponto negativo maior (algo diferente, por exemplo, do que acontece com Leonor Silveira no já citado Filme Falado). A bela trilha sonora ajuda a fortalecer o lado um tanto romântico, um tanto cronista ou de “diário de uma vida” do casal. O desajeito de boa parte dos diálogos são parcialmente recompensados por outras camadas da obra e termina fazendo com que a gente se conecte ainda mais com essa busca histórica, que se mescla a uma longa vida. De certa forma, o enigma da própria inspiração artística de Manoel de Oliveira.

Cristóvão Colombo – O Enigma (Portugal, França, Alemanha, 2007)
Direção: Manoel de Oliveira
Roteiro: Manoel de Oliveira (baseado na obra de Sílvia da Silva e Manuel da Silva)
Elenco: Ricardo Trêpa, Leonor Baldaque, Manoel de Oliveira, Maria Isabel de Oliveira, Jorge Trêpa, Lourença Baldaque, Leonor Silveira, Luís Miguel Cintra, Keith Davis, José Pinto, John Wolf, Beth Common, João Marques, Nuno Sota, António Reis, Ana Dias, Renato Barros, Adelaide Teixeira, Jonathan Gabriel Charles, Luis Galli
Duração: 75 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.