Crítica | Crocodilo Assassino (1989)

Ao me debruçar na palavra-chave “crocodilos e jacarés no cinema”, parte integrante do subgênero horror ecológico, parte integrante dos filmes de terror e aventura, constantemente encontro diante de acontecimentos reais mais aterrorizantes que as narrativas ficcionais. Imagina você estar num resort, tal como os personagens do filme em questão, e, de repente, um réptil crava os dentes em seu filho de dois anos e o arrasta para as densas águas do local. Já pensou na cena aterrorizante? Pois é, não se trata de ficção, mas de algo que ocorreu em 2016, na Flórida, num parque na Lagoa dos Sete Mares, vinculado aos espaços de entretenimento da Disney. Em 2018, uma mulher que passeava com o seu na Carolina do Sul foi surpreendida por um réptil do mesmo quilate e perdeu a sua vida.

A mídia oportunista poderia nomear a matéria como o título do filme a ser analisado, isto é, Crocodilo Assassino. Guiado pelo roteiro de Dardano Sacchetti, o cineasta italiano Fabrizio de Angelis embarca na onda dos animais assassinos dos anos 1950, 1960 e 1970, modificados por alguma inserção indevida dos seres humanos e seus planos capitalistas na natureza. Lançado dez anos depois de Crocodilo Assassino, de 1979, produzido pelo oportunista Sergio Martino, o filme traz o velho grupo de ecologistas que está em busca de comprovações para uma punir judicialmente uma poderosa corporação, supostamente responsável pela poluição de um pântano que atende aos pescadores de uma vila local, num ambiente situado na América Latina, sem local definido.

O que temos como informação inicial é a população de pessoas negras, em sua maioria, numa região dominada pelo espanhol como língua principal. A trama, com traços de outros filmes do segmento, se estabelece da seguinte maneira: um crocodilo aparece numa vila, deixa suas vítimas, além de espalhar pânico pela região. O que está por detrás do aparecimento repentino deste monstruoso ser naquele local? É o que o grupo de pesquisadores estereotipados chega para investigar: Kevin (Anthony Crenna) é líder da missão, o cara “gente boa”, amigável e conselheiro, acompanhado de Mark (Julian Hampton), irritante fotógrafo que age de maneira impulsiva e coloca todos quase sempre em situações perigosas.

O comandante do barco de investigação, Bob (John Rapper), apresenta-se de maneira que sabemos o seu destino em apenas poucos instantes: torna-se a inevitável comida de crocodilo. As mulheres em perigo do grupo são representadas por Pamela (Sherie Ross) e Jennifer (Ann Douglas). Logo após as primeiras apresentações, eles descobrem que em determinado ponto do rio, há um deposito de lixo nuclear. De volta para a vila, após recolhimento das amostras, descobrem a corporação responsável pelo problema. Neste meio tempo, o cão predileto do grupo é morto, devorado pelo crocodilo assassino em fúria sangrenta que se rebela de maneira frenética e ataca tudo que encontra pela frente.

Há neste espaço a chegada de Joe (Ennio Girolanni), um homem cheio de mágoas com a mãe natureza, tendo dedicado à sua vida à caça de crocodilos infames. O grupo, interessado em manter o crocodilo salvo e entrega-lo para um local adequado, precisa lutar contra as forças capitalistas de um juiz local (Van Johnsson) e Folley (Wolvimar Williams), este último, dono do empreendimento responsável pelo aumento e fúria do animal. Com poucos interessados em salvar suas utópicas missões ecológicas, os integrantes do grupo precisam arranjar uma maneira de manter a sobrevivência ao longo dos minutos que restam desta narrativa de 90 minutos.

Visualmente, Crocodilo Assassino é uma experiência estética cheia de imperfeições, haja vista as questões orçamentárias. A direção de fotografia de Federico Del Zoppo faz o que pode para contemplar o espaço e nos inserir no clima da história, além de esconder ao máximo a criatura produzida pela equipe de Paolo Ricci e Gianetto de Rossi, coordenador de efeitos especiais e maquiador, respectivamente. A trilha sonora de Riz Ortolani, ao emular John Williams em Tubarão, promove uma aproximação com o espectador, algo de cunho comparativo, para que possamos compreender a inferioridade. O design de produção de Ennio Brizzolari, tal como o setor de fotografia, cumpre da melhor maneira o serviço, numa ambientação de cenários razoável, na missão de cumprir a cartilha do estilo cinematográfico em questão.

Crocodilo Assassino (Killer Crocodile/Itália, 1989)
Direção: Fabrizio De Angelis
Roteiro: Fabrizio De Angelis, Dardano Sacchetti
Elenco: Richard Anthony Crenna, Pietro Genuardi, John Harper, Sherrie Rose, Ann Douglas, Ennio Girolami, Van Johnson, Bill Wohrman, Gray Jordan, Amilcar Martins
Duração: 92 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.